Snow Little Bird - Sansa E Petyr
13 Acidente
Notas iniciais
Sandor
Após a conversa que Sandor e septão Merribald tiveram, o homem não conseguia tirar da cabeça algo que o septão lhe disse:
“É mesmo Jory? Então porque o pai dela se sentiu tão ameaçado por você?”
Sandor teve certeza que o septão estava louco:
“Merribald me disse aquilo somente para me fazer sentir bem. Não preciso que mintam para mim. Já me vi no espelho e não gostei nada do que vi. Petyr não é um Jaime Lannister, mas mesmo assim, ainda é muito melhor do que eu.”
Uma irritação estava tomando o corpo do homem, e ele quis voltar aos seus velhos hábitos:
“Que se foda! Eu bem sei a vontade que tenho que tomar um gole de vinho. O vinho me faz pensar melhor.”
O homem levantou-se e decidiu ir pegar um gole da bebida antes de dormir. Enquanto se encaminhava para as cozinhas, viu-se em frente ao quarto de Sansa:
“Será que Mindinho ainda está aí dentro?”
Uma fúria tomou o corpo do homem. Pensar no que Mindinho estava fazendo sozinho com Sansa atrás daquela porta, o deixava com vontade de matar.
Sandor decidiu encostar o ouvido na porta. Queria tentar conseguir ouvir algo. Um barulho abafado dentro do quarto lhe despertou a atenção. Choro.
“O passarinho está chorando. Continua uma menina tola. Será que com tudo que passou em Porto Real não aprendeu que lágrimas não adiantam de nada?”
O homem apurou ainda mais sua audição. O choro da menina ainda não tinha passado. Ouví-la chorar lhe despertou a lembrança do dia que Joffrey a chamou para responder pelos crimes de seu irmão.
“Aquele merdinha do Joff era um idiota mesmo. O que a menina tinha a ver com a incompetência dos Lannisters em campo de batalha? Tudo que ele queria era maltratá-la, como o monstro que era. Quando aqueles dois nojentos, que se dizem cavaleiros, machucaram Sansa, minha vontade era matá-los em frente à toda a corte. Tentei dizer basta, mas o rei idiota não me ouviu. Bem feito que Joffrey morreu agonizando. Do jeito que foi ruim em vida, me admira que não tenha tido uma morte lenta e dolorosa.”
Sandor percebeu que o choro tinha parado.
“Ela deve ter dormido. Em Porto Real, depois que cortaram a cabeça de Ned Stark, lembro que ela chorou até dormir. Eu a espiei. Fui o guarda da sua porta aquele dia. Nunca tinha visto alguém chorar com tanta dor. Era uma menina pequena, mas mesmo assim, aquele foi o primeiro dia que eu a desejei para mim.”
Sandor partiu em direção à cozinha. Como em todos os castelos, as cozinheiras estavam amassando o pão para a manhã seguinte e esquentando vinho com canela e cravo numa grande panela. Quando elas perceberam a presença de Sandor tomaram um susto:
— Senhor, quer algo aqui?
Sandor não podia responder. Ainda iria ficar disfarçado com uma pessoa da Fé. A outra cozinheira o salvou:
— Maddy, ele não pode falar. Fez um voto de silêncio pela Fé.
— É mesmo... O que o senhor querer é só pegar.
Sandor assentiu e pegou uma caneca de ferro que estava em cima da mesa. Levou-a ao vinho que estava fervendo, deixando as cozinheiras boquiabertas:
“Eu sei o que vocês estão pensando. Fodam-se vocês! Um homem, seja da Fé ou não, precisa de vinho para manter-se são e feliz.”
Sandor agradeceu com a cabeça e saiu da cozinha em direção aos seus aposentos.
“Queria saber onde fica o quarto do Mindinho. Será que se eu mostrasse minha espada para ele, o homem ainda me ameaçaria?”
Perdido em pensamentos vingativos, Sandor chegou ao seu modesto quarto. Fechou a fechadura da porta — Por precaução — e começou a retirar suas roupas.
“Essa coisa esquisita que me cobre todo me deixa com calor e parecendo um idiota.”
Arremessou o manto para o outro lado do quarto com raiva. Guardou sua espada com cuidado ao lado de sua cama.
“Se eu precisar dela de noite, está ao meu lado.”
Despiu as botas que estava, jogando-as ao lado da porta. Restava somente sua calça e a camisa simples que usava. A última foi arremessada para junto de seu manto. Sentado na cama, vestindo somente a calça, Sandor sentiu-se livre e lúcido para pensar com clareza:
“Tenho que tomar cuidado. Mindinho não é um idiota como o Joffrey. Ele saberá minhas intenções no momento que me olhar nos olhos. Aquele deve ter parte com o Estranho, pois sabe mais de mexericos e armações que a própria Aranha. Deveria ser ele o mestre dos sussurros. Dos sussurros malvados.”
Perdido em pensamento, algo estalou dentro de Sandor.
“Falando em sussurros, eu estou me lembrando de algo...”
Sandor sorriu pela primeira vez em muito tempo:
“Pois então senhor Mindinho... te peguei”
O homem soltou uma gargalhada baixa, que mais parecia um rosnado canino:
“Joffrey me contava tudo. Me via com mais estima que seu próprio suposto pai. Ele contou, depois de alguns tragos de vinho, que foi Mindinho que o encorajou a cortar a cabeça de Ned Stark. Para mostrar poder, disse ele. Tentei dissuadi-lo da loucura, mas Joffrey era um completo idiota. Pensava que ser rei lhe dava direito a fazer qualquer coisa. Será que o passarinho lhe amará de todo o coração depois que souber de tudo isso, Mindinho?”
Uma raiva fervilhava dentro de Sandor. O homem achava que Mindinho era um dos grandes responsáveis pelos infortúnios de todos os Starks.
“Se ele não tivesse soprado, do jeito dissimulado que ele faz, coisas nos ouvidos de Joffrey, Ned poderia estar na Muralha e o passarinho em Winterfell?”
Pensar em Mindinho estava lhe trazendo muitas lembranças:
“Já ia me esquecendo... Foi Mindinho, também, quem enganou Ned Stark e colocou uma faca em seu pescoço na sala do trono. Depois disso, os Starks só perderam.”
Sandor colocou-se de pé rapidamente.
“As coisas que me lembrei são importantes e poderiam mostrar para Sansa quem realmente é Mindinho.”
Um calafrio lhe percorreu:
“É também um dos homens mais perigosos de todos os Reinos... Devo tomar cuidado. Ele continua sendo um Lorde e eu um cão abandonado. O passarinho será vigiado de perto agora que sabe quem sou.”
Sandor ficou pensativo, tentando achar um jeito de comunicar-se com Sansa.
“Posso tentar entrar pela sua janela, como as vezes que fiz em Porto Real para vê-la dormir. Os guardas são tão previsíveis e idiotas, que só pensam em vigiar as portas, esquecem que existem janelas!”
O homem começou a tramar e calcular a sua invasão ao quarto da menina:
“O quarto dela fica no final de um corredor, e graças aos Sete, uma janela de ventilação tem ali. Posso me esgueirar para fora e tatear até a sua sacada. Quando estiver dentro do quarto pensarei em algo.”
Sandor calçou suas botas novamente, pegou sua espada e abotoou-a em sua calça.
“Pois vou sem aquele manto idiota. Ele fica engalhando nas coisas e é capaz que eu derrube algo, dái fudeu! Vou sem camisa, esse lugar é quente demais.”
O homem abriu a porta do quarto bem devagarzinho, deixando uma frestinha para espiar o lado de fora. Conseguiu ver que ninguém andava por ali. O castelo todo estava silencioso. Esgueirou-se para fora da porta e caminhou rápido e silencioso como um gato. Quando estava virando a esquina do corredor de Sansa, ouviu uma conversa abafada atrás de uma porta. Apurou os ouvidos para tentar reconhecer a voz.
“Mindinho! Mas o que faz a essa hora fora de sua cama e cochichando?”
Encostou o ouvido na porta, a fim de ouvir a conversa melhor:
— É isso mesmo que eu lhe disse meistre Collemon. Robert reclamou para Alayne que o senhor estava colocando algo pegajoso em seu leite. Não vou admitir ser surpreendido por causa de atos idiotas, entendeu bem?
— Eu entendo, senhor protetor Baelish. Peço desculpas e irei ser mais cuidado em omitir o sono doce.
— Eu espero que sim, meistre. Preciso do menino morto, mas não quero nenhuma suspeita caindo no meu colo. Entendeu ou preciso ser mais claro?
O tom de voz do meistre era cheio de medo:
— O senhor não precisará se preocupar comigo. Peço minhas mais sinceras desculpas, senhor lorde protetor.
— Espero que sim meistre Collemon. Odeio tirar peças dos meus jogos...
Sandor arregalou os olhos:
“Como eu pensei. Mindinho está matando o menino aos poucos para controlar o Vale. Mas quem é o herdeiro do menino? Será algum homem de Petyr?”
Encostou ainda mais o ouvido na porta:
— Tenho outro assunto a tratar com Sor Lothor Brune. Alguns ratos indesejáveis estão querendo se infiltrar no Vale.
— Posso ajudar em algo, senhor Protetor?
Petyr respondeu com petulância:
— O senhor deve se concentrar em matar o menino. Simples assim, mas tenho outra coisa a lhe perguntar. Ainda tenho tempo até Sor Lothor chegar.
Sandor viu ali a sua deixa. Petyr ainda ia demorar-se um tempo, e ele precisava ir até o quarto do passarinho. Caminhou ainda mais silencioso que antes. Dobrou a esquina e viu-se no corredor do quarto da menina. A janela de ventilação, para a felicidade de Sandor, estava aberta. O quarto da menina era o único do corredor, então se permitiu caminhar mais rapidamente. Passou a perna direita pela janela e tomou impulso para subir nela.
“Pelo menos nunca tive medo de altura!”
Sandor olhou para o lado direito e calculou que a janela da menina ficava à uns dois metros de onde estava. Olhou para baixo e percebeu que, como em todos os castelos, uma viga ficava exposta embaixo de todo o peitoril. Colocou com cuidado seus imensos pés na viga.
“Pelo menos é mais largo que as vigas da Fortaleza Vermelha. Quando eu espiava o passarinho dormindo, quase caí muitas vezes.”
Segurando nas pedras que ficavam expostas nas paredes, Sandor encaminhou-se com cuidado até a sacada da menina. Com habilidade e força, pulou para dentro. As cortinas da menina estavam abertas e ele pode vê-la dormindo em sua cama.
“Isso me lembra as várias vezes que a vi dormir...”
Forçou a fechadura da janela e conseguiu abri-la com cuidado. Analisou o ambiente que adentrou. Era mais simples que os aposentos da menina na Fortaleza Vermelha, mas de um modo peculiar, combinava mais com sua dona. Flores estavam postas nos cantos do quarto. Sandor passou a mão na que estava mais próxima:
“Suave e cheirosa.”
Alguns livros estavam empilhados e organizados em cima de uma penteadeira. Um grande espelho tomava uma parede do quarto, com uma moldura ricamente detalhada de pássaros. Sandor sempre soube que o passarinho era organizado com suas coisas.
O homem caminhou com bastante cuidado até a cabeceira da menina. Ela ainda estava com o vestido que a tinha visto:
“Como eu pensei. Ela chorou até adormecer.”
Os cabelos, outrora ruivos, da menina caíam como uma cascata ao redor de seu rosto perfeito. Sandor não ficou feliz quando viu que o passarinho estava com os cabelos castanhos. Lembrou-se de como o tom de vermelho lhe deixava ainda mais bela e austera. O castanho não lhe tirou a beleza, mas lhe conferiu um ar melancólico e mais velho.
Sandor tomou coragem e tocou em uma pequena mecha solta dos cabelos da menina:
“Suave.... mais suave que uma pétala de rosas. Lembro que fazia isso quase todas as noites que a via dormir.”
O homem olhou para o colo da menina, que estava bem desnudo pela posição que estava dormindo. Os seios da menina subiam e desciam de um modo lento.
“Sete infernos... ela já é uma mulher!”
O membro viril de Sandor despertou em seus calções.
“Infernos! Já faz muito tempo que não tomo uma mulher... e vê-la aqui na minha frente tão desprotegida me dá tesão.”
O homem tentou concentrar-se em acordá-la, mas ficou com receio de não conseguir controlar-se perto da menina.
“Eu só queria fodê-la. Cuidá-la e ensiná-la a ser uma mulher.”
O pensamento assustou o homem.
“Preciso sair desse quarto. Preciso me aliviar e pensar com mais clareza. Senão estou fadado a retirar-lhe o seu primeiro sangue de donzela.”
Quando estava caminhando de volta para a janela, viu alguns pergaminhos, pena e tinta numa mesa de canto. Chegou perto e identificou a caligrafia bonita e graciosa da menina.
“Lembro que ela gostava de escrever histórias de donzelas e cavaleiros quando estava em Porto Real. Ela escondia tudo na gaveta de sua penteadeira, mas eu sempre soube que estavam lá. Lembro que na noite que lhe contei sobre minhas queimaduras, foi a primeira vez que fui no quarto dela. Mesmo na Torre da Mão, para quem sabe, é possível escalar. Quando a vi dormir pela primeira vez a achei a coisa mais perfeita do mundo. Quando estava saindo do quarto pisei num pergaminho e li a história que ela tinha escrito. Falava de um homem, que não era um cavaleiro, que tinha sido queimado pelo seu irmão. Esse homem lutou honradamente e derrotou o seu algoz. No final ele tinha arrumado uma esposa muito bonita e vários filhos. Foi naquele momento que o passarinho se tornou a minha coisa preferida de todo o mundo.”
O homem pegou um dos pergaminhos e viu que estavam desenhados vários corações nele. Dentro do maior estava escrito Alayne e Petyr.
Uma fúria doentia tomou o corpo de Sandor.
“Ele a seduziu!”
Sandor, tomado pela fúria pegou o pergaminho que estava em branco e começou a escrever um bilhete para a menina:
“Pode pintar seus cabelos de azul, que mesmo assim eu a reconheceria. És ainda o mesmo passarinho bonito numa gaiola dourada, cercada de pessoas ainda mais perigosas que outrora. A diferença é que aqui não tem ninguém para lhe proteger. Você não sabe de muitas coisas Sansa Stark... mas se quiser saber, eu lhe contarei. Encontre-me daqui a dois dias, à meia noite na varanda do seu quarto. Não tente trazer mais ninguém. Eu farejo uma mentira muito melhor do que você!”
Arrependeu-se de ter escrito na hora que terminou.
“Não posso entregar isso para ela. Encontrá-la na varanda? Onde estou com a cabeça? Vou é amassar e queimar isso no meu quarto.”
A respiração da menina ficou diferente. Sandor olhou e percebeu que ela estava prestes a acordar. Saiu de fininho até a varanda e pulou para a viga, a fim de voltar para seu quarto.
Percorreu com grande pressa todo o caminho de volta aos seus aposentos. Entrou em seu quarto e arremessou-se com força em sua cama, sem nem tirar as botas.
“Onde eu estava com a cabeça? Como que eu iria me encontrar com o passarinho na varanda do quarto dela? A primeira coisa que ela vai fazer é contar para Mindinho que um bilhete foi deixado em seu quarto. É melhor eu queimá-lo antes que algum enxerido veja.”
Sandor colocou a mão no bolso da calça e ficou em pânico:
“Como eu sou um idiota! Um idiota fodido! O bilhete... O bilhete ficou lá!”
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