Snowy Days
13 Memórias
Notas iniciais
P.O.V. – Percy
Eu fiquei deitado na minha cama por mais uns 15 minutos, até quando ouvi a campainha tocar. Annabeth tinha chegado, e provavelmente tinha vindo caminhando, a julgar pelo jeito em que se encontrava quando abri a porta para ela. Tinha um pouco de neve nas suas roupas, touca e cabelo, mas mesmo assim ela estava com um pequeno sorriso em seus lábios, como se vir a pé até aqui não fosse nada simplesmente pelo fato de que era para me ajudar. Ou talvez simplesmente por causa de sua imaginação fértil que tentava buscar uma explicação para aquele convite repentino, e que consequentemente imaginava algumas coisas um tanto... desnecessárias de serem mencionadas aqui.
Eu nem ofereci ajuda, já que o meu apartamento era quase que sua segunda casa. Ela mesma tirou seu casaco e colocou no cabide que ficava ao lado da porta, junto com a sua touca e luvas. Observei-a bater a neve que havia se acumulado no restante de suas roupas com certa curiosidade, tentando adivinhar o que estava passando por aquela mente genial escondida embaixo dos cachos loiros.
— Então Percy, o que é tão importante assim pra eu ter que sair lá de casa só pra falar com você? — Ela perguntou, tentando conter o seu sorriso. Ela estava de costas para mim, ainda tirando o restante de neve. — Sabe, eu não me sujei toda só pra cair em mais uma das suas brincadeirinhas idiotas. — Então Annabeth virou-se, soltando um riso sutil. Fazia tempo que eu não via aquele sorriso. Pelo menos, não naquele lugar, na minha casa. Eu não convidava-a para vir aqui havia muito tempo, e foi justamente para falar de mim. Palmas Percy, você é um ótimo melhor amigo.
Soltei um suspiro, tentando dispersar aqueles pensamentos que subitamente haviam tomado conta da minha cabeça. Eu não queria parecer egocêntrico, mas eu realmente estava enfrentando um puto de um problema.
—Eu vou pegar alguma coisa pra gente comer, você uh... pode esperar no meu quarto mesmo.
Agora eu tinha mais alguns minutos para organizar toda aquela bagunça que era a minha mente naquele instante. A desculpa da comida sempre funcionava, felizmente.
Ela acenou com a cabeça e foi se direcionando para o corredor onde meu quarto estava, sem falar nada mais nada menos do que um simples “Okay.”. Às vezes eu sentia inveja daquela facilidade que ela tinha com absolutamente tudo.
De qualquer forma dei a volta e andei até a cozinha, tirando os tênis no meio do caminho e chutando-os para algum canto qualquer. Ouvi um dos vasos decorativos da sala balançar e prendi a respiração inconscientemente até que este parasse em pé novamente. Eu realmente deveria aprender a tomar mais cuidado com as coisas.
Eu mal tinha passado pela porta da cozinha, mas já estava procurando o pacote daqueles malditos doces que eu tanto gostava. Olhei nas “gavetas voadoras” (como eu me referia àqueles armarinhos que ficam presos nas paredes da cozinha), dentro da geladeira, dentro do forno, do freezer, e absolutamente nada. Achei uns cereais sem açúcar de uma marca vagabunda qualquer (Demétri, ou alguma coisa desse tipo), uns Oreos, um tubo de corante pra comida azul e tudo o que uma cozinha tinha direito, menos o que eu estava procurando. Eu fiquei observando todas aquelas tralhas que eu jogara em cima da bancada enquanto pensava em mais algum lugar para procurar, até que a ficha finalmente caiu. Abaixei-me e fui procurar embaixo da bancada, e lá estava ele: Intacto, apenas me esperando. Eu apenas sorri e estiquei meu braço para pegar o pacote.
Agora eu carregava uma tigela cheia de marshmallows azuis e andava na direção do meu quarto, um tanto feliz por conseguir encontrar o que eu tanto queria. No fim das contas, eu não pensei nem um pouco no que eu diria ou como que eu explicaria minha situação para Annbeth, apesar de eu ter certeza de que ela me entenderia. Talvez tirasse um pouco com a minha cara para mexer um pouco comigo, mas sem sombra de dúvida faria o possível para me ajudar. Além do mais, eu realmente precisava de alguns conselhos.
Abri a porta com a mão livre e bati nesta com o meu ombro para empurrá-la, só para me deparar com a loira observando um dos porta-retratos que estava em cima do meu criado-mudo, sentada na minha cama. Só quando me aproximei mais pude reconhecer a cena. Era uma foto de quando éramos mais novos, uma vez em que a tia Sofia (mãe de Annabeth) tinha comprado uma piscina de plástico e convidara alguns de nossos amigos para brincar lá. Não demorei muito para reconhecer Grover, Luke, Thalia, Annie e eu mesmo. Luke fazia guampas com os dedos atrás da cabeça de Thalia sendo que esta já tinha uma careta no rosto. Grover mostrava a língua, e eu estava virado para o lado oposto, jogando água nele. Enquanto isso, Annabeth apenas ria. Realmente, eu gostava muito daquela foto. Fazia com que eu me lembrasse da época em que Luke ainda morava na mesma cidade que nós, quando Thalia sequer pensava em se mudar para fazer faculdade, e quando Grover não estava metido naqueles projetos para preservar o meio-ambiente e ainda tinha tempo para falar conosco. Fazia com que eu me lembrasse de quando nenhum de nós tinha preocupação alguma.
Observei a foto por mais alguns instantes, sorrindo levemente devido à carga nostálgica que eu acabara de receber. De vez em quando eu desejava voltar a ser uma criança e poder vivenciar todos aqueles momentos de novo, brincar novamente, reaprender a andar de bicicleta. Mas como isso é infelizmente impossível, apenas sobram-me as fotos para reviver aqueles momentos.
Afastei-me da fotografia e me sentei na cama também, colocando uns cinco marshmallows na boca de uma vez, justamente como uma criança faria. Depois disso, estendi a tigela para Annie.
— Eu sinto falta deles. — Ela murmurou, pegando alguns doces. Aparentemente ela ia comê-los agora mesmo, mas alguma coisa fez com que ela parasse antes. Ela analisou o marshmallow por alguns instantes, e depois olho de relance para mim, os lábios moldados em um sorriso de canto. — Sério Percy? Azul?
— Velhos hábitos nunca mudam. — Falei, ainda de boca cheia. — Além disso, comida azul é boa.
— Babaca. — Ela riu de novo, empurrando o meu ombro para longe. — Então, você vai me explicar o porquê de você ter me chamado aqui?
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