Sinister

4 Conto 04 - Amor Materno


Notas iniciais
Uma típica família recém-chegada de classe média vive sua vida tranquila em Cherry, no Texas. O pai é o típico trabalhador, a mãe, a dona de casa e o filho, um garoto nerd em uma escola nova com poucos amigos, tudo se torna pior quando a mãe descobre sobre as ameaças que o filho sofre na escola, e resolve se vingar, mostrando que aquela família não é tão normal quanto parece ser.

Cheio! Isaac Bates já estava cheio de ser sacaneado, estava cheio dos alunos da Westland School e também daquela cidade. Queria sair dali e morar em outro estado, quem sabe outro país, não importa, apenas queria ir embora e não olhar para trás.

Cherry era uma pequena cidade no interior do Texas, onde os Bates viviam felizes em suas vidas tranquilas e normais. Tinham uma casa com cerca branca e um carro de classe média, tudo o que precisavam para serem iguais às outras famílias do bairro, mas havia um problema, as pessoas da cidade não os viam com bons olhos, talvez porque haviam se mudado há pouco tempo, talvez porque eram bem reservados, mas não importa, não tinham mais dinheiro para se mudar e Victoria, a mãe, estava gostando muito do lugar, aliás, todos estavam exceto ele.

Isaac estudava em uma boa escola, a Westland School, uma das duas escolas da cidade, tinha alguns poucos amigos, mas era muito tímido, e havia Maggie Randall, a garota por quem ele era apaixonado, ela era o centro do seu problema e o motivo de ele ser humilhado todos os dias, não por ela, mas por seu namorado, Ryan Scott, e seus amigos. Eram tão irritantes! Isaac passava toda a aula de história pensando em como seria se eles não existissem, se morressem ou algo do tipo. A vida seria tão mais simples.

Terça-feira, 13 de Março

Isaac estava deitado com os olhos fechados, inspirando e respirando lentamente, descansando. A luz estava apagada, as janelas fechadas, seu quarto parecia tão aconchegante iluminado por pequenas frestas de luz que se espremiam pelas brechas das persianas, que ele desejava nunca mais levantar dali, então houve um ruído do trinco da porta girando e de repente uma mulher entrou pela porta, andou até a janela e alguns segundos depois, as persianas haviam sido abertas. Isaac protegeu os olhos escondendo-se embaixo da colcha.

– Vamos, levante-se querido, vai se atrasar! – A mãe disse, entrando no quarto, sorridente como sempre. Com uma das mãos, segurava um balde de roupas sujas envolto em um dos braços e com o outro, puxava a colcha favorita de Isaac.

– Não quero ir hoje! – Ele reclamou. Na verdade, não queria ir nenhum dia pra aquele inferno.

– Mas precisa – Ela continuou dizendo – Como vai se formar e ser um doutor?

Ele levantou-se, esfregando os olhos e demorou um pouco a se acostumar com a claridade.

– Escove seus dentes, lave seu rosto e desça, mamãe preparou panquecas – Agora ela pegava as roupas jogadas no chão do quarto e colocava no balde.

– Tá bom, mamãe.

***

Depois do café da manhã, Victoria deu um beijo em seu filho, ele despediu-se do pai e da mãe e foi para a esquina de sua casa, esperar o ônibus.

– E aí? – Disse Jason, um dos poucos amigos que ele tinha, ao seu lado, estava Josh, teclando furiosamente em seu celular.

– Oi Jason – Ele sorriu – Oi Josh – Disse em seguida, mas Josh não respondeu, estava ocupado em seu celular.

– Josh? – Jason perguntou.

– Oh... Meu... Deus – Josh gritou, sorrindo alto – Ah, oi Isa – Ele acenou delicadamente com a mão.

– Isa?

– É, não gostou? – Ele levantou a mão, deixando que Isaac e Jason visse uma foto em seu celular rosa com um chaveiro de coelhinho pendurado. Era uma garota de roupas íntimas.

– Caramba, é a Melanie Randall? – Jason perguntou, animado, pegando o celular da mão dele.

– Não brinca – Isaac não acreditou.

– Acabei de receber – Ele falou baixo, olhando para os lados, nenhum dos outros adolescentes que também esperavam o ônibus estava ouvindo. – Que escândalo! – Ele sorriu maleficamente.

– Oi garotos – Taylor, a única garota daquele “grupo” de amigos “não-descolados”, havia chegado.

– Oi Tay – Isaac e Jason cumprimentaram.

– GA-RO-TA! Já soube do novo escândalo? – Josh perguntou.

– Não, o que houve?

Ele mostrou a foto do celular, e ela tapou a boca, evitando que o riso escapasse.

– Não brinca! É a Melanie? – Taylor perguntou.

– A própria!

– Ela é gostosa hein – Jason interrompeu.

– E você é um pervertido – Taylor completou.

Um ruído alto e desagradável avisou que o ônibus estava chegando, então, segundos depois, ele virou a esquina. Amarelo, barulhento e velho. Quando parou em frente a calçada, as portas se abriram e o motorista disse animado:

– Bom dia, alunos.

Poucas pessoas responderam, apenas Isaac e sua turma e outras três pessoas. Os adolescentes entraram e Isaac sentou na frente, com Jason, Josh e Taylor.

***

No intervalo, sentados em sua mesa, os quatro conversavam.

– Neste sábado é seu aniversário né Isaac? – Taylor perguntou.

– É.

– Que tal a gente sair à noite para comer uma pizza? – Jason perguntou.

– Pode ser – Isaac respondeu – Seria divertido.

– Oh meu deus, preciso fazer as unhas e fazer compras – Josh comentou.

– Calma, querido, ainda é terça-feira! – Taylor disse.

– Eu sei, mas eu preciso fazer tanta coisa, que tal você ir comigo fazer compras hoje à tarde?

– Tá legal, não tenho nada melhor pra fazer mesmo.

– O que? – Ele fez uma careta.

– Brincadeira! Vai ser ótimo, a gente pode passar no supermercado também porque eu preciso comprar umas coisas.

– Ah, não, aí vem eles – Isaac comentou e os outros olharam para trás.

Ryan Scott e seus amigos estavam chegando, com seus casacos do time de futebol. Maggie não estava ao seu lado, o que significava que ele iria fazer algo com Isaac e seus amigos, ele sempre fazia quando ela não estava por perto.

– E aí Fracasaac? – Ryan bagunçou o cabelo de Isaac.

– Eu sabia – E ele resmungou baixinho.

– Nos deixe em paz Ryan – Taylor disse, furiosa.

– E o que você vai fazer, me bater? – Ele perguntou, com uma bola de futebol na mão, e todos os seus amigos riram.

– Você é nojento – Josh fez uma cara de nojo.

– O que foi bichinha? Quer levar uns tapas?

De repente, Josh levantou-se e apontou para a cara de Ryan.

– Josh, o que você tem hein? É falta de neurônio no seu cérebro minúsculo? É tão sozinho? Deixa a gente em paz, se você não tem amigos não venha manifestar sua raiva em cima da gente!

– Eu não tenho amigos? Quem são eles então? – Ele apontou para seus amigos, bem atrás dele.

– Esses são as suas vadias, que fazem tudo o que você manda, você não é ninguém, é um fracassado, só não quer que as pessoas vejam isso, por isso dá uma machão, quando na verdade é um bebê chorão sozinho cheio de orgulho e amor próprio! – Ele tinha gritado alto e não percebeu. Todos estavam olhando para aquela mesa.

Taylor deixou escapar uma risada, enquanto Jason, Isaac e a maioria dos alunos no refeitório estavam perplexos. Ninguém nunca havia enfrentado Ryan Scott e sua turma.

– A gente vai resolver isso na saída, ok? – Ryan avisou, jogou a bola de futebol em cima da bandeja de Josh, onde seu lanche estava, e foi embora, com sua turma.

Josh se sentou e os outros três começaram a rir.

– Você foi demais – Taylor disse, segurando a risada para que não se tornasse uma gargalhada.

– É, cara, isso foi incrível – Jason disse, em seguida.

– É, mas eu tô é ferrado na hora da saída – Josh respondeu, pegando a bola de futebol e jogando no chão.

– Eu não aguento mais todos eles, não aguento mais essa escola e só estou aqui há três meses.

– Ah, vai melhorar, eu prometo, e nós estamos aqui para te apoiar e sofrer junto com você – Taylor disse, pegando sua mão.

– Mas eu não aguento, não aguento mesmo, queria que eles morressem!

Sexta-feira, 16 de Março

– O que estão achando daqui, queridos? – Victoria perguntou, enquanto preparava algo para o jantar. O cheiro estava muito bom.

– Eu estou adorando querida, você está? – Joseph, o pai, respondeu.

– Ah, eu adoro, não conheço bem a vizinhança mas esse lugar é agradável e tranquilo.

– E você Isaac? – O pai perguntou.

– Eu estou gostando – Ele respondeu, abaixando a cabeça.

– Diga a verdade – Joseph insistiu.

Isaac levantou a cabeça e perguntou:

– Por que acha que estou mentindo?

– Eu os vi no ônibus, você e os caras de casaco, eles te maltratam?

Isaac ficou calado.

– Responda, filho, não vamos fazer nada. Quem são eles?

– Alguns valentões.

– Bem – Joseph continuou – Como é o nome do loirinho, ele parece ser o líder do grupinho.

– Ryan Scott.

– Hm, interessante – Victoria disse.

– Não, mamãe, por favor! Denovo não!

– Oh, não se preocupe, não vai ser como da última vez querido, vamos ficar aqui.

– Ryan Scott – O pai suspirou – Ryan Scott e sua turminha do barulho.

Isaac saiu correndo para seu quarto.

***

No dia seguinte, de manhã, Hugh Rogers, um dos valentões da escola, acordou e desceu para tomar seu café da manhã.

– Bom dia mãe – Ele disse, ao ver sua mãe sentada, assistindo a TV.

– Bom dia Hugh, fiz ovos e bacon – Ela disse, sem tirar os olhos do show de culinária – Ah! E tem correspondência para você, está em cima da mesa da sala de jantar.

– Correspondência? Que estranho – Ele disse, pegando o pequeno papel branco com alguns balões coloridos, era um cartão, e dentro dizia: “Aniversário do Isaac, Convite” – Hugh começou a rir e abriu para ler o resto, dentro só havia a data, hora e local da festa – Que otário – Ele disse e jogou o papel no lixo, na mesma hora, tirou o celular do bolso e ligou para Ryan.

Demorou cinco segundos para atender.

– Alô? – A voz do outro lado perguntou.

– Ryan?

– Ah, Hugh, número novo?

– Não, por quê?

– Ah deixa pra lá, meu celular deve ter enlouquecido denovo, e aí?

– Já olhou sua correspondência?

– Você também recebeu? – Ryan perguntou, começando a gargalhar – E então, vamos?

– Tá louco, deve ser alguma brincadeira do Finn ou do Larry.

– Não, eu ouvi os fracassados falarem sobre o aniversário do Isaac, essa vai ser a nossa chance para acabar com ele e aquela bichinha amiga dele.

– Tá bom, então vamos, vai ser hoje à noite.

– Eu sei, está no convite.

– Então tchau.

– Tchau, até hoje à noite – Os dois riram.

Algumas Horas Depois

Isaac caminhava pela rua, já era noite, estava a caminho da casa de Jason. Quando chegou à grande casa amarela, tocou a campainha. Jason atendeu.

– Feliz aniversário, Isa! – Ele disse, colocando a jaqueta.

– Até você! – Isaac sorriu – Vamos passar na casa da Taylor? – Perguntou.

– Não, ela e Josh já estão aqui – Ele respondeu, depois olhou para o lado e gritou:

– Josh, Taylor, vamos!

Os dois apareceram na porta em alguns segundos e saíram, parabenizando Isaac pelo seu aniversário.

– Mãe, tô indo! – Jason gritou e fechou a porta.

– E aí, aonde vamos? – Isaac perguntou.

– Você escolhe, aniversariante – Taylor respondeu.

– Hmm, vamos ao Joe’s?

– Joe’s, o que é isso, um bar? – Jason perguntou.

– A pizzaria que abriu, não conhece?

– Não.

– Eu conheço – Josh falou, estava teclando no celular.

***

Ryan Scott estacionou seu Camaro em frente à casa de Isaac, de dentro, saíram ele e Maggie Randall. Logo em seguida, Finn Shockley parou seu carro atrás do de Ryan e saiu, junto com Larry Vessel.

– E aí? – Finn perguntou – Prontos para a festinha?

– Oh sim – Ryan respondeu e todos começaram a gargalhar – Vai ser demais.

***

Depois de caminhar muito, Isaac e seus amigos finalmente haviam chegado ao Joe’s, a nova pizzaria da cidade. Entraram e pegaram uma mesa perto da grande janela, enfim sentaram.

– Ah, como eu precisava disso – Isaac começou – Depois de uma semana estressante naquele inferno do colégio, tudo o que precisava era sair com vocês.

Olhou para seus amigos e percebeu que todos estavam calados, olhando para ele, como se esperassem que ele dissesse algo mais.

– O que foi gente? – Ele perguntou.

– Não vai nos contar nada? – Taylor perguntou, estava quase ficando furiosa.

– Contar o que?

– Sobre a festa – Josh falou, colocando seu celular rosa em cima da mesa.

– Que festa?

– A sua festa de aniversário – Jason começou – Por que não nos contou?

– Eu não estou entendendo.

– O Ryan ligou para mim para perguntar o que merda estávamos tentando fazer convidando ele para sua festa e eu tive que mentir e dizer que queríamos pedir desculpas, não poderia dizer a verdade.

– Eu não sei do que estão falando.

– Você vai dar uma maldita festa e não nos convidou! – Taylor explodiu.

De repente, Isaac sentiu um frio na barriga e uma vontade de vomitar, então começou a pensar. Está acontecendo denovo. Não podia! Ela não podia fazer isso, ela prometeu!

– Oh meu deus – Ele tapou a boca, seus olhos estavam esbugalhados.

– O que foi? – Jason perguntou.

– Nós precisamos ir à minha casa, agora!

– O que? Por quê? – Taylor perguntou, confusa.

– Escutem-me, eu não planejei festa nenhuma, e se essa festa é o que estou pensando o que é, algo muito ruim vai acontecer, precisamos chegar até lá, agora!

– Isaac, o que houve?

– A pergunta, não é o que houve, e sim o que vai haver se não chegarmos logo na minha casa! – Ele levantou-se da cadeira.

***

Ryan Scott sentia uma imensa tontura e uma dor de cabeça terrível quando acordou. O lugar onde ele estava era escuro. Tentou gritar, mas apenas um som distorcido saía de sua boca. Era por causa do pano que estava cobrindo-a. As cordas amarradas em sua mão atrás da cadeira machucavam seus pulsos também.

Ao ouvir outro barulho como o dele quando tentou falar, percebeu que não estava sozinho ali, tinha mais alguém, e também estava preso.

Segundos depois, a luz se acendeu e ele pôde que ao seu redor estavam todos os seus amigos e sua namorada, Maggie Randall, presos à varias cadeiras. Todos com panos nas bocas.

O local era como um porão, escuro, cheio de coisas velhas e teias de aranha. Uma mulher estava descendo da escada, com um lindo vestido florido. Segurava uma faca de cozinha.

– Oi queridos – Ela disse. Era a mãe de Isaac.

Victoria andou até Ryan e tirou o pano de sua boca, e, enquanto ela tirava os panos da boca dos outros, ele começou a gritar:

– Sua louca! O que pensa que está fazendo?

Ela apenas sorriu e continuou tirando os panos. Maggie chorava, enquanto os outros seis, quatro homens e duas mulheres, tentavam se soltar.

– Fique quieto querido, hoje é um dia especial – Ela finalmente disse.

– Sua vaca! Solte-me já!

Ela pegou um pano do chão empoeirado e colocou de volta na boca de Ryan.

– Você fala demais, bonitinho – Victoria disse, segurando a faca de modo que o reflexo da luz nela, atingia os olhos de Ryan – Está vendo essa faca? Sabia que ela corta qualquer coisa? Uma cenoura, um tomate, um rabanete, e até uma língua.

– Por que está fazendo isso com a gente? – Maggie perguntou, aos prantos.

– Ah, eu acho que você sabe! Vocês com seus rostinhos e corpinhos bonitos se acham melhor que os outros, por isso não deixam os outros em paz, certo? Bem, eu acho que as pessoas precisam se defender por conta própria, mas não o Isaac.

– O que? – Maggie estava confusa.

– Vocês mexeram com o meu bebê, não deveriam!!! – Ela fez um corte na perna de Maggie, que gritou de dor.

– Sua louca!!! – Hayden, uma outra garota que estava presa ao lado de Maggie gritou – Olha o que você fez na perna dela!

– Cuidado com o que você fala docinho, eu posso fazer na sua também.

A garota começou a chorar.

Victoria pegou uma cadeira, limpou a poeira e sentou na frente dos jovens, sorridente como sempre e com uma faca na mão direita.

– Ah, vamos lá, eu só quero conversar, ou melhor, acho que vou fazer um jogo com vocês, o que acham? – Ela bateu palmas, perturbadoramente animada.

– Por favor, não! – Maggie ainda estava chorando, os outros estavam calados, tontos pelo sedativo que Victoria colocara na bebida. Finn na verdade, ainda estava apagado.

– Ah, não tenha medo, é um jogo fácil, se chama “Não Erre a Resposta”.

– Pare, por favor, pare! – Larry gritou.

– Mas eu nem comecei – Ela sorriu – Enfim, deixe-me explicar o jogo, eu vou fazer perguntas para cada um separadamente, e se vocês errarem, eu vou fazer um pequeno e fatal corte com essa faca aqui – Ela começou a brincar com a lâmina reluzente.

As garotas e Larry começaram a chorar, pediram para que Victoria parasse, mas ela fingiu que não ouviu e começou a fazer a primeira pergunta.

– A primeira vai para você, Hugh – Ela apontou a faca.

– Como sabe meu nome? – Ele perguntou.

– Digamos que eu andei pesquisando. Mas enfim, a pergunta é a seguinte: O que você faria se fosse ou conhecesse um pequeno garoto fraco que sofresse todos os dias na escola, você aceitaria? Denunciaria? Ou enfrentaria? Ah, querido, lembrando que só tem uma resposta correta.

Hugh ficou calado, com a cabeça baixa.

– Hugh, a pergunta foi para você – Ela continuou, passando o dedo pela faca.

– Eu não vou responder a essa merda, sua vadia velha! – Ele gritou.

– Hugh, a resposta está incorreta – Ela disse, levantando-se da cadeira com a faca na mão.

– Vaca! – Ele começou a gritar – Sua desgraçada!

– A resposta correta era enfrentar, exatamente o que estou fazendo agora! – Ela sorriu – Sinto muito, você errou.

Victoria aproximou-se mais, passou a mão sobre os cabelos de Hugh e ele a cuspiu.

– Que garoto mal educado – Ela disse e então enfiou a faca dentro do estômago dele, o sangue começou a descer pela lâmina da faca, enquanto os outros gritavam.

***

Isaac e seus amigos estavam correndo pela principal avenida da cidade, estavam perto de chegar em casa.

– Isaac, você ainda não explicou o que está acontecendo.

– É difícil de explicar.

– Como assim difícil? – Taylor segurou sua jaqueta.

– Olha, Ryan Scott está correndo um grande perigo.

– Por quê?

– Vocês não entenderiam se eu contasse, vão pra casa e amanhã eu conto a vocês!

– O que? Não – Josh disse – Nem pensar.

– Por favor, é um assunto de família que eu preciso resolver sozinho.

Todos ficaram quietos por alguns segundos, parados no meio da calçada naquela noite gelada.

– Então tá, se não quer nos contar, não conte! – Jason disse, obviamente estava bem chateado, virou-se e foi embora.

Josh e Taylor foram junto.

– Olha, não fiquem bravos, por favor, eu preciso resolver isso sozinho – Isaac disse, mas eles fingiram que não ouviram – Droga! – Ele chutou uma lata de lixo e então saiu correndo. Precisava salvar Ryan Scott de sua mãe, ele era um verdadeiro filho da puta, mas realmente não merecia as loucuras de sua mãe.

***

– Socorro!!! Socorro!!! – Ryan gritava alto, desesperado.

Victoria estava rindo.

– Não adianta gritar, querido. Ninguém pode te ouvir.

– Socorro!!! – Ele continuou gritando.

– Próxima pergunta, para você, Gwen – Ela disse, passando novamente seus dedos pela faca – Há quantos meses Isaac sofre com as peripécias de vocês? Uh, essa é fácil.

– Por favor, por favor – Gwen implorava – Deixe-nos ir, eu juro que não conto nada, por favor.

– Gwen – Victoria se levantou – A pergunta. Responda.

– Eu não sei, uns cinco meses – Ela estava chorando.

– Hmm, resposta errada, o certo é três meses, três insuportáveis meses! – Ela andou em direção á jovem loira.

– Não por favor!!! – Ela gritava – Não!!!

Os outros também gritavam para que Victoria parasse, mas ela não ouvia, estava sorrindo e havia um grande brilho em seus olhos.

– Não!!! – Foi a última coisa que saiu da boca da garota antes que Victoria fizesse um grande e profundo corte na garganta de Gwen.

O sangue estava jorrando no pescoço daquela garota loira, sujando todo o seu vestido preto cheio de coisinhas brilhantes. Os outros jovens gritavam desesperados.

– Você é doente! – Maggie gritou, chorando.

– Ah, Srta. Randall, a próxima pergunta é a sua.

***

Isaac chegou em casa eufórico. Colocou a chave na fechadura com dificuldade, pois estava tremendo, e então entrou, encontrando seu pai sentado em frente a uma poltrona na frente da TV assistindo basebol. Estava com uma garrafa de cerveja na mão.

– Pai – Isaac disse.

– Oi filho, já voltou? O que aconteceu? – Joseph perguntou, colocando a cerveja em cima da mesinha de centro.

– Onde está a mamãe?

– Ela foi até o centro da cidade, não me disse o que ia fazer.

– O que?

– Foi ao centro da cidade, você não ouviu?

– Papai, onde ela está?

– Eu já te disse.

– Eu não acredito!

Isaac lembrou-se da última vez. O porão.

Ele correu até a porta do porão e abriu, estava tudo escuro, então ele desceu as escadas. Podia ouvir alguns pequenos barulhos, como se alguém quisesse falar, mas sua boca estivesse tapada. Ele desceu mais um pouco e acendeu as luzes, quando viu o que sua mãe havia feito, ficou horrorizado, se preparou para subir para seu quarto, como sempre fazia – Mamãe fazia o trabalho, Isaac ficava no quarto –, quando uma mãe feminina o agarrou por trás e colocou um pano molhado em sua boca e nariz. Ao respirar, ele apagou.

***

Ao acordar, tudo o que Isaac ouvia eram os gritos de Hayden, enquanto sua mãe a esfaqueava no estômago. Hugh, Gwen, Finn e ela já estavam mortos. Larry, Maggie e Ryan ainda imploravam por suas vidas.

– Ah, você acordou, seu dorminhoco! – Ela disse, bagunçando o cabelo do filho, que ainda estava tonto.

– Mamãe, você prometeu!

– Esses garotos mal educados precisam aprender uma coisa, querido! – Ela tirou o sorriso do rosto.

– Mas você disse que não faria mais!

– Sinto muito.

Victoria virou-se e colocou seu sorriso de volta.

– Vamos voltar ao jogo! – Ela disse, animada.

– A próxima pergunta, é para você, Larry.

– Dane-se sua vadia!!! – Larry gritou.

– Oh, você ainda não aprendeu? Todas essas mortes e você ainda não aprendeu?!! – Ela parecia assustadora quando estava furiosa.

Victoria pegou a faca e andou em direção a Larry, quando ela levantou o objeto no ar, Larry abaixou sua cabeça, esperando a morte, então sentiu uma dor pontiaguda no seu peito e viu que a faca estava cravada bem no seu coração. A dor só aumentava, enquanto Victoria olhava para ele furiosa. Minutos depois, estava morto.

– Continuamos o jogo? – Ela perguntou. Maggie não havia parado de chorar a noite toda e Ryan estava de cabeça baixa – Ryan, a próxima pergunta é sua.

Ele levantou a cabeça, também estava chorando.

– Você acha divertida a maneira como tratam meu bebê na escola?

– Mamãe, não, por favor! – Isaac gritava.

– Eu não sei – Ryan respondeu, chorando, de cabeça baixa – Eu não sei.

– Que pena, Ryan – Ela levantou a faca.

– Espere, mamãe! – Isaac gritou.

– O que foi querido? – Ela perguntou.

– Você precisa parar, você prometeu que iria parar, eu não quero que seja como da última vez!

– Querido, aqueles jovens eram mal educados, eles te tratavam mal, assim como esses aqui!

– O que? – Ryan perguntou – Houve mais?

– Sim – Victoria respondeu – Eles eram mal criados, como vocês – Ela enfiou a faca com força na barriga de Ryan, depois girou. O sangue estava saindo de sua boca e descendo pela lâmina da faca.

– Não!!! – Maggie gritou.

– Mamãe, não! – Isaac continuava insistindo, mas ela não parou.

– Maggie – Ela disse – A sua...

– Pare!!! Pare!!! Sua louca!!! – Maggie a interrompeu – Você é uma psicopata, pare com isso!!! Sua maldita!!!

– Maggie, cale-se, por favor, deixe-me fazer a pergunta.

– Eu nunca fiz nada com seu filho, nunca!

– O que?

– Eu nunca o tratei mal.

Victoria virou-se para Isaac.

– É verdade?

Ele respondeu que sim com a cabeça.

– Bom, então você não deveria estar aqui, por que veio a festa?

– Porque meu namorado me chamou.

– Quem?

– Ryan.

– Quer dizer, que você não participa das peripécias de seus amigos, mas é namorada do líder.

– Sim – Ela respondeu, baixando a cabeça.

– Então você viu, mas nunca fez nada para impedir certo?

Maggie levantou a cabeça, olhou nos olhos furiosos de Victoria e então voltou a chorar.

– Sinto muito, minha cara – Ela disse, quando a faca já estava enfiada no peito de Maggie. A garota começou a tossir sangue e chorar ao mesmo tempo, depois ficou fraca e foi fechando seus olhos, até que havia morrido.

– Mamãe, você não precisava! – Isaac também estava chorando.

– Sim, eu precisava – Ela disse, enquanto soltava Isaac, ao desamarrar suas cordas, ele correu até Maggie.

– Maggie! Maggie!

– Eles te tratam mal e é assim que você os trata? – Victoria perguntou, dando um tapinha na cabeça do filho – Você gosta?

– Ela não deve culpa! – Isaac disse, chorando.

Victoria pegou um galão de gasolina e começou a derramar pelo porão inteiro, depois subiu as escadas e derramou pela casa. Isaac a seguiu.

– O que está fazendo? – Isaac perguntou.

– Apagando algumas lembranças ruins.

– O que?

– Nós vamos embora daqui hoje, sente-se no sofá e fique quieto.

Após derramar a gasolina, Victoria desceu até o porão e jogou um fósforo no chão. O lugar começou a incendiar instantaneamente. Ela subiu as escadas do porão e fechou a porta, enquanto o fogo queimava lá embaixo.

– Isaac, vamos!

– O que? Cadê o papai?

– Está no carro, com as malas, pronto para ir.

– Eu não quero ir embora.

– Não me faça ir te buscar.

– Desculpa – Ele se levantou do sofá e saiu pela porta, encontrando o carro parado na frente da casa, com seu pai esperando dentro.

Victoria acendeu um fósforo.

– Adeus, garotos mal educados – Ela sorriu e jogou o fósforo no chão, deixando a casa pegar fogo.

Victoria entrou no banco da frente e Joseph começou a dirigir. Isaac estava no banco de trás.

– Para onde vamos, agora? – Isaac perguntou.

– Vamos passar alguns dias com o vovô Norman – Victoria respondeu – No Motel Bates.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!