Snow White [HIATUS]
4 Era uma vez... A ascensão da Rainha
—Senhores, aqui eu apresento a vocês a rainha Regina, a indiscutível rainha deste reino. Pelo quê, todos vocês que vieram prestar-lhe homenagem neste dia estão dispostos a fazerem o mesmo? — Estas foram as palavras ditas pelo cardial e então a nobreza e o povo indicaram sua disposição e seu júbilo, gritando em uníssono, "Todos salvem a rainha Regina".
Ela estava ajoelhada no altar, de costas para todos, trajava seu vestido de luto. A cerimônia de coroação foi um dia após o funeral de seu pai. Em sua mente era travada uma luta entre a menina inocente que tratava todos bem e a mulher arrogante, vaidosa e que não queria ser governada por mais ninguém. Mulher bem parecida com seu reflexo no espelho e era esta que ganhava.
A coroa foi posta em sua cabeça. Estava feito. Não poderia abdicar, não depois de ter ido tão longe. Agora detinha o poder. Agora governava. Levantou e virou-se, todos se ajoelharam. Seu peito estava quente, a febre se alastrou até seus pés, o salão estava tão silencioso, tudo aquilo era tão enlouquecedor.
Archie, o conselheiro real, andou até ela e falou baixo em sua orelha: "Majestade, seus súditos estão esperando um pronunciamento". Regina despertou de seu devaneio. A luta acabara e a mulher do espelho vencera. Respirou fundo e encarou a todos no salão.
—Juro desempenhar fielmente as minhas funções, guardar e fazer guardar as leis e respeitar os direitos dos cidadãos. Começo o meu reinado com profunda emoção pela honra que representa assumir a coroa, consciente da responsabilidade que representa e com a maior esperança no futuro deste Reino. Prometo lutar pelo bem de vocês, assim como fez meu pai, rei Henry, durante toda a sua vida.
Todos aplaudiram enquanto ela caminhava entre eles, indo em direção a saída. Acompanhada de seus guardas, entrou em outro salão. No final deste havia um trono grande e dourado, incrustado de pedras preciosas, acima, ainda no trono, tinha um belíssimo dragão de rubi. E foi neste que se sentou. Havia outro ao lado, bem mais simples e sem o dragão.
Ficou sentada por longos minutos até que alguém foi chamá-la para preparar-se para o casamento que seria realizado ao entardecer.
***
O casamento foi rápido. Não foi feita uma grande festa porque a morte do antigo rei ainda era recente. Poucas palavras foram trocadas entre o casal. Daniel foi coroado em seguida e logo após o jantar os duques, condes, suas esposas e filhas foram embora.
—Saia agora do meu lugar! — Regina vociferou, quando viu seu marido sentado em seu trono.
—Seu trono é este ao lado. O lugar da esposa do rei. — Retrucou, frisando o fato de ser o novo rei.
—Ora, ora. Agora a falsa ovelha mostra suas garras de lobo. — Desfilou até onde ele continuava sentado — Querido, preste atenção no que te direi agora porque não voltarei a repetir.
—Este reino é meu, eu o governarei. Você se vangloria tanto por ser rei, mas você é apenas o filho de um rei inconsequente que gastou todo o ouro do reino. É um nada.
—Eu sou o novo rei. Exijo que me respeite. — Gritou.
—Não é e nunca será um rei de verdade, nunca governará o meu reino. Qualquer um pode ficar no seu lugar, então é melhor abaixar seu tom de voz quando for falar comigo se não quiser ser substituído. — Ele engoliu em seco — Muito bem. Agora saia do meu trono!
Regina andou até a porta e olhou para os guardas.
—Tirem-no de lá se ele voltar a se sentar quando eu sair. Estou indo para os meus aposentos. Não precisam me acompanhar.
Enquanto andava pelos corredores do castelo, ela ouviu alguém a seguindo.
—Pensei que tinha ordenado para que não me acompanhassem. — Exclamou sem olhar para trás.
—Não sou um dos guardas. — Daniel a alcançou — Olhe, eu queria pedir desculpas pelo que aconteceu na sala do trono. Quando seu pai me escolheu disse que eu deveria ser firme e que seria difícil te conquistar. Acho que será mais difícil agora.
—Querido, eu nunca fui fácil. — O olhou de soslaio. Ele era um homem bonito, isso ela admitia, mas também era muito inconveniente — Você deveria ter virado no corredor à esquerda. Seus aposentos ficam naquela direção.
—Nós nos casamos hoje.
—E?
—Precisamos consumar o casamento? — Ela parou abruptamente — Antes que fale algo, você sabe que para não ser destituída precisa ter um filho.
—Não irei ser destituída se não tiver um filho.
—Claro que vai. Sabe muito bem que ninguém da corte é confiável.
—Fala como se fosse o único confiável aqui.
—Serão apenas algumas noites, depois que você ficar grávida nunca mais te procurarei. Posso muito bem escolher a mulher mais bonita deste lugar para me satisfazer.
—Venha logo. Vamos acabar com isto. — Respondeu com arrogância.
Entraram no cômodo. Algo encostado na parede cintilava, chamando a atenção de Regina.
—Continue andando e me espere na cama.
—O que foi?
—Não é nada importante, só preciso verificar uma coisa.
Daniel continuou andando e tentou acender a lareira, enquanto Regina se aproximava do espelho. A mulher no reflexo olhava para a rainha com raiva.
—Vai mesmo se deitar com ele? — Sussurrou — Não precisa fazer isto.
—Não há outro jeito.
—Sempre a outro jeito. — Olhou-a de cima a baixo — Olhe para você! Está cansada e pálida, parece que viu um fantasma. E -Oh!- tão insegura. Aquilo que ele falou te abalou tanto, não é mesmo?
—Não sei sobre o que você está falando.
—Claro que sabe. Vamos! Pergunte-me. Acabe logo com suas dúvidas. Pergunte-me e responderei com sinceridade.
Respirou fundo e olhou para Daniel que estava alheio ao diálogo que acontecia. Pensava apenas que ela se admirava no espelho. Virou-se rapidamente e timidamente perguntou:
—Espelho, espelho meu... existe alguém mais bela do que eu?
A outra mulher sorriu, enquanto respondia a imagem no espelho mudava e aparecia o verdadeiro reflexo de Regina. Ela sorriu para si. Era a mulher mais bonita de todas e agora tinha certeza disto.
—Parabéns, minha rainha, você é a mais bonita.
—Nunca tive tanta certeza disto.
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