Snowflake
25 Capítulo 25
"Sim, eu quero você
E nada chega perto
Da maneira que eu preciso de você" — Oceans, Seafret
B A R R Y
Tempo. Essa pequena palavrinha era capaz mudar muita coisa. Havia passado quase cinco meses longe de Caitlin, sem saber onde ela estava, se estava viva ou morta. Porém durante esses meses ele havia aprendido e descoberto seus reais sentimentos sobre ela, como Iris gostava de dizer, ele havia se apaixonado por uma mulher morta. Não importava, algo dentro dele sabia que Caitlin estava viva, mesmo que todos dissessem o contrário, era algo poderoso que o ligava a ela, até Cisco havia percebido isso, Gypsy tinha comentado algo sobre uma ligação forte que algumas pessoas tem uma com a outra, o tipo de coisa que ligava ela a Cisco.
Era algo bobo, porém ele havia se apegado aquele pequeno fio de esperança para encontrar Caitlin. Então Kara apareceu de surpresa e ele soube na hora o que ela realmente havia ido fazer ali, seu coração batia acelerado enquanto via o vídeo e pela primeira vez em meses podia ouvir a voz dela, ver seu sorriso, o jeito como ela mexia as mãos nervosa, apertava o pingente do cordão com força e desvia o olhar em busca de algo, então se acalmava sorrindo consigo mesma. Ela buscava Josh, foi assim que ele soube que seu filho estava bem.
Ele havia quase enlouquecido querendo ir para a terra-38 o mais rápido possível, mas Joe o aconselhou a esperar um pouco, deixar as coisas se acalmarem, deixar Caitlin descansar, pois como Kara havia explicado, eles tinham fugido do hospital e precisavam dormir um pouco, então ele cedeu e disse que iria somente na manhã seguinte. Então lá estava ele, apertando Caitlin contra seu corpo apenas para ter certeza que ela era real e não apenas fruto de sua imaginação.
—Eu te achei. — sussurrou sorrindo, Caitlin, que tinha o rosto escondido na curva do seu pescoço, riu. As mãozinhas pequenas dela apertavam sua camisa sem a intenção de soltar. — Você não sabe o quanto te procurei, o quanto eu tentei te achar.
—Sinto muito por desaparecer. — ela murmurou, ele podia sentir as lágrimas quente dela em sua pele. A ergueu em seu colo com facilidade, então fechou a porta com cuidado e a levou até o sofá.
—Acho que você precisa me soltar antes que eu morra sufocado. — brincou fazendo Caitlin afrouxar o aperto de seus braços ao redor do pescoço dele. Ela se afastou, seus olhos curiosos pareciam tentar captar todo os detalhes do rosto dele, ela sempre foi assim, curiosa e cautelosa. Ergueu os dedos tocando de leve o rosto dela, Caitlin fechou os olhos aproveitando o toque, ele segurou o queixo dela se aproximando ainda mais e a beijando com vontade, havia sentido saudade do gosto dela, da delicadeza de seu beijo e a da paixão que ela colocava a cada toque. Havia sentido tanta falta dela que era impossível descrever, não chegava a ser uma dor física, mas incomodava mais do que o necessário. Porém o incômodo agora havia passado, ele estava em paz. — Eu te amo. — sussurrou encostando a testa contra a dela e sorrindo sobre seus lábios, Caitlin também sorriu.
—Eu sei. — ela lhe beijou, um beijo calmo e carinhoso. — Eu também.
Eles ficaram em silêncio aproveitando a calma e a paz do apartamento até o resmungo infantil soar atraindo a sua atenção, se afastou de Caitlin olhando para o berço perto da cama de Kara. Caitlin se preparou para se levantar, mas ele a impediu.
—Deixa comigo. — disse se afastando dela e caminhando até o berço. Josh o olhou curioso, ele era tão pequeno e tão frágil que Barry hesitou em pega-lo no colo.
—Você não vai machucar ele. — Caitlin falou, ele nem notou quando ela se aproximou dele. — Eu sei que não vai. — Barry respirou fundo antes de esticar os braços e segurar Josh pela primeira vez, o bebê balbuciou alguma coisa deixando a baba escorrer, ele riu se sentando na cama de Kara. — Ele se parece com você, principalmente os olhos.
—Tenho certeza que ele herdou toda a sua personalidade.
—Tomara, porque assim ele não vai ser tão imprudente quanto o pai.
—Isso foi alguma indireta, dra. Snow? — indagou arqueando a sobrancelha, Caitlin torceu a boca em um sorriso se fazendo de inocente. Ele riu. Aquela mulher era perfeita. — Quando você volta pra casa?
—Não sei, Josh ainda é muito pequeno para viagens interdimensionais, tenho medo que algo aconteça a ele.
—Não se preocupe, cuidaremos disso. — assegurou beijando a cabeça de Josh. — Vou cuidar de vocês dois.
—Eu sei que vai.
Caitlin sorriu pegando a mão dele e apertando com força. Eles estavam bem.
***
—Quando ela volta? Quando eles voltam? Quando eu vou ver meu afilhado? Ela está bem? Me diga que ele puxou a Caitlin, porque se tiver puxado a você, eu tenho pena do pobrezinho. — Cisco o bombardeou assim que ele pisou o pé no córtex, parecia que seu amigo não conseguia segurar a língua dentro da boca.
—Ela está bem, os dois estão. — disse tentando acalmá-lo, mas Cisco não era o único nervoso na sala, River parecia se controlar para não explodir em êxtase.
—Quando eles vem? — Joe perguntou, Barry sabia que ele estava ansioso para ver Josh desde que Kara havia aparecido com o vídeo.
—Logo. — respondeu, River bufou irritada.
—Como assim logo? Por que ela não vem agora?
—Porque ainda é muito pequeno, frágil e nasceu a poucos dias, achamos melhor mante-lo lá por um tempo até ele estar firme e forte para fazer esse tipo de viagem. — explicou, embora soubesse que nenhum deles estava conformado com aquilo. — Mas vocês podem ir visitá-los.
—Bom, pelo menos isso, né. — River cruzou os braços antes de sorrir para ele e perguntar. — Então como ele é?
—Perfeito. — disse sem conseguir achar uma palavra melhor para descrever seu filho.
—Ele puxou a quem?
—Ele tem os meus olhos, mas se parece muito com a Caitlin.
—E como ela está? — Joe perguntou, Barry se sentou na cadeira sabendo que aquela conversa iria longe.
—Linda, entusiasmada, feliz.
—Então ela está bem.
—Perfeitamente bem.
—E como vocês estão? — River perguntou trocando olhares sórdidos com Cisco. Barry riu, não estava disposto a discutir sua vida amorosa com aqueles dois.
—Joe me ajuda a montar o berço de Josh? — perguntou tentando escapar da pergunta de River.
—Claro, você já tem? — o detetive perguntou, ele assentiu.
—Tudo está na casa de campo, vou levar as coisas de Caitlin e Josh para o meu apartamento. Isso me lembra que eu tenho que avisar a Carla sobre o que está acontecendo.
—Verdade, ela sofreu muito quando contamos sobre a "morte" de Cait. — Cisco falou, Barry e ele haviam ido juntos contar a Carla sobre Caitlin, ele havia ficando com o coração na mão pela doutora.
—Quer ir comigo?
—Não posso, tenho um encontro com Gypsy. — o engenheiro disse, ele assentiu, sabia que os encontros deles era quase sagrados.
—River?
—Tenho planos com Iris. — a loira deu de ombros, Barry arqueou a sobrancelha.
—De novo?
—Sim e daí? — ela semicerrou os olhos de maneira ameaçadora.
—Nada não, apenas bons planos. — disse, Joe e Cisco riram. Ele sabia que algo estava rolando entre aquelas duas, todo mundo sabia. E isso era uma das coisas que ele teria que contar para Caitlin assim que a visse no dia seguinte. Sorriu para si mesmo, logo estaria com Cait e Josh ao seu lado. Logo eles seriam uma família.
Algum tempo depois...
—Prometa que nunca vai esquecer de mim. — Winn pediu segurando a mãozinha de Josh, o pequeno riu sem entender o que ele queria dizer.
—Não vamos estar muito longe, Winn. Você pode nos visitar sempre que quiser. — Caitlin disse já perdendo sua paciência.
—Kara te leva. — falou olhando para amiga em busca de apoio.
—Winn, sai de perto. — Alex ordenou puxando-o pela gola da camisa. Barry riu.
Caitlin havia chegado a decisão de que Josh estava forte e saudável o suficiente para viajar para terra-1, o pequeno já estava mais esperto e animado, apesar da pouco idade já entendia muito bem quando lhe chamavam a atenção e sabia quando era a hora certa de chorar para ganhar o que queria.
Estava na hora de deixar a terra-38, se despedir foi a parte mais difícil, embora todos soubessem que sempre poderiam visitar um ao outro, os últimos tempos haviam feito Kara e Caitlin criarem um laço de amizade muito forte, e fez tanto Winn quanto Alex e Mon-el se apegarem a Josh. Aquele pequeno ser conseguia encantar todos a sua volta.
Eles passaram pela fenda direto para o apartamento dele, encontrariam os outros no laboratório depois, agora eles precisavam de um tempo para eles.
—Olha Josh, estamos em casa. — Caitlin disse sorrindo para a bolinha que carregava no braço, Josh riu deixando a baba escorrer.
—Deixa que eu levo ele para o berço. — falou deixando a bolsa com algumas roupas deles no sofá e pegando Josh. — Você pode dormir um pouco.
—Isso seria ótimo, Josh pareceu notar que voltaríamos para casa, pois mal dormiu ontem à noite. — Caitlin se espreguiçou acompanhado ele até o quarto, Barry colocou Josh no berço de madeira, não havia muita decoração nele, Joe havia aconselhado a não colocar nada no berço que pudesse machucar Josh, ou seja, nada de brinquedos de pelúcia ou qualquer outro tipo de coisa que pudesse soltar pêlo. — Acho que Kara agradeceu aos céus quando você chegou.
—Pois eu acho o contrário, ela vai sentir muita saudade dele.
Caitlin se sentou na cama observando a cidade pela janela aberta, Barry sorriu inconscientemente, os raios entravam no quarto a iluminando de maneira delicada, eles criaram uma aura ao redor dela, Cait parecia uma miragem de tão bela que era. O tempo poderia parar ali mesmo que ele não se importaria.
—Por que você está me encarando? — ela perguntou virando o rosto para ele e sorrindo.
—Nada. — deu de ombros se sentando na cama e a puxando para seu colo. Caitlin riu juntando seus lábios em um beijo lento. — Você deveria descansar.
—Não vou conseguir se você não sair de perto de mim. — ela sussurrou. Barry se jogou contra a cama a puxando por cima dele. — Ei!
—Vamos dormir então.
—Eu te odeio.
—Você sabe que não. — brincou, Caitlin rolou para o lado se aconchegando mais perto dele. — Durma um pouco, eu estarei aqui quando acordar.
—Eu sei que vai. Você sempre está. — ela disse fechando os olhos. — Senti a sua falta.
—Eu também senti a sua. — sussurrou beijando de leve o cabelo dela. — Mas do que você imagina.
—Então, como ficamos?
Barry ergueu a mão passando suavemente sobre a coxa dela, Caitlin se arrepiou com o gesto.
—Como assim?
—Nós dois. — ela sussurrou. — Você se separou de Iris por minha causa?
—Não apenas por você, foram muitas outras coisas, até que chegamos a conclusão que não daria mais certo. Mas no final ficamos bem. — disse. — Ela está bem, acho até que está com alguém novo.
—E quem seria esse novo alguém?
—Acho melhor você perguntar pra ela. — Caitlin se remexeu desconfortável até achar uma posição melhor. — E sobre nós, acho que podemos seguir assim por enquanto, não acha?
—Em passos de bebê?
—Não exatamente, mas apenas eu e você, sem ninguém se intrometendo ou opinando. Apenas nós.
Ela sorriu.
—É, apenas nós. Barry, eu...
—Eu sei. — disse sabendo exatamente o que ela iria falar. — Eu também.
Caitlin fechou os olhos mantendo o sorriso no rosto e por fim se deixou levar pelo sono.
A várias definições de amor e várias maneiras de expressa-lo. Alguns amam demais, outros de menos. Barry gostava de pensar que eles se amavam na medida certa. Não havia exageros quando se tratava deles, até porque as suas vidas já eram um pequeno exagero. Josh não havia sido concebido da maneira tradicional, não havia sido criado por meio do amor ou carinho, mas isso não o impedia de ser o bebê mais amado do mundo. Ele tinha avós que o amava, tias e tios que cuidariam dele independente do que acontecesse. Ele nunca ficaria sozinho mundo.
Josh podia ser fruto de uma relação estranha entre Savitar e Killer Frost, mas para qualquer um à sua volta ele era, e sempre seria, filho de Caitlin Snow e Barry Allen.
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