Simplesmente Humanos
4 Dois infelizes
A sala era escura, fora a luz que refletia o vidro da janela alta. O professor magro de olhos esbugalhados fitava o púbere remexer-se e soltar grunhidos de raiva.
– hum... — não se demonstrava surpreso — Qual foi a dessa?Corria os olhos pela sala a ignora-lo, depois o fitou.– Ainda não quer falar... seu pai é um bom homem, das tantas vezes que ele esteve aqui pude percebe-lo e que estava se esforçando para conte-lo.– Esforçando? — vociferou — quando saia de casa, porque brigava com aquela bêbada deprimida.– Jeremy, eu não...– Meu pai é um infeliz e minha mãe uma desgraçada, que me bate sempre que aquele covarde não estava. Mesmo assim, ele sabe que ela me bate e que eu os ouço brigar e se reconciliarem no quarto.– Jeremy, isso que você disse seria muito mais fácil de acreditar se tivesse uma conduta melhor. Em todo caso, se for verdade devo avisar a polícia — estremeceu, logo após sorriu afetivamente.O fato de pensar em chamar a polícia o aterrorizava e este senhor que estava a sorrir como era estranho.– Vou ligar para seu pai vir busca-lo, me permite? — ele assentiu.– Faça o que quiser.– Lembre-se do que conversamos. Caso precise fazer algum telefonema — disse gozando da situação que desacreditava.– Mesmo que eu a odeie, ela tem seus motivos — disse inesperadamente — e eu tenho os meus.– Motivo? — riu paciente — Motivo é uma coisa que você, definitivamente, não tem.– Sim, eu tenho. Como eu disse, eu sempre os ouço.– Não pense que esta embromação seja motivo para eu não ligar pro seu pai. Me espere, que eu vou fazer a ligação — Entrou numa portinha que dava para uma sala minúscula onde ficava o telefone — Mas de qualquer forma eu acredito que você é um bom garoto e... Jeremy?
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