Skyrim - Das cinzas
4 Capítulo IV - Uma Nova Ordem
A viajem demorou mais do que o previsto, visto que Duncan saiu do canto noroeste de Skyrim e rumou para o sudeste, literalmente atravessando a província de um lado para o outro. Ele parou em uma estalagem para cochilar e comer, e dar ao bom e velho Shadowmere um descanso merecido. Algo que também lembrou foi de trocar suas roupas, afinal, a existência dos Nightingales tinha que ser mantida em segredo.
Quando passou por Riften e começou a se aproximar do Canyon, Duncan pôde notar que Shadowmere ficara mais agitado. E não era fácil deixar um cavalo demoníaco imortal agitado. Duncan deu meia volta e deixou Shadowmere no estaleiro em Riften, e seguiu o resto do caminho à pé, com a Dawnbreaker e a espada dada por Nocturnal junto de seu uniforme, a Lâmina dos Nightingales, empunhadas. Manteve o capuz abaixado, sombreando-lhe o rosto, para espantar mal-feitores.
Quando chegou ao Canyon e se aproximou do forte, ouviu sons de uma luta sendo travada. Ele correu colina acima, vendo Isran, Agmaer, Durak, Celann, um Nord que estava na entrada do forte da primeira vez que Duncan fora lá, e um outro Dawnguard que Duncan não reconheceu lutando contra, no mínimo, sete vampiros.
Duncan não pensou nem meia vez: partiu para cima dos bebedores de sangue, sem dó, nem piedade. Ao menos pôde ver Isran em ação. Ele usava um enorme martelo de guerra que parecia conter uma magia poderosa. Ele também emitia um brilho dourado que feria os vampiros que conseguissem se aproximar de mais. Muito provavelmente algum feitiço aprendido com os Vigilantes de Standarr. Duncan anotou mentalmente que leria mais sobre os vigilantes para aprender essa magia, caso fosse necessário.
Ele avançou até os vampiros e se juntou ao grupo, pegando duas das criaturas da noite pelas costas. Um deles teve sua energia vital sugada pela Lâmina dos Nightingales, enquanto o outro incendiou-se de dentro para fora.
—Cheguei em uma hora ruim? – Perguntou ele para seus companheiros.
—Chegou bem à tempo para uma festa – brincou Celann, enquanto cravava seu machado de duas mãos na cabeça de um dos vampiros. – só nos ajude a expulsar alguns penetras antes!
O rapaz grisalho sorriu sadicamente em resposta, enquanto cruzava espadas com um outro vampiro. Isran recuou um pouco para se colocar ao lado dele, enquanto arremessava longe outro dentuço com um golpe de seu martelo.
—Então... o que houve naquela cripta? – perguntou Isran.
Duncan desviou-se de um golpe e contra-atacou.
—Tolan não conseguiu. – Duncan respondeu – Estava morto quando cheguei.
— Maldito idiota. – Praguejou Isran – Eu disse a ele para não ir. Os Vigilantes sempre tiveram mais coragem do que sentido. Você pelo menos descobriu o que os vampiros estavam procurando lá?
—Uma garota. Ela estava aprisionada lá.
—Uma garota? Lá? – perguntou Isran, confuso – Isso não faz sentido nenhum.
À essa altura elas haviam conseguido despachar quase todos os vampiros. O único que sobrou tentou fugir, mas um virote de besta atravessou sua nuca antes que ele tivesse a chance. Durak recarregou.
Isran apoiou seu martelo no chão, usando-o como apoio. O homem estava ofegante. Isran já devia ter seus cinquenta, mas por mais que estivesse em boa forma para sua idade, aquele combate o pegou totalmente de surpresa.
— Olhe só para isso. – disse ele, ainda recuperando o fôlego – Eu já devia saber que era só uma questão de tempo antes que nos encontrassem. É o preço que pagamos por recrutar abertamente. Vamos ter que reforçar nossas defesas. – ele olhou para Duncan. – Você mencionou uma garota. Quem era ela? E o mais importante, onde ela está?
Duncan pensou em um jeito de contar os fatos, já que essa história toda havia sido confusa até mesmo para ele.
—Ela me pediu para que eu a levasse para casa... estava fraca e um pouco assustada, mas de cara se provou uma feiticeira muito poderosa. Ela tinha um Elder Scroll consigo.
—Uma feiticeira... com um Elder Scroll... não é à toa que os vampiros queriam pegá-la.
—Na verdade, não é bem por isso. – Duncan respondeu. – Depois que eu a levei para casa, descobri que ela era uma vampira, filha de um vampiro extremamente poderoso. Na verdade, o castelo estava cheio deles.
—Então... suponho que você tenha tido sorte de ter escapado com vida. Essa... vampira. Ela te atacou?
—Não. E ela parecia muito relutante em voltar para casa. Ela estava confusa. Perdida. As intenções dela não eram ruins. Ela me ajudou a escapar da cripta, e foi graças à ela que eu pude sair com vida do castelo.
—Não diga bobagens, garoto! – Retrucou Isran – Não existe isso de “vampiros bonzinhos”. Tenha em mente que, assim que soube que ela era uma vampira, você devia ter a matado. Eu só estou vivo a tanto tempo por não assumir riscos, e você deve aprender a fazer o mesmo. – ele suspirou – Bom.... não serei duro de mais com você, afinal, foi sua primeira missão, e pelo que pude perceber, você já teve sua cota de emoções. Pelos Divinos, isso não poderia ficar muito pior. Isso é mais do que você e eu podemos lidar.
—Não, Israan. Temos que tentar. A garota pode até não ser uma ameaça, mas o pai dela é. E agora eles têm um Elder Scroll. Não é hora de desistir. Temos que fazer algo.
— Obvio que temos, garoto. Eu sou velho, não estúpido. Só precisamos de ajuda. – ele fez uma pausa para pensar, então disse — Se eles são ousados o suficiente para nos atacar aqui, então isso pode ser maior do que eu pensava... Tenho homens bons aqui, mas... há pessoas as quais conheci e trabalhei ao longo dos anos. Precisamos de suas habilidades, seus talentos, se vamos sobreviver a isso. Se pudéssemos encontrá-los, poderemos ter uma chance.
—Ótimo. Onde eu os encontro? – Duncan perguntou, indo direto ao ponto.
—Tem certeza que quer fazer isso, garoto? Eu gosto disso. Não é como aqueles tolos na ordem. É bom ter alguém com essa iniciativa, visto que eu preciso de pessoal aqui para me ajudar a melhorar as defesas. Mas... é bom não exagerarmos na quantidade, vamos manter as coisas pequenas por enquanto. Com muitas pessoas, e vamos chamar a atenção indesejada para nós mesmos. Acho que vamos querer Sorine Jurard. Menina bretã, inteligente, pensa rápido e é boa com invenções. Fascinada pelos Dwemer. Armas em particular. A última vez que eu ouvi falar, ela estava no Reach, convencida de que ela estava prestes a encontrar as maiores ruínas de Dwemers já vista.
—E acha que vai ser fácil convencê-la a ajudar? – Duncan perguntou.
Isran deu um pequeno sorriso de canto
— Talvez precise insistir um pouco, mas ela deve vir. – mais uma pausa, enquanto buscava em sua memória mais alguém útil – Você também vai querer encontrar Gunmar. Um Nord, dos brutamontes. Odeia vampiros quase tanto quanto eu. Enfiou na cabeça anos atrás que sua experiência com animais iria ajudar. Trolls em particular, pelo que eu ouvi dizer. A última vez que eu soube que ele estava procurando em Skyrim por mais bestas para domar. Traga os dois de volta aqui, e podemos começar a criar um plano.
Duncan assentiu, e deu meia volta.
***
Gunmar estava caçando um urso, em favor à uma pequena comunidade local, e aceitou ajudar Isran quando soube que haviam vampiros com um Elder Scroll andando por aí. Sorine foi um pouco mais difícil de convencer, já que a moça estava mais preocupada com um aparato Dwemer que ela havia achado ao sul de Mor Khazgur. Aparentemente, ela tinha as peças necessárias para colocar a máquina para funcionar, mas havia perdido sua bolsa, e estava culpando os caranguejos por isso. Depois de quase duas horas procurando nas margens do lago ou próximo a ninhos de caranguejos, Duncan estava cansado, com sono, com fome e de mau humor. Estava quase desistindo de ajudar Sorine quando encontrou a bolsa à alguns metros de onde ela estava. Provavelmente ela deixou-a ali e esquecera. Duncan a fuzilou com olhar.
—Ah, estava aí esse tempo todo? – perguntou ela, sem graça, coçando a nuca.
—Agora que já me fez perder tempo, vai nos ajudar ou não? – perguntou Duncan, obviamente irritado.
—Vou! Quero dizer, não agora.... preciso terminar isso antes. Eu estou há semanas nessa pesquisa, não posso simplesmente largar tudo.
—Imagino que esteja há tanto tempo assim pesquisando, e não perdendo suas peças por aí. – Duncan disse, de maneira tóxica.
—Olha.... me perdoe. Realmente, eu vacilei e acabei fazendo você perder seu tempo. Espero que me perdoe. Estou com a cabeça muito cansada.
Duncan suspirou e abaixou a guarda.
—Tudo bem.... eu entendo. Na verdade, estou do mesmo jeito.
—Isran não anda te deixando descansar, não é? Só porque ele mal dorme, ele acha que nenhum de nós deve...
—Não... não é isso. Muitas coisas aconteceram nesses últimos meses. E agora que estou caçando vampiros, estou tendo que trocar o dia pela noite, e isso dificulta muito em conseguir comida.
—Eu sei... bom, vou apenas ver se consigo colocar esse convector Dwemer para funcionar. Prometo que depois eu vou para o Canyon, está bem?
—Hm... certo. Nesse caso, quer ajuda com mais alguma coisa?
—O que? Ah, não, não.... agradeço a oferta, mas esses aparatos Dwemer são muito sensíveis. Um erro e nós dois podemos acabar virando churrasco, ou pior.
—Entendo. Sendo assim, te vejo no Forte.
Antes de voltar ao Canyon, Duncan parou em Riften, passou por sua casa e pegou algumas coisas que poderiam ser úteis. Ele estava longe de Riften e do Forte há quase quatro dias, procurando pelos dois. Deitou em sua cama e pegou no sono. Quando acordou, já estava amanhecendo. Ele se preparou para sair, então viu em cima de sua mesa um desenho. Passou o dedo pelo delicado rosto feminino ali representado e deu um sorriso triste. Então, saiu de sua casa e rumou para o Forte Dawnguard.
***
Quando chegou ao Forte, notou as mudanças realizadas em tempo recorde por Isran. Haviam barricadas e um enorme portão. Também notou que haviam novos recrutas. Fora isso, notou um pequeno acampamento com um brasão do Império lá dentro, com uma família. Ao perguntar-lhes quem eles eram, eles disseram que estavam ali se protegendo dos vampiros, afinal, ali eles se sentiam seguros.
Quando entrou no Forte, notou que Gunmar e Sorine já estavam lá. Na verdade, aparentemente, estavam esperando por ele. Isran olhava para eles da sacada do segundo andar do Forte.
—Muito bem Isran, — disse Gunmar – você tem todos nós aqui. Agora o que você quer?
—Esperem só um segundo.
Quando ele disse isso, grades subiram em todas as passagens para o salão principal, prendendo-os lá. O chão se abriu e uma luz fortíssima veio de lá. Era quente, como a luz solar.
—O que você está fazendo? – Sorine Perguntou, assustando-se.
—Certifique-se de que vocês não são vampiros. – Isran respondeu com calma, até um pouco de frieza – Nunca se pode se dizer cuidadoso demais.
Logo que ele notou que não houve reação física de nenhum dos três, ele abriu as passagens e o chão fechou-se novamente.
—Então, – continuou ele – sejam bem-vindos ao Forte Dawnguard. Tenho certeza que já ouviram um pouco do que estamos passando, graças ao nosso amigo aí. Poderosos vampiros, e eles têm um Elder Scroll. Se alguém vai ficar em seu caminho, vamos ser nós.
—Tudo isso está muito bom, –disse Sorine, ainda desconfiada – mas nós realmente sabemos alguma coisa sobre o que eles estão fazendo? O que fazemos agora?
—Nós vamos chegar a isso. –Isran respondeu – Por agora, se familiarizem com o lugar. Sorine, você vai encontrar espaço para começar a desenvolver em cima do projeto da besta que você vem trabalhando. Gunmar, há uma área grande o suficiente para você, para acomodar alguns trolls, Faça com que estejam equipados prontos para uso. – ele olhou para Duncan, com uma expressão desconfiada –Enquanto isso, vamos chegar ao fundo de por que um vampiro apareceu aqui procurando por você. Vamos conversar um pouco com ele, sim?
O coração de Duncan quase parou. Um vampiro procurando por ele? Seria um dos homens de Harkon? Isso não ia ser nada bom. Um daqueles vampiros poderiam massacrar a Dawnguard toda se quisesse. Quando ele se juntou a Isran no segundo andar, o velho caçador de vampiros o pôs à par da situação de um jeito menos enigmático.
— Este vampiro apareceu enquanto você estava fora. – explicou Isran – Suponho que seja o que você encontrou na cripta Dimhollow. Diz que tem algo muito importante para dizer a você.
Quando entraram na pequena sala isolada, Duncan viu Serana. Ele não sabia se isso o deixava mais tranquilo ou ainda mais preocupado.
— Então vamos ouvir. – concluiu Isran.
—Eu também preferia não estar aqui, –começou ela – mas... eu precisava falar com você. É importante. – Duncan abriu a boca para falar, mas ela o interrompeu – Por favor, apenas escute antes que seu amigo, aqui, perca a paciência. É... bem, é sobre mim. E sobre o Elder Scroll que foi enterrado comigo. Imagino que você já saiba disso, mas meu pai não é exatamente uma pessoa boa. Mesmo para os padrões dos vampiros. Mas ele nem sempre foi assim... simplesmente... aconteceu. Ele tropeçou em uma profecia obscura e... simplesmente se perdeu nela.
Duncan cruzou os braços, mostrando-se disposto a ouvir.
—O que você quer dizer com “se perdeu”? – ele perguntou.
—A profecia disse que os vampiros não precisariam mais temer o Sol. – Serana explicou – Para alguém que se apetecia como uma realeza de vampiros, isso é muito sedutor. Mãe e eu não tínhamos vontade de começar uma guerra com toda a Tamriel, por isso tentamos detê-lo, e por isso fui selada com o Scroll.
—Serana... –Duncan disse, preocupado – você se arriscou muito vindo aqui. Quero dizer... por que vir até um lugar onde todos provavelmente tentariam te matar só para me ver?
—Porque algo sobre você me faz pensar que posso confiar em você. – ela disse, num tom que Duncan não conseguiu distinguir entre se ela se ofendeu, ou simplesmente nem ela mesma sabia o porquê daquilo – Espero não estar errada.
—Tenha certeza que não. – Duncan respondeu firmemente – Eu sei que você está do nosso lado. Agora... só vai ser complicado convencer os outros disso. Eles são mais cabeça-dura, caso não tenha notado.
—É, eu notei. – ela disse, dando um pequeno sorriso. Duncan se sentiu feliz em ter conseguido diminuir a tensão no ambiente. – Para sua sorte, eu sei ser extremamente persuasiva.
—Muito bem, – Isran disse, de maneira seca – você já ouviu o que isso tinha a dizer. Agora, diga-me, há alguma razão pela qual eu não deveria matar essa praga sugadora de sangue agora mesmo?
—Posso te dar, no mínimo duas, Isran. –respondeu Duncan, devolvendo o mesmo tom, mas de forma imponente. – Isso, se você estiver disposto a colocar esse seu ódio cego de lado um pouco.
—Deixar meu ódio de lado? – repetiu ele, de maneira debochada, mas irritada – Sem chance. É o que me mantém forte.
—Então eu não tenho muito o que discutir com alguém ignorante assim.
Isran ficou roxo de raiva
—Você ousa questionar a minha autoridade? – gritou ele.
—Estou questionando a maneira com que você deixa seu ódio falar mais alto do que a razão. –Duncan respondeu entre os dentes. Depois, ele voltou ao tom contido e calmo de antes. – Agora, se estiver disposto a ouvir, podemos conversar como dois adultos.
Isran inflou os pulmões para, provavelmente, insultar Duncan, mas desistiu. Ao invés disso, ele simplesmente cruzou os braços e disse com mais desdém:
—Prossiga.
—Muito bem, – disse Duncan. –Nós vamos deixá-la nos ajudar. Ela é a única que pode, no momento.
—Por que?- Isran perguntou, descrente e ainda um pouco irritado – por causa dessa história de “profecia”? Sobre algum vampiro tentando se livrar do sol? Você realmente acredita em alguma dessas coisas?
Duncan manteve o tom frio.
—Acredito – disse ele –que ela não teria se arriscado vinda aqui à toa.
— Quem sabe, talvez tenha um desejo de morte. –Isran debochou – Talvez seja apenas louca. Eu realmente não me importo. Mas você deve saber o que você está fazendo. Muito bem, essa coisa pode ficar por agora, mas se roçar um dedo sequer em qualquer um aqui – ele apontou o dedo para Duncan – eu vou te declarar responsável. Entendido?
Ele então se virou para Serana.
—Ouça, não se sinta como um convidado, porque você não é. Você é um recurso. Você é um trunfo. Entretanto, não me faça lamentar meu súbito surto de tolerância e generosidade, porque se você fizer isso, seu amigo aqui vai pagar por isso.
—Obrigada pela sua bondade, vou lembrar da próxima vez que eu estiver com fome. – respondeu Serana, de forma debochada. –Agora que nos resolvemos, Duncan, acho que não preciso te lembrar que eu estou carregando o Elder Scroll, e que precisamos de alguém para ler o que está escrito nele.
—Certo – respondeu Duncan – e faz ideia de onde podemos encontrar alguém assim?
—Bom... Existem os Moth Priests em Cyrodill. Ouvi meu pai falando deles, então acho que eles ainda existem.
—Um desses monges chegou em Skyrim há alguns dias atrás, –disse Isran – eu estava apostando na estrada quando eu o vi passar. Talvez esse seja o seu Moth Priest.
Os olhos de Serana brilharam mais do que o de costume.
—Você sabe onde ele está agora?
—Não, e eu não vou desperdiçar os homens procurando... Nós estamos lutando uma guerra contra a sua espécie, e eu pretendo vencê-la. Se quer encontrá-lo, tente falar com alguém que conheça viajantes. Proprietários e motoristas de carruagens nas grandes cidades talvez, mas está por sua conta e risco.
—Bom, sendo assim – Serana olhou para Duncan – você vem, lobo caçador de monstros?
Duncan sorriu.
—Claro. -respondeu ele.
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