Sleepwalker
1 Sonhando Acordado
Notas iniciais
Primeiro alguns fatos sem muita importância.
Meu nome é Duncan, tenho 16 anos, e minha vida era completamente sem graça. É sério. Nada de importante nunca aconteceu comigo, eu sempre fui muito bom na escola, nunca tive nenhuma doença ou acidente grave, nem uma namorada, nem um carro, nem muitos amigos... Sou um rapaz solitário, e é assim que pretendo continuar.
Minha família se preocupa comigo, meu pai e minha mãe são incríveis – embora me achem muito estranho – eles realmente se esforçam para parecerem pais super legais, e eles são mesmo. Mas esse fato me faz passar por algumas situações bem vergonhosas. Eu tenho um irmão mais novo, o nome dele é Ryan, ele tem sete anos, e me acha o máximo, eu deveria achar isso legal, mas eu não sou assim. Eu quero ser diferente, e não um modelo pra os outros. Esses fatos me fazem pensar no quanto eu sou idiota em relação a minha família, eles me amam e eu finjo que não me importo.
Meus pais preocupam-se muito comigo, eu passei a infância inteira indo a psicólogos a clínicas especializadas. Até hoje eu ainda acho que exista alguma coisa sobre o meu passado que meus pais tentam esconder. Mas eu nunca resolvi tocar nesse assunto perto deles.
Ok, agora entendam, ultimamente minha rotina está bem confusa, já não durmo direito a um bom tempo. Eu conseguiria se não fosse o fato de que as coisas que eu vejo nos meus sonhos acabam acontecendo. Está ficando cada vez pior. E eu só fui perceber isso no momento em que eu tive uma “visão” sem nem mesmo estar dormindo.
Da primeira vez que aconteceu foi tudo muito estranho e surreal.
Eu estava em uma casa desconhecida, entrei em um quarto, não havia nenhuma mobília, apenas uma janela com vista para uma grande metrópole. Eu me virei para a porta por onde havia entrado, no lugar desta havia um grande espelho, com uma moldura prateada, eu estava refletido nele. No reflexo, aos poucos começou a cair uma pequena quantidade de neve, que passou a aumentar mais e mais, até ser uma nevasca formada.
Ora, uma nevasca dentro de um quarto sem porta. No meio da nevasca estava eu, óbvio, já que aquilo ainda era um espelho, mas eu estava diferente, parecia cansado e sem vida. Um fato que eu não pude deixar de perceber é que o meu reflexo não sentia frio, e tinha uma enorme tatuagem do braço esquerdo. Então o mais estranho aconteceu, tentei encostar no vidro, mas quando o toquei não havia vidro nenhum lá, eu estava encostando em mim mesmo, e então espelho se partiu em centenas de pedaços.
Os pedaços do espelho haviam caído sobre mim, meus braços agora sangravam, pude então ver atrás da moldura vazia a figura de uma garota, não vi suas feições, somente que era uma garota. Ela tinha em mão uma faca, melhor, uma adaga, que brilhou num tom prateado num relance de luz. A garota saiu correndo. E eu fiquei ali, uma possa de sangue no chão, nos pequenos pedaços do espelho espalhado pelo chão, eu ainda podia ver a neve cair, dessa vez mais suave. Eu estava pronto para morrer ali.
Um grito alto ecoou na minha mente, eu abri os olhos e saltei da cama. Havia sido apenas um sonho. Num movimento instintivo olhei e apalpei meus braços, que estavam ilesos. Comecei a processar os fatos sobre o que havia acontecido, o grito havia sido real. Eu desci rapidamente as escadas e fui até a cozinha, encontrei minha mãe desesperada.
– O que aconteceu, mãe?
– Uma barata! Ahhh! Ahhh! — disse minha mãe enquanto estava correndo para todos os lados da cozinha – Que bicho horrível! Ecaaaa!
Meu pai apareceu no vão da porta com um inseticida, e posso dizer que aqueles foram os últimos momentos da barata.
Vendo que minha família, o terror impregnado em minhas veias se esvaiu rapidamente, pensamentos felizes voltaram a minha mente. O medo passou.
Mais alguns fatos sem muita importância, minha mãe se chama Tessa, e tem 40, geralmente ela é bem simpática, em certos dias é melhor não puxar conversa, só do fato de estar perto dela em um de seus dias tranqüilos já faz você se sentir mais calmo. Sim, ela é a pessoa mais doce do planeta. Meu pai, Albert, tem 42. Ele é um cara bem alegre, tão alegre que chega até a ser vergonhoso. Digamos que ele se entrega muito ao seu trabalho, ele é ator, e quando tem um novo personagem costuma viver esse personagem 24 horas por dia. A bola da vez é um policial e é por isso que ele anda agindo dessa maneira já algum tempo, semana passada ele prendeu o carteiro á caixa de correspondências com sua algema de mentira.
Meus pais se conheceram na escola, se formaram na faculdade juntos, casaram-se, e então eu nasci. Se bem que não foi assim tão fácil, houve várias complicações na hora que eu estava nascendo, eu tive que ficar um tempão no hospital, minha família sofreu muito... Mas o que importa é que eu estou bem hoje.
Ultimamente estou estudando na Allies Academy, e lá têm sido o “palco” da maioria das minhas visões. Eu não sei por que isso acontece, mas tenho suspeitas de que é porque aquele lugar é o que eu mais detesto. Todos os professores são mandões e irritantes – todos sem exceção – os outros alunos me apavoram, apenas loucos e arruaceiros. Mas também tem uns prós na escola, a Lizzie também estuda lá, eu meio que tenho uma quedinha por ela a uns dois anos, ela é mais nova que eu, por isso não estamos na mesma classe. Eu nem tenho muita coragem de falar com ela, só falo quando ela puxa assunto comigo, e depois de poucas palavras nossa conversa acaba. A outra coisa que eu mais gosto na escola é a biblioteca, não pelos livros, mas pela coleção completa da série em quadrinhos “Dark Side of the Hero”, eu amo essa história desde que me conheço por gente, fala de super heróis – que por sinal gosto muito – mas que não fazem exatamente o “bem”, isso não vem ao caso, se pudesse, passaria dias inteiras ali na biblioteca, lendo aquelas maravilhas feitas de papel reciclado.
Acho que sempre tive certa fixação por histórias de heróis, mas ultimamente elas vêm se tornando mais presentes em minha vida.
Foi no dia depois do incidente da barata que as visões voltaram, e piores.
Dessa vez uma garota de uns catorze anos, ela estava correndo, ofegante, em uma rua cheia de casas, mas estavam todas vazias. A garota havia começado a chorar em quanto corria. Uma tropa de soldados, todos vestidos de preto, se aproximava aos poucos no fim da rua, do lado oposto vinha um rapaz com cabelos tão vermelhos que pareciam estar pegando fogo. A garota parou no meio do caminho entre a tropa e o rapaz. Ela caiu de joelhos no chão, e por alguns segundos ficou ali, imóvel. Quando a tropa já estava perto o suficiente para atacar a garota, ela olhou diretamente na direção dos soldados e deu um grito, não foi um som comum que saiu da boca dela, mas sim um ruído estridente que não parecia ser nem humano nem de uma máquina, ou de qualquer outra coisa que eu já tivesse ouvido, em instantes havia dezenas de soldados sendo jogados para cima, uns contra os outros, dentro das casas. Eu não estava entendendo muito bem a situação, mas com o grito daquela garota até o asfalto da rua havia se trincado. Depois disso eu acordei um pouco apavorado, ainda eram três da madrugada, mas eu fui até a cozinha tomar uma água.
Durante o curto caminho entre meu quarto no segundo andar e a cozinha fiquei pesando naquele sonho/pesadelo. Eu já havia visto alguma coisa daquele tipo antes, pra ser bem preciso, na edição nº3 do “Dark Side...” no quarto capítulo, havia um vilão capaz de emitir uma rajada de som. É eu sei que parece loucura, mas não fui eu que escolhi sonhar com isso.
Eu não voltei a dormir naquela noite.
Fiquei vendo TV e comendo cereal. Eram umas seis e meia quando o sol começou a sair. Arrumei-me e fui até o colégio, hoje teríamos prova de biologia – saco! — e eu nem tinha me lembrado de estudar, então o fiz durante a primeira aula, que era de sociologia, e a professora não falava nada de interessante.
Em um dos sermões da aula, olhei para o quadro, mas aos poucos comecei a notar que a imagem que eu estava vendo aos poucos estava saindo de foco, como se houvesse uma neblina dentro da sala. Meus olhos começaram a ficar quentes, até chegar um ponto em que eu não conseguia mantê-los abertos, quando finalmente consegui, a cena já não era a mesma. Á minha frente já não estavam o quadro e a professora, mas sim a grande fachada da escola, cheia de colunas, que a fazia parecer um pouco com a Casa Branca.
Eu dei uma olhada em volta, não havia ninguém, eu meio que sabia que aquilo era mais um dos meus sonhos, mas esse era mais real que os outros. Dobrando a esquina vinha um rapaz, com cabelos muito vermelhos, o mesmo rapaz do sonho que eu havia tido a noite. Eu me escondi atrás da árvore que fica na frente da escola, e ele continuou a caminhar, com um pouco de pressa. Quando ele estava mais próximo pude perceber um detalhe assustador em sua aparência, os cabelos vermelhos agora haviam se tornado pequenas chamas, parecia que a cabeça dele era uma tocha, mas ele agia como se nada de mais estivesse acontecendo. Eu tentei correr até a entrada da escola antes que ele me visse, quando olhei para trás ele já estava a menos de cinco metros de distância. Fiquei intrigado com o fato de ele ter me alcançado tão rápido. Ele continuou vindo em minha direção, tentei me proteger colocando os braços na frente do rosto, e o mais estranho aconteceu, ele passou direto por mim – não direto da maneira de passar direto, mas direto da maneira de atravessar meu corpo como se eu fosse um fantasma –, após eu ter sido atravessado pelo cara, o mesmo estendeu os braços em direção ás portas da frente da escola, de seus punhos saíram duas colunas de fogo, destroços das portas voaram, e ele disse:
– Não adianta mais se esconder, garoto!
Com um pequeno salto eu acordei de meu estado de transe, a aula continuava normalmente, nada de fogo. A professora perguntou se eu estava bem, e eu apenas pedi para ir ao banheiro, eu não queria assustar ninguém com essa história. Eu havia acabado de entrar no banheiro quando Stan – o brutamontes – apareceu. Nós não nos damos bem desde... Sempre! Eu fiquei um pouco traumatizado durante a infância, uma vez Stan havia me deixado trancado dentro da sala de aula, sozinho, depois que todos já haviam ido pra casa. É, eu era apenas uma criança, mas agora acho que sou capaz de contornar a situação.
Notas finais
Eu sei que essa fic não está tão bem escrita quanto as outras que já li aqui no nyah, mas é uma idéias que eu fui tendo aos poucos, e foi uma das minhas primeiras fics, agora eu tenho umas outras 12 mas eu só vou postá-las quando estiverem boas o suficiente.
OHH...
Espera aí!
Como você foi um bom leitor e chegou até o fim do capítulo eu vou te dar um presente:
Preview do Segundo Capítulo: O Colégio Pega Fogo
"Ele estava no meio das chamas, sem se queimar. Então como uma explosão de fúria, arremessou uma coluna de fogo em minha direção, senti o calor quando aquilo foi se aproximando, então alguma coisa me atingiu..."
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