Sixteen
23 Hospital - capítulo 23
A primeira coisa que ela viu quando seus olhos se abriram: escuro. Por um segundo, imaginou estar cega, ou algo completamente horrível, mas, tocando seu rosto, descobriu o que era o breu em seus olhos.
Alguém devia ter posto aquilo no rosto dela para que não se assustasse com o local, mas ela já sabia o que aconteceria. Os bipes constantes do aparelho ao lado indicavam que tudo estava normal, e ela suspirou aliviada por isso.
Apalpou a "venda" mais uma vez, esperando reunir coragem suficiente para retirá-la. Estava com medo de ver seu rosto. Seu próprio rosto, como podia?
Suspirou novamente, desta vez, incerta do que faria. Segurou o tecido macio com as mãos, para, então, levá-lo até o topo de sua cabeça. Fechou os olhos assim que o tecido saiu de seu rosto. Sentiu-se pequena e frágil novamente, como se sentia num dos ataques de bebedeira de sua mãe — que esperava não ter de enfrentar nunca mais.
Quando abriu os olhos, a luz fortíssima do quarto a cegou, a cabeça latejou, e o pulso voltou a doer. Tocou a testa, sentindo algo morno e pegajoso. Ela já sabia o que era, já estava acostumada a senti-lo.
Sangue.
A expressão voltou a ser de preocupação extrema, quando a cabeça pendeu para trás, e quando não mais conseguia levantá-la. Portanto, não pôde ver quando alguém — que ela via somente por uma silhueta negra — adentrou o quarto. Sentiu uma mão em seu pescoço, empurrando-o um pouco para a frente, tendo, como consequência, a queda da cabeça.
Foi aí que ela viu quem era. Não o conhecia, mas já ouvira falar; um médico com feições frágeis, porém, corajoso e grosso quando tinha de ser. Ela já vira com quantos tipos diferentes de trauma ele lidava, e sentiu-se lisonjeada por ele estar tomando a frente no caso dela.
- Senhorita? Pode me ouvir? - os olhos dela voltaram-se para o doutor, que sorria levemente.
A voz não lhe passara de algo vindo de longe, apesar de ele estar perto. Olivia assentiu, ansiosa por saber o que acontecera com ela. O médico sorriu, olhando-a nos olhos.
- Pusemos um tipo diferente de medicamento, algo novo, portanto, é normal sentir-se enjoada e não conseguir ouvir as coisas direito. - ele sorriu -Você estava com um amigo quando a acharam. Quer que eu o chame?
Olivia não pôde negar que, quando o médico tocou no assunto "um amigo", seu coração acelerou bastante. Assentiu, tentando pronunciar alguns sons, mas sem sucesso algum. O doutor sorriu.
- Certo, e, ah! Também não poderá falar por algum período de tempo, mas, se quiser, eu posso pedir para trazerem algumas folhas de papel e canetas para você... — novamente, Olivia assentiu.
O médico deitou-a na cama, sorrindo para ela. Virou as costas, fazendo com que Olivia apenas visse uma imensidão branca com algo negro flutuando — os cabelos ralos do homem.
Assim que a porta se fechou, ela soltou o ar, que nem sabia estar prendendo. Fechou os olhos novamente, levando uma das mãos até onde conseguira sentir o sangue morno saindo de si.
Não mais saía, ela não mais sentia o líquido viscoso e pegajoso em suas mãos. Tocou os cabelos, sentindo-o todo ali. Forçou os olhos a ficarem fechados, por mais que sua curiosidade em ver como estaria sua mão, depois de tocar o líquido por tamanha quantidade de tempo, ela se controlou. De olhos fechados, no completo silêncio, ouvindo somente os sons de sua respiração congestionada, ela relaxou completamente.
Mas, assim que a porta abriu-se novamente, ela abriu os olhos, já acostumando-se com a luz forte do quarto. Novamente, apenas via uma silhueta negra. Apertou os olhos, tentando ver quem seria, vendo que havia alguém empurrando uma cadeira de rodas.
- Liv? - chamou.
Os olhos dela automaticamente voltaram ao normal, vendo-o claramente, como via todos os dias. Ela sorriu, mesmo que não estivesse com a pior aparência do mundo. Ele sorriu de volta, segurando uma das mãos dela. Olivia puxou-a de volta, com medo de sujá-lo de sangue, mas ele segurou firme.
- Não me importa se você está suja ou não. Não me importo mesmo. - ele sorriu, acariciando a mão dela levemente.
A enfermeira pigarreou, pondo uma pilha de papel e algumas canetas na mesinha com rodinhas, feita especialmente para pacientes de cama. Elliot agradeceu, mas Olivia apenas sorriu. A moça sorriu de volta para o casal, saindo do quarto em seguida.
- Como você está? - ele perguntou.
Olivia pegou um papel e uma caneta, soltando as mãos dele, e escreveu algo no papel. Levantando-o para que ele pudesse ler, Elliot sorriu.
Bem, estava escrito. Elliot assentiu.
- A cabeça dói? - perguntou, com uma expressão preocupada. Ela sorriu, antes de escrever no verso:
Não muito. Lateja e sangra, mas não dói, era a resposta.
Elliot assentiu, olhando para os próprios dedos.
- Eu sinto muito, Liv. - ele gaguejou - Se nós não tivéssemos esperado minha irmãzinha esta manhã, não estaríamos aqui...
Olivia arqueou as sobrancelhas. Voltou a escrever no papel ao lado, deixando o já usado de lado. Elliot o puxou, apenas ouvindo o barulho da caneta sendo arrastada no papel.
Não é sua culpa!, ela escrevera. Fui eu quem pediu para esperá-la!, ela escreveu em seguida.
Elliot sorriu, negando com a cabeça. A porta abriu novamente, revelando faces preocupadas dos colegas. Fin e Munch estavam lá. Seguravam balões com as palavras Melhore Logo ou Melhoras! estampadas.
Olivia sorriu ao vê-los. Perdemos alguma coisa?, ela escreveu, mostrando para os dois, que largaram os balões.
- Não, só a bronca que Lake, Kathy, Porter e Dani levaram esta manhã por estarem jogando tinta nos mais novos. - Fin pôs-se a rir. Olivia deixou um sorrisinho de canto perpassar sua expressão, mas logo foi-se embora quando Munch a abraçou.
- Tudo bem, little girl? - ele perguntou. Olivia sorriu.
Fin fez o mesmo, puxando-a para seus braços como se pudesse protege-la de todo o mal que ainda estaria por vir — se é que ele ainda acreditava nisso.
Uma vez fora dos braços dos dois, Olivia pegou um papel e pôs-se a escrever. Os meninos sorriram para ela, depois, começando a falar sobre coisas de menino, mas ela não prestou realmente atenção.
Batendo na mesa com os nós dos dedos, ela levantou uma das mãos e mostrou o papel: Estou melhor, mas a cabeça ainda lateja e sangra um pouco, olhem; como está Don? Onde ele está?
Fin e John trocaram um olhar cúmplice, abrindo a porta em seguida. Olivia achou que eles fossem embora, mas nada podia fazer. Da última vez que tentou se levantar, sua cabeça pendeu para trás. Não tinha escolha, nem falar ela podia!
Alguém mais entrou no quarto, sendo protegido pelos dois. Olivia tentou espiar pelo meio deles, mas não conseguiu ver mais nada. A cabeça pendeu para trás novamente, e os olhos fecharam-se instantaneamente.
Elliot checou o pulso, fazendo os outros três desesperarem-se, antes mesmo de ele ter alguma resposta. Olhando para os outros, os olhos melancólicos, clamando por ajuda, ele gritou:
- Precisamos de uma enfermeira!
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