Slytherin Blood

39 Chapter Thirty Six - A casa


Notas iniciais
Heey ♡ Boa leitura!

Depois de alguns segundos de silêncio, gargalhei.

—Bem papai, já o matou.

—Poderia tê-lo torturado. — Resmungou raivoso

—Obrigada. Matar o Potter agora será muito melhor. — Falei e sorri

~

Se te comparo a um dia de verão
És por certo mais belo e mais ameno
O vento espalha as folhas pelo chão
E o tempo do verão é bem pequeno.

Às vezes brilha o Sol em demasia
Outras vezes desmaia com frieza;
O que é belo declina num só dia,
Na terna mutação da natureza.

Mas em ti o verão será eterno,
E a beleza que tens não perderás;
Nem chegarás da morte ao triste inverno:

Nestas linhas com o tempo crescerás.
E enquanto nesta terra houver um ser,
Meus versos vivos te farão viver.

Soneto 18, Shakespeare

Sorri e aparatei em seu quarto.

Ele estava só de calça. Parou com a mão no sinto e me encarou, sorrindo.

Andei até ele e terminei de tirá-la. Beijei-o sofregamente.

Não te amo como se fosses rosa de sal, topázio ou flecha de cravos que propagam o fogo

Amo-te como se amam certas coisas obscuras,

secretamente, entre a sombra e a alma.

Puxei-o pela mão, levando-o até a cama.


Te amo como a planta que não floresce e leva
dentro de si, oculta a luz daquelas flores,
e graças a teu amor vive escuro em meu corpo
o apertado aroma que ascendeu da terra.

Deixei que tirasse minhas vestes enquanto recitava.


Te amo sem saber como, nem quando, nem onde,
te amo diretamente sem problemas nem orgulho:
assim te amo porque não sei amar de outra maneira,


Beijei-o, colocando minha mão sobre seu coração e a dele sobre o meu.

Olhei em seus olhos enevoados e levemente marejados.


senão assim deste modo em que não sou nem és
tão perto que tua mão sobre meu peito é minha
tão perto que se fecham teus olhos com meu sonho.

Neruda, A Dança/ Soneto XVII

Beijou-me intensamente, sua mão enroscando em meu cabelo, nossos corpos deslizando um sobre o outro, clamando, ávidos.

Seus dedos percorreram minha marca e terminando em minha coxa, arqueei-me ao recebê-lo.

—Eu te amo — Dissemos juntos quando alcançamos o ápice.

~

Estávamos deitados, minha cabeça em seu peito, seus dedos emaranhando meu cabelo.

—Consegui tudo Drake. Os fios, a canção, o sangue…

—O sangue? Como?

—Lembra-se que passei um fim de semana com ele? Armazenei o sangue com um feitiço de preservação. Ele estará fresco.

—Você disse a ele porque precisava?

—Não. Só pedi e ele deu. Desconfiado, mas não me pressionou.

—Certo. Teremos de ir para Forks?

—Não, o Charlie disse algo que faz mais sentido. Tudo começou na casa deles, não em Forks. Precisamos ir às ruínas.

—Quando vamos?

—Amanhã. Tenho tudo aqui. Kate foi para a casa dos tios com a Betty e de lá vai pra Hogwarts.

Papai não sabe que farei isso. Vamos sair antes que amanheça, ok?

—Claro.

Conferi tudo pela quarta vez.

—Está tudo aí Izzye. Relaxa.

Suspirei.

—Tá. Vamos.

Saímos sorrateiros e aparatamos.

A construção externa estava quase intacta.

No jardim gramíneas e as flores que um dia foram plantadas uniformemente em canteiros pareciam competir por espaço numa disputa acirrada; A pintura estava desgastada, mas a casa um dia fora de tom azulado. A varanda tinha algumas tábuas soltas e parapeito bambo, mas até o balanço de canto estava ali — mesmo que sujo e torto. Andamos devagar pelo jardim, seguindo a trilha de pedrinhas quase ocultas pelas ervas daninhas que brotaram entre elas.

Algumas janelas estavam quebradas e os cacos espalhavam-se pelo chão. Draco pegou minha mão e sorriu. Empurrei a porta pesada de entrada que parecia resistir aos ataques de cupim; A sala de entrada era ampla e arejada. Havia um porta casacos e porta sapatos quebrados, assim como o porta chapéus.

—Acho que minha mãe era organizada — Comentei sorrindo. A nossa frente havia uma escada, a direita uma porta que levava à cozinha e a esquerda, à sala. Andamos até a sala onde uma lareira jazia empoeirada, cacos de vidro se espalhavam próximos às janelas, o sofá estava roto, mas podia-se perceber que fora um local organizado e aconchegante. A mesinha de centro e a mesa de jantar estavam quebradas.

—Qual o problema das pessoas em quebrar mesas quando estão lutando? — Draco indagou me fazendo rir

—Não sei.

A parede um dia fora dourada e percebi que ali devia ser onde o sol tocava a sala.

—Acho que sentar-se aqui quando o sol banhasse o lugar devia ser mágico. Tudo devia brilhar em dourado.

—Devia mesmo! Uma pena que hoje seja opaco. -Franziu a testa andando em direção à cozinha

Ainda havia 2 pratos grandes e uma tigelinha de porcelana sobre a mesa. Todos tinham os detalhes esmeralda e prateado da Sonserina, assim como os puxadores do armário antigo. Havia coisas caídas e bagunçadas, mas o momento congelado no tempo naquela mesa era claro. Pude visualizar mamãe e papai sentados de frente um para o outro, rindo enquanto eu fazia bagunça ao tentar comer sozinha. O cadeirão tinha estofado colorido e sorri.

—Vamos logo Drake.

Subimos as escadas e os sinais de luta ficaram mais claros a medida que tábuas rangiam, cacos de vidro, pedaços de madeira e até mesmo tecido rasgado podiam ser vistos. Do lado direito havia três portas, do esquerdo, mais três. Uma delas estava mais aberta que as outras, estava rachada por o que parecia um raio, de cima a baixo e a dobradiça superior fora arrancada; O parapeito da escada correspondente àquele trecho estava quebrado e resolvemos andar até lá.

No caminho empurrei a porta do quarto ao lado.

A cama estava desarrumada, o abajur do lado direito, caído no chão, tinha arabescos prateados; As cortinas estavam abertas, a janela, quebrada. Uma camada de poeira cobria tudo e um nó se formou em meu peito. Era provável que tivessem estado ali antes do ataque. Draco puxou minha mão para que saísse.

Entramos no último quarto.

A janela estava entreaberta, as cortinas que eram leves e cheias de desenhos, fechadas. Na cômoda no canto havia um vaso tombado e o que restava das flores coloridas espalhava-se ao redor e pelo chão; Ao lado da janela uma cadeira de balanço estava coberta por uma manta esmeralda e um chocalho prateado estava sobre ela. Meus olhos marejaram.

Draco apertou minha mão quando cheguei ao berço. Estava manchado de sangue e a madeira degastada pelo tempo, mas intacto.

—Feriram a bebê mesmo que já estivesse morta.- minha voz estava embargada

Pude visualizar minha mãe parada em frente ao berço, protegendo-me.

—Foi aqui Drake. — Enxuguei as lágrimas que tentaram escapar. — Vamos fazer isso. Abra a janela por favor, mas deixe a cortina cerrada.

Enquanto ele fazia isso retirei as coisas do alforje que carregava, enfileirando os ingredientes na cômoda e conjurando uma mesa para apoiar o pequeno caldeirão que trouxera.

Fechei os olhos me concentrando e Draco fez o fogo.

Se o encantador não tiver poder suficiente, definhará.

As palavras voltaram a minha mente e suprimi o medo.

—Você consegue Izzye. — Draco ressaltou, sorrindo e sorri de volta.

Fechei os olhos inspirando profundamente,e concentrando primeiro nos ingredientes, e pronunciei-os na linguagem devida.

Duas presas do sombrio voador.

Coloquei as presas de morcego, que chiaram produzindo uma luminosidade azul escuro.

Dois fios da crina do nobre e puro equino.

Obrigada Ecrix, pensei ao colocar os fios que produziram luminosidade prata.

Uma pitada de cinza de fênix.

As cinzas reluziram em dourado, faiscando.

Uma medida do sangue do amaldiçoado.

Peguei o frasco com sangue de meu pai e o despejei com cuidado.

A poção borbulhou tornando-se vermelha e depois, negra.

A canção do que Renegou.

Peguei a varinha posicionando-a como Charlie ensinara.

Mollis vox fillum external — agitei a varinha da maneira correta, fazendo os movimentos na ordem contrária à original e um fio claro de notas coloridas saiu dela trazendo a voz de Charlie que parecia acompanhada por vozes mais agudas, femininas, enchendo o quarto com uma névoa suave. Vislumbrei duas silhuetas que sorriram para mim. Eu soube quem eram no momento em que as fitei; A mais alta veio até mim, sorrindo e tocando meu rosto, seus olhos brilhavam e a covinha em sua bochecha se fez notar.

Antes que eu pudesse fazer algo, assim como vieram, se foram e apenas uma lágrima correu por minha face. A canção terminou e a névoa dissipou-se deixando-me novamente com o ingrediente final.

O sorriso de minha mãe encorajou-me e estendi a mão a Draco que me entregou um punhal.

Ele arregalou os ohos, preocupado, quando arregacei a manga, mas sorri.

—Um sangue puro, sangue de seu sangue.

Pressionei a lâmina contra minha palma deixando que o sangue escorresse e pingasse no caldeirão enquanto entoava o encantamento de conclusão.

O conteúdo borbulhou mudando de cor repetidas vezes, enchendo o ambiente com cheiros variados até que estabilizou-se

Finale incantatem.

Fui lançada para trás quando a onda de energia passou por mim, mas levantei-me e ao aproximar-me do caldeirão meu corpo foi elevado. Minha respiração ficou suspensa por alguns instantes e então fui baixada. Meus pés tocaram o chão e antes que meus joelhos falhassem, Draco me amparou.

No caldeirão agora havia um frasco do tamanho da minha palma e reluzia como um cristal. Peguei-o.

—Faça-o beber. -disse antes que meus olhos se fechassem.

Quando abri meus olhos estava nos aposentos de meu pai. Franzi a testa e me lembrei do que fizera.

Sentei-me na cama e vi a movimentação no canto.

—Izzye! — Draco veio até mim — Você está bem!

—Claro que estou. Onde está meu pai? Porque estou aqui? Você lhe entregou a poção?

—Calma. O Lord está no divã, ali. Ele não deixou que a levassem para seu quarto e não queria tomar antes que você explicasse. Então lhe disse que a última coisa que me pediu foi que o fizesse tomar. Ele sentou-se lá, tomou e começou a ter sensações de mal estar até que desmaiou. Tem horas que está desacordado e ninguém o toca. Aliás, apenas meus pais, tia Bella e Severo sabem.

—Ótimo. Deixe-me vê-lo.

—É melhor ficar deitada.

—Não, não é. — Ele bufou, joguei as pernas pra fora da cama e testei o equilíbrio. Ok.

Andei até o divã e peguei em sua mão. Estava quente. Quente.

—Ele está quente Drake! — ri tocando sua face, sentindo uma maciez dérmica diferente da usual. Uma maciez humana. — Está dando certo.

Algumas horas depois eu sentava, admirada, vendo as mudanças ocorrerem. Não havia permitido que ninguém entrasse, exceto Draco, e não contara o que havia feito; Queria que se surpreendessem.

Observei mais uma vez os cabelos que cresceram e sorri.

—Vai ter que usar shampoo. — Murmurei passando os dedos por seu rosto a cada minuto mais humano. As mudanças haviam acalerado.

—Olha Izzye, até nariz ele tem! — Drake exclamou entrando com uma bandeja. Revirei os olhos — Vem aqui comer — Chamou posicionando a bandeja na mesinha.

Bufei indo até ele, mas peguei o talher com prazer.

—Gosto de purê -Comentei pegando um pouco — e de legumes gratinados — garfei alguns legumes.

—Eu sei, por isso pedi.

—Obrigada querido. Quer um pouco?

—Não, já comi. — Sorriu me observando.

—Vai ficar me olhando?

—Vou.

Suspirei.

—Era sua mãe? Digo, no quarto.

—Era. Ela e minha avó. — Sorri um sorriso triste — Foi rápido de mais. Mas foi incrível.

—Sim — após uma pausa, Drake reiniciou a conversa.

—Todos estão doidos com você, você sabe.

—Sei, e vão continuar doidos.

—Querem saber o que fez, saber como ele está.

—Só vão descobrir quando ele acordar.

—Quem descobrirá o quê? — Sua voz nos sobressaltou e pulei, assustada, correndo na direção dele.

—Pai?

—Claro Isabella -Ele franziu a testa — O que foi? O que houve?

—Deu certo papai!

—O quê? — Ele se levantou fazendo com que uma mecha de cabelo encostasse em sua testa. Franziu-a novamente, levando a mão ao rosto.

—Olhe-se. — Falei, emocionada.

Ele examinou a textura da pele, levou a mão ao cabelo, estupefato, observou suas mãos, ergueu a manga do manto examinando a pele do braço.

—Isabella. -Pronunciou num murmuro, e percebi Draco saindo do quarto. — O que você…?

—Reconquistei sua aparência papai. Quebrei a maldição do encantamento que lhe trouxe o corpo físico. Você é humano de verdade de novo papai! — Seus olhos marejaram e pela primeira vez, não vestiu a máscara de imediato. Abraçou-me apertado.

—Fui até nossa casa pai. Entrei no quarto e fizemos a poção. Eu a vi pai, ela tocou meu rosto, mas logo se foi. Por isso pedi seu sangue, por isso fui atrás de Charlie.

—Por isso pegou a cinza de fênix — acusou e corei.

—Sim, como você..?

—Narcissa é observadora meu bem.

Ri.

Ele ergueu meu rosto.

—Sua mãe estaria tão orgulhosa de você quanto eu. Nunca imaginei ter meu corpo verdadeiro de volta -fraziu a testa- na verdade, acho que agora sou menos assustador.

Eu ri novamente.

—Tenho certeza que bota moral mesmo assim Lord Voldemort — fiz uma messura e ele sorriu

—Você é a única que me faz sorrir. Estou orgulhoso de você. A cada dia se mostra mais exímia.

Ruborizei.

—Eu queria fazê-lo feliz

—Você me faz.

Nos olhamos por alguns instantes.

—Acho que podemos sair do momento meloso e deixar que vejam-no. -Falei balançando a cabeça.

—Sim. — Me abraçou uma última vez e então vestiu-se de Lord Voldemort — Leve-os ao salão, os encontrarei lá.

—Certo — Sorri me virando e indo a procura dos outros.

Enquanto voltava à Hogwarts ainda pensava na reação dos Comensais.

Severo e Lúcio ficaram atônitos e depois começaram a me indagar sobre a poção, Bella deu um grito estridente e Cissa tapou a boca com as mãos, os olhos arregalados.

Outros contiveram suas reações, mas todos ficaram estupefatos.

O lado bom era que, exceto pelos que o conheciam depois de seu último ano em Hogwarts, ninguém o reconheceria agora. Os Comensais não deviam deixar a “fachada de cobra” cair, a Ordem não devia saber que ele reconquistara sua aparência.

Os planos estavam traçados e a aproximação da Batalha podia ser sentida e todos sabiam disso. Sabia que Harry estava treinando oclumência e que a Armada não estava completamente diluída, como pensado anteriormente; Seus amigos já tinham feito as pazes com ele, depois do incidente com a Charlie e sabia que os Cullen ainda estavam na deles.

Estes já haviam desistido de entrar em contato com outros vampiros; Se queriam tomar parte naquilo, tomariam sozinhos.

Draco acabara de contar-me que o Armário estava pronto e isso adiantava nossos planos.

Sorri ao entrar em Hogwarts.

~

Preciso falar com você,

JW"

Li o bilhete de Jasper que Rosalie passara ao esbarrar comigo no corredor e olhei na direção dele.

Estavamos no fim do jantar e nossos olhares se encontraram; Assenti e inclinei a cabeça levemente, em direção às masmorras. Ele assentiu e voltou sua atenção à Rosalie.

—Pessoal, com licença, nos vemos amanhã. — Despedi-me de todos

—Já vai? -Drake inquiriu confuso.

—Sim, nos falamos depois, ok? — Pisquei e saí da mesa ainda saboreando um doce com chocolate.

Andei até à Sonserina e quando estava próxima ao meu quarto, ouvi seus passos.

Sorri ao abrir a porta e ele entrou

—Olá Jasper

—Isabella — Sorriu de canto

—Bem, o que tem a dizer? — Perguntei sentando na ponta da cama

—Soube algo sobre Harry

—O quê?

—Não sei direito o que é, apenas que é algo difícil de ser feito, mas que Voldemort fez e eles querem destruir. -Senti o sangue gelar enquanto aguardava as próximas palavras — Ele e Dumbledore estão procurando as horcrux.

Notas finais
O que acharam? Olha o Lord aqui: http://www.nndb.com/people/668/000023599/fiennes3-sized.jpg Xoxo