Snowflake

19 Capítulo 19


—Tem certeza que você está bem? – Cisco indagou, Caitlin assentiu. Eles estavam no apartamento de Oliver; Cisco e River haviam chegado há poucos minutos, Barry havia ligado para Joe que alertou os outros. – Isso é tão surreal.

—É, acabei de ter meu carro explodido, isso é surreal.

—Eu salvei sua vida, isso compensa qualquer coisa. – Barry disse, ela revirou os olhos.

—Mas explodiu meu carro!

—É um bem material.

—Era o meu carro. – retrucou. River e Felicity riram.

—Você está sendo infantil. – Barry falou, Caitlin cruzou os braços.

—Você destruiu me carro.

—Eu te dou um cachorro.

Ela arqueou a sobrancelha descrente, ele só podia estar brincando.

—Será que dá para os dois pararem de agir como crianças e começarem a explicar o que está acontecendo? – Oliver pediu já irritado com eles, Caitlin sorriu.

—Simples, alguém quer me matar e está preste a conseguir isso.

—Isso é um fato, mas quem? – Felicity indagou, Caitlin mordeu lábio e olhou para os amigos.

—O nome dela é Elizabeth Parker. – Barry disse.

—Ela quer matar Caitlin como vingança contra Savitar. – Cisco completou.

—Aquela sua versão do futuro do mal? – Felicity perguntou a Barry, ele assentiu e disse.

—Para Elizabeth, Caitlin é a única coisa que ainda está ligada a Savitar. Matar ela seria como uma vingança.

— E o que Savitar fez para ela? – Oliver indagou.

—Ele a enganou. Elizabeth queria mais poder, acabou que cada vez que ela usava sua força, envelhecia mais rápido. – Caitlin explicou. – Agora era parece uma velha de sessenta anos.

—Então temos um louca atrás de Caitlin para se vingar da cópia com cara de pizza do Barry. – Cisco disse. – Algum plano?

Todos se entreolharam sem saber o que falar ou pensar, Caitlin mordeu o dedão, a chuva ainda estava forte do lado de fora, os pingos contra a janela lhe lembravam o barulho de quando a pipoca estoura, sua barriga roncou.

—Vou fazer pipoca. – disse saindo em direção a cozinha.

—Sério? – Felicity franziu a testa em sua direção. – Agora?

—Não como nada há horas, estou com fome. – deu de ombros vasculhando os armários.

—No debaixo. – Oliver disse e então caminhou em sua direção. – Deixe que eu preparo algo para a gente comer.

—Obrigada. – se afastou dele sorrindo.

***

Caitlin remexeu o chá em sua mão, o sol nascia pela janela, a chuva havia dado adeus pouco depois das duas da manhã, seus olhos pesavam embora tivesse dormindo por algumas horas. Barry ainda estava dormindo no sofá com os pés sobre a mesinha de centro, Cisco tinha a cabeça no colo de River que dormia com as costas contra a poltrona no chão, Felicity dormia encolhida no sofá menor a mão envolvida com a de Oliver que dormia sentado no chão. Caitlin havia adormecido com a cabeça no ombro de Barry e a mão dele em sua cintura, fazia poucos minutos que tinha acordado, checado o celular e ligado para Joe. Estava virando uma mulher multitarefas.

Levou o chá até a boca, Oliver se remexeu abrindo os olhos. Ela sorriu para ele. O arqueiro se levantou caminhando em sua direção.

—Bom dia. – disse erguendo a xícara.

—Bom dia, acordou cedo.

—Fiquei sem sono.

Oliver ligou a máquina de café, Caitlin franziu o nariz com o cheiro.

—Você está bem? – ele indagou, ela assentiu. – Parece pálida.

—É a minha nova cor natural, não sabia? – brincou deixando a xícara sobre a bancada, Oliver riu. – Com meus poderes meu fenótipo mudou um pouco, tipo quando uso meus poderes, meu cabelo tende a ficar loiro quase branco.

—Pelo menos não podemos dizer que não combina com sua pele. – ele disse, Caitlin riu.

—Ei, dá pra falar baixo? Tem gente tentando dormir. – River gritou puxando a almofada de detrás da cabeça e arremessando, pena que ela tinha uma péssima mira e acertou em Barry que acordou assustado.

—O que foi? Quem morreu? – ele perguntou atordoado.

—Ninguém, acalma-se. – Caitlin disse rindo.

—Então por que me acordaram? — Barry indagou bagunçando o cabelo e bocejando, ela mordeu o lábio inferior reprimindo o suspiro que provavelmente seria seguido de um sorrisinho.

River gargalhou alto, Caitlin voltou sua atenção para ela sentindo o calor subir pelo seu pescoço, escondeu o rosto em sua xícara.

—Vocês são inacreditáveis. – River disse se levantando, a cabeça de Cisco quicou no chão, ele soltou um gemido de dor, Felicity se sentou no sofá ainda sonolenta. – Que horas são?

—Quase sete. – Oliver falou, a cafeteira apitou indicando que o café estava pronto. – Tenho que ir trabalhar.

—Todos nós temos. – Cisco se espreguiçou. – Mas só para deixar claro, o plano ainda está de pé?

Caitlin assentiu.

—Vamos falar com Joe e os outros, a gente vai pegar ela. – disse terminado de tomar o chá.

—Cisco me leva para casa. – River disse se apoiando no ombro dele, ela estava com cara de ressaca, Caitlin não duvidava muito que ela estava completamente bêbada na noite anterior durante a reunião. – Ainda preciso criar coragem para enfrentar Belford.

—Pense assim, quanto mais rápido você chegar, mais rápido poderá ir embora. – Cisco falou olhando para a loira, River sorriu beijando a bochecha dele. Caitlin arqueou a sobrancelha olhando de canto para Barry, ele balançou a cabeça como se pedisse para ela deixar pra lá.

—Acho que todos temos que ir. – Barry disse. – Quer que eu te leve para casa, Cait?

Assentiu, Felicity lhe lançou um olhar de repreensão, ignorou, ignoraria até quando pudesse. Ninguém iria controlar sua vida, nem suas escolhas.

***

Caitlin acordou com um barulho vindo de fora do quarto, se sentou na cama, a luz da lua entrava pela fresta da cortina lançando uma penumbra no cômodo. O barulho retornou um pouco mais alto desta vez, Caitlin saltou da cama pegando o celular e caminhou para fora do quarto.

O barulho começou a aumentar, Caitlin parou percebendo que o som vinha do quarto de Josh, deu mais alguns passos até perceber que o barulho na verdade era o um choro infantil, seu primeiro instinto foi dar um passo para trás, da última vez que havia ouvindo aquele tipo de choro tinha dado de cara com Elizabeth, era obvio que aquilo era armação dela. Mas seu coração bateu acelerado, não de medo, mas de preocupação, ele parecia reconhecer de quem era aquele choro.

Abriu a porta ainda segurando o celular, tateou a parede a sua direita e apertou o botão do interruptor, o quarto se encheu de luz, o berço de Josh estava no canto como sempre, as paredes estavam brancas esperando a tinta que ela logo escolheria, as cortinas balançavam deixando o vento frio entrar, a porta que levava a varanda estava aberta. Caminhou até a varanda e fechou a porta, o choro parou, deixou todo ar se esvair de seus pulmões.

—Mamãe, você está bem? – a voz infantil soou atrás dela, Caitlin congelou. – O que você está fazendo aqui? Onde está papai?

Se virou, o quarto agora estava todo mobiliado, decorado para uma criança, mais especificamente para uma garotinha, como aquela parada a sua frente. Ela tinha o cabelo ruivo e olhos verdes, usava um pijama de libélulas e segurava uma boneca de pano, parecia ter um pouco mais de três anos, ela jogou a cabeça para o lado deixando os cachos de seu cabelo se moverem.

—Mamãe, você está estranha. – ela disse franzindo o nariz como se pudesse encontrar algo nela. – Onde está papai?

Caitlin colocou a mão sobre a barriga, coisa que fazia quando estava nervosa, mas ao invés de encontrar o inchaço que significava que Josh estava ali, ela sentiu sua barriga normal, olhou para baixo, sua pele estava lisa. Olhou de novo para a garotinha, ela lhe era tão familiar.

—Papai está chamando lá embaixo. – ela disse e correu para fora do quarto. Caitlin a seguiu, então se viu parada no meio de um corredor de uma casa que não era sua, viu os últimos cachos da garotinha balançarem antes dela descer a escada. Seu coração batia descompassado enquanto seguia lentamente até a escada, passou por dois quartos com as portas trancadas, desceu o primeiro degrau, havia um par de tênis vermelhos no segundo degrau, no terceiro um par de saltos bege e no quarto um par pequeno de all star amarelos.

—Por que você está demorando? – a garotinha perguntou de repente, Caitlin levantou a cabeça a encarando, ela estava dois degraus abaixo, a observou com mais cuidado, a garotinha usava um colar com um pingente com a letra N.

—Nora. – a palavra saiu de sua boca antes que pudesse perceber, a garotinha sorriu em confirmação.

—Como o nome da vovó.

O ar pareceu lhe faltar, desceu a escada até a sala, tudo parecia tão aconchegante e familiar. Os quadros e retratos mostravam uma família feliz, parou em uma foto em que estava ela e a garotinha, elas sorriam uma para outra.

—Isso pode ser sua vida. – ela disse, não a garotinha, mas Elizabeth, Caitlin não precisava virar para saber que era ela. – Isso tudo pode ser seu, apenas mate-o. Veja a pequena Nora, Caitlin, ela veio apenas alguns anos depois da morte do bebê, quando ele se separou dela para ficar com você. Saudável e bonita. Tudo isso, Caitlin.

—Você não vai ter o meu filho. – disse fechando as mãos em punho. – Nunca vai tê-lo.

—Estou lhe dando uma chance.

—Caí fora. – murmurou.

—Caitlin.

—Saí da porra da minha mente! – gritou. – Você nunca vai tê-lo em quanto eu viver.

—Se é assim. Terei que mata-la, desta vez de verdade.

Caitlin respirou fundo antes de gritar e acordar. Tossiu tentando recuperar o fôlego, olhou ao redor, tudo estava escuro e frio. Sentiu as lágrimas escorrerem pelo seu rosto. Precisava de Barry, precisava acabar com aquilo de uma vez por todas.