Quando acordei estava no colégio


– Voce está bem? — pergunto uma voz de mulher


– Mais ou menos... — balbuciei, acareciando meu rosto, e franzindo a testa irritada, o que havia acontecido?


–Nos te encontramos em frente ao nosso colégio.... — disse a mulher, eu a olhei, era a enfermeira do colégio. — Eu sinto muito querida, mais.... voce estava desmaiada, não fazemos ideia do que houve...


– Eu tambem não me lembro de nada. — eu funguei sentindo a mulher passar uma pomada na minha cabeça. — O que tem na minha cabeça?


– Sua testa... tem um pequeno corte, acho que voce se machucou ou alguém te tocou... voce não se lembra de nada mesmo? — ela perguntou preocupada


– Sinto muito, mais não.... — eu disse, suspirando, ela também fez o mesmo.


– Tudo bem, ligamos para a sua mãe ela está aqui fora... e bem, ela quer ve-lá, pode deixar ela entrar


– Claro — eu disse colocando as minhas pernas crusadas sobre a maca, e sorrindo falso


– Tudo bem, vou chama-la. — disse, se virando para a porta e saindo.


O quarto era grande e todo branco, e bem silencioso apenas começei a me movimentar tentando buscar outro corte ou algo dolorido e toquei o meu cabelo automaticamente sentindo algo dolorido no meu couro cabeludo, gemi de dor, e mordi os labios para evitar um grito, respirei fundo e vi que estava sem meus tenis, me agachei e começei a calça-los.


– Filha.... meu deus.... que bom que está tudo bem!.... eu fiquei tão preocupada quando me ligaram.... todos estavam preocupados... meu deus olhe o seu rosto, o corte... Meu deus... — ela arfava entrando no quarto minha mãe me abraçou com força


– Mãe calma, — pedi me separando dela e olhando-a. — Eu estou muito bem, obrigado, estou um pouco cansada, posso ir pra casa?


Otima oportunidade de voltar a cama, respirei fundo e terminei de calçar os sapatos. Minha mãe soltou um suspiro de reprovação


– Tudo bem, mais amanhã, voce não vai faltar está me ouvindo? — perguntou e depois me ajudo a se levantar. — Quer dormir na sua... minha casa hoje?


– Não — respondi de imediato, eu amava morar sozinha sempre foi assim desde que completei 17 anos começei a morar em um apartamente muito bem localizado, sem mãe, ou qualquer outro membro de minha familia.


– Porque? — disse ela fria. Minha mãe odiava a ideia de eu morar sozinha, ela apenas aceitou isso porque.. bem, ela cometeu um grande erro no passado e bem, eu odeio pensar nisso e eu também havia cometido erros e eu odeio.... odiava... e sempre vou odiar pensar sobre isso mais olhei ela.


– Não quero ir e ponto. — saimos e pude perceber que ela havia ficado rigida ao meu lado. Dane-se na casa dela eu não ficava sai de lá e ficamos em silencio no seu carro


– Aonde está meu carro? — perguntei, arqueando as sobrancelhas, olhando o estacionamento da escola


– Quando eu cheguei eu levei pra sua casa — ela deu de ombros e depois entramos em sua BMW preta.


– Droga. — eu xinguei odiava andar nesse carro, todos do lado de fora ficavam olhando e bem... eu odiava atenção mais parecia que minha mãe fazia questão que isso acontecesse eu bufei e coloquei o cinto


– Quer que eu faça uma janta pra voce? — perguntou, dirigindo;


– Não, obrigado eu me viro — eu disse olhando pela janela do carro, eu liguei a radio e estava tocando, Need You Now, Lady Antebellum eu apenas aumentei o som:


" Picture perfect memories,
Scattered all around the floor
Reaching for the phone 'cause,
I can't fight it anymore
And I wonder if I ever cross your mind
For me it happens all the time"


Eu ouvia aquela musica, sentindo cada celula do meu corpo doer, como se um passe de magica fosse feito e eu estivesse me lembrando do meu dia, eu acordando apos ter tido um pesadelo, meus labios umidos assim como o meu cabelo depois de ter suado a noite inteira, os cortes que produzi em meu pulso, as lagrimas enquanto ouvia uma musica, a minha mãe aparecendo pra fazer o café e nossa conversa, fechei os olhos e senti a lateral do meu rosto arder em febre, e coloquei a mão na cabeça buscando lembrar o que havia acontecido comigo, me concentrando na letra da musica:



" Guess I'd rather hurt than feel nothing at all
It's a quarter after one,
I'm all alone and I need you now
And I said I wouldn't call
but I'm a little drunk and I need you now
And I don't know how I can do without,
I just need you now"

Eu começei a me lembrar automaticamente....


FLASHBACK ON


– Ora, ora, ora não é a menininha que é inteligente, como foram as férias? — perguntou um menino, respirei fundo

Não posso perder a paciencia, logo no primeiro dia de aula.... Eu ri baixinho;


– Boas, já que eu não te vi .... — eu sorri malicioso e senti uma mão forte puxar meu cabelo pra tras, eu senti meu corpo formigar e resmunguei


– Me solte.... — mandei irritada, novamente senti algo arder em meu rosto, ele havia batido em mim....? Sim, ele havia, corrompi em lagrimas e ofeguei... — por favor....?


FLASHBACK OFF


Eu abri meus olhos em choque, aquele idiota do Gabriel ele havia me tocado novamente... a raiva pulsou em meu corpo e eu desejei bater em algo, nunca fui muito agressiva mais Gabriel já havia me torturado tanto, me feito sofrer, e passar por situações frustrantes que não importa se ele apenas olha ou fala comigo eu sempre vou querer bater nele com todas as forças que ainda restam em meu corpo, eu reprimi o impulso de voltar ao colégio e bater nesse idiota:


- Filha? — chamou minha mãe.


Começou a tocar Makes Me Wonder do Maroon 5, eu fechei os olhos e respirei fundo ignorando minha mãe:


"God damn, my spinning head Decisions that made my bed Now I must lay in itAnd deal with things I left unsaid I want to dive into you Forget what you're going throughI get behind, make your move"


Eu não conseguia me lembrar, droga.... Eu me lembrava, apenas de um homem estranho com um manto se aproximando erguendo a mão ate mim pronto pra me tocar e....


- Filha, fale comigo. — gritou minha mãe parando o carro


- Que foi? — perguntei irritada


- Custa me responder? — gritou ela. — CARAMBA, EU FIQUEI PREOCUPADA, QUER IR A PORRA DO HOSPITAL OU QUER IR PRA CASA MESMO? PORQUE VOCE TÁ MUITO ESTRANHA E SE NÃO MELHORAR EU NÃO VOU DEIXAR VOCE IR A ESCOLA! — ela exclamou.


Revirei os olhos irritada e vi que já estavamos em frente a minha casa, eu abri a porta em um rompante e sai:


- Obrigado, vou ficar em casa, se eu não melhorar te ligo, tchau — eu disse friamente, e bati a porta do carro entrando em meu apartamento.