Skip Beat - enquanto o Amor Durar

22 Capítulo 22 - Hell, sweet hell


Notas iniciais
Perceberam o titulo. É uma versão modificada do termo "Home, sweet home" XD
Enjoy ^^

Ren estava no quarto depois de ter falado com Kyoko, apesar de ter sido só ela a falar, ele não estava à espera daquilo.

Talvez fosse por isso que estava a desesperar.

Há trinta minutos atrás (inicio de flashback)

- Ren, temos que falar.

Só o facto de o ter tratado de “Ren” tinha-o assustado mais do que era normal, mas a expressão séria na cara dela era o que mais o aterrorizava.

Já imaginava o que ela iria dizer. Algo do tipo “Por favor, afasta-te de mim” ou “Eu queria mudar de casa. Não aguento viver contigo”.

Se ela dissesse isso, a sua vida deixaria de fazer sentido.

- O meu coração foi destroçado pelo Shotaro há um ano atrás. – continuou Kyoko – E, desde aí, eu prometi nunca mais amar ninguém. Por isso, quando disseste que amavas, eu pensei em afastar-me.

O coração de Ren quase parou. Aquilo ainda era pior do que ele pensava. Ele estava a ser rejeitado.

- Mas… — Kyoko suspirou – Amar-te não parecia errado e, mesmo quando ignorei a tua confissão, tu continuaste a tentar. Imagino que tenhas sofrido bastante por minha causa…

- Kyoko…

- Não! Eu tenho que dizer isto, agora. – pediu Kyoko – Sem sequer notar, o meu coração tem vindo a ser restaurado com calma e cuidado. – ela aproximou-se e ajoelhou-se à frente dele – Desde o principio que és tu que tens a cola, não és? – agora, as lágrimas ameaçavam cair – Deste-me tantas oportunidades para ver e eu quis continuar com os olhos fechados.

- Não faz mal, Kyoko. – disse Ren – A culpa não é tua.

- Eu sei. Mas o que eu estou a tentar dizer é que… — Kyoko levou as mãos à cara de Ren, gentilmente – Eu amo-te.

Ren olhou para ela como se estivesse a ver um fantasma.

Aquilo era um sonho, certo?

- Ren? – Kyoko estava a ficar realmente nervosa e preocupada por ele não dizer nada – Estás bem?

Ele abanou a cabeça, enquanto continuava a tentar convencer-se que aquilo não era um sonho.

- Desculpa, mas o choque foi muito grande. – Ren sorriu – Podes repetir?

Kyoko levantou-se, entrando na brincadeira. – Nem pensar. É muito embaraçoso.

- Vá lá. Eu amo-te. Vês? É fácil. – disse Ren seguindo-a, quando ela começou a recuar – Eu amo-te, Kyoko.

Ao ouvir isso, Kyoko deixou-se ser apanhada pelos braços dele, que a envolveram carinhosamente.

- Sim, eu também te amo, Ren.

Actualmente, no quarto do Ren (fim do flashback)

Felizmente, Ren tinha-se lembrado a tempo que era o seu guardião e não fizera mais nada. Aliás, aconselhara-a a fechar a porta do quarto de hóspedes.

Faltava pouco mais de meio ano para Kyoko fazer dezoito anos e, da perspectiva de um estranho, isso não pareceria muito tempo. Mas Ren estava à espera daquele momento há muito tempo e, agora que tinha chegado, não podia tocar-lhe.

Aquilo era um doce inferno para ele.

Pelo contrário, Kyoko estava extasiada.

Tinha-se apaixonado outra vez e estava a amar cada minuto.

Apesar de já ter estado apaixonada por Shotaro, nunca tinha imaginado que tal sentimento pudesse ser tão poderoso. Amar Ren era como deixar-se afundar num colchão cheio de penas e rosas, perfumado e rodeado por doces memórias.

Talvez fosse por isso que não conseguia tirar aquele sorriso parvo da cara.

Não tinha conseguido pregar olho durante a noite mas a sua disposição nunca tinha estado melhor. Espreguiçou-se e saiu do quarto esperando ter acordado a tempo para dar os bons-dias a Ren mas, a única coisa que encontrou, foi um bilhete em cima da mesa que dizia:

Bom dia,

Desculpa, mas tenho trabalho, hoje.

Estou de volta antes do jantar.

Deixei uma chávena de chocolate quente na bancada, tal como tu gostas.

Amo-te.

Kyoko leu-o vezes e vezes sem conta até começar a preocupar-se que o chocolate arrefecesse. Estava um pouco desiludida por não poder passar o domingo com ele mas pelo menos tinha tempo para preparar um jantar romântico.

Gostando da ideia, Kyoko acabou de beber o chocolate quente feito especialmente para si, vestiu-se e saiu para começar as compras.

Tinha que comprar velas e talvez flores frescas. Ele tinha um vaso para pô-las? Bem, talvez também comprasse um vaso para enfeitar o centro da mesa.

Aquela noite tinha que ser perfeita.

Sho tinha subestimado Ren e não tinha dado a devida atenção à capa amarela que James lhe tinha dado.

Agora, lia-o como se não houvesse amanhã.

Era verdade que a família Hizuki tinha ido de férias para Kyoto mais ou menos na época em que Kyoko parara de chorar à sua frente. Era verdade que ele era o “Corn”.

E o que é que ele podia fazer contra O Corn?

Ele tinha sido uma parte demasiado importante da infância de Kyoko e Ren era uma importante parte da vida dela, agora.

Sho temia que Kyoko perdoasse os erros dele.

A única esperança era o Kuon que Ren tivera tanto trabalho em esconder.

A inocência de Kyoko não lhe permitia ver as pessoas como o Kuon com bons olhos. Aliás, ela detestava-as.

Talvez, se ela soubesse que Ren tinha-lhe mentido e escondido todas aquelas acções vergonhosas…talvez aí Kyoko nunca mais pudesse perdoar Ren.

E era aí que ele entrava.

Iria consolá-la e então ela esqueceria o ódio que um dia tivera por ele. Afinal, ele fora o seu primeiro amor. Ela seria dele, outra vez.

Só dele.

Mas Ren estava confiante que isso não ia acontecer. Estava è espera daquele momento há muito tempo.

Aquele desespero que tinha sentido na noite anterior ainda estava lá mas a alegria de o seu amor ser finalmente correspondido, ultrapassava isso.

Por isso é que, enquanto dirigia para o seu próximo trabalho, Ren quase tinha um acidente.

Tinha visto uma coisa que tinha definitivamente de comprar.

Estacionou na berma e entrou imediatamente na joalharia. – Bom dia. – cumprimentou ele aproximando-se da mulher atrás do balcão que tinha corado imediatamente – Vi um colar de prata maravilhoso, na montra.

- Ah, claro. – a mulher apressou-se a ir buscar o colar – Aqui está. É este?

- É mesmo este. – Ren pegou no colar que dizia “Forever Together” - Queria comprá-lo.

- Com certeza. – a mulher pegou no colar e voltou para trás do balcão – É para oferecer?

- Metade é. – Ren sorriu ao ver a mulher partir o coração e a embrulhá-lo com um papel cor-de-rosa. Será que ela iria gostar?

- A outra metade é para si? – ao ver o olhar desconfiado de Ren, a mulher reformulou – Não quero intrometer-me. Mas os rapazes não costumam gostar muito destas coisas. Que tal um anel?

- Talvez seja muito cedo para isso. – respondeu Ren – E eu não sou um rapaz qualquer.

- Bem, pelo menos deixe-me mudar a corrente. – a mulher baixou-se e tirou de uma gaveta uma corrente grossa mais apropriada a homens – Aqui está.

Ren agradeceu, tirou o cartão de crédito do bolso e algumas notas da carteira.

- Isto é um pequeno incentivo para não dizer a ninguém que eu estive aqui. – explicou Ren passando as notas por cima do balcão – Se é que me entende.

- Perfeitamente. – a mulher sorriu e pôs as notas no bolso – Ninguém vai ficar a saber.

Contente, Ren saiu da ourivesaria com o embrulho no bolso do casaco e a metade do coração dele por baixo da camisa preta que tinha escolhido para aquele dia.

Ia dar-lhe o colar naquela noite, depois de a levar a jantar fora.

Depois de muitos anos, Ren estava, finalmente, verdadeiramente feliz.

...

O que ele não sabia era que estava a se observado.

Cada passo que dava era apanhado por fotografias porque Yumiko tinha prometido não desistir da filha.

O colar que ele tinha comprado não era o suficiente para lhe tirar a custódia de Kyoko mas ela tinha a certeza que ele cometeria algum erro e, quando isso acontecesse, ela estaria lá para apanhá-lo.

No entanto, Sho não tinha tanta paciência.

Sabia onde Ren ia estar e decidiu fazer-lhe uma visita. Já não tinha medo dele.

Não podia ter medo.

Se conseguisse que Ren acreditasse que ele não tinha medo, Sho teria Ren a comer nas suas mãos.

Sho esperou até ele sair do trabalho e depois confrontou-o.

- O que é que tu queres, Fuwa? – perguntou Ren tentando que aquilo não arruinasse a sua boa disposição – Já não tínhamos conversado?

- Oh, mas eu não acabei, Ren Tsuruga. – ripostou Sho – Vou já ao que interessa. Quero que te afastes da Kyoko.

Ren riu-se. – Ah, claro. Posso fazer mais alguma coisa por ti? – ele abanou a cabeça. Não havia maneira de o afastar, agora.

- Bem, a Kyoko adora o Corn. – disse Sho – Mas o que é que ele achara do Kuon?

De repente, Ren sentiu uma pontada no coração. Ainda era muito cedo para lhe contar sobre o passado negro do Kuon.

- O que é que tu queres? – perguntou Ren.

- Vou ser simpático, Tsuruga. Não vou pedir-te para afastares-te para sempre. – disse Sho – Vai-te embora. Desaparece durante um ano.

- Nem pensar! – gritou Ren.

- Não tens confiança nos sentimentos dela? – perguntou Sho com um sorriso que parecia troçar com ele – Se confias, um ano não vai fazer diferença, ela vai esperar por ti. E é só um ano.

- Tu vais estar sempre atrás dela, se eu não estiver aqui para protegê-la.

- Ela odeia-me. – lembrou Sho – Por muito que eu ande atrás dela, ela só pode odiar-me cada vez mais. E eu prometo que, se fizeres isso, quando voltares eu nunca mais vou meter-me entre vocês.

Ren fechou os olhos. Mesmo que o que Sho estivesse a dizer fosse verdade, ele não podia deixá-la à mercê da mãe dela ou do Tora.

- Hei, só estou a pedir uma segunda oportunidade. – insistiu Sho – Acho que toda a gente devia ter direito a uma. Tu devias saber disso melhor do que eu. Afinal, o nome Ren Tsuruga foi a segunda oportunidade do Kuon.

- Se eu fizesse o que tu pedes, não dirias nada sobre o Kuon, enquanto eu estivesse fora? – perguntou Ren com o peito apertado vendo-o anuir com a cabeça – Vou pensar no assunto.

- Tens 24 horas para me dares uma resposta. – avisou Sho.

- Que resposta?

Ao ouvir a voz familiar, os dois homens olharam para o lado vendo Kyoko com uma cara preocupada.

- Porque é que estás aqui, Sho? – continuou Kyoko quando ninguém lhe respondeu.

- Podia perguntar-te a mesma coisa, Kyoko. – disse Ren aproximando-se dela – Porque é que vieste?

- Eu vinha para fazer-te uma surpresa. – murmurou Kyoko – Tens 24 horas para dar que resposta.

- Ah…hm….isso… — Ren não queria mentir-lhe mas, até decidir o que ia fazer, não tinha outra hipótese – O Sho queria fazer uma música contigo e pediu-me para te dizer.

- Nem pensar. – disse ela imediatamente – Já fizemos uma música juntos.

- Bem, a menina já respondeu. – disse Ren virando-se depois para Kyoko – Vamos, então?

Como tantas vezes, Sho observou enquanto os dois se afastavam.

Mas, desta vez, era ele que sorria.

Ren sabia que devia estar a pensar seriamente no que Sho lhe tinha dito mas, ao ver o que Kyoko tinha preparado para ele, ele não pôde deixar de descontrair. Ela era simplesmente maravilhosa.

- Já disse que te amo? – perguntou Ren depois de se sentar à mesa, na sala apenas iluminada com as duas velas que Kyoko tinha comprado – Não estava à espera disto.

- Se estivesses não ia ser uma boa surpresa, pois não? – Kyoko queria estar o mais perto possível de Ren por isso, em vez de se sentar no outro canto da mesa, sentou-se mesmo ao lado dele – E assim também aproveito para dizer que quero chocolate quente antes de ir para cama…todos os dias.

- Se quiseres posso-te dar a receita. – sugeriu Ren.

- Nem pensar. – Kyoko abanou a cabeça – A comida sabe sempre melhor quando não somos nós a prepará-la.

Ele sorriu docemente pondo uma mão em cima da dela. – Eu amo-te.

- Sim, sim. Não importa o que digas. – avisou Kyoko – Vais ter que preparar o chocolate quente na mesma. Agora vamos comer. Itada…

Kyoko sempre soubera o quão ágil Ren podia ser mas, não sabia que ele podia ser tão rápido. Quando deu por isso, os seus lábios já estavam colados aos dele.

Ren sabia que não devia fazer aquilo, não enquanto seu guardião legal. Mas aquilo que Sho tinha-lhe dito tinha-o deixado frustrado.

Quando ela fechou os olhos e cedeu, ele decidiu que estava na hora de parar. Se continuasse assim, não sabia onde aquilo iria parar. No entanto, o medo de a perder ainda estava lá.

- Diz que me amas, outra vez. – pediu Ren quando se afastou.

- O quê? – a cabeça de Kyoko estava a rodar.

Ren sorriu, tentando não mostrar a dor que sentia. – Não é nada. Bem…Itadakimasu.

- Itadakimasu. – murmurou Kyoko desconfiada.

O que Yumiko tinha, passara de interesse a obsessão num piscar de olhos e ela admitia isso.

Mas, ao olhar para a fotografia que a câmara digital tinha apanhado, ela pensava que valera a pena ter subido a um prédio a meio da noite.

- Oh, ficam tão bem, juntos. – comentou Yumiko passando um dedo pelo monitor onde Ren beijava Kyoko – Pergunto-me o que é que a minha filhinha é capaz de fazer por amor.

Sabia que Kyoko tinha fugido de Kyoto porque amava o miúdo dos Fuwa. O que faria pelo seu querido senpai?

Se Yumiko visse a luz nos olhos da filha quando olhava para Ren, poderia presumir que ela faria qualquer coisa por ele.

Se Ren soubesse disso, não esconderia o seu passado.

- Esta noite foi perfeita. – disse Ren pousando as canecas vazias na cozinha – Mas amanhã tens que te levantar cedo. É melhor ires para a cama.

- Sim. – concordou Kyoko sem deixar de olhar para ele. Havia alguma coisa errada, alguma coisa que ele lhe estava a esconder. E isso estava a magoá-lo – Está tudo bem?

- Sim, porquê? – perguntou Ren estupidamente.

- Eu sei que foi repentino e pode ser difícil de acreditar mas… — ela tentou aproximar-se mas desistiu quando ele recuou – Eu amo-te. Nunca amei alguém de tal maneira, percebeste? O que quer que o Sho te tenha dito, não é razão para te preocupares. Eu posso odiá-lo mas, agora, és tu que tens o meu coração, percebeste?

Ren conseguiu ver que ela tinha-se esforçado para dizer aquilo. A cara dela estava completamente vermelha mas, para ele, tinha sido importante ouvi-la.

- Eu estou bem. – Ren abraçou-a – Agora estou bem. Obrigado.

- Não tens de quê. – Kyoko aproveitou para sentir o perfume dele – Também me sinto melhor, agora.

Ele riu-se quando ouviu-a a inspirar fundo. – És algum tipo de rafeiro para estares-me a cheirar?

- Oh. – protestou Kyoko quando ele se afastou – Mas cheiras bem.

Ela tentou abraçá-lo outra vez mas ele pôs-lhe uma mão na testa, mantendo-a afastada.

- Então dá-me a tua camisa. – pediu Kyoko fazendo beicinho quando ele abanou a cabeça.

- Não vai funcionar. – avisou Ren – Agora vai dormir.

Forçada a conformar-se, Kyoko entrou no quarto a resmungar. Ren ainda a ouvia quando fechou a porta.

A sorrir, ele pegou no telemóvel e marcou o número de Sho.

Ela era tudo para ele agora e para o resto da sua vida. Se a perdesse não teria mais razões para continuar com aquela vida que tinha criado. Tinha medo que Kuon vencesse se ela não estivesse por perto.

Quando Sho atendeu, ele fechou os olhos.

- Já decidi.

Notas finais
Agora vai demorar um bocado a escrever o próximo capitulo porque tenho que acabar a sidestory "O Rei das Fadas" primeiro. Por isso, peço já desculpa.
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