- Acordem... meninas... Acordem... – apesar de pedir para elas acordarem, estava sendo uma verdadeira hipócrita. Estava no colchão, dormindo.

- Cala a boca, Magali... Eu... tô com sono... – Marina falava num tom de sonâmbula, zumbi, não sei direito.

Em plena manhã, o computador soou aquele som quando alguém te chama para conversar no Greenpeace. Instântaneamente, todas levantaram da cama e se aglomeraram no computador. Pelo que eu me lembre, eu adormeci junto com as meninas. Ou, eu adormeci, apenas eu.

thereal16 – oi peace. tá online?

peace4ever – oi, oi

Mônica digitava, mas não me empurraram, nem me amarraram ou amordaçaram, nada. Não conseguia me mover de tanto cansaço mesmo.

thereal16 – então... na minha escola vai ter um baile de abertura, no primeiro dia, e queria te convidar. terminei com a minha namorada, e como você é minha amiga.

Como não sou tola, e é claro, estou encalhada, sentei na cadeira e começei a dizer “SIM!!” na forma mais formal possível. Afinal, tenho classe.

peace4ever – adoraria. é quando?

thereal16 – semana que vem, na segunda.

- Ei, segunda que vem não começam as aulas, o mesmo baile... – Carmem recapitulou

- É verdade... – Denise parou para pensar e conclui o que todas sabiam – OH! ELE ESTUDA NO NOSSO COLÉGIO – foi recebida com um belo silêncio

peace4ever – nossa... o meu colégio também... a gente estuda no mesmo colégio, rs.

thereal16 – nossa

peace4ever – então, a gente se vê...

thereal16 – claro. vou tomar café da manhã

peace4ever – eu também rs

- Vamos dar um trato na Magali. – disse Carmem, e em seguida, todas fazendo um “sim” com a cabeça – Shopping à tarde.

- M-mas a gente foi ontem!

- E daí? – Denise disse. Seu”e daí” era imbatível. Pura rebeldia adolescente.

Debaixo do casaco jeans, eu vestia uma camiseta com uma carinha sorridente (os famosos smileys) e também estava com uma saia preta. Fomos ao shopping, sorridentes, mas Mônica parecia pensativa.

- Mô... Eu te conheço... O que houve? – enquanto as meninas foram buscar os nossos lanches, eu conversei com Mônica já que estávamos sozinhas, talvez ela se sentisse mais à vontade para falar isso, já que sou sua melhor amiga.

- Nada... Nada... – seu olhar dizia o contrário, mas voltaria a perguntar mais tarde, em outra hora.

- Meninas, pensei em chamar o Titi para ir ao baile. – Ana disse, enquanto havia três bandejas nas mãos; na verdade, duas, o lanche de Mônica e o meu lanche estavão nas mãos dela, mas o lanche da Ana estava apoiado nos braços.

- Legal... – Mônica, ao ouvir Ana, ficou mais abalada, preferiu esconder o olhar de mágoa profunda, e é claro, o fato de não querer compartilhar as decepções conosco, ou com as mais íntimas (na verdade, só eu sou “íntima” da Mônica. E quando falto íntima, é íntima mesmo)

- Bem... – claro, como no posto de uma amiga decente, apoiei Ana. Nesse dias, eles não passam tempo junto — ou passam como desconhecidos, se é que me entende, e seria até bom ver esse amor ser mais “caliente”, não? Namorado-múmia não é namorado. — ...Até que ia ser legal, né?

- Tenho que ir ao banheiro – Mônica estava mais dolorida do que estava, talvez pelo fato de ana e eu falarmos de namoro. Ela escondia a face na manga de seu casaco, mas dava para perceber, pelo menos eu, a manga ensopada pelas lágrimas que soltara. Instantâneamente levantou da cadeira e foi até o toalete.

- Espera! Vou com você... – deixei Ana lá, se saciando de um Big Mac.

Observava Mônica limpando as lágrimas, que borravam seu lápis. Estava envergonhada de mostrar o rosto lacrimejado, até para mim.

- O que houve, Mô, fala pra mim! – me aproximei dela, segurando seu ombro com firmeza

- Maga! – ela se atirou em mim e começou a chorar mais. Se não me engano, ela começou a ficar assim desde o shopping. Ou talvez, bem antes, mas conseguiu agüentar a presão, até agora.

- Não fica assim... – tentei consolar a deprimida, paesar da causa ser indefinida – O que houve?

- Começou ontem... – ela lavava o rosto, relatando o caso entre soluços – Enquanto vocês dormiam, na madrugada, eu acordei. Tava sem sono, ou talvez, com sono, mas demoraria para chegar, então, eu abri a minha caixa de e-mails...

- E...? – curiosa, parecia que Mônica me contava um caso policial

- ...E eu vi um e-mail novo. Sem hesitar, abri, era um arquivo com uma foto anexada. A mensagem dizia “Moniquinha, tenha uma boa noite.”.

- De quem era o e-mail, e de quê era a foto? – ela parava a cada minuto para soluçar, me deixando mais curiosa

- Era da Irene.... e... – ela começou a lacrimejar

- Não chora, amiga... Me conta o resto... – consolei ela

- A foto tinha uma... foto da Irene... beijando... o Cê... – ela chorou mais ainda, estava pior do que antes – Pensei que poderia agüentar, e agüentei, até você falar com a Ana dos namorados...

- Calma, calma! Vamos reconquistar o Cebola, e... – neste instante, a luz do shopping acabou. Todas cessaram, uma por uma. Até as luzes de emergência. Não era um apagão comum, ou talvez, nem era um apagão. De mãos dadas a Mônica, conseguimos alcançar as meninas no meio de pessoas entre o pânico, medo. – O que houve?

- Helôou! Apagão! – uma voz meio que fresca me respondeu. Era Carmem

- Não é um apagão, se não, as luzes de emergência teriam ligado, não? – era Marina, sua voz é inigualável.

- É... E agora?! – disse Denise, apavorada. Percebia no tom de sua voz.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.