Sixteen
25 Admitindo - capítulo 25
Joe não demorou muito para chegar, o que fez Serena agradecer repetidas vezes. Saiu com ele, juntamente com o bilhete, e logo as vozes foram escutadas do lado de fora, mas não por muito tempo. Joseph pediu-lhe para irem conversar na lanchonete, coisa que Serena já havia escutado antes.
Olivia segurou a si mesma, apertando-se com os braços. Elliot olhou para ela com os próprios olhos marejados. Segurou uma das mãos dela, acariciando-a de leve. Olivia olhou para os dedos dele, completamente machucados, e acariciou a mão dele também. Ele sorriu, e, com a outra mão, acariciou o rosto dela.
Ela sorriu, tirando a mão dele de si. Elliot olhou-a derrotado, mas continuou ao lado dela, perguntando-se o que haveria acontecido de tão ruim para ela estar daquela forma com ele. Para estar tão fechada, distante.
– Liv, o que aconteceu? – ele perguntou.
– Não quero falar disso, eu... – ela sussurrou, seu coração acelerou – Eu sou um erro, um erro total, um ser repugnante.
Elliot negou com a cabeça, beijando-a de leve, acariciando o rosto dela. Negou novamente, sussurrando como ele havia se tornado uma pessoa mais focada e mais gentil depois de conhecê-la, como ela era importante para ele.
– Você não entende, El. – ela fungou – Você nunca vai entender...
– Então me explique... – ele pediu, acariciando as maçãs do rosto dela – Eu quero entender, Liv...
Olivia fungou novamente, sentindo mais lágrimas mornas serem produzidas e acumuladas em seus olhos. Elliot secou-as quando caíram. Ela negou, simplesmente. Não queria que ele se afastasse por achá-la repugnante, não queria que algo como aquilo simplesmente acontecesse pelo simples fato de ela existir.
– Eu não posso. – ela disse – Você vai me achar repugnante, um ser que não deveria existir...
Elliot negou novamente. Ele se levantou, pondo-se na frente dela, como se quisesse mostrá-la que ele nunca iria achá-la nem um pouco parecida com repugnante, e nunca acharia que ela não devia existir.
– Sim, você vai. – ela retrucou – Até a minha mãe disse isso... Várias vezes!
Elliot coçou a cabeça, olhando fixamente para ela, como se pudesse inventar algo que pudesse garantir a ela que nada do que dissera era verdade, que nada do que ela pensava sobre si, era verdade. Ele sabia que era mentira, que ela não podia...
– Minha mãe foi estuprada, Elliot. – ela disse, com lágrimas descendo de seus olhos – Assim como Samantha, mas não com tanta brutalidade. – ela concluiu – Eu sou filha de um estuprador, Elliot!
Ele não sabia o que dizer. De uma hora para outra, todo o mundo que conhecia estava de ponta cabeça. Tudo o que ele sabia sobre Olivia talvez fossem coisas que ela inventara para poder se socializar ali, já que não conseguia dentro da própria família.
– Agora, pode ir. – ela disse – Já sei o que passou a pensar sobre mim. – ela sorriu tristemente – Deve estar se sentindo enojado, só por ter...
A fala dela não pôde ser completada, já que Elliot segurou o rosto dela entre as mãos, roçando seus lábios levemente. Olivia tentou se esquivar, mas ele segurou-a com mais força. Encostou seus lábios com fúria, com tamanha intensidade a deixá-los doloridos.
– Por que você fez isso? – ela indagou, produzindo mais e mais lágrimas.
– Porque eu não me importo de quem seja seu pai. Eu não me importo de qual maneira você veio ao mundo, Liv. – ele sorriu, acariciando o rosto dela – Eu amo você.
Ela assentiu, com a respiração danificada, com os olhos ardendo pela quantidade excessiva de lágrimas, com os lábios doendo e com o coração despedaçado. Acabara de achar alguém que não se importasse com a real situação de sua vinda ao mundo.
– Mas não é por isso que eu estava daquela forma, El. – ela suspirou – Eu já sabia como eu fui concebida.
– Então o que foi? – ele perguntou, deixando as mãos caírem no colo.
– Ele me mandou um bilhete hoje. – ela sussurrou, sentindo que não era capaz de continuar – Ele me mandou um bilhete, falando que entraria em contato comigo, Elliot. – ela choramingou – Se isso acontecer, terei que sair de New York...
– Não, isso não vai acontecer... Meu pai vai arranjar uma forma de pará-lo. – ele sussurrou, derramando lágrimas.
Olivia negou, sorrindo tristemente. Ela sabia que não era possível, afinal, ele já fizera isto antes, e ninguém o parou. Ele fora o responsável pelo sofrimento de Olivia, pelo sofrimento de Serena, e ele não pararia até conseguir o que queria, até conseguir vê-la, e, quem sabe, matá-la. Ele fora o sofrimento de várias mulheres, ela sabia. Afinal, ele já sabia como agir, certo? Isso, certo.
– Você conhece alguém de sua família paterna? – ele indagou, coçando a cabeça.
Não que esperasse grande coisa. Não que estivesse esperando um sorriso e uma afirmação com a cabeça, afinal, como poderia? Ela sabia que tipo de sujeito era seu pai, e Elliot não esperava que ela o idolatrasse pelo o que fizera.
– Não. – ela respondeu, secamente – Sou só eu, minha mãe e suas bebidas. Desde que nasci.
Ele arregalou os olhos. Como podia, então, ela ter sobrevivido? Quer dizer, Bernardette já havia ajudado Serena com uma de suas bebedeiras no passado, ele sabia. E ela era quase indomável. Como seria a vida de Olivia anteriormente?
– Quero dizer, de vez em quando algum de meus avós cuidava de mim, mas desde pequena eu soube me criar sozinha, El. Era quase uma rotina. – ela suspirou – Doía, e eu era só uma criança, mas eu aprendi a não ligar para certas coisas.
Ele assentiu, sentindo seu coração estraçalhado e seu estômago embrulhado. De repente, a única coisa que vinha em sua mente era o abuso que ela sofria todos os dias, todas as noites. De repente, a única imagem que ele via, era de uma menininha, mais ou menos da idade de sua irmã, se não menos, limpando a casa, jogando fora garrafas quebradas de bebida, e sofrendo abuso constante. Podia não ser físico, mas era emocional.
– Por que está me olhando assim? – ela perguntou, cobrindo o rosto com as mãos – Por isso eu não queria lhe contar.
Novamente, a porta se abriu, revelando duas silhuetas escuras pela iluminação precária do corredor. E uma delas estava submetida à outra.
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