Notas iniciais
Olá, eu e Anny quisemos trazer um flashback de Somos nó(s) - para quem não leu, temos a fanfic no nosso perfil - que é a fic que temos mais orgulho de ter escrito desse casal maravilhoso esse ano. Então fizemos a versão com músicas brasileiras que amamos.
Hoje é aniversário de Anny, então quis postar nessa data, para ficar marcado, somos amigas que o destino nos uniu, literalmente, no falecido Orkut e esse ano nos "reencontramos" para comentar BBB, voltamos a escrever fanfics em parceria e não paramos mais.
Parabéns amiga, e ainda bem que você é mais velha que eu (um mês e meio, mas ainda mais velha que eu).
Esperamos que gostem desse projeto.
Música: Dentro de um abraço - Jota Quest.

O melhor lugar do mundo

É dentro de um abraço

Pro mais velho ou pro mais novo

Pra alguém apaixonado

Alguém medroso

Uma garota de 14 anos não devia sonhar com um abraço. Uma garota de 14 anos também não devia estar estudando sozinha e encontrando meios para que um hipogrifo não morra atoa. Se ao menos ela tivesse o apoio dos meninos, se ao menos ela tivesse o apoio de Rony. Sonhava com um abraço de apoio. Um abraço amigo.

Ele estava brigado com ela por causa de Perebas, o rato havia desaparecido e Bichento era o acusado de ser o responsável por isso e mesmo achando que ele não havia eliminado o roedor todas as provas estavam contra ela. Desta forma, estava sozinha.

Pior do que estar sozinha era sentir falta dos amigos, como se dependesse dele para simplesmente respirar, sonhava com um abraço de reconciliação, de um “estamos aqui para te ajudar Hermione”, ou um “vamos deixar nossas diferenças de lado”. Mas só recebia olhares de desprezo. Estava cansada e triste.

Seria mais fácil se ela não se importasse, mas ao contrário do que muitos a enxergavam ela sentia demais. Não se importava apenas com matérias da escola (que a deixavam maluca já que estava cursando todas por causa do vira-tempo), se importava com Hagrid, sofrendo por causa de um julgamento injusto favorável a gente influente no ministério, se importava com os elfos, escravizados e sem voz, pretendia fazer algo por eles. Se importava demais e sentia demais. A exaustão havia chegado, sem ajuda não conseguiria.

Quando Rony disse que ia ajudar e que não deixaria ela enfrentar tudo sozinha, foi o suficiente para jogar todos os seus medos pro ar e jogar seus braços em volta do pescoço do amigo. Era um abraço desajeitado, um abraço necessário e que a fazia respirar. Ao mesmo tempo a deixava sem ar, suas bochechas coradas e seu coração descompassado. Era seu primeiro abraço com ele. E ele permaneceu em seus pensamentos até conseguir realiza-lo novamente.

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O melhor lugar do mundo

É dentro de um abraço

Pro solitário ou pro carente

Dentro de um abraço é sempre quente

Eles estavam acostumados a ficar abraçados. Era reconfortante saber que assim que a noite chegasse seus corpos ficariam unidos, encolhidos, abraçados sobre o sofá. Embaixo da coberta. Trocando calor e energia. Rony não sabia mais o que era sentir medo de tocá-la. Não sabia mais o que era vergonha perto dela. Tinham conquistado aquela cumplicidade que apenas os anos trazem. Que apenas o conviver é capaz de garantir.

Tinha consigo se libertar da terrível sensação de ser menos do que ela merecia, percebeu finalmente que passar as noites daquela maneira era tudo que ela queria após um dia exaustivo de trabalho. Era o que ela precisava para recuperar as energias. Também precisava daquilo. Somente nos braços de Hermione conseguia se desfazer e ao mesmo tempo se reerguer.

— Seu abraço é literalmente o melhor lugar do mundo. — A voz dela já dava sinais de sonolência. — Depois que te abracei pela primeira vez, passava o tempo todo esperando pelo próximo. E pelo seguinte.

Ronald permitiu-se sorrir e apertá-la ainda mais contra seu corpo. Ele também ficou esperando pelo segundo abraço, pelo terceiro, por todos os outros que vieram em seguida. Mal sabia ela que ele poderia fazer uso das mesmas palavras. Aprendeu com a dor e com o tempo que um abraço pode curar feridas, demonstrar amor, garantir que tudo ficaria bem novamente.

Beijou-lhe o topo da cabeça. Se permitiu inspirar o perfume de rosas que o cabelo soltava para o ar. Aproveitou aquele abraço quente, em uma noite fria de inverno. Dividindo o sentir com a pessoa que o ensinou cada um de seus sentimentos.

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Quando ela apareceu pelo salão principal a única vontade de Rony era abraçá-la. Sentir que estava viva e não mais congelada. Sua corrida em direção a ele e Harry fazia com que seu estômago revirasse como se as tais borboletas que queria seguir estivessem dentro dele, não voando por qualquer outro lugar.

Rony não sabia o que sentia, ou se sentia algo. Tinha certeza absoluta que era apenas felicidade pela recuperação da amiga. Por ter Harry ter resgatado sua irmã. Por estarem vivos apesar de tudo que tiveram que enfrentar. Principalmente aquelas aranhas horríveis, só de lembrar sentia vontade de tomar banho para se livrar do hálito de morte que teve que sentir na pele.

Hermione corria o mais rápido que podia. Não via a hora de agradecer aos amigos, de explicar como tinha chegado a resposta certa. Queria abraçá-los. Ela finalmente tinha amigos para abraçar. Ou talvez não tivesse. Ronald não parecia do tipo que distribuía abraços para as pessoas, talvez achasse esquisito que justamente ele se jogasse em seus braços. Então parou antes de fazer o que pretendia.

Ambos se olhando com ansiedade e felicidade.

Harry parecia ser do tipo que abraçava. Foi fácil eles trocarem tal gesto. Como se fossem da mesma família. Mais que amigos, quase como irmãos. Ela bem que gostaria de um irmão ou irmã para compartilhar momentos. Com Rony parecia que o estômago jamais pararia de se contorcer. Ficaram frente a frente.

Mãos estendidas.

Um aperto formal.

Ele queria abraçá-la como fazia com Harry.

Ela queria abraçá-lo sem se sentir derretendo por dentro.

Adiaram o momento sem saber quando de fato chegaria.

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A dor podia ser tocável naquele salão. Hermione não aguentou, mais do que senti-la, vê-la durante muito tempo. Os corpos sem vida dos amigos, professores, de Fred. Cortava seu coração como faca, fazia ser impossível respirar. Depois de abraçar todos parentes de Rony, encaminhou-se para a sacada do segundo andar. Observou os destroços da guerra que tinha acabado naquele instante, ao mesmo tempo pensava em como tudo não tinha acabado. Como tudo ainda era tocável, sentido na pele e na alma.

Harry estava dormindo na torre da Grifinória, o descanso merecido, talvez se culpando pelas diversas mortes ou só tentando manter sua mente sã. Pensou em Rony, tentando ajudar a mãe, ajudar os irmãos, sofrendo ao mesmo tempo.

Ela gostava de imaginar um futuro, mas ali em meio a destroços e dores, não achava que o futuro pudesse chegar, mesmo com o fim de uma guerra, o recomeço parecia longe e inalcançável. Começou a chorar. Ela estava sofrendo, sabia que sua dor não chegava perto da dor de Rony. Ele não merecia vê-la sofrer.

— Te procurei. – A voz dele atrás de si a assustou.

Tentou enxugar suas lágrimas disfarçadamente para que ele não a visse assim e se preocupasse.

— Você está bem?

Não conseguiu virar o rosto, não conseguiu o olhar e lhe entregar um sorriso e palavras falsas. Não estava bem, precisava estar bem por ele.

Rony não sabia da onde tinha tirado aquela coragem, mas se aproximou dela pelas costas. Pousou sua mão em cima da dela, encostou seu queixo no topo da cabeça de Hermione. Por fim, envolveu seus braços em volta dela, num abraço de costas.

Era algo inédito para ela, e Hermione logo estava esquecendo todas as dores do mundo e se concentrando nele, ali a protegendo, será que sua felicidade poderia acontecer em meio as adversidades e surpresas da vida?

— Não sei se é o momento certo, não deve ser o momento certo. Mas... – a voz dele estava embargada. Era impossível falar em voz alta sem chorar. – Quero namorar com você. Recomeçar minha vida com você.

A felicidade chegou para ela, em meio a dor, no meio de um abraço, por palavras saindo da boca da pessoa que mais amava no momento.

Ela não respondeu em voz alta. Virou-se de frente a ele e o beijou, dizendo sem palavras que aceitava tudo o que ele havia imaginado para os dois.

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Era horrível ver o homem no qual sempre imaginou ser imbatível, morto. Dumbledore repousava sem vida em um caixão, a cerimônia fúnebre ocorria pelos territórios de Hogwarts. Rony se perguntou se iria se sentir seguro naquela escola com aranhas enormes, cachorros de três cabeças, gigantes, basiliscos, e o próprio Voldemort andando por lá, novamente. Virou seu olhar para o lado e reparou em Hermione.

Ela chorava silenciosamente, grossas lágrimas caiam de seu rosto, não se lembrava de vê-la tão triste antes. Ficou com uma imensa vontade de a abraçar, beijar o topo de sua cabeça e dizer que tudo ficaria bem. Que ele estaria do seu lado a protegendo, mesmo que não fosse de grande ajuda a sua proteção. Estaria lá para si. Para que ela não se sentisse só.

Hermione pareceu ouvir as vozes no pensamento de Rony, o encarou, seus olhos melancólicos faziam companhia a suas lágrimas incessantes. Não teve dúvida do que faria a seguir. O abraçou.

Foi o suficiente para ele acariciar seus ombros com a mão e colocar seu nariz dentro de seu cabelo fofo e perfumado. O perfume que sentiu na amortentia. Hermione sabia que naquele abraço ela encontrava paz e força para enfrentar tudo o que teria pela frente.

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Quando se é criança é comum se sentir confortável dentro de um abraço, mas não ensinam que alguns abraços são melhores que outros. Que alguns são os abraços certos para se preencher de amor e vontade de viver.

Ronald demorou um pouco para perceber que o abraço de Hermione é aquele tipo de abraço casa, que fazia com que tudo ao redor voltasse a ter cor. Fazia com que as nuvens tempestivas durassem um pouco menos do que normalmente durariam.

Hermione foi descobrindo todos os sentimentos que tentava enterrar na suas face sobrea, na responsabilidade que sempre carregou e a sobrecarregou. Era nos braços dele que conseguia se desmanchar em sentidos. Pura respiração, palpitação, transpiração. Sem precisar se preocupar, se impor, ser a melhor de todas. Naquele abraço ela podia ser apenas o que era.

Juntos foram passando pelos anos descobrindo em um mapa sem pistas que existiam tantos tipos de abraços. Que de todos os tipo, aqueles que davam entre eles eram os melhores.

Se perdendo em lembranças. Em momentos. Com a voz fraca que a idade proporcionava ela pode finalmente determinar.

— O melhor lugar do mundo é dentro do seu abraço. – Essa era a verdade que sabia. Uma das certezas que jamais mudaria.

— Do nosso abraço. – Ron respondeu. Sua voz também trêmula, assim como as mãos.

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Ele não estava bem, chorava escondido e tentava ser forte para todos da família. Sua mãe não conseguia fazer absolutamente nada, seu pai se trancava na garagem, George achou melhor não abrir mais os olhos, Harry resolveu se culpar, Gina fugia de conversas e de todos correndo. Ele resgatava a mãe, cozinhando com ela, ia conversar com o pai sobre o passado na garagem, ajudava George abrir os olhos e criar novos equipamentos para as Gemialidades Weasley, fazia Gina parar de correr, mesmo recebendo agressões verbais e físicas, ajudou Harry a procurar um novo caminho a seguir, a mudar-se pro Largo Grimmauld. E também tinha ela.

Ele percebia quando ela estava triste, quando precisava de sua companhia em silêncio, quando precisou voltar para a casa dos pais e lhe deixar aguentando tudo sozinho.

Ele tinha gestos pequenos tão grandiosos. Ela queria fazer um também. Foi o visitar um dia na Toca, estava dormindo em seu quarto, outra coisa que lhe foi tirado, um sono tranquilo, ele não o tinha mais. O observou dormindo. Tinha a testa franzida, olhos apertados, os punhos fechados. Estava tendo um pesadelo. Imaginou o que ele estaria vendo em seus sonhos, talvez todas as dores da guerra que não o deixava. Não sabia se o acordava, foi então que Rony despertou fadigado, como se tivesse corrido ou lutado para sair de uma batalha que nunca acabava.

— Hermione?

Ele não estranhou ela em seu quarto, a namorada não disse nada. Encaminhou-se até sua cama de solteiro, deitou-se ao seu lado, permitiu que Ron colocasse seu braço debaixo de seu pescoço, virou-se de frente a ela. Hermione esticou sua mão, seus dedos acariciaram toda extensão do rosto. Uma lágrima solitária caiu dos olhos de Rony.

— Eu não sei dormir mais... Me abraça? Fica aqui para eu dormir? – era um pedido de socorro.

Ela prontamente o atendeu, seus braços o envolveram fortemente e ele retribuiu com a mesma força e com a mesma vontade de ser o suficiente para a vida continuar, para as dores acabarem e tudo recomeçar. Com ela, com ele, juntos.

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Entre todos os abraços que trocaram. Do primeiro ao atual, entre aqueles que ficaram presos apenas em pensamento, tudo que ela sabia era que entendia o quanto aquele poderia ser o lugar mais seguro do mundo. Gostava se observar o quanto os filhos gostavam de ficar ali, aconchegados nos braços dele. Rony quando era adolescente tinha não era muito de demonstrações de carinho. Raramente tocava nela. Sempre acabava precisando tomar a iniciativa, o primeiro abraço deles, o primeiro toque nas mãos e o primeiro beijo. As demonstrações dele eram mais por olhares e caretas.

As vezes cruzava com colegas da época, alguns gostam de dizer que eles não combinavam, que ela merecia alguém melhor. Sempre que sentia-se envolvida pelo abraço que agora estava preenchido pelas crianças, ela sabia que não existia ninguém melhor. Ele foi lentamente amadurecendo, juntando as dores da guerra e as transformando em aprendizado. Não deixava de abraçar os filhos, quase sempre sussurrava nos ouvidos de Hermione o quanto a amava.

Não precisava usar as palavras, não precisava do “eu te amo”. Bastava o café forte sem açúcar logo pela manhã, bastava o chá morno no final da tarde, o beijo na testa nos dias difíceis, o na bochecha no meio de uma brincadeira. Bastava o sorriso do outro lado da mesa. O entrar embaixo do chuveiro ao mesmo tempo. Bastava o abraço apertado, tudo dizia o tamanho do amor dele por ela, pelos filhos, pela vida.

Sabiam, mesmo sem tentar que o melhor lugar do mundo é dentro de um abraço.

No silêncio que se faz

O amor diz compromisso

[...] dentro de um abraço,

Tudo mais já está dito

Notas finais
Estamos loucas pra saber o que acharam ;)