Smile

8 Capítulo 8 – Mensagem


Notas iniciais
Narrado por Cebola.

Cascão estava me ajudando a vestir o terno. Iríamos para o velório. Com ajuda, sentei-me na cadeia de rodas e testei a direção. Era meio complicado, mas eu poderia me acostumar. De repente, me assustei com o barulho do trovão. Estranho... Era o Cas que se assustava antes. Porém, ele já estava apostos com dois guarda-chuvas pretos.
Fomos até a porta do hospital, onde o meu pai esperava com o carro. Ele me colocou no carro e guardou a cadeira no porta-malas. Cascão entrou em seguida, junto com Magali.
Fiquei olhando a chuva bater no vidro do carro. As minhas pernas, em estado permanente dormência, se manifestavam tanto quanto uma barata morta.

Chegamos ao local do velório. Lá estava o resto da turma. Alguns me encararam, com uma surpresa no olhar. Outros me encaram com um olhar de pena. Eu entrei junto com Magali e Cascão. Os meus pais se juntaram aos outros pais da turma, que abraçavam Dona Luisa e Seu Sousa. Fomos até o local em que Mônica estava.
Ao chegarmos, Magali segurou a minha mão e começou a chorar. Eu também deixei escapar uma lágrima do meu olho.

Mônica estava coberta por um véu. Sorria. As mãos estavam entrelaçadas sobre a barriga. Eu tive uma breve ilusão de que ela iria se levantar a qualquer momento, mas Mônica continuou tão parada como as minhas pernas.

Nós três ficamos lá a noite inteira. Dissemos para os pais de Mônica que eles precisavam descansar.

De manhã, fomos acompanhando a caminhada até o cemitério. Estava chovendo muito. O caminho para o cemitério ficou apinhado de pessoas. Era difícil ficar abaixo delas, em uma cadeira de rodas.

O padre começou a falar. Nem prestei atenção. Estava chorando. Magali e Cascão também.

Pareceu uma eternidade. Mas vi que começaram a descer o caixão. Logo já estavam jogando a terra. A chuva começou a apertar. Magá e Cas estavam abraçados comigo. Logo, Quim e Cascuda se juntaram a nós. Apesar de ser dia, um raio iluminou o cemitério. Todos se assustaram. De repente, vi um bilhete cair no meu colo, não sei de onde.

Peguei o bilhete e abri para ler. Logo, lágrimas brotaram dos meus olhos, Magá, Cas, Quim e Cascuda olharam o bilhete e começaram a chorar também.

NÃO FIQUE TRISTE, CEBOLA. LEMBRA DO QUE EU SEMPRE DISSE PARA VOCÊ? SORRIA, QUERIDO! SMILE, MY DEAR! ESTAREI SEMPRE AO SEU LADO. VOCÊ VAI CONSEGUIR SE RECUPERAR. NUNCA PENSE EM DESISTIR. LOGO ESTAREI NOVAMENTE AO SEU LADO NOVAMENTE. OPS... REVELAÇÕES DEMAIS.


BEIJOS DA SUA DENTUCINHA



- Como assim? – Magali perguntou. – Será que ela vai reencarnar?

- Sei lá. – respondi. – Tomara que ela se lembre da gente.

Peguei o bilhete e sorri. Um raio de sol passou pelas nuvens de chuva.

Notas finais
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@leocancellier