Sinta-me, pequena borboleta.
2 Capítulo 1
Notas iniciais
Novamente, consigo me atrasar para o colégio. Depois de uma pequena discussão entre mãe e filha e o mal humor que me atingiu devido não somente pela minha mãe, mas também pela minha irmã que adora esbanjar todo seus feitos em cima de mim.
Enquanto escalava uma árvore que felizmente fica ao lado do muro do colégio, avistei um belo beijaflor nas flores logo abaixo dos meus pés. Peguei a câmera pendurada em meu pescoço, ajustei a lente e dei um zoom no beijaflor que voava em torno das flores. Milhares de “clicks” foram-se ouvidos e não demorou muito para que o beijaflor fosse embora e eu me sentisse orgulhosa das fotos que acabara de tirar.
Com muito cuidado para não cair em cima das flores, dei um salto, rolando pelo chão de terra. Olhei para os lados apressadamente, vereficando se não havia ninguém por perto e limpei a sujeira do meu uniforme. Corri com o máximo de silêncio que conseguia para dentro do colégio e respirei fundo antes de começar a subir as escadas para o terceiro andar.
Acho que a primeira aula é de geometria e bom... Eu não vejo necessidade de aprender esta matéria. Meu sonho é poder trabalhar com o que eu quiser, fotografia e desenhos. Tentei me ingressar no clube de artes ou de fotografia, mas parece que não é só o talento que conta. Como minhas notas são baixas, não permitiram me entrada. Fiquei frustrada, óbvio, mas sempre houve alguém em especial, que me apoia, não se importando com a opinião dos outros assim como eu me importo. Este é, Kim Seokjin.
Faz cerca de um ano que estamos namorando.
Foi tão... Inesperado. Nós nunca nos falamos ou trocamos um olhar. Sequer sabíamos da existencia um do outro.
XXX
Era uma tarde de terça-feira, quando mal entramos no ensino médio. Estudei junto com ele na mesma turma e admito, ele era um dos poucos mais bonito dali. Enfim... Nós avíamos recebido uma folha, pergutando sobre nossas aspirações futuras. Eu, sem dificuldade, respondi na hora. Mas percebi que, o garoto inquieto sentado na minha frente, tremia feio uma vara verde. Pensei que estava mal, entretanto, ele apenas guardou o papel na mochila e saiu da sala, sem se importar com os sermões que poderia vir receber mais tarde tanto dos professores, quanto de seus familiares.
Fiquei curiosa, sua feição de agora a pouco fora muito diferente do que costuma ser. Sorridente e acolhedor.
Ao terminar as aulas, saí da sala rapidamente e resolvi procurar o dito cujo do Seokjin.
Foram duas horas e meia caminhando pelo centro da cidade e onde eu achava que ele possívelmente poderia morar. Porém, não o encontrei.
Prestes a desistir, parei em um parquinho, o sol se pondo e droga... Me xinguei mentalmente por ter esquecido minha câmera. Então, peguei meu caderno de artes e comecei a desenhar aquela imagem. As casas ao fundo com árvores de tamanho médio na entrada do parque e as nuvens ganhando tons entre laranja e vermelho, simplesmente não me contive e usei meus lápis de cor para retratar esse momento.
Quando a finalizei, ergui o cadernho em frente ao meu rosto, tomando uma distância com os braços e sorri orgulhosa.
— Bonito o seu desenho.
Sorrateiramente, parou ao meu lado, sussurando perto do meu ouvido. Levei um enorme susto ao vê-lo ali e por muito pouco não joguei meu caderno em seu rosto para sair correndo.
Seokjin soltou um risada. Era doce, mas no fundo, se você pretasse bem a atenção, era cheia de melancolia.
Ele se sentou ao meu lado, suspirando fundo. Pendeu sua cabeça para o lado e fechou os olhos como se estivesse cansado. Sua roupa estava toda amarrotada, parecia que havia acabado de brigar, apesar de várias folhas no cabelo e cheio de mato preso nas barras da sua calça.
Eu não sabia como conseguir puxar assunto, na verdade, comecei a pensar o porquê de estar ali. Por que o estava procurando? Não, eu sei a resposta... Vê-lo com aquela expressão, era como enxergar a mim mesma e decidi ajuda-lo.
— Qual é o seu nome? – Perguntou, me pegando de surpresa. Ainda continuava na mesma posição.
— C-Cheon Su-mi. – Mordi minha bochecha internamente, me castigando por gaguejar.
Novamente ficamos em silêncio, bom, um breve silêncio, pois ele ergueu a cabeça e me olhou, com um olhar como se estivesse prestes a me questionar o óbvio.
— Não vai perguntar o meu nome?
— Eu já sei. – Tapei a boca de imediato, corando. – Q-quer dizer, eu gravo facilmente a fisionomia e o nome da pessoa, mesmo sem ter falado com ela.
Seokjin ficou surpreso e deu uma risada baixa, balançando a cabeça.
Ele tem um sorriso bonito.
— Você é bem diferente. – Comentou, sorrindo agora olhando para o horizonte.
Pela primeira vez, alguém disse algo assim para mim. Me senti feliz e ao mesmo tempo, não acreditava naquelas palavras. Sempre me achei parecida com muitas por aí, não me acho única e nunca recebi motivos para ter esse tipo de opinião sobre a minha pessoa. E ao invés de agradece-lo, disse:
— Pois eu não acho. – Neguei com a cabeça, descartando aquela felicidade. – Por que me acha diferente? Apenas estou aqui sentada, desenhando. E o simples fato de ter uma boa memória não me faz ser diferente das outras pessoas.
— Bom... Eu não acho. – Disse ao me encarar novamente. – Para quem tem uma opinião assim, é de fato, diferente. Você pode pegar alguém com os mesmos gostos que o seu, mas isso não significa que são iguais, e não é somente a aparência que os tornam diferentes, mas sim pelo que são. Entende o que eu quero dizer?
Fiquei refletindo por um tempo, até concordar e discordar diversas vezes. Acabara ficando confusa e acertei um tapa na minha testa, fazendo um estalo.
— Isso é confuso! – Joguei os braços para o alto, cansada de pensar.
— Você é apenas lerda.
Fiz uma careta ao ouvir o comentário e o vi rir novamente. Lhe acertei um soco no ombro e peguei minhas coisas para ir embora.
— Hey, calma! – Tentou me impedir, mas já estava saindo do parque e ele veio correndo em minha direção. – Só estou sendo sincero. – Já estava ao meu lado e eu apenas o ignorei.
A partir desse dia, nossa relação apenas aumentou.
XXX
Estava em frente a porta da minha sala e respirei fundo. Provavelmente irei receber um sermão por chegar atrasada, nada muito diferente do habitual. A não ser por...
Senti que havia alguém naquele corredor e ao virar a cabeça para o lado direito, pude notar uma cabeleira muito familia vagando por aquele final de corredor então, virar a esquerda para subir as escadas.
“O que ele está fazendo fora de sala de aula?” – Pensei, ainda surpresa por vê-lo.
Deixei a ideia de entrar na sala de lado e comecei a segui-lo. Silenciosamente.
Jin estava indo para o telhado da escola. Desde quando ele vem para cá?
Assim que abriu a porta e a fechou, corri até ela e contei até trinta devagar. Ele provavelmente subiu as escadas ao lado e deitou no teto. É o que imagino que ele irá fazer.
E eu estava certa. Ele estava lá. Subi as escadas e o fiquei encarando por alguns minutos. Estava deitado com um dos braços cobrindo os olhos e me senti mal por ele. O que se passa na cabeça dele? Gostaria muito de saber...
— Ei. – O chamei e ele levou um enorme susto.
— Doida! Vai me matar do coração! – Tentou fazer sua melhor cara de raiva, fingir estar irritado, mas logo começamos a rir e eu me sentei ao seu lado. – O que faz aqui?
— Essa pergunta é minha. O que você faz aqui?
Ele deitou de lado, ficando de costas para mim. Tive uma enorme vontade de apoiar minha cabeça em seu ombro e depositar um beijo em sua bochecha, mas não seria estranho da maneira em que estamos em nosso relacionamento?
— Estava cansado de olhar para a cara da professora de literatura clássica. – Respondeu, soltando um suspiro logo em seguida.
Surpreendentemente, ele agarrou meu pulso e me puxou para deitar em seu peito e em um tom de voz triste, começou a dizer:
— O que houve com nós? Sinto que... Tudo está se perdendo aos poucos.
Concordei em silêncio, agarrando sua blusa entre os dedos. Tive uma vontade louca de chorar, mas segurei. Não devo chorar na frente do Jin, por mais que eu anseie e deseje ter ele por perto.
— Eu não quero te perder, Jin. – Sussurrei, erguendo a cabeça para encara-lo.
— Eu também não, Su-mi, não quero perdê-la. – Ele, por sua vez, ergueu o rosto próximo ao meu para depoistar um beijo em minha testa. – Podemos sair este final de semana?
— E o seu curso? – Perguntei, me sentando em seu colo. – Você precisa estudar se quiser...
Não terminei a frase, aquilo seria demais para se ouvir num momento como este.
— Entendo... Então não iremos sair. – Voltou a deitar a cabeça no chão, fechando os olhos.
O problema dele, é que em certos casos, Jin desiste muito facilmente, sem ao menos questionar ou persistir. Seu tom de voz saiu triste e chateado, por muito pouco não concordei em sair, mas eu quero que ele consiga um bom futuro.
— Jin... – O chamei.
— Hum? – Grunhiu, sem levantar a cabeça para me olhar.
Fiquei pensativa. Quero perguntar sobre o que ele quer fazer futuramente. Sei que nunca tivemos uma conversa relacionada ao futuro dele, pois ele sempre me disse que quer fazer jornalismo para realizar o sonho da mãe dele. E sei que não é isso o que ele quer...
— Não... É nada. – Me levantei, dando uma ajeitada na minha saia. – Irei para a sala, deveria fazer o mesmo.
Desta vez, Jin permaneceu em silêncio. Me ingorando?
Basta, não irei dizer mais nada a respeito.
Desci as escadas que leva até o teto, pegando minha mochila que deixei ao lado da porta e rapidamente fui em direção a minha sala. Jin sabe como piorar meu humor e em parte, eu sei como deixar a mim mesma pior. Sinto como se fosse culpa minha.
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