Snowflake
6 Capítulo 6
Jogou as roupas dentro da mala, não tinha muitas coisas, nem muito tempo, apenas tinha que ir.
—Caitlin? – ouviu Joe chamar, ignorou voltando a ajeitar as coisas na mala. – Caitlin, o que você está fazendo?
Ela ofegou levantando a cabeça para encara-lo.
—Mulher louca ameaçou meu filho, tenho que ir embora. – disse rapidamente, ele a encarou confuso. – Nem eu estou entendo, apenas não posso deixar nada acontecer com ele.
—Ele? É um menino? – Joe perguntou levemente entusiasmado.
—Tudo indica que sim. – parou de tentar arrumar a mala e colocou as mãos na cintura, sua garganta apertava contendo o choro que viria.
—Se alguém está tentando machuca-lo, o mais sensato a fazer é ficar aqui até pegarmos essa pessoa.
—Por quanto tempo?
—O tempo necessário.
—Não tenho todo esse tempo, quero ir antes da barriga começar a aparecer.
—Ok, que tal assim. – Joe se aproximou pegando suas mãos. – Você fica até encontramos alguma pista forte que nos leve até quem quer te matar, depois você pode ir, apenas nos dê um tempo. Pode ser assim?
—Um mês, Joe, apenas o que eu posso te dar é um mês.
Ele assentiu.
—Ah, e antes que eu esqueça, Cisco ligou, Julian acordou.
—Finalmente. – ela soltou um suspiro aliviado. – Vou para o hospital.
—Quer carona? Estou indo para a delegacia. — assentiu pegando a bolsa e as botas. — Qual é essa sua nova mania de andar descalço?
—Meus pés estão inchados e eu odeio eles.
***
Ela abriu a porta do quarto de Julian se deparando com Cisco sentando na cama do cientista forense. Bateu na madeira chamando a atenção dos dois, Julian sorriu feliz ao vê-la.
—Não disse que vinha ainda hoje. – Cisco disse sorrindo como se soubesse das coisas, pena que ele não sabia de nada.
—Caitlin.
—Oi Julian, que bom que você está bem. – disse cruzando os braços.
—Fico feliz que tenha vindo me ver. – Julian falou se ajeitando na cama, ela sorriu. – Por onde você tem andado?
—Por aí. – respondeu evasivamente.
—Caitlin tem uma amiga que é uma bruxa. – Cisco disse, Julian o olhou confuso. – Não uma bruxa de megera, uma bruxa de verdade com poderes e tudo.
—Sério?
—Ela veio de Hogwarts. – disse, fazendo seus amigos a olharem abismado. – Estou brincando.
—Que bom, porque se fosse verdade eu já iria fazer um protesto pela minha carta não ter chegado. – Cisco falou, ela balançou a cabeça rindo.
—Barry vem? – indagou colocando as mãos nos bolsos.
—Falando de mim, querida. – a porta ao seu lado de abriu e Barry entrou segurando um buquê de flores. Ela arqueou a sobrancelha confusa.
—Oh, sempre soube que você me amava, Allen. — Julian brincou, Barry revirou os olhos.
—Pelo visto seu senso de humor não morreu. – o velocista disse. – Para sua informação, foi Iris quem mandou, ela disse que eu não podia chegar aqui de mãos vazias.
—Não vejo problema nenhum em chegar sem nada. – Caitlin disse inclinando a cabeça com um sorriso.
—Cait, você não conta. Basta apenas sorrir, isso já é muita coisa. – Barry disse, ela abaixou a cabeça sentindo o calor subir pelo seu pescoço.
—Desta vez tenho que concordar com o Allen. – foi Julian que falou, ela ainda pode ouvir o murmuro de concordância de Cisco. – Sua presença já é o melhor presente que eu poderia ter.
Eles a olhavam com aquele olhar que a fazia se sentir especial, aquilo estava a matando por dentro, será que eles não podiam ser um pouco menos gentis?
Torceu o nariz sentindo como se estivesse preste a chorar, mas estranhamente não sentia o bolo se formar em sua garganta, então espirrou.
—Saúde. – Cisco disse, ela tentou sorrir em agradecimento, mas tornou a espirrar diversas vezes seguida. – Você está bem?
—Não sei. – coçou o nariz com o punho do caso e se virou para Barry, que estava mais próximo do que devia. – Acho que são as flores.
—Mas você não é alérgica ou é? – Julian indagou, ela negou com a cabeça.
—Mas acho melhor me afastar. – puxou a maçaneta abrindo a porta e respirando um pouco de ar puro do corredor. Inspirou e expirou uma dezena de vezes até sentir o nariz menos irritado, talvez fosse um dos sintomas que vinha com a gravidez.
—Ei, está melhor? – sentiu a mão de Barry no início de sua coluna.
—Melhor, mas acho que não vou conseguir voltar lá pra dentro. – disse se afastando do toque dele.
—Ok, vamos lá pra baixo.
Caminharam juntos até o elevador, Caitlin se sentia estranhamente incomodada com aquele novo Barry, ele parecia constantemente preocupado com ela, como se soubesse o que estava acontecendo. Ele parecia muito com aquele Barry de antigamente, ele também se preocupava com ela, sempre ligava para saber se ela estava bem ou mandava mensagens desejando boa noite, ele sempre estava ao seu lado e fazia o possível para ela ficar bem.
—Quer comer alguma coisa? – Barry perguntou assim que saíram do elevador, o térreo do hospital era tão branco e imaculado quanto os outros lugares. Ela negou. – Então vamos sentar um pouco. – ele indicou as cadeiras de espera vazia.
—Por que está fazendo isso? Porque está aqui comigo e não lá com Julian.
—Porque eu me importo com você.
—Barry se está tentando compensar alguma coisa não precisa, eu estou bem.
—Não, você não está. – ele disse com calma. – Você sempre morde o lábio inferior quando algo te incomoda e está fazendo isso com muito mais frequência desde de que chegou.
Abaixou a cabeça soltando lábio que prendia entre os dentes, se odiava por ele a conhecer bem.
—Você não precisa fazer isso. Não precisa cuidar mais de mim.
—Eu sei, mas não posso deixar você, fiquei tempo longe demais, me afastei de você sem querer, não posso fazer isso de novo. Você é muito importante para mim, muito mais do que imagina.
Respirou fundo prensando o lábio e virando o rosto. Barry segurou sua mão.
—Ah, Barry. – suspirou, pelo canto do olhou viu uma movimentação estranha. – Barry.
—Sim?
—Por que aquele cara não para de nós encarar? – ele a olhou confuso e desviou o olhar em direção ao homem parado a alguns metros.
—Vem comigo. – Barry mandou se colocando de pé ainda segurando sua mão. O homem pareceu notar a súbita agitação deles pois ficou ereto pronto para qualquer coisa. – Vamos sair daqui.
Eles percorreram o caminho de volta para o elevador, sobe o olhar atento do homem, Barry apertou o botão para o subsolo.
***
—Você terá proteção de agora em diante. – Joe falou, ela o olhou confusa.
—Como?
—Um oficial designado para estar ao seu lado durante todo o dia, à noite como você está ficando aqui, eu serei responsável pela sua segurança.
—Não acho que isso seja necessário. – insistiu.
—A pessoas te perseguindo, acho que seja necessário. – ele disse, Caitlin bufou.
—E quem vai ser?
—Dominic. – ela arregalou os olhos para Joe.
—Não.
—Ele se ofereceu.
—Por que não Barry? Ele sempre está no laboratório mesmo.
—Dominic é agente de campo, Barry é apenas um cientista forence. – Joe explicou. – Caitlin é apenas para o seu bem.
—Ok. – cedeu se jogando no sofá. – Mas não me culpe se ele for encontrado congelado.
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