Sirius Black e Roxanne Malfoy
5 Má companhia
Roxanne entrou na sala comunal e sentou em um dos sofás, pegando os livros para terminar os deveres deixados pelos professores ao longo do dia. Não demorou muito para Greengrass aparecer e agachar-se ao lado dela.
— Rô – começou ele, mas logo foi cortado:
— já mandei não me chamar assim. – disse ela sequer o olhando, pegando a pena e a molhando no tinteiro.
Greengrass inspirou fundo.
— okay, Srta. Malfoy – corrigiu forçando formalidade. – Preciso de um favor.
Roxanne o olhou.
— isso está se tornando muito freqüente.
Ele deu um sorriso contido.
— desculpa. Mas é que… você sabe…
Roxanne revirou os olhos.
— sei. Imagino que queira que eu fique de novo hoje.
— isso.
Roxanne suspirou.
— está bem.
Greengrass abriu um enorme sorriso.
— valeu, Rô. – viu a cara dela e ergueu os braços. – Foi mal. Tchau. Obrigado.
Roxanne viu que mais pessoas chegavam e resolveu ir estudar na biblioteca.
Como de costume, o lugar não estava lá muito cheio. Só as pessoas de sempre.
Roxanne sentou em uma das mesas mais afastadas e abriu seus livros. Continuou quieta estudando por um bom tempo, até ser incomodada por alguém que ela já estava farta de encontrar.
— não abra a boca para me incomodar, Black. – disse ela antes mesmo que ele sentasse e nem ao menos o olhando.
— e aí, Malfoy? – cumprimentou ele sorrindo.
— está me incomodando.
Ele sorriu mais.
— ora, talvez signifique algo meu efeito sobre você. – disse ele. – Você não se distrai muito fácil.
— o seu perfume me dá náuseas, apenas.
— se não gosta dele posso trocar.
— não se incomode, basta sair daqui e fica tudo resolvido.
— posso pensar no seu caso se repensar no encontro que pedi.
— não.
— que bom, adoro sua companhia.
Roxanne revirou os olhos e enfim o encarou.
— entenda, Black: eu o odeio, e tudo que quero é que você volte para qualquer atividade que você tenha que não seja me irritar. É tão difícil assim?
— claro, você fica muito bonita irritada.
Roxanne bufou e voltou-se para os livros.
— vamos Roxanne, me dê um bom motivo para você não sair comigo.
— porque eu não quero. – respondeu seca.
Sirius soltou uma risada curta.
— tá, mais de um motivo.
— me deixará em paz?
— se forem bons…
Roxanne sabia que provavelmente seria perda de tempo, mas respirou fundo e virou-se para ele.
— okay: Eu não quero sair com você. Você é da Grifinória. Eu não gosto de você. É um traidor de sangue. Pensar em encontros e essa baboseira toda de namoro me enoja. Não tenho tempo para você e sua tentativa de me conquistar apenas porque surgiu na sua cabeça essa vontade… É suficiente, se não se contenta com isso não tenho porque continuar.
— é lógico que não me contento! – disse Sirius. – Roxanne, me dê uma chance apenas. – insistiu.
— tenho que vigiar os corredores esta noite, além dos fatos que já citei que te desqualificam para um encontro.
— qual é! Greengrass também é monitor.
— ele vai estar ocupado.
— diga que você também estará.
— já falei que o encobriria. Jamais voltaria atrás, muito menos por você.
Sirius franziu as sobrancelhas.
— o encobriria?
— saia daqui, Black! – disse Roxanne com um tom um tanto urgente. Tinha um pequeno grupo entrando na biblioteca, incluindo as primas de Sirius.
Sirius a olhou com firmeza.
— o que você quer dizer com…
Roxanne puxou o colarinho da blusa dele e o puxou para si, selando seus lábios em um beijo simples e não muito longo. Afastou-o e falou inflexível:
— pronto, Black. Agora pode me deixar em paz. Fiquei com você, pode contar como uma de suas conquistas e não sei mais o quê. Vou sair daqui e não quero que sequer pense vir atrás.
Ela se levantou e foi para as estantes. Sirius finalmente viu os sonserinos e entendeu a urgência de Roxanne. Balançou a cabeça e foi até a mesa onde estavam seus melhores amigos e Lilian.
— Sirius… – começou Lilian. – Foi o ângulo ou ela te beijou?
— é… mais ou menos isso.
Depois ele explicou e olhou mais uma vez para a mesa de Roxanne. Ela tinha voltado a se sentar e agora estava rodeada pelos amigos da Sonserina.
— sabe, Roxanne – disse Bellatrix com um sorriso maldoso. – meu priminho parece interessado em você ultimamente.
Ela nem considerou que Daphne estava presente e ainda gostava de Sirius.
— e? – perguntou Roxanne indiferente.
Bellatrix pareceu desapontada.
— vamos, Roxanne, seu cérebro funciona melhor que isso.
— seja mais especifica, se puder.
— use disso. O cérebro de Sirius tem mais testosterona do que miolos.
Roxanne deu um sorriso frio.
— Bella, eu não vou ficar com seu primo. Nem dar atenção para ele. Pela minha simples recusa minha de me envolver com alguém e também pela inutilidade disso.
Bellatrix cerrou os punhos.
— Roxanne, é uma ótima oportunidade, basta…
— basta Black estalar os dedos e várias garotas estarão aos pés dele. Não se engane, Bellatrix, ele não sente nada além de atração física por mim, e isso ele pode compensar muito facilmente.
Bellatrix não pareceu nem um pouco satisfeita com a resposta.
— e você não vai tentar? – perguntou com tom perigosamente calmo.
— não vou gastar saliva com ele, nem com você nessa discussão.
Bellatrix se levantou furiosa e saiu da biblioteca batendo os pés, seguida por Narcisa e Rodolphus.
Roxanne ignorou o olhar dos outros e se concentrou nos livros.
*
— Black, de novo aqui? – disse Roxanne estressada. – Quantos pontos vai perder até se cansar?
Sirius sorriu.
— diria que muitos, considerando o quanto resiste.
Ela o anotou e fez o pergaminho desaparecer.
— sabe que vai perder mais pontos se não for embora, não?
— claro, mas dessa vez não vou. Chame Slughorn se quiser.
Roxanne suspirou e sentou no nicho.
— estou cansada de você, sinceramente.
Sirius encostou-se à parede ao lado dela.
— se esforce um pouco mais, pode acabar gostando de mim.
— não gosto de nada em você, Black. Nem do jeito que me olha, nem como fala, nada.
Ele a olhou e sorriu.
— santa paciência que você tem então.
Roxanne revirou os olhos.
— com certeza.
— ao invés de você falar os motivos pelos quais não gosta de mim, que pelo jeito você tem muitos, fale por que não gosta do Ranhoso, não entendo isso.
— é arrogante demais para um mestiço.
— só isso?
— alguém que humilha um amigo para se safar não merece respeito, Black. Snape já fez isso diversas vezes, não tenho porque gostar dele.
— não achei que ligasse tanto para amizades.
— e não ligo. Apenas acho uma atitude como essa absurdamente ridícula.
— é, você está certa.
— eu sei. – olhou um pouco para ele. – Por que não gosta dele?
Sirius deu de ombros.
— para começar, nunca nos gostamos. Ele também é sonserino…
— eu também sou. – interrompeu ela. – E você não parece disposto a me evitar.
Sirius sorriu.
— primeiramente: eu não o evito. Depois, você é sexy, e acho que suas atitudes questionáveis fazem de você ainda mais atraente. Não faz ideia de como é difícil não gostar. E olha só, você fica linda corada.
— não estou corada, idiota!
Sirius riu.
— okay, Roxanne.
Ela se levantou irritada.
— saia daqui, Black!
— vai me beijar de novo?
— não!
— Roxanne? – alguém a chamou.
— Greengrass – murmurou ela. – Black, fique aqui.
Antes que ele protestasse, ela seguiu o corredor para encontrar o monitor.
— ah, oi – cumprimentou Greengrass com um sorriso confuso. – Você estava falando com alguém?
— não. – respondeu ela cruzando os braços. – Que está fazendo aqui?
Ele deu de ombros.
— ela não podia ficar muito mais, afinal também é monitora-chefe. Bem… obrigado.
— você já agradeceu. – disse ela olhando para trás por cima do ombro.
— é, eu sei. Mas foi por ficar hoje, agora é por guardar segredo, mesmo sendo… você sabe.
— também já agradeceu por isso, Greengrass.
Ele sorriu.
— tá. Quer que eu fique o resto da madrugada? Acho que seria estranho se eu aparecesse lá só agora.
— não creio que seria menos estranho no meu caso.
— então ficamos os dois? Podemos dividir os corredores, ou conversar também.
— fico com os corredores à direita.
Greengrass riu.
— okay.
Roxanne se afastou.
— você vai me explicar? – perguntou Sirius com uma sobrancelha arqueada.
— explicar o quê?
— sua conversa com Greengrass. Com quem ele foi se encontrar?
— não lhe devo satisfações, Black. Agora vá, já te suportei demais por um dia.
— se é uma monitora-chefe, temos quatro, menos você e Lilian… Aurora?
— isso não é da sua conta, Black.
— vai ao jogo da Corvinal?
— não.
— por quê?
— não tenho nada a ver com a Casa.
— e quando eu for jogar?
— continuarei não tendo nada a ver com a Casa.
— você pode torcer por mim.
Roxanne apertou os olhos.
— se vocês perderem, a Sonserina volta a concorrer. Por que eu torceria por você então?
— porque estou pedindo.
— não irei.
— pode pensar um pouco, ainda tem tempo.
— já disse que não vou.
— e eu já pedi que pensasse mais.
— por que não arranja uma garota que te queira para incomodar?
— quem precisa de amor quando tem tanto ódio? – replicou ele sorrindo e fazendo menção a tocar o rosto dela. Ela recuou. – Vê?
Roxanne revirou os olhos.
— você é muito idiota.
— e você frígida.
— vai ficar me enchendo a noite toda?
— o que você acha?
— que vai perder a Taça das Casas no ultimo ano.
— não tem muita importância.
— ótimo.
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