Singelas Ameaças

18 Bacon, brócolis e uma pitada de ameaça


Notas iniciais
Agora o forninho caiu de vez e elas tem que ficar ligadas até em ir no supermercado. Preparados?

Point of View – Camila

Desisti de ligar para Lauren e nem tentei entrar em contato com Sofi porquê sabia que elas estavam a caminho. Dinah estava jogada no sofá e como era apenas o final da tarde de sábado, nenhuma de nós tínhamos compromissos, apenas a família. Joker já havia crescido consideravelmente e sempre que alguém passasse entre a cozinha e a sala, tinha que estar atento à todos os brinquedos espalhados. No final do dia, ele juntava todos na caixa perto da sua cama e dormia bem confortável.

Estava com preguiça de cozinhar e pedir mais alguma coisa para Dinah seria abusar de todos os nossos anos de amizade afinal, ela havia feito o favor de desmontar e montar os dois guarda-roupas e deixou a mudança do seu quarto — quarto de hóspedes -, para a próxima semana pois estava acabada. E eu também! Então, tudo o que pensei foi que talvez Lauren pudesse fazer o favor de comprar pizza no caminho de casa. Mesmo não dirigindo, Lolo conseguia buscar Sofi e ainda levar Joker para passear... Talvez eu devesse começar a andar mais por ai também e fazer as coisas sem meu Fusion.

Apenas uma mensagem e deixaria Lauren fazer o resto: Deixar minha irmã curiosa!

"Baby, pensei em Pizza! Passe na Requinte do Queijo e peça meia de qualquer sabor que você e Sofi quiserem. Apenas faça o pedido, por minha conta!"

— Pizza pro jantar. Me dá um canto desse sofá, DJ! — Dinah retirou as pernas do sofá numa lentidão incrível. Aposto que amanhã acordaria de mal humor, reclamando de dores até na unha do pé.

— Ótimo. Aposto que sua sobremesa será Lauren. — É claro que Dinah não precisaria estar com olhos abertos ou com ânimo para ser abusada, era de sua natureza mesmo.

— Cala a boca, D! Sofi disse que amanhã vai dormir fora de novo, na casa da provável futura namorada. — Soltando uma risada baixa pelo meu tom de voz nervoso, colocou as pernas esticadas por cima das minhas, assim que sentei no sofá.

— Você tá muito ansiosa pra isso, né? Nem sabe se a menina gosta de outras meninas, Mila. Relaxa. — Bufei, tirando seus tênis. Nada de sapatos em cima do sofá MEU sofá.

— É, preciso mesmo conversar com ela. Aliás, por que você não faz isso? Você é boa nisso. — Rindo, levantou com dificuldade e gemendo de dor, fazendo careta.

— Ela é irmã de quem, mesmo? — Ri, enquanto abraçava seu corpo grande.

— Por favor, DJ! Você sabe o quanto tenho vergonha de falar com ela sobre essas coisas. — Dinah bufou, retribuindo o abraço. Ela iria falar com Sofi.

— Tá. Mas você devia parar com essa vergonha. Ela é muito boa em se comunicar! — Rindo, abracei mais seu corpo e levantei do sofá, pegando o controle da gaveta do criado mudo e jogando em sua barriga. Piscou em agradecimento, deitando novamente no sofá.

Fui atrás de Joker, que estava quieto demais. Na cozinha, peguei o cãozinho brincando com uma formiga grande e assim que eu cheguei perto, ele a comeu. Peguei-o no colo enquanto ele se acomodava em meus braços, lambendo minha mão.

Assim que abri a geladeira, o telefone residencial toca. Deixei Joker no chão, que reclamou mas não iria correr o risco de derrubá-lo porquê ele estava pesado para um filhote.

— Alô? — Várias vozes surgiram do outro lado da linha e reconheci o som da sirene de alguma ambulância.

— Senhorita Cabello? — Merda. Mil vezes merda. Da última vez que me chamaram de Senhorita Cabello com som de sirene de fundo, meus pais estavam mortos.

— Sim. Quem fala?

— Meu nome é William Stroy, chefe do 42.

Meu coração estava em um impasse. Hora queria pular pela boca, hora errava uma batida. Sofi e Lauren estavam bem, apenas com alguns arranhões. Duas amigas da Sofi estavam junto. Um homem, até o momento sem documentos, havia jogado o carro em cima delas. Não estava alcoolizado nem drogado. Lauren não o reconheceu de imediato porém, disse que já tinha o visto antes.

— Posso ir buscá-las agora? — A voz firme do policial do outro lado da linha deixou o contato para a investigação e disse que uma viatura já estava a caminho de casa, levando todas a salvo.

Acordei Dinah que mais um pouco, teria um ataque de nervos. Esperamos cerca de 15 minutos depois que expliquei toda a situação para DJ, que havia comentado "não foi somente um acidente". Há essa altura, eu não duvidava de mais nada.

Vinte minutos. Trinta minutos. Trinta e cinco minutos.

Liguei novamente para Lauren que dessa vez, desligou na minha cara. Liguei para Sofi que também desligou.

Peguei as chaves do carro e mesmo ouvido protestos de Dinah para que eu obedecesse as regras que o policial impôs, calcei meu All Star branco. Assim que abri a porta, elas estavam saindo da viatura.

— Eu disse. — A voz da Dinah como um sussurro enquanto ambas terminavam de falar com os policiais e andavam calmamente em minha direção. Sofi apenas com a camiseta larga pouco suja e com um pequeno corte na mão enquanto Lauren... Ah, Lauren.

Carregando duas caixas de pizza.

— Tá tudo bem, foi só um acidente. — O sorriso de Lauren quando chegou, empurrando levemente as duas caixas de pizza contra minha barriga, foi extremamente fofo. Parecia que mesmo se o mundo estiver acabando e eu pedisse algo para ela, Lauren faria com gosto.

— Só um acidente, huh? — Minha voz saíra mais firme do que o esperado e os olhos verdes claros de Lauren arregalaram um pouco. Balancei a cabeça, tentando expulsar a preocupação e medo por hora. — E não precisava ter comprado duas, amor. Eu disse...

— Eu sei o que disse. De qualquer jeito, precisaríamos jantar, certo? — Sorri para sua audácia em estar certa, mesmo depois do que aconteceu. Dinah pegou as duas caixas de pizza enquanto conversava com Sofi, que dizia o que tinha acontecido. Lauren entrou de mansinho em casa, fechou a porta atrás de si e recostou-se na mesma. — Tô começando a achar que o meu braço não vai se curar tão cedo.

— Mais tempo aqui, então. — Beijando o bico que formava em seus lábios, fechei os olhos sentindo agora as mãos quentes de Lauren em minha cintura. — Da próxima vez, me ligue. Não sabe o tanto de bobeira que pensei apenas por saber por um policial.

— Desculpe, amor. Espero que goste de bacon e brócolis.

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Point of View – Lauren

Sua risada era como música para meus ouvidos. Abraçada a mim, dizia o quanto era bom me ter inteira em seus braços e eu concordava plenamente.

Alguns amigos diziam que num determinado nível do amor, ele cresce tanto que apenas se renova. E bom, eu amava Camila. Definitivamente, admito.

— Que tal me contar mais detalhes disso enquanto jantamos? — Joker havia chegado para ter atenção, como se dissesse "Bem vinda de volta!". Peguei o pequeno cão em meus braços, ainda um pouco doloridos, enquanto Camila trancava a porta. — A propósito, nunca mais desligue na minha cara.

— Desculpe, babe. Preciso de um banho. Meu cabelo está cheirando pneu queimado. — Aproximou seu rosto do meu pescoço e cheirou o cabelo. Fazendo uma pequena careta, acenou afirmativamente com a cabeça. — Quer vir?

— Lauren! — Deu um leve tapa no meu braço, fazendo-me rir. Mesmo depois daquela noite, Camila tinha vergonha. Atrevo-me a dizer que sua vergonha até aumentou...

— Ué, o que foi? — Ela bufou e pegou o cão dos meus braços, dando um beijo em meu queixo. Segurei sua cintura, puxando seu corpo para mim, fazendo Joker rosnar.

— Viu. Ele não concorda. — Sua voz rouca parecia me provocar. Assim que as coisas acalmarem novamente, além de perguntar sobre como Dinah foi acabar morando com elas, iria mostrar para Camila, uma Lauren que muitos viram porém, poucos tiveram o prazer de conhecer.

— Não adianta fugir, Senhorita Cabello. — Aspirando seu pescoço, senti seu corpo ficar tenso e mordi o lóbulo de sua orelha.

— Caraca! Nem um acidente apaga esse fogo?! — Vendo Camila ficar vermelha, beijei sua bochecha enquanto ria de Dinah, que vinha da cozinha em nossa direção. — Você esqueceu a Coca, Lolo?

Ouvi Camila bufar, enquanto ria e pegava o dinheiro da mão de Dinah. Como havia esquecido que Sofi era viciada em Coca-Cola? Uma adolescente comum, assim como eu adorava quando mais nova. Agora, tomava apenas de vez em quando, para cuidar do meu corpo.

— Deixa, eu vou. Lauren precisava tomar banho pra descansar, né? — Pegou o dinheiro da minha mão e delicadamente deixou Joker no sofá, que correu para cozinha ouvindo Sofi abrir a caixa de pizza.

— Eu posso ir, babe. — Negando com a cabeça, beijou meus lábios enquanto eu fechava os olhos e abraçava novamente sua cintura. Depois daquele dèjá vu, estava com uma sensação estranha de que o perigoso estava iminente entretanto, o mercado era logo ao lado da casa.

— Tudo bem, eu vou. Vai tomar banho... — Espiou pelo meu ombro que Dinah havia voltado para a cozinha e abraçou meu pescoço, colocando sua boca próxima à minha orelha para sussurrar. — Pra ver se acalma esse fogo, Lolo.

— Esse é o problema, Camz. Você precisa apagar. — Sussurrando em sua orelha, senti seu corpo próximo ao meu arrepiar. Ela estava brincando com fogo porém, não um fogo qualquer. — E o meu fogo queima, Camila. Queima e queima muito forte.

Separando nossos corpos, observei seus olhos fechados e seu maxilar tenso. Respirou fundo por duas vezes, enquanto acariciava meu rosto. Sorri por vê-la lutando por controle no meio da sala de estar, quase amassando a nota em sua mão.

— Banho, Lauren. Frio. — Deu um tapa leve em minha coxa enquanto abria a porta novamente, jogando um beijo no ar para mim. Sorri enquanto encostava a porta, vendo-a praticamente desfilar até fora do portão pequeno que cercava a casa. Olhando da janela enquanto Camila sumia de minha visão, vi outro BMW com vidros escuros aparecer no começo da rua e meu desespero aumentou. Abri a porta correndo e gritei para Dinah chamar a polícia enquanto minhas pernas movimentavam-se sozinhas. Queria gritar para que Camila abaixasse ou para que ela corresse mas minha voz não saia, deixando minha aflição ainda maior.

O pior foi ver o que eu realmente desconfiava: A BMW prata acelerou assim que viu Camila virando em minha direção. Com os olhos arregalados, gritou para que eu abaixasse e tudo o que fiz foi correr ainda mais e pegar Camila pelo braço e assim que virei seu corpo para junto ao meu, fechei os olhos e ouvi o grito de Camila abafado em meu pescoço.

Não senti impacto nenhum. Não ouvi barulho algum.

Algumas pessoas em volta reclamavam da "barbeiragem" porém, assim que abri os olhos, não vi ninguém com o celular perto da orelha. Apertei mais o corpo de Camila, notando o quanto ela estava tensa. Quase chorando, abraçou meu pescoço, deixando seu corpo mais mole, obrigando-me a segurar sua cintura num abraço apertado.

— Que susto, Lauren. Mas que merda! — Tentei controlar minha voz enquanto dizia que estava tudo bem e mesmo assim, meus olhos marejaram. Apenas de imaginar o que pode acontecer com Camila, meu coração errou algumas batidas e acelerou ainda mais quando viu uma pasta preta com "MICHELLE" escrito em uma caligrafia descuidada.

— Camila. — Deixei os braços de Camila abaixarem antes de colocar um joelho no chão, pegando a pasta com cuidado. Estava leve, provavelmente apenas com alguns papéis. — Compra logo o refrigerante pra sua irmã e não vamos comentar isso por hora, ok? Depois do jantar, vemos o conteúdo.

— Meu ovo, Lauren! Me dá! — Claro que o medo me afetou igual afetou Camila naquele momento mas a diferença era que a garota trêmula à minha frente ficava histérica e descontrolada enquanto eu conseguia raciocinar com a pressão.

— Baby, me escuta. — Segurei seu pulso com força, fazendo seus olhos mirarem os meus. — Pega o refrigerante e vamos entrar em casa, tá bem? Não discute agora, por favor. Eles podem voltar!

Seus olhos arregalaram enquanto ela puxava o pulso preso em meus dedos. Andei até a porta do estabelecimento com Camila, observando as pessoas dentro do pequeno mercado. Nenhuma suspeita. Ninguém olhando demais para Camila. Desviei meus olhos para a rua e vi a BMW parada duas ruas a frente da que estávamos. Levantei a pasta disfarçadamente na rua, fingindo olhar o que tinha atrás da pasta.

— Pronto, Lauren. Anda logo. — Camila passou em minha frente como um vulto enquanto eu percebi o vidro escuro do carro abaixar alguns centímetros. Piscou os faróis duas vezes e seguiram viagem como um carro qualquer naquela rua, dobrando a esquina e saindo do meu campo de visão. Corri atrás de Camila e assim que ela passou pela cerca da casa, Dinah vinha correndo com o telefone nas mãos.

— Graças a Deus! Pensei que iriam tentar te atropelar de novo! — Abraçou Camila que pegou o telefone de sua mão.

— Estamos bem. — E desligou a ligação para assim, desligar o telefone móvel da casa, que apitou. — Vamos entrar de uma vez. Temos muito o que analisar, não é?!

Encarei seus olhos que pareciam querer me perfurar. Havia deixado minha pequena com raiva mas por uma boa razão! Eu sabia o que havia naquela pasta e não gostaria mesmo que nenhuma das três, que me acolheram embaixo do próprio teto, vissem aquilo.

Eu sabia como o esquema funcionava, havia participado dele uma vez para nunca mais.

Era hora da ameaça direta.

Notas finais
Quem lutaria com a Lauren ai?