Sleeping Beauty: The Story Behind
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Alguns acreditam que a maior batalha que você pode enfrentar é quando aprende como a vida realmente é, mas na verdade é quando você descobre que precisa saber lutar contra você mesmo para alcançar seus objetivos.
Katharynny Gabriella
Inglaterra – 1347
Não, a história não começa com “Era uma vez” e nem tem fusos e príncipes encantados guiados por fadas que diminuem de tamanho ou dão dons mágicos com varinhas de condão. Na realidade, ela se passa em um reino comum da Inglaterra, onde eu, Aurora, sou a princesa real herdeira do trono. Meus pais, Estevan e Isadora, sonhavam há muito ter uma filha e quando isso finalmente aconteceu, eles não imaginaram a era de dor que isso iria acarretar.
Vamos partir para o princípio. Tudo aconteceu na primavera, no dia em que eu nasci meu pai andava de um lado para o outro enquanto no quarto minha mãe, rodeada de parteiras, emitia gritos angustiantes e tão altos que parecia que seu corpo estava sendo rasgado em milhões de pedaços enquanto ela agonizava. Alguns segundos depois o meu choro era ouvido em todo o castelo, marcado pelo silencio angustiante que se deu. Naquela tarde, ao sol poente, meu nome foi escolhido em uma das torres do castelo em homenagem as luzes da manhã chamaram-me de Aurora, porque eu vim dar alegria a vida de meus pais, pelo menos era o que todos pensavam.
Meu nascimento gerou a inveja e a revolta de Martha, uma das condessas da província, que até então tinha a filha Edwiges como herdeira do trono de meu pai por ser prima direta dele e aquele ódio marcaria a minha vida silenciosamente para sempre.
– Olhe como é linda... – Os olhos ternos de minha mãe me fitavam com um suave sorriso.
– Oh sim minha rainha... – Martha falou disfarçando sua raiva. – Ela será uma belíssima princesa.
– E a mais gentil das rainhas, Estevan vai prometê-la ao filho de Ricardo de Bridges da província de Londres.
– Mais já minha rainha? Não acha um tanto precipitado? Afinal, a princesa tem apenas dias de vida.
– Estevan há muito sonha com a união dos reinos Martha, e Ricardo aprecia a ideia, a cerimônia será dentro de alguns dias.
– Bem, se sua majestade acha prudente, me encarregarei pessoalmente da supervisão da cerimônia.
– Oh, muito lhe agradeço Martha, Estevan ficará feliz.
Esse era apenas o início dos planos cruéis de Martha. Saindo do quarto ela se dirigiu até sua filha, Edwiges, que se encontrava em seus aposentos, ambas moravam no castelo desde que Federico, esposo de Martha, morrera em uma das batalhas na França. Meu pai não quisera deixá-la desamparada, então acolheu-as em nossa casa. Entrando de sopetão no quarto ela bradou para a filha que estava frente ao espelho penteando os longos cabelos negros:
– Isso é uma afronta!
– O que acontece minha mãe?
– Estevan vai casar a filha com o príncipe de Londres!
– E o que há de afronta nisso minha mãe?
– Era com você que príncipe Felipe deveria estar noivo! Era a você que Estevan prometera a mão, ele mesmo havia me dito no ultimo outono!
– E o que pretendes fazer?
– Vou esperar o momento certo minha filha, Aurora nunca subirá ao trono! Não permitirei!
– Minha mãe, assusta-me falando desta maneira. O que planejas?
– Amaldiçoarei sua vida!
Em outras palavras, isso quer dizer bruxaria. Não era de um todo incomum a prática de magia negra naquela época, embora fosse completamente proibida. E começaram os preparativos para o noivado, as pessoas se mobilizavam para todos os lados carregando coisas, pendurando outras, distribuindo e limpando objetos por todo o salão da corte. Eu sei provavelmente vocês estão esperando que eu mostre Malévola no seu castelo na montanha proibida assistindo aquelas criaturas estranhas dançarem em volta de uma fogueira verde. Não, não vai rolar mesmo. O que movia os reinos do mundo não era a maldade da magia, embora ela existisse mascarada em mulheres como Martha, era a crueldade da inveja.
As trombetas soaram ecoando por todo o salão e o chanceler anunciou a chegada da Duquesa de Cambridge, e aos poucos outros convidados da corte chegavam até mesmo os camponeses foram convidados para a cerimônia, meu pai não se importava com a simplicidade deles em meio a toda pompa de seus convidados de honra. Minhas madrinhas vieram em seguida sendo uma a uma anunciadas pelo chanceler, eram elas Edith, Ester e Adelaide, vi seus rostos rosados me olhando quando se aproximaram do berço exalando suspiros:
– Oh, como é linda! – Falaram em uníssono.
Novamente o som das trombetas soaram e o chanceler anunciou-os:
– Suas majestades reais, o Rei Ricardo e o Príncipe Felipe.
Meus pais se levantaram para receber seus convidados de honra, esta noite anunciariam meu noivado com Felipe que na época contava cinco anos, era um menino magro, de cabelos castanhos e olhos de igual cor, tinha lábios rosados e a pele alva e corada. Seu pai, Ricardo, era um homem alto e austero, tinha cabelos castanhos cortados curtos e um cavanhaque. Felipe aproximou-se do berço olhando-me com certo receio, ficar noivo antes mesmo de saber contar até cem não é de fato uma escolha muito sensata.
– Sua altesa real a Duquesa Martha e sua filha Ediwiges.
Ambas apareceram no salão recebendo o olhar dos demais. Martha trajando um vestido preto provavelmente em homenagem a sua alma enlutada e a filha, Edwiges, de sete anos, usando um vestido azul celeste com as madeixas negras presas em uma trança. Elas caminharam até meus pais e os convidados de honra fazendo uma reverência e tomando seus postos no canto esquerdo. E deu-se início a festa muita comida, vinho e música, Ricardo conversava com meu pai enquanto Martha e minha mãe faziam sala para as duquesas e rainhas presentes, Edwiges e Felipe brincavam juntos perto do meu berço.
– Vai mesmo casar-se com ela um dia?
– Não sei...
– Não me achas muito mais bonita.
– Sim. – Ele respondeu francamente com um sorriso.
– Devias casar-se comigo. – Edwiges falou dando-lhe um beijo no rosto e correndo logo em seguida.
– Edwiges espere!
Ele preparou-se para ir atrás dela, mas hesitou olhando em direção ao meu berço e aproximando-se novamente. Os olhos castanhos fitaram-me atentamente como se me analisassem, movi as mãos, curiosa e ele estendeu um de seus dedos para mim, segurei-o com firmeza e ele sorriu, ela aproximou-se novamente de nós puxando-o com as mãos:
– Vamos, deixe-a ai! É só um bebê sem graça!
Logo o inesperado aconteceu, entrou na sala uma mulher velha com um comprido chapéu e segurando um cetro dourado, todos voltaram o olhar para ela assustados, a música cessou, as conversas silenciaram e um medo pairou sobre o local, ela olhava a todos, enfurecida:
– Lady Sanderses. – Meu pai falou quase em um sussurro.
– Estevam, que graciosa comemoração. – A velha começou com um tom irônico na voz. – Sinto-me profundamente desditosa por não ter sido convidada quanto até mesmo vossos súditos se fazem presentes.
– Peço-vos que nos perdoe Milady, não te afastavas de teu palácio há tantos anos que julgávamos que recusarias tal convite. – Minha mãe tentou explicar-se.
– Mesmo assim trouxe um presente à jovem princesa. – Ela falou colocando-se no meio do salão. – E que todos os presentes ouçam agora esta maldição por mim imposta! Aurora crescerá aclamada por seu povo, o seio da terra iluminar-se-á com sua doçura e amabilidade, porém, em seu décimo sexto aniversário, antes que possa subir ao trono sua queda chegará e seu reino dissolver-se-á em caos e sangue.
Em um canto do salão, Martha sorriu cruelmente, ela sabia que aquela maldição há muito estava premeditada.
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