A sala era escura, fora a luz que refletia o vidro da janela alta. O professor magro de olhos esbugalhados fitava o púbere remexer-se e soltar grunhidos de raiva.

– hum... — não se demonstrava surpreso — Qual foi a dessa?

Corria os olhos pela sala a ignora-lo, depois o fitou.

– Ainda não quer falar... seu pai é um bom homem, das tantas vezes que ele esteve aqui pude percebe-lo e que estava se esforçando para conte-lo.

– Esforçando? — vociferou — quando saia de casa, porque brigava com aquela bêbada deprimida.

– Jeremy, eu não...

– Meu pai é um infeliz e minha mãe uma desgraçada, que me bate sempre que aquele covarde não estava. Mesmo assim, ele sabe que ela me bate e que eu os ouço brigar e se reconciliarem no quarto.

– Jeremy, isso que você disse seria muito mais fácil de acreditar se tivesse uma conduta melhor. Em todo caso, se for verdade devo avisar a polícia — estremeceu, logo após sorriu afetivamente.

O fato de pensar em chamar a polícia o aterrorizava e este senhor que estava a sorrir como era estranho.

– Vou ligar para seu pai vir busca-lo, me permite? — ele assentiu.

– Faça o que quiser.

– Lembre-se do que conversamos. Caso precise fazer algum telefonema — disse gozando da situação que desacreditava.

– Mesmo que eu a odeie, ela tem seus motivos — disse inesperadamente — e eu tenho os meus.

– Motivo? — riu paciente — Motivo é uma coisa que você, definitivamente, não tem.

– Sim, eu tenho. Como eu disse, eu sempre os ouço.

– Não pense que esta embromação seja motivo para eu não ligar pro seu pai. Me espere, que eu vou fazer a ligação — Entrou numa portinha que dava para uma sala minúscula onde ficava o telefone — Mas de qualquer forma eu acredito que você é um bom garoto e... Jeremy?