Sin City

23 Final (parte II)


Notas iniciais
Olá meus queridos leitores!!!!!
Yes!!! Enfim o último capitulo!!!
Pois é pessoal por fim chegamos ao ultimo capitulo de Sin City, mas antes eu gostaria muito de agradecer a todos vocês leitores que acompanharam a historia até aqui, principalmente pela paciencia, já que falhei em algumas semanas, mas mesmo assim vocês não me abandonaram.
Quero também agradecer por todos os reviews que vocês deixaram (e que irão deixar, né?rs), tanto daqueles leitores maravilhosos que acompanham desde o comecinho até aqueles que começaram a acompanhar agora. E eu também não posso deixar de falar das recomendações....nossa gente fico até sem palavras....sério mesmo...*emocionada*.
Bom pessoal então é com alegria que eu entrego a vocês esse ultimo capitulo, que embora eu tenho divido ainda ficou enorme. Desde já me desculpem pelos erros gramaticais e no caso desses dois ultimos capitulos pelas doses exageradas de dramaticidade e tensão.
Boa leitura e espero que gostem.

Enquanto isso, em algum lugar na parte central de Karakura, um corpo forte, porém cheio de ferimentos, encontrava-se esmorecido dependurando pelos braços. O sangue seco fazia uma trilha que ia da boca ao queixo, assim como o corte logo acima do supercilio. De repente um forte estrondo fez com despertasse no susto e com certa dificuldade abriu os olhos devagar, e a primeira coisa que avistou foi uma pequena lâmpada acesa logo acima do que pareceu ser uma porta. A luz fraca emanada pela lâmpada deixava o local quase na completa penumbra. _ Que porra é essa? – balbuciou virando a cabeça para ambos os lados, tentando reconhecer onde estava.

_ Enfim você acordou. – disse firme uma voz vinda de um dos cantos do local. _ Pensei que fosse ficar aí dormindo a vida inteira Grimmjow.

_ Cadê você Ulquiorra? Aparece e mostra logo essa sua cara de bunda, seu emo do caralho. – disse com sua natural rispidez esboçando de leve um sorriso debochado nos lábios.

_ Nossa, nem parece o mesmo Grimmjow que estava sendo surrado e socado a algum tempo atrás. – ironizou revelando seu rosto tipicamente pálido e sério de um dos cantos da sala.

_ Que lugar é esse? – disse olhando ao seu redor.

_ Estamos na distribuidora de bebidas e aqui é "aquela" sala dos fundos.

_ Fazia tanto tempo que não usávamos, que eu nem lembrava mais que essa sala existia.

_ É irônico, não? Estar num lugar que foi usado tantas vezes para torturar tantos pé rapados, só que estando no lugar de um deles agora.

_ Se isso foi uma piada, eu não vi graça nenhuma. E se você veio aqui pra tirar uma com a minha cara, acho bom você cair fora, senão...

_ Senão o que? – disse sério enquanto o outro virava a cara fechada para o lado. _ Eu só vim aqui porque eu preciso fazer uma pergunta a você. – se aproximou ficando na frente do azulado. _ O que você falou para ela naquela noite?


Grimmjow apenas subiu os olhos e encarou aquela figura séria de braços cruzados parado bem a sua frente a espera de uma resposta. _ Tsc, veio aqui só para me perguntar isso? – falou com certo desdém enquanto balançava a cabeça negativamente.


Um gélido silencio se formou entre eles, até que Ulquiorra se aproximou ainda mais do azulado que cerrou os olhos de leve já preparando o corpo para algum tipo de impacto. Porém a única coisa que ouviu, foi o som do destravar das algemas que prendiam seus pulsos. _ Não as tire agora. Logo Nnoitra e Yammi estarão de volta e eu para casa. – disse caminhando em direção a porta.

_ Porque está fazendo isso?

_ Por quê? Acho que você já tem essa resposta. – disse saindo e fechando a porta atrás de si. Mesmo que Grimmjow não quisesse responder, sabia que naquela noite algo havia acontecido e algo muito sério havia sido dito. Sério o suficiente para que Inoue mudasse completamente e enfim desistisse de sua corrida pela fama. Mas isso não foi tudo, já que naquela mesma noite ele pôde ouvir da boca dela certas palavras que a tempos ansiava em ouvir.


Assim que Ulquiorra saiu da sala, Yammi e Nnoitra chegaram falando alto a respeito da lanchonete onde tinham acabado de ir e também sobre o segundo round que fariam logo depois. Toda essa conversa era ouvida por Grimmjow, que entendeu pelas palavras de Ulquiorra que deveria esperar até que ele fosse embora. Praticamente meia hora depois, ele já ouvia aqueles dois falando mal e debochando do jeito sério e fechado de Ulquiorra e agora sim era chegada a hora de escapar dali. Livrou-se das algemas e sem conseguir se segurar foi direto ao chão. As pernas fraquejavam um pouco devido a posição, assim como seus braços que também estavam dormentes. Mesmo assim, com muito esforço chegou a uma pequena janela, que propositalmente estava aberta. Passou por ela se arranhando um pouco devido a grandeza de seu corpo e caiu num beco escuro que ficava atrás do galpão da distribuidora de bebidas. Tentou correr, mas com o corpo na situação que estava, o máximo que conseguiu foi caminhar a passos rápidos, parando pouco depois com as pernas tremulas e com uma das mãos a altura das costelas. Ofegante, tentava recuperar o folego, quando ouviu um barulho de motor de carro vindo em sua direção. Com esforço começou novamente a caminhar, se fosse pego agora não sairia nem daquele beco. Porém todo seu esforço foi em vão, pois logo o carro já o alcançara e parava bem ao seu lado. Não tinha mais para onde correr. Escorou seu corpo contra o muro atrás de si e esperou qualquer coisa vinda de dentro daquele carro.

_ Você quer uma carona? – perguntou uma voz masculina abrindo o vidro do lado do passageiro.


Grimmjow reclinou-se levemente para ver de quem era aquela voz que se misturava ao barulho estridente do motor do carro e com a chuva pesada que começava a cair. _ Você? – arregalou os olhos em admiração. _ Ichimaru Gin?

_ Anda entra logo, que meu carro está ficando ensopado. – disse com seus olhos naturalmente cerrados.

_ Não quero sua ajuda. Se isso for realmente uma ajuda. – disse e começou a caminhar lentamente. Não gostava daquele homem e não sabia qual era exatamente a sua intenção.

_ Vamos Grimmjow. Nós não temos todo tempo do mundo. – insistiu, mas o outro continuava a andar se escorando pelos muros. _ Tudo bem, acho que devo mudar minha colocação. – acelerou e jogou o carro impedindo a passagem do azulado. _ Vamos, você precisa dessa carona, então entra logo. – disse sério e Grimmjow não teve escolha. Entrou e Gin saiu arrancando com o carro.

_ Onde estamos indo? – perguntou ríspido e virou a cara quando um sorriso brotou nos lábios finos de Ichimaru.

_ Não preocupe, é aqui perto.

_ Aqui perto o que porra?

_ Nossa, quanta delicadeza. – ironizou. _ Já se olhou no espelho? Aliás, já olhou para você mesmo depois que saiu de lá? _ Pretende sair assim andando por aí? – Grimmjow baixou o quebra-sol e olhou seu rosto no pequeno espelho e estava péssimo, sujo. Trincou os dentes inconformado e nem se deu conta quando o carro parou em frente a uma casa.

_ De quem é essa casa?? É sua? – questionou olhando em volta e reparando num par de malas em cima do sofá.

_ Isso não importa. Vá logo se trocar porque nós temos pouco tempo. – disse lhe entregando uma das malas. _ Tem alguns remédios para aliviar a dor lá no banheiro.


Grimmjow entrou no pequeno banheiro e sequer se deu o trabalho de fechar a porta. Despiu-se e se olhou. Realmente estava acabado, como inúmeros hematomas espalhados pelo corpo. _ Escuta Ichimaru, porque está fazendo isso? – questionou enquanto a agua quente do chuveiro caia sobre seu corpo.

_ Porque acho que nós dois somos bem parecidos. – encostou-se à parede do lado de fora do banheiro.

_ Parecido com você?? Nem a pau!! – esbravejou o azulado.

_ Esteticamente não somos nada parecidos mesmo. Já que eu sou muito mais bonito que você. – disse em tom de chacota seguido de um palavrão proferido pelo outro de dentro do banheiro. _ Mas digamos que passamos por situações bem parecidas.

_ Dá pra parar de enrolação e falar logo? – protestou sem entender onde Gin queria chegar com aquele joguinho de palavras.

_ Sabe o que é Grimmjow, nós dois temos andado ultimamente nos escondendo nas sombras, nas sombras de nossos próprios sentimentos. Sempre temos andado na contra mãos deles, quando o que mais queríamos era andar na mesma direção deles, e sabe por quê? Porque somos dois covardes, que dançam na palma da mão de um único homem. Não digo covarde por nós, mas pelas pessoas que são importantes para nós

_ Fale por você mesmo, mas não me coloque como um covarde. – falou irritado sem entender muito bem enquanto desligava o chuveiro.

_ Realmente Grimmjow, não posso te colocar nesse nível. – fez uma pausa esperando qualquer protesto do outro, que incrivelmente nada disse. _ Admiro você sabia? Admiro você porque, ao contrario de mim que depois de tanto tempo nunca teve coragem de demonstrar o que realmente sente pela Rangiku, você não pensou duas vezes em fazer isso quando teve uma oportunidade com a Kuchiki. Embora tenha acabado assim, tanto pra você quanto para ela.

_ O que você quer dizer "acabado assim para mim e para ela"?

_ Aizen não me disse nada, mas pelo que eu sei ele foi para aquela casa que os Kuchiki tem a beira de um lago e parece que a Rukia também iria para lá e...

_ CARALHO ICHIMARU!! – saiu aos berros pelado do banheiro. _Você só me fala isso agora!!

_ Dá pra pelo menos colocar alguma coisa aí na frente? – virou-se para o lado cobrindo os olhos com uma das mãos.

Grimmjow continuava sua seção xingamento enquanto se vestia afoito. _ Cadê a chave do seu carro?

_ Calminha, porque se alguém tiver que dirigir, esse alguém vai ser eu. – pegou a chave e entregou as duas malas para o outro que já saía pela porta. _ O Ulquiorra disse que você iria precisar.

_ Então essa casa é dele? — perguntou abrindo uma das malas e dentro havia vários pertences seus como roupas, documentos e sua arma, porém admirou quando abriu a outra, já que ela estava abarrotada de dinheiro. _ Pra que tudo isso?

_ Sei lá. – gesticulou com uma das mãos. _ Ele só pediu para que eu te entregasse. E se eu soubesse que era dinheiro eu não tinha te entregado. – falou em tom de deboche arrancando com o carro, enquanto um par de olhos azuis o fuzilava. _ Agora é só você me dizer para onde quer ir.



A chuva pesada caia lá fora e o barulho dos trovões pareciam fazer aquela casa estremecer, assim como as luzes que praticamente se apagavam a cada raio que cortava o céu e iluminava o vermelho do sangue que tingia o chão. As lagrimas desciam incessantemente por aquele delicado rosto feminino, cujo corpo esvai-se ao chão em desespero quando o homem caído ao chão com o corpo encostado na parede fechou os olhos e as mãos que antes pressionavam a perna na tentativa de estancar o forte sangramento perderam a firmeza. _ Ichi...Ichigo, por favor fale comigo...fale comigo...- a voz saía falhada pelo choro e a mão pesada de Aizen impedia as constantes tentativas que ela fazia para se aproximar do ruivo.

_ Acalma-se minha querida Rukia, falta pouco. – sussurrou próximo ao ouvido dela. _ Falta pouco para que você veja esse homem que diz te amar, morrer bem na sua frente, sem que você possa fazer nada. É um preço alto, não é? Que cada um de nós que passou pela sua vida teve que pagar, cada um a sua maneira, claro. – voltou seus olhos para Ichigo e logo em seguida virou Rukia para si, encarando os olhos dela que ferviam de ódio. _ Eu já paguei o meu preço por todos esses anos que você simplesmente me desprezou e sequer olhou para mim. – mais preocupada com Ichigo e sem se importar com tamanhas barbaridades que ouvia, ela virou o rosto na direção do ruivo que continuava caído inerte. Furioso, Aizen segurou o rosto dela com força e o virou novamente de frente para si. _ Não deveria se importar tanto com aquele cadáver. – disse friamente e Rukia entrou em completo desespero, afastando da maneira que pode a mão dele de si.


Saiu em desespero na direção de Ichigo. Não ele não poderia estar morto, não poderia estar morto, ela tinha que alcança-lo. Esses eram os únicos pensamentos que passavam por sua cabeça naquele instante. E quando estava prestes a tocar-lhe a face, teve os cabelos puxados com truculência fazendo com que caísse com tudo para trás.


Aizen se abaixou lentamente e a levantou fazendo com que ficasse de joelhos e face a face com ele. _ Porque quer ir até as ultimas consequências por aquele moribundo? – apontou na direção do ruivo. _ Enquanto eu posso te oferecer tudo e posso fazer tudo para você ser feliz?

_ Porque eu o amo! Amo aquele homem como nunca amei ninguém antes. – praticamente berrou na cara dele. _ E já que você diz entender tanto de amor, sabe bem que eu irei até o fim por ele. – Aizen emudeceu-se, aspirando profundamente o ar enquanto se levantava furioso. Não estava preparado para ouvir isso da boca daquela que tanto venerou e por quem entregou todo seu amor.


Outro forte trovão seguido de um raio, fizeram mais uma vez as luzes da casa praticamente se apagarem, porem o olhos rancorosos que antes encaravam Rukia, voltaram-se para o corpo praticamente estirado a frente. _ Você ouviu isso, Kurosaki Ichigo? – perguntou, mas não ouve reação nenhuma do rapaz. _ Sei que ainda não está morto seu pirralho inútil. – deu três passos, a distancia que o separava do ruivo e lhe deu um chute na perna ferida, fazendo com que ele gemesse de dor.


Mesmo sendo doloroso, Rukia sentiu-se momentaneamente aliviada por ver que Ichigo havia apenas perdido a consciência, mas que ainda continuava vivo. Porém perdeu todo esse fio de esperança quando Aizen se aproximou dela e apontou a arma para sua cabeça.

_ Você ouviu o que essa mulher disse? ABRA OS OLHOS! – ordenou ele ao ruivo. _ Abra os olhos e veja a mulher que te ama morrer bem a sua frente. – apontou a arma para a cabeça de Rukia enquanto Ichigo esboçava alguma reação desesperada, porém o corpo fraco e abatido pela forte hemorragia não se movia.


Com Aizen parado bem a sua frente e com a ponta da arma praticamente entre os seus olhos, Rukia em um ínfimo segundo pareceu ver diante de seus olhos tudo que passara até ali, desde a perda dos pais, o abandono do irmão, os momentos ao lado Kaien, as farras, os amigos que fez depois do fim do noivado e tantos momentos bons que passou ao lado deles e depois.... aquele homem, aquele homem que lhe mostrou novamente a felicidade e que a trouxe praticamente de volta a vida... Kurosaki Ichigo. Soltou um longo suspiro. Era assim mesmo que tudo tinha que terminar? Perguntava-se a si mesma antes de fechar os olhos vagarosamente e ouvir o barulho da arma sendo engatilhada.


Nesse exato momento um raio mais uma vez cortou o céu e as luzes se apagaram por completo dessa vez ao mesmo tempo em que o estrondo de um trovão estremecia a casa. Um breve silencio se fez e somente o som da chuva forte podia ser ouvido. Ichigo reunia suas ultimas forças e chamava desesperadamente pelo nome da morena, porém para sua completa angustia, não obteve resposta. Fechou os olhos com força e cerrou os punhos acertando o chão com a pouca força que ainda lhe restava. Outro raio iluminou o céu e foi nesse momento que ele notou uma certa claridade vinda de um dos lados da sala. Era da porta, que escancarada revelava o perfil sombroso de uma pessoa, que lentamente começava a adentrar a casa.


As luzes começaram a se acender ainda bem fracas enquanto aquele desconhecido vulto que parecia estar com os olhos fixos a algo mais a frente parava diante do ruivo, com o que ele mesmo julgou ser uma arma em uma das mãos. Soltando o ar com certo pesar, aquela desconhecida figura se abaixa retirando algo da cintura e passa pela perna ferida de Ichigo, que geme quando sente um forte apertão. Sem se importar com a feição de dor do outro, se levantou e a passos lentos caminhou até o seu verdadeiro objetivo, enquanto sua feição era revelada com as luzes que voltavam gradativamente. E esses passos que o separava pareciam quilômetros, e sem se importar com o sangue que escorria daquele corpo imóvel quase lhe tocando os pés, se abaixou e com uma das mãos tocou suavemente aquele rosto de pele macia e levemente úmido pelas lágrimas. _ Você está bem? – perguntou aquela voz rouca, antes comumente sarcástica e irônica, mas que agora se tornara séria e apaziguadora.


Os olhos violáceos que antes fitavam o chão atordoados, subiram lentamente pelas vestes negras até alcançarem aquele conhecido semblante másculo e as luzes por fim revelassem os inconfundíveis cabelos azuis. _Gimm...Grimmjow... _ pronunciaram os lábios entre abertos da morena como num sussurro, enquanto um sorriso torto surgia nos lábios dele.


Rukia estreitava os olhos a fim de conter algumas lágrimas. Sentia uma parte de si aliviada por saber que Grimmjow estava bem... que estava vivo. Tocou de leve a mão dele que ainda estava em seu rosto com a sua e pode sentir o quanto estavam tremulas. E antes de qualquer outra reação dela, Grimmjow lhe selou os lábios ternamente. Um beijo breve, mas que com certeza tivera muito mais expressão que qualquer outro que já tiveram. Ele se afastou lentamente e encostou sua testa na dela. _ Desculpa baixinha, não consegui.... – subiu a mão do rosto e afagou os cabelos negros dela. _ Não consegui deixar de envolver sentimentos.

_ Grimmjow....

_ Não precisa dizer nada. – se levantou trazendo Rukia junto de si, enquanto ao fundo o som da chuva que começava a diminuir se misturava ao das sirenes dos policiais. _ Preciso ir. – virou-se e começou a caminhar em direção a porta. _ Ah! Foi mal playboy. – disse em tom de chacota fitando o jovem de cabelos laranjas que segurava o torniquete improvisado feito em sua perna. _ Mas ela vai ficar com você nos fim das contas.

_Hey, espera. – com a voz um pouco fraca, Ichigo chamou pelo azulado que estava prestes a sair pela porta. _ O carro azul. As chaves estão lá dentro. – se encararam por um breve momento, até que Grimmjow pegou as malas que estavam do lado de fora e partiu.


Nem dez minutos se passaram e uma figura corpulenta de cabelos espetados surge pela porta. _ Mas que porra é essa? – perguntou fitando o casal num dos cantos da sala e o corpo caído mais a frente. _ O que vocês fizeram aqui? – passou pelos dois e foi direto ao corpo sem vida de Aizen. Se abaixou e observou a marca do tiro próximo a testa dele seguido de um ferimento na nuca. A bala provavelmente havia entrado e saído. _ Qual de vocês fez isso? – perguntou seco se levantando e fitando novamente os dois, que o encararam sem dizer nada. _ Sei, não foi nenhum de vocês dois, não é? Então me digam cadê o cara que fez isso? – mais uma vez eles ficaram no mais completo silencio. _ Já entendi, não vão falar? – nesse momento alguns policiais entram na casa fazendo um certo estardalhaço. Rukia e Ichigo desviam seus olhos para os que entravam e logo em seguida voltam-se para Zaraki. _ Já entendi, vou dar um jeito aqui. – bufou e saiu gritando com os policiais que haviam chegado. Os paramédicos logo entraram e foram socorrer Ichigo, o levando as pressas para o hospital.



Pouco mais de um ano se passou desde todos aqueles horríveis acontecimentos. Rukia e Ichigo, assim como todos os envolvidos tentavam virar a pagina e seguir suas vidas.


Em frente ao espelho, a pequena morena de olhos violáceos, arrumava seu vestido e dava os últimos retoques em sua maquiagem, afinal aquele era um dia muito especial. Baixou o olhar por um instante alinhando a fina corrente de prata que usava do pescoço e quando voltou seus olhos, deparou-se com uma sorridente figura masculina refletida no espelho.

_ Você não deveria estar aqui, sabia? – virou-se para ele, enquanto tinha a cintura rodeada pelos braços fortes dele.

_ O Hotel é meu e eu cansei de ficar te esperando lá fora. – roçou os lábios de leve aos dela e desceu rapidamente para o pescoço desnudo e tão convidativo, aspirando profundamente o perfume envolvente, fazendo com que a pele dela se arrepiasse de imediato. Feito isso, a fitou satisfeito com o que conseguira acabar de provocar. Foi só então que se deu conta dos vários olhares lançados sobre eles. Olhou em volta e se deparou com varias outras mulheres, que pelo jeito terminavam de se vestir e se arrumar.

_ Entendeu porque você não deveria estar aqui? – sorriu terminando de colocar os brincos. _ E eu sei que o hotel é seu e que foi muita gentileza sua ceder esse espaço, mas Ichigo.... – gesticulou com as mãos como se mostrasse que só havia mulheres no quarto.

_ Eu sei, mas é que eu não resisti em só te ver quando estivermos indo para o altar. – a morena o encarou com uma das sobrancelhas arqueadas. _ Sério meu amor, você está tão linda que desse jeito você vai chamar mais atenção que a noiva. – a morena sorriu ternamente, mas logo em seguida apontou a direção da porta. _ Tá bom, já entendi. – virou-se na direção da saída mas voltou logo em seguida. _ Rukia meu amor, só me promete uma coisa, que você vai começar a se arrumar um dia no nosso casamento, tá? – beijou o pescoço dela de leve e saiu.


Depois de observar que finalmente o ruivo deixara o quarto, Rukia voltou-se novamente para o espelho e fitou seu próprio reflexo pensativa. Como as coisas e as pessoas haviam mudado desde então. Depois da morte de Aizen, Ichimaru Gin assumiu as empresas e sem mais demora pediu Matsumoto em casamento. Claro que ela respondeu um sonoro sim pulando no pescoço do rapaz. Rukia não gostava muito dele, mas desde que ele fizesse sua amiga feliz, estaria tudo bem. Ela e Ichigo haviam ficado noivos em uma festa surpresa preparada pelo ruivo e se tudo continuasse caminhando da maneira que estava, se casariam no próximo verão. Mas quem surpreendeu mesmo, foi o irmão da morena, Kuchiki Byakuya que abandonou sua renomada clinica em Tóquio e retornou para Karakura. Como ótimo cirurgião plástico que é, acredita que seus pacientes o procurarão independente de onde estiver e assim poderá recuperar o tempo perdido e cuidar melhor da irmã. Por outro lado, as investigações sobre o que aconteceu naquele dia na casa do lago continuavam, porém a policia mesmo após inúmeros interrogatórios não havia conseguido chegar a nenhum suspeito. Rukia suspirou longamente. Todas as vezes que pensava sobre isso, sentia uma certa tristeza tomar conta de si. Nesse instante sentiu seu ombro sendo tocado fazendo com que despertasse dos seus pensamentos e quando se virou, deu de cara com sua nova secretária, Ise Nanao que segurava seu celular nas mãos.

_ Kuchiki-san, tem uma ligação para você. — disse a moça esguia com seus óculos a emoldurarem a face.

_ Quem é? — perguntou a morena estranhando

_ Ela não se identificou, apenas disse que precisava muito te perguntar algo. — entregou o celular para Rukia e saiu do quarto.

Um pouco receosa Rukia segurou o aparelho nas mãos e observou o numero desconhecido e então resolveu atender. _ Quem fala?

_ A quanto tempo baixinha, eu estava com saudades de ouvir a sua voz. — pronunciou a voz grave masculina tão conhecida da morena.

_ Grimm...Grimmjow! — indagou com espanto.

_ Então não se esqueceu da minha voz? — perguntou em tom provocativo. _ E o que mais você não se esqueceu?

_ Grimmjow você... — sentiu a voz falhar e o coração disparar. Não estava preparada para aquilo naquele momento, alias não estava preparada para ouvir aquela voz talvez em momento algum. _ Onde....onde você está? — relutou um pouco mas por fim conseguiu perguntar.

_ Infelizmente não posso responder isso e você sabe o por que.

_ É eu sei. – e realmente sabia, já que mesmo sem suspeitos concretos a policia ainda procurava o assassino de Aizen e com o sumiço repentino do azulado, qualquer evidencia que o ligasse a um dos envolvidos, fariam dele um suspeito. _ Mas como você está então?

_ Digamos que não estou passando fome, nem de comida e nem de mulheres. – Rukia estalou a língua e ele riu debochado.

_ Porque está me ligando? Só para falar que continua comendo todas por aí? Se for isso, você sabe que eu não me importo.

_ Quanta delicadeza... – ironizou. _ Estou te ligando porque eu quero te fazer uma pergunta.

_ Então pergunta logo, porque eu não tenho todo tempo do mundo. – intimou ela já irritada com os rodeios dele.

_ Ok! Não precisa se estressar. O que eu quero saber é algo simples....eu só quero saber se... se você está feliz. – a pergunta saiu um pouco engasgada surpreendendo Rukia.

_ Olha Grimmjow eu...

_ Apenas responda, por favor. – a sutileza que ele usara as palavras para interromper surpreendeu Rukia mais uma vez. O que estaria acontecendo com ele afinal para agir dessa forma?

_ Sim. Eu estou muito feliz Grimmjow. – respondeu ela séria e um tanto seca para os ouvidos atentos do homem do outro lado da linha.


_ Que bom. – devolveu ele ao mesmo tom. _ Era só isso que eu precisava saber. – disse para si mesmo, afastando o telefone de si mas ainda assim ouvindo ao fundo a morena questionar-lhe sobre o porque queria saber aquilo. Subiu os olhos, observando por cima do telefone publico que usava as várias pessoas que circulavam por ali. Olhou para trás e fitou aquele enorme emaranhado de ferro totalmente iluminado e prendeu seus olhos nele por um instante, mas não que o estivesse admirando, já que não ligava nem um pouco para monumentos e arte, apenas pensava na dolorosa mas ao mesmo tempo apaziguadora resposta que Rukia acabara de falar. A muito relutava em perguntar isso a ela por puro e simples medo da resposta. E por mais que a resposta dada por ela praticamente o tenha perfurado por dentro, achou por fim que foi a melhor das respostas. Dita de forma direta e sem hesitações, pois sabia que se ela demonstrasse qualquer reação que julgasse ser o contrario daquilo, ele perderia a cabeça e sairia de onde estivesse para busca-la. Sentia que agora seu coração atormentado pela incerteza, poderia enfim se acalmar. Aproximou novamente o telefone do ouvido, ouvindo seu nome ser chamado incessantemente pela morena.


_ Rukia. – chamou ele, fazendo com que ela se calasse de imediato. _ Seja feliz e...adeus. – sem remorso ou duvidas, colocou o fone no gancho enquanto ainda ouvia Rukia chamar seu nome do outro lado da linha. Soltou um longo suspiro e olhou em volta mais uma vez e agora o que lhe chamara a atenção eram as luzes. Como brilhavam. Não era atoa que aquela cidade era chamada de cidade luz pelo mundo todo. E em meio a todas aquelas brilhantes luzes, Grimmjow enfiou as mãos nos bolsos e começou a caminhar perdendo-se na multidão de pessoas que admiravam aquele lugar.


Depois de chamar por inúmeras vezes por Grimmjow, Rukia afastou o celular de si e o encarou com olhos pesarosos. Sabia que ali observava um mero aparelho, porém o fazia como se aquele homem estivesse ali, bem a sua frente. Era difícil descrever o que sentia naquele momento e o que aquele homem realmente representava em sua vida. Por fim se algum dia o encontrasse, pediria desculpas. Desculpas por no fim não conseguir corresponder aos sentimentos que ela viu crescer verdadeiramente dentro dele.


Ainda envolto nesses pensamentos, a morena se vira dando de frente com Ichigo. _ Está tudo bem Rukia? – perguntou ele notando a feição um tanto abatida dela, que desviou seus olhos para o lado sem dizer nada. _ Tudo bem, se você não quiser responder. Eu respeito isso. – pousou carinhosamente as mãos nos ombros dela. _ Mas é que nós temos que ir meu amor. Todas as madrinhas já estão prontas e o Gin já está no altar esperando pela Matsumoto-san. Só falta você. – disse calmamente enquanto os olhos de Rukia novamente se encontravam com o seu. Um sorriso sereno brotou dos lábios de ambos e a morena o abraçou com força, surpreendendo um pouco o rapaz, que não demorou em acolhê-la junto de si. _ Eu te amo Rukia e aconteça o que acontecer eu prometo te fazer a mulher mais feliz do mundo.


Diante dessas palavras, Rukia novamente subiu seus olhos até os castanhos dele, que ela poderia descrever naquele instante como verdadeiros e sonhadores. _ Eu também te amo Ichigo e ninguém vai impedir a nossa felicidade agora. – Aproximaram seus rostos lentamente e selaram suas juras quando os lábios se tocaram de forma suave e cumplice com a esperança de escreverem suas historias unidos por aquele amor.

Notas finais
E então gostaram?? Ficou pelo menos um pouquinho dentro da expectativas de vocês???
Eu espero imensamente que sim e mais uma vez quero agradecer a todos os leitores de Sin City. Tenho um carinho especial por essa fic, ela se tornou meu xodó e isso graças a vocês que deixaram cada comentario, recomendação ou "favoritaram" essa fic.
Então não se esqueçam de deixar seus reviews, porque eu estarei aqui, ansiosa esperando por eles!!
Ahh...e como já me perguntaram, eu tenho outros projetos de fics engatilhados. Mas só irei postar quando tiver capitulos suficientes para não falhar com vocês.
Bjokas e nos vemos por aí!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!