Slytherin Blood
20 Chapter Nineteen
Notas iniciais
No Salão Comunal todos explodiram em gritos e animação por parte do jogo. Todos estavam confiantes da vitória contra aos grifinos, mas depois de um tempo saí dali.
Vaguei pelos corredores e me dei conta de onde estava quando cheguei a beira do lago.
Havia uma árvore perto da margem e caminhei até ela sentado-me sob sua sombra.
Fechei os olhos e deixei a brisa acariciar minha pele.
–Pensei sobre nossa conversa.
–Você tem a péssima mania de interromper meus devaneios. Não gosto disso. — Falei ainda de olhos fechados.
–Desculpe. Mas está sozinha e…
–Eu sei. Dificilmente consigo ficar não é?
–É.
–Ás vezes um monte de gente ao meu redor irrita. Não gosto muito disso. Manter sorrisos também é irritante. Só queria… Ser eu mesma mais vezes.
–Está sendo você mesma agora.
–Você que pensa. Mesmo agora estou me segurando.
–Não se segure.
–Se não me segurar estuporo o primeiro que aparecer na minha frente, mando um Crucio na cabeça do Weasley, e um Avada no Velhote. Bem, talvez um Sectusempra no Potter, ou não. Acho que se todos os amigos dele morressem seria mais proveitoso vê-lo sofrer por isso.
–Você não está brincando.
–Não costumo fazer isso.
Ficamos em silêncio por alguns istantes.
–Acabou de vencer um jogo. Deveria estar mais contente.
–Estou feliz por vencer a porcaria do jogo, mas no final das contas ele não é nada. Eu não deveria perder meu tempo com essas brincadeiras.
–Todos precisam de brincadeiras.
–Bem, vamos parar de enrolação. Diga.
–A história que ouvi foi diferente da sua. Nela, Lord Voldemort sempre foi mau e perverso, desde pequeno. Ele não amou ninguém e muito menos teve uma filha. Foi por pura ambição que fez todas as suas atrocidades.
–É. Existem muitas verdades por aí.
–De fato. Mas sempre há uma verdade que é maior que todas as outras.
Inspirei o ar sentindo os cheiros ao redor e relaxei com as costas apoiadas contra o tronco.
–Eu… pensei muito na verdade.
–E a que conclusão chegou?
–O poder está nas mãos de quem achamos que ele está.
–É, isso é uma verdade superior.
–O certo é o lugar onde você está. Numa guerra não existe o lado certo e o lado errado. Existe o lado em que você está e o outro lado. Certo ou errado depende do ponto de vista. Mas, há verdades mais concretas que outras.
–Nessa Guerra existe um lado de Luz e outro de Trevas, mas qual é de fato o lado sujo e qual é o limpo? O lado de Luz é o melhor? Ou o de Trevas? Porque diferenciar dessa forma? Qual o melhor lado? Bem, o lado que se escolhe é o melhor. Vamos ignorar noções de contingente militar. — Ele riu levemente — Embora eu acredite que você teria alguns dados.
Sorri, mas nada disse. Esperei alguns instantes e ele ficou calado.
–Em que lado você está Jasper?
Abri os olhos e olhei dentro dos dele. Jasper tinha o rosto concentrado, sério, decidido.
–Do seu.
Analisei seu rosto e analisei seus olhos mais uma vez.
–E sua família?
–Os Cullen acolheram Alice e então, me acolheram com ela. Não sei se algum dia fui totalmente Cullen. Na verdade, eu seguia Alice. Não seguia Carlisle.
– E Alice?
–Alice segue os Cullen cegamente. Vê Edward como seu irmão e melhor amigo, vê Carlisle como pai, Esme como mãe. Rose sempre foi a irmã discreta, polida. Emmett sempre foi o irmãozão irritante e brincalhão. E eu… Sempre fui o Jasper. O rapaz das visões. O cara a quem ela sentia que tinha de proteger. Quem ela tinha de ajudar. Quem ela tinha de chamar de seu.
–E você a ama?
–Eu… Amo. Mas...Eu amava Maria. E… Ás vezes ela parece amar mais aos outros do que a mim.
–E seu amor?
–Ficará comigo.
–Jasper, está realmente decidido?
Ele me encarou e então suspirou, rendido.
–Sim. Isabella, eu… Eu sinto. Algo em mim se rompeu quando a ataquei e então deixamos Forks. Você… Você ficou abandonada e a culpa era minha. Rosalie pensou que não era a melhor opção, mas que ao menos você teria uma vida normal. Enfiou isso na cabeça de Emmett, e mesmo que ele quisesse ficar, foi. Ele a ama. Faria qualquer coisa por ela. E, bem, Rose, Esme e Alice sempre quiseram união. Quiseram o que não puderam ter. Alice… Alice ficou triste, mas manter a família unida era a melhor escolha. Não queria deixar você para trás, todos a consideravam parte da família, mas era perigoso incluí-la. E mais vantajoso manter os vampiros unidos do que ficar com a humana, mas vê-la sofrer por ser o que era. Manter o clã sempre foi mais importante. Ficar representaria sofrimento. — Ele sorriu amargo e percebi que estava espelhando o meu — É. Ir também o representou. Eu sei.
–Não pode voltar para trás depois de decidir mudar sua posição.
–Não voltarei.
Perscrutei seus olhos mais uma vez.
–De que lado você está?
–Eu, Jasper Whitlock, estou do seu lado Isabella Priden… — Baixou o volume da voz — Riddle.
Ergui a sobrancelha e então joguei a cabeça para trás, gargalhando.
–Bem vindo Jasper. Vejo que sabe juntar 2+2.
Ele sorriu.
–Ao seu dispor Milady. — Assenti com um leve sorrisinho.
–Saiba que cobrarei sua lealdade.
–--------------------------------------------
Jasper tinha voltado para dentro com a promessa de se manter em silêncio e ser leal quando vi Kate andando em minha direção.
Por um momento um flash passou por meus olhos.
Tudo estava escuro, o vento uivava nas árvores, a garota que andava até mim parecia mais velha, usava um vestido longo sujo e rasgado. Seus cabelos estavam rebeldes e eram um pouco mais claros assim como os olhos, levemente mais escuros. Sua expressão era aflita e ela olhou para trás, preocupada. Tropeçou.
–Izzye. — Pisquei e a imagem sumiu. Kate estava a minha frente novamente. — Hey. Estava procurando você.
–Oi.
–Está bem?
–Aan… Sim. Estou.
–Certo. Então… Eu andei pesquisando.
–Pesquisando?
–É. Pesquisando no diário de meu pai. Encontrei uma referência a um diário gêmeo que deu a minha mãe quando se casaram. Eu… Acho que posso encontrar respostas nele.
–Que bom.
–É. Bem… Não sei onde ele está. Acho que está na antiga casa deles, mas… A casa foi invadida então…
–Como sua mãe era? — Perguntei curiosa, uma ideia passando por minha mente.
–Minha tia diz que sou muito parecida com ela. Que ás vezes ela até se assusta com isso. Diz que se não fosse o tom levemente diferente de nossos olhos e cabelo, e a pele, a dela era um pouco mais clara que a minha,pálida. Ela nunca teve o leve bronzeado que pareço ter herdado de meu pai. Porquê?
–Curiosidade. -Respondi pensando em minha visão. Ela franziu a testa, mas deu de ombros.
–Poderia me ajudar? Eu… Preciso descobrir o que houve.
–Ajudo. Quero saber tanto quanto você. Há alguma coisa nessa história e tenho que saber o que é.
–Pensei em irmos para lá.
–Amanhã. Esteja próxima aquela estátua que leva a passagem na DedosdeMel. Preciso fazer uma visitinha a meu pai.
–Certo. Que horas?
–Depois do jantar. Uma hora depois.
–Está bem. — Ficamos alguns instantes em silêncio. -Eu e Charlie podemos apresentar duas garotas de nossa Casa?
–Elas têm potencial?
–São ótimas. Se destacaram nas aulas de Snape, foi aí que começamos a reparar nelas. Uma tem cara de anjo, ela é mais delicadinha, mas eu já a vi azarando um garoto que a irritou e quando ela perde a paciência e responde alguém, até eu perco pra ela. A outra é bem estourada e muito zueira, acho que já levou mais detenções que eu, mas ela é realmente boa.
–Ok. Emma inventou que precisamos nos divertir com um jogo de verdade ou desafio. Levem as duas á Sala Precisa depois do horário de banhos. Creio que até lá a farra do Salão Comunal tenha arrefecido e nos vemos lá.
–Aham. Izzye?
–Sim?
–Eu vi… Vi que o Jasper veio dessa direção.
–E…?
–Ele estava com você?
–Sim.
–O que ele queria?
–Mudar de lado. — Falei e ela arregalou os olhos. — É. Mas, por enquanto, guarde silêncio sobre o assunto.
–Claro. Mas… Ele não esta mentindo?
–Se estiver, não me importo em acabar com ele. Na verdade, não me importo em acabar com qualquer um que minta para mim.
Fale com o autor