Notas iniciais
Como prometido, aqui estou! Será que Lauren tem tantos segredos assim?!

Tropeçando em alguns fios, consegui me apoiar na mesa de som sem derrubar nada. Não bebi nada aquela noite, mesmo algumas clientes oferecendo drinks, como sempre fazem. Ally me olhou de um jeito ameaçador, é claro. Aquela mesa de som era o bebê dela.

— Já disse, Lauren! Não estava no camarim quando vocês foram se apresentar, eu estava aqui. Como sempre! — É óbvio que eu não estava acusando a Allyson. Ela era uma das minhas melhores amigas, até mesmo que Normani. Porém, como era gerente do clube, apenas ela tinha a chave reserva do camarim.

— Eu não disse que você entrou lá. Apenas perguntei se alguém pediu o molho de chaves reserva?! — Bufando de raiva, virou totalmente seu corpo para minha direção, fazendo com que eu olhasse para baixo, fazendo contato visual.

— Eu não emprestei e nem deixei o molho de chaves com ninguém! Está sempre comigo, o tempo todo. — Tirando do bolso dos shorts preto, levantou o molho de chaves reservas de todas as portas existentes no clube. Provavelmente umas 30 chaves juntas, penduradas por um chaveiro que era a pata de um cachorro.

— Tá, mas alguém entrou no camarim e mexeu no meu armário! — Ela arregalou os olhos e alguém agarrou minha cintura, envolvendo meu corpo com os braços.

— Como assim, Papel?! Eu não vi ninguém entrar lá! — Normani. É óbvio que não viu ninguém, você estava ensaiando os últimos passos com as dançarinas.

— É, mas alguém entrou lá, abriu meu cadeado sem força, pegou meu celular e mandou mensagem para a Mila! — Ambas começaram a rir, e minha paciência se esgotou. — Ok, quem estava aqui hoje?! Vou interrogar uma por uma!

— Calma, Laur! Vai ver foi aquela bartender querendo brincar de novo contigo. — Normani soltou os braços de minha cintura, para apertar minhas bochechas e direcionar meu rosto para o bar.

— Como ela teria minha chave?! E sim, precisava ter a chave do cadeado, porque ele não foi nem forçado, eu perceberia! — Allyson colocou algumas músicas no aleatório, apenas para as clientes restantes ficarem mais a vontade. Puxou a mão de Mani e a minha junto, para um canto de uma parede, que conseguíssemos ver todo mundo, sem exceções.

— Bom, sabem quem esteve aqui hoje?! — Normani fez um pigarro e me encarou. A vadia sabia sim, quem esteve aqui hoje.

— Desembucha. Não tô pra brincadeira! — Ambas riram baixo e me encaram, apontando para uma janela perto das caixas de som. Soltei minhas mãos e corri até a janela, observando a rua.

De início, não vi nada demais, apenas alguns casais e carros passando pela rua, porém, quando direcionei meu olhar para quase a entrada do clube, vi uma Porsche preta, com os vidros completamente escuros.

— Ele avisou que viria?! — Virei meu corpo, indo de encontro com ambas novamente, que apenas encaravam meu rosto. Balançando a cabeça, Ally assumiu uma posição séria.

— Acho que ele vai querer conversar contigo, de novo... — Mani encarou Ally, com sua feição que costumavam chamar de "leopardo". Sua testa ficava enrugada, sua boca formava um bico e suas narinas abriam. Seu corpo ficou tenso e ela cruzou os braços, enquanto Ally apenas ignorava o fato e me observava.

— Por que não me disse, Allyson! Caramba, eu podia deixar a Nyca se apresentar no meu lugar... — Ally bufou e fechou os olhos, respirando profundamente.

— Eu sou a gerente aqui. Eu lido com esse tipo de problemas, lembra?! — Normani soltou sua risada sarcástica, enquanto eu cheguei mais perto do pequeno corpo de Allyson. Ela era a mais velha de todas das funcionárias do clube e sempre foi a queridinha do chefe. Talvez por ser muito parecida com a filha mais nova dele...

— Ally, eu vou ficar bem! Prometo. — Normani bufou novamente do meu lado, e pegou minha mãe, entrelaçando nossos dedos. — Eu sei que sempre ficam preocupadas, mas... As vezes, é uma visita rápida.

Abraçaram meu corpo de uma vez só, fazendo com que me desequilibrasse, e me agarrasse a elas. Sabia que estava quase me enganando, mas não seria o brinquedo de ninguém. Não mais.

— Lauren, por que não dorme em casa hoje?! Podemos comprar sorvete! — Mani sempre me chantageia com sorvete, porque realmente não resisto, porém, ainda tinha que descobrir quem pegou meu celular apenas para passar um trote na Camila.

— Se você puder me ajudar a descobrir quem abriu meu armário e como, ótimo... — Sorri para Mani, que gargalhou. Ally beliscou meu braço e me deu um beijo no rosto, fazendo o mesmo com Normani.

— Então enquanto vocês saem em busca do inimigo mortal de Lauren a partir de agora, eu irei fechar esse maravilhoso lugar de espetáculos. — E realmente, enquanto nos separávamos, rindo de Allyson, Mani enroscou meu braço no seu.

— Sabe de uma coisa?! Tô com saudade da DJ. — Apoiei meu corpo em seu braço, para rir escandalosamente. Mani, igual a mim, nunca tinha se apaixonado dessa forma. Porém, elas já estavam bem mais íntimas do que eu me lembre.

— Tá com saudade das mãos grandonas nela na sua barriga, né, safada?! — Ela riu e, se não fosse pela sua pele escura perfeitamente lisa e macia, tenho certeza que estaria corada. Senti uma mão no meu ombro, enquanto descíamos as escadas para o camarim. Virei apenas minha cabeça a ponto de enxergar a silhueta fina da garota que sorria abertamente.

— Hey, Lil... — Não consegui terminar meu cumprimento para a garota, pois a mesma tampou minha boca com suas mãos pequenas. Passou pelo meio da escada, fazendo com que soltasse meu braço de Normani, que olhou intrigada para a pequena garota.

Lily, a garota mais nova que trabalhava conosco no clube, fez sinal para que a seguíssemos. Nos entreolhamos, e fiz sinal com a cabeça para a pequena garota. Esperei que seu corpo estivesse longe o suficiente para ninguém desconfiar que estava seguindo Lily e movi meu corpo em direção do camarim, não perdendo de vista as pernas magras, cobertas por uma saia curta amarela, que contratava com a camiseta branca e seus cabelos louros.

Entramos no camarim e antes de trancar a porta, chequei se alguém estava perto. Um barulho abafado soou pelo espaço pequeno e aconchegante. Olhei para ambas e fiz sinal para ficarem em silêncio. Corri para a bolsa de Normani, jogada perto da poltrona e peguei meu celular.

"Você tem uma nova mensagem: Camzi."

Guardei meu celular no bolso da calça e mirei o rosto fino de Lily.

— Você sabe quem mexeu nas minhas coisas, não é?! — O sorriso travesso em seu rosto afirmou minha suspeita. Por ser a mais nova, chamávamos de Baby Blonde. Raramente subia nos palcos, mas participava muito de nossas coreografias no ensaio. Por ainda ser menor de idade, Ally nunca deixava subir para performar, muito menos ter um solo, apesar de dançar muito bem.

— Você pode ser a alma do clube, mas sou os olhos e os ouvidos desse lugar. — Normani soltou sua costumeira risada e colocou seu braço por trás do ombro magro da garota, que também ria.

— Essa é minha Blondie. — Soltei uma risada baixa, e aproximei meu corpo de ambas.

Quando cheguei na cidade vizinha onde morava, conheci Allyson em um café. Olhava todas as pessoas ao redor, enquanto cantarolava baixinho, encostada no sofá da loja. Entrei no estabelecimento apenas para deixar meu currículo, pois estava sozinha a partir da hora que sai de casa, levando apenas minha mochila preta com espinhos, cheia de roupas. Quando acabei de conversar com a atendente da loja, percebi que a loira me encarava, sorrindo. Sorri e balancei a cabeça, que para mim, significou um "até breve", entretanto o breve de Allyson sempre significa "agora".

— Becky. O Dio entregou uma chave para ela e segui apenas com os olhos, por trás da mesa de som. Vi ela entrando no camarim, que por acaso, estava aberto. — Olhamos para Normani, que abriu sua boca em perfeito "o".

— Juro que não fiz por mal, Laur! Estava bem corrido... — Balancei a cabeça, rindo. Normani só não esquece a cabeça, porque é grudado no pescoço.

— Tá, eu sei, Mani. Não precisa pedir desculpas... — Revirou os olhos e balbuciou algo como "não iria mesmo". Nossa relação era tão carinhosa! — O que quero descobrir agora é, por que o Dio pediu para ela me pregar algum trote?!

— Talvez não seja um trote. — Lily só tem aparência de garotinha. Todas, dentro do clube, sabemos que ela é uma mulher muito decidida. Tanto, que realmente, faz sentido o que ela disse.

Dio era um dos "capangas" mais chegados do chefe. Era seu braço direito e o esquerdo, também. Fazia tudo que o chefe pedia, e claro, tudo significava checar como nossas vidas estavam indo. Onde Dio está, o chefe está perto. Por isso o carro estacionado na porta do clube, em pleno domingo.

— Obrigada mesmo, Lily. Você já ajudou bastante! — O sorriso sapeca ainda brincava em seus lábios. Ela com toda a certeza, sabia de algo mais disso tudo. — Você... quer ir dormir na casa da Normani, com a gente?!

— Não quero incomodar... — Até porque, Normani fez careta para o convite. — Mas se quer saber, tem algo mais que devo contar. Lembra da vez que o Dio veio até aqui só para abrir o bar, porque a Anne tinha esquecido a chave em casa e a Ally tava numa viagem urgente, pra São Francisco?!

— Hm, lembro. — Dio quase surtou quando viu que o clube estava lotado e não tinha realmente nenhuma bebida no bar.

— Bom, então não é só a Ally que tem cópia das chaves. E se, por acaso, Dio tem uma chave mestra?! — Ai, merda. Isso faz sentido. Mas...

— Mas como ele teria cópia do meu cadeado, sendo que eu mesma comprei?! — Lily sorriu, dando um peteleco com os dedos na minha testa.

— Ué. Ele quebrou seu cadeado, trocou a chave do seu molho sem você saber e fez uma cópia pra ele. — Simples e sacana. Aquele bando de vagabundos!

— Você é linda, Lily. Te pago uma bebida na terça, ok?! — Gargalhou, recebendo de Normani um beijo na bochecha magra do rosto pálido.

Depois de tirar toda aquela roupa desconfortável e apertada, coloquei shorts jeans e uma regata preta e lisa. Nos pés, um maravilhoso All-Star, velho e sujo. Peguei tudo que tinha do meu armário e coloquei dentro da minha inseparável mochila, enquanto esperava Mani tomar banho para ir pra casa dela. Enquanto esperava, ouvia música no meu celular e respondia as mensagens de Camila, que quase surtou quando contei como pegaram meu celular.

"Se fazem isso com todo mundo vendo, imagina o que podem fazer quando o clube estiver fechado?!"

"E se ele fez isso com seu apartamento, também?!"

"Você precisa mudar suas fechaduras e senhas de tudo, LoLo!"

Era engraçado o modo com que ela me mandava fazer as coisas, porque eu realmente não gostava de quando alguém me dava ordens, mas com ela, era diferente. O jeito dela falar... dava para sentir o carinho nas palavras, mesmo não ouvindo sua voz. E meu carinho por ela também já é tanto, que eu realmente estou considerando abrir minha vida, como um livro, para Camila.

Ally e Normani sabem muito sobre mim, mas não tudo. Não a pequena parte do inferno em que estive. Não sobre todas as vezes que chorei, sangrando por dentro e por fora. Não todas as vezes que quase morri ou que estive em um hospital.

E definitivamente, não sabem todas as vezes que menti.

Notas finais
O que acharam?! Digam os palpites de vocês sobre a vida de Lauren e como isso pode afetar o relacionamento com todas elas. Porque uma certeza, nós temos: irá afetar. P.S.: Agradeço a leitora nova Aly, que me avisou que tinha post duplo. Obrigada e a contagem está certa, o Nyah que sempre brinca com minha face. kkkk