Slytherin Blood

22 Chapter Twenty


Notas iniciais
Aqui o ponto de vista volta para Isabella! O bônus II sairá, já, já! Boa leitura (:

Acordei com uma dor de cabeça desgraçada e franzi a testa ao notar o peso sobre minhas costas.

Droga. Olhei em volta e vi uma sandália perto da porta, a outra perto da cama, o vestido do outro lado do quarto, uma calça na poltrona, uma camisa em cima do baú e outras peças espalhadas. Tentei me mecher, mas Draco apertou o braço ao meu redor me puchando para ele.

Ai porra. Nem lembro o que fizemos. Bem… eu sei o que, só não sei como… Aliás, eu não sabia como tinhamos entrado no quarto.

Fechei os olhos, mesmo a tênue claridade do lago estava me incomodando e deixei minha mente afundar na inconsciência.

Batidas na porta me assustaram e abri os olhos. Draco ainda dormia, mas agora sua cabeça estava em meu colo, e por isso deitei-a na cama de novo enquanto levantava e me enrolei no roupão felpudo que ganhara de Narcisa.

–Que que é? — Resmunguei abrindo uma fresta na porta. Tinha uma garota morena na frente. -Te conheço?

–N-Não. — Falou e baixou os olhos.

–Tá, o que quer?

–Snape disse que hoje é dia de aula normal, e que informaram-no de que não estava na aula.

–Diga pro Snape que estou com dor de cabeça. — Comecei a fechar a porta e ela colocou o pé. Ergui a sobrancelha. — Que é?

–Ele disse que a senhorita devia vir comigo.

–Bem, eu estava dormindo, ele que espere.

–Ele falou que tem que andar logo…

–Para de falar e vai.

–Não.

–Deixa de ser chata.

Fechei a porta e me olhei no espelho.

–Ah! Que horror.– Tinha horríveis manchas arroxeadas sob os olhos. Noite mal dormida. Bebida. Ressaca. Meu cabelo estava bagunçado, tinha marcas vermelhas pelo colo e percebi que eram mordidas. Sério isso? Fiz sexo selvagem e não lembro? Olhei para a cama e Draco ainda estava apagado, e reparei em suas costas. É. Havia vergões vermelhos onde eu o arranhara. Transfigurei um potinho em bacia — é, bacia — para não molhar o chão e uma toalha em cortina; Com um aquamenti, sussurrado lavei o corpo e os cabelos com um sabonete líquido a base de ervas aromáticas, mel e leite de unicórnio. É sério, um negócio desses é caro pra caramba, as mamães não gostam de dividir o leite dos potrinhos. Terminei meu banhozinho rápido e coloquei o uniforme.

Minha cabeça ainda latejava e fucei no fundo do baú para encontrar um tylenol que tinha trazido de Forks. É. Serve pra alguma coisa. Tomei o remédio e depois de arrumar as coisas comecei a quase impossível missão de arrumar meu rosto. Lembrei de um feitiço que diminui a cor dos hematomas e resolvi tentar nas execráveis olheiras. O roxo esmaeceu e suspirei aliviada. Não tentei clarear mais, assim eu pareceria mais doente e quem sabe ganhava o resto do dia?

Acordei Draco — com muito esforço — e ele pegou o uniforme extra que tinha deixado em meu quarto e vestiu.

–Está doendo? -Perguntei quando o vi franzir levemente a testa ao sentir o roçar do tecido nas costas.

–O quê?

–Os arranhões.

–Estão ardendo um pouco sim, mas eu sobrevivo.

–Quer que eu faça um feitiço e…

–Não, feitiço nenhum. Assim eu lembro da noite que tivemos com mais clareza.

–Você é um tarado. — Bati em seu ombro.

Mais batidas na porta.

–Ai que droga, eu não disse pra ir embora? Affs. — Falei abrindo a porta e parei ao ver que não era a garota. — Oi… Sev.

–Não me venha com Sev, Isabella.

Suspirei.

–Porque não está na aula?

–Ah, estou com dor de cabeça e estava dormindo até aquela menina bater na porta.

–Vejo que agora está composta.

–É.

–E a dor?

–Melhorando.

–Ótimo. Fique acamada pelo resto do dia, parece péssima. — Ele deu um sorrisinho — E você também Malfoy. Estão dispensados, mas só porque ganhamos ontem. — Meneou a cabeça — Mas concentrem-se no que é importante. — Lançou um olhar significativo — Draco, pode sair daí de trás, sei que está no quarto.

Draco apareceu e deu de ombros, “inocente”.

–Merlin! Você realmente está horrível Malfoy. Vou trazer uma poção do sono para vocês, e distribuam um pouco aos outros. Os dispensei também, pareciam deploráveis e nem quero saber o que fizeram para conquistar tal estado. Não abusem da próxima vez.

Assentimos e ele me lançou um sorrisinho antes de sair, a capa ondulando atrás dele.

–É ótimo ter contatos. E ter ganho a porcaria do jogo. — Falei e ri enquanto feixava a porta. Draco já estava tirando a capa, o colete e a gravata do uniforme.

Tirou os sapatos e se jogou na cama.

–Izzye.

–Sim?

–Obrigado.

–Pelo quê?

–Pelas suas palavras.

Arregalei os olhos.

–Quais? — O que foi que eu disse? NUNCA MAIS VOU BEBER NA VIDA!

–Sua… Sua carta.

Suspirei aliviada e me joguei ao seu lado.

–Ah… Bem…

–Eu sei que é difícil, mas acho que mostrei minha emoção ontem. Ou hoje… Eu acho.

Eu ri baixinho. Ele não precisava saber que eu não lembrava.

–Tudo bem Drake.

Ele sorriu e me puxou para perto. Nossos lábios estava colados quando bateram na porta de novo.

–AI QUE PORCARIA! — Exclamei levantando. Abri a porta e era Pansy.

Céus. Ela estava horrivelmente horrível.

–Meu Merlin Pansy. Você está péssima.

–Obrigada. Péssima é melhor que inespugnável, e isso já é um avanço. Toma. O Snape mandou trazer. É pra você tomar um gole e dar o resto pro Draco. O vidro maior ele disse pra dividir com os outros. Vou levar para as garotas, relaxa. E, olha, já comi mesmo, toma. — Entregou dois bolinhos de sementes e legumes. — É daqueles reforçados com fibra e vitamina e sei lá o quê que põe nesse negócio, foi a única coisa que comi, e trouxe para vocês. Perderam o almoço. — Entregou a poção e os dois bolinhos. — Não se acostumem. Não sou empregada. — virou as costas e saiu meio lenta.

–Valeu Pansy. — Falei e ela fez um gesto de “esquece”, sem se virar para trás e fechei a porta. -Toma. — Entreguei o bolinho a Draco. — Come e depois toma isso. Tirei o uniforme e só de lingerie, comi o bolinho, bebi um gole da poção e entreguei o resto a Draco. Mal havia me aninhado entre os cobertores, minha visão começou a turvar. Senti o braço de Draco envolver minha cintura e depois disso , mais nada.

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Quando acordei me dei conta de que tinha escurecido e me arrumei. Sentia-me melhor e de fato até as olheiras tinham sumido, e não estava com fome. Ainda.

Deixei Draco dormindo e coloquei uma capa com capuz enquanto saía do quarto.

Todos já estavam deitados e silenciosa percorri o trajeto até o local marcado com Kate.

Suspirei quando vi que estava encostada na parede.

–Hey.

–Oi.

–Está bem?

–Ótima. Não fiquei de ressaca ao contrário de todos vocês. Nem eu nem Alice. Ela simplesmente chegou e apagou, masnão ficou morrendo como vocês.

–Tá, tá. Vamos.

Abrimos a passagem e depois de caminhar um pouco chegamos a DedosdeMel.

–Daqui aparatamos. Vamos primeiro falar com meu pai.

–Certo.

Demos as mãos e ao piscar estávamos no salão.

–Trix! -Exclamei e ela sorriu se virando

–Miladyzinha!

–Onde está meu pai?

–Milord está em seus aposentos.

–Certo, vou até lá.

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–Pai. — Falei entrando no quarto. Ele estava sentado na poltrona e tinha uma taça de qualquer coisa em mãos.

–Isabella! — Exclamou. — Bom revê-la.

–Digo o mesmo. — Andei até ele e lhe dei um beijo na testa, depois sentei na cama.

–Está bem?

–Sim. E você?

–Melhor agora. O que a trás aqui mon bijou ? — Minha joia.

–Bom, tudo está correndo conforme o combinado, além de meus amigos já conquistei alguns admiradores que facilmente podem passar pra cá. Jasper Cullen me jurou fidelidade.

–Jasper Cullen?

–Sim. — Ele estreitou os olhos — O que tentou me atacar. O soldado.O desajustado da família. O que segue os Cullen mais por Alice do que por qualquer outra coisa.

–Tem certeza de suas intenções?

–Como já disse a Kate, se estiver mentindo, morrerá.

–É assim que se diz. Soube que jogou.

–Sim. E venci.

–Parabéns.

–Obrigada. Mas o que quero é ganhar o jogo contra a Grifinória.

–Sei que o fará.

–Tenho um plano.

–Conte-me.

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–Vamos? — Chamei Kate que estava duelando com um rapaz uns dois anos mais velho.

Finite Incantaten. — Falou e ele parou de girar,livre das cordas.

–Vai ter revanche.

–Claro que vai Rickard.

Ele sorriu e ela retribuiu. Rolei os olhos.

–Vamos Kate! — Pareceu assustada e ele quebrou a conexão visual com ela.

–Milady. — Fez uma leve messura, sorrindo.

–Rickard…?

–Grace.

–Boa noite Rickard Grace. — Falei e estendi a mão à Kate.

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–É esse o lugar? — Perguntei analisando o entorno.

–Acho que é sim. Veja, meus tios moravam lá. — Apontou para uma bonita casa no fim da rua. — Eles não estavam em casa quando invadiram, de lá, não levaram nada. Daqui, estragaram tudo, acabaram com a minha família. — Seus olhos estavam marejados.

Andamos mais um pouco e paramos em frente a um terreno baldio.

–É aqui?

–Sim. — Estreitei os olhos sentindo a magia de ocultação.

Quæ abscondita est, est etiam visibilis– O que está oculto volta a ser visível.

Não foi um feitiço complexo, e logo o escudo ocultação começou a ruir.

Um jardim de rosas selvagens, samambaias, ervas daninhas e outras plantas que cresciam desordenadas mostravam uma paisagem pertubadora, mas ainda assim, bela.

A casa era simples, mas um dia devia ter sido bonita.

As paredes eram de madeira, e a varanda mostrava vestígios de tinta salmão, e quando subimos os degrais, rangeram tristemente.

Olhei para Kate, seus olhos marejados e em seus lábios um biquinho que mostrava o esforço para reter as lágrimas.

Entramos e lá dentro os móveis estavam bagunçados, um sofá florido desbotado tinha um buraco com bordas chamuscadas. A poeira era intensa e espirrei.

–Onde acha que pode estar?

–Eu… Eu não sei… Talvez… Talvez ela tenha escondido.

–Provavelmente. Bom, vou procurar aqui em baixo, veja se acha algo lá em cima.

Ela assentiu e subiu as escadas com cuidado, evitando as tábuas soltas.

Entrei na cozinha e revirei os armários. Uma aranha saiu de dentro de um deles e dei um pulo para longe dela. Picadas a essa altura não seriam legais.

Abri a despensa e ainda havia algumas latas empoeiradas.

–Seus pais gostavam de chili. — Comentei humorada quando encontrei Kate no andar de cima.

Ela olhou para mim e sorriu levemente enxugando as lágrimas.

–Achou alguma coisa? — Ela ergueu a mão e mostrou o quadro.

A moldura estava quebrada, o vidro rachado, mas a foto, embora amarelada e com bordas rasgadas mostrava uma família feliz.

Ela era de fato, muito parecida com a mãe, e me assustei ao confirmar que a mulher de minha última visão era muitíssimo parecida. Betty Mason usava os cabelos soltos, um vestido de corte ousado, e sorria feliz olhando para a garotinha que estava no colo de Dave. Dave tinha um porte atlético, mas não era lindíssimo, era um cara de beleza comum, mas seus olhos tinham um brilho sapeca e inteligente. Usava uma camisa amassada e desabotoada, óculos de armação quadrada, uma calça puída e sorria também, exibindo uma covinha na bochecha esquerda. Kate usava apenas fraldas e uma blusinha suja de sorvete assim como os lábios, e até o queixo estava sujo. Uma de suas mãozinhas estava na bochecha do pai, e era o momento em que ela passava a mão suja na bochecha dele que ficava sendo repetido. Sua mãe dava um gritinho e caía na gargalhada, logo seguida de Dave.

Peguei o quando de sua mão e tirei a foto da moldura dobrando-a e colocando em sua mão novamente.

–Vamos encontrar. — Falei abraçando-a levemente.

Estava de costas, passando a mão por uma estante quebrada com alguns livros surrados quando Kate gritou.

Corri até o quarto ao lado e ela estava presa num emaranhado de teias e madeira, um buraco na parede cujo berço estava apoiado.

Estendi a mão ajudando-a a levantar-se e ela riu limpando as teias de sua roupa.

–Droga. — Fez um som de asco tirando uma farpa do dedo e a última teia do cabelo.

Tirei a madeira quebrada da frente e percebi o fundo falso.

–Kate. A parede é falsa e tem um fundo falso nela.

–Um fundo falso na parede falsa. Ok. — Aproximou-se e olhou — É mesmo. Será que…?

Empurrei o fundo e nada. Kate chutou e bateu um pedaço de ripa, e mesmo assim ficou intacto.

Infringo–Nada. — Violatio!– Exclamei e o fundo rachou um pouco. — Juntas Kate. 1

–2

–3

Violatio!– Exclamamos juntas e protegemos o rosto quando rachou e lascas voaram em todas as direções

–Sua mãe era muito boa em feitiços de proteção.

Sorrimos uma para a outra e Kate abaixou-se. Tirou uma caixinha de marfim, cravejada de pedrinhas.

–Linda.

–É mesmo. Tomara que seja o que queremos.

–Não consigo abrir. — Falou quando tentou um feitiço.

Tentei foi inútil.

– Tente abrir manualmente.

–Precisa de chave.

–Você tem a chave.

–Não, não tenho.

–Kate. — Apontei para a inscrição na tampa. — “Juste le vrai amour”. É francês.

–Apenas o amor verdadeiro. — Falou baixinho.

–Fala francês?

–Não… Mas… Eu tenho um medalhão e está escrito isso nele. Minha tia disse que minha mãe sempre falava sobre o verdadeiro amor.

–Tente.

Fechou os olhos e colocou a mão sobre a caixa. Alguns instantes depois lágrimas corriam por seu rosto e quando caíram na caixinha, as pedras incrustadas começaram a brilhar em tons diferentes até que estabeleceram o branco e com um clic destrancou.

Abriu os olhos surpresa.

–O quê…?

–Não sei. Você só começou a chorar, a caixa brilhou e clic.

–Eu… Quando a toquei e concentrei-me nas palavras, imagens começaram a fluir em minha mente, e fiquei tão emocionada…

Assenti em concordância.

–Bom, acho que encontramos.

Havia várias cartas, fotos e um livrinho.

–É esse?

–Sim. Sim! Só pode ser. O de papai é igualzinho.

–Então, vamos. Já passamos muito tempo fora.

Notas finais
Acho que deixei mais perguntas do que respostas aqui u.u Xoxo