Notas iniciais
LEIAM AS NOTAS FINAIS!! VLW FLW Correção feita pela Nori, então já sabem. Pode dar m***.

Ao fixarem seus olhos na porta, agora aberta, a reação imediata de Tsuki foi de surpresa e confusão, espantando para longe sua preguiça, pelo menos por um instante. Ao deparar-se com o moreno alto, com olhos arrogantes, e o baixinho de cabelos brancos e olhos frios, Kaori estreitou os olhos, questionando se ainda estava dormindo. Bufando, ela cruzou os braços e franziu o cenho. Pelo visto, aquele dia podia ser sim bem pior que a noite passada...

– Esses são nossos novos alunos. – disse o professor, olhando diretamente para os rapazes. Esses com seus olhares indiferentes e levemente arrogantes. O mais velho logo deduziu que eles seriam um problema. – Se apresentem.

Os dois se entreolharam, esperando alguém começar, sendo logo interrompidos por uma morena completamente incrédula, que só se lembrou de quem eles eram depois de longos segundos.

— Vocês!? – perguntou Tsuki, levantando grosseiramente da carteira e apontando o dedo para eles, com seu rosto levemente vermelho.

Kaori sentiu uma veia em sua testa, assim como o professor.

— Você os conhece, Harayama? – perguntou, cruzando os braços e olhando-a desafiadoramente. Essa olhou o mais velho, pronta para responder, quando uma mão pousou sobre seu ombro, sentando-a com tudo na cadeira.

— Eles são... antigos amigos. – disse Kaori, apertando levemente onde estava segurando Tsuki, a fazendo segurar o pequeno grito na garganta. – Desculpe minha irmã professor, ela não tomou os remédios essa manhã. – disse por fim, arrancando risos da sala.

Os meninos, em meio toda aquela bagunça, se dirigiram para duas carteiras vazias, no fundo da sala, não se importando com a apresentação. O professor, vendo que não adiantaria insistir, suspirou levemente irritado, dando continuidade à aula.

Kaori, assim que se sentou e relaxou os ombros, buscou pensar no que estava acontecendo. Era muita coincidência para duas meninas. Lembrou-se de seu pai, que estava agindo estranhamente normal para com todos aqueles acontecimentos. Estava ficando realmente cismada com tudo aquilo. E descobriria mais cedo ou mais tarde.

Estava também preocupada com os meninos. Mesmo eles não se lembrando de nada da noite anterior, e seus ferimentos terem sumido, ela tinha medo deles terem recaídas, afinal, não é todo dia que alguém é jogado longe. Então se lembrou de Tsuki e das suas estranhas dores de cabeça e também da forma que os dois Shinigamis agiram quando ela disse ter ouvido alguém a chamando. Passou a mão pelos cabelos, suspirando cansada. Eram tantas perguntas sem respostas...

Tsuki, que debruçava lentamente na carteira, caindo no sono, levanta a cabeça rapidamente, sentido a maldita dor voltar. Era só o que faltava...

— Você deveria prestar mais atenção ao seu redor... – a voz, agora mais alta e grossa que antes, tomava conta de toda a sua mente.

— Eu não vou prestar atenção na aula só por que um cara na minha cabeça mandou. – sussurrou ela, tentando ser a mais discreta possível.

— Não me referi à aula.

— Harayama. – ouviu, vendo o olhar do professor em si. Ouviu Kaori segurar a risada logo atrás, junto com Gom. Olhou para o professor com certo medo, temendo pelo constrangimento que passaria a seguir.

— Me fale sobre os campos. – ele disse, esperando a menina responder. Essa que estava branca, sentindo o suor escorrer pela testa.

— Ocorrem com maior frequência em regiões de clima temperado, onde predominam as gramíneas e outras plantas herbáceas, com poucos arbustos e, praticamente, sem a presença de árvores. – ouviu a voz na sua cabeça dizer. Não perdeu tempo em repetir tudo o que ele disse, vendo tanto o professor, quanto sua irmã e Gom assustarem. Suspirou aliviada no final, ouvindo o professor elogiá-la por dizer tudo corretamente.

— O que foi isso? – ouviu atrás de si. Kaori olhava-a com os olhos arregalados.

—Eu não sei... – respondeu, sorrindo abobalhada, virando-se para frente. –Você poderia me ajudar nas provas, sabia? – Sussurrou.

— Não sou um livro de respostas. – ouviu. A voz, mesmo estando em seu tom normal, demonstrava indignação.

— Então por que respondeu pra mim? – perguntou, não ouvindo nada em seguida. E então a dor de cabeça, dessa vez mais forte, fazendo-a fechar os olhos.

Ao lado, Karyuu via atentamente cada expressão e movimento da morena. Havia notado que ela estava estranha desde manhã, mas, com certeza, se perguntasse ela não responderia. Também havia notado uma pequena faixa que cobria seus pulsos, logo desconfiando de algo.

Passada a primeira aula, junto da segunda e terceira, o tão esperado intervalo começava. Kaori via, ao longe o seu antigo dormitório sendo reformado, junto com metade do corredor. Lembrou-se da noite do ocorrido, arrepiando logo em seguida. Se não fossem as provas diria que havia sido somente um sonho estranho. Mas tinha problemas maiores. Sentia seu corpo fazer coisas que ela nem sequer sabia fazer e sua mente pensar coisas que ela nunca havia pensado. Assim como na segunda aula, que queria, de qualquer maneira, pular em cima da professora. Não sabia o que estava acontecendo, mas a palavra "bipolar" tomava conta de sua mente. Era só o que faltava...

Assim que se sentaram à mesa para comerem, Gom logo estranhou o prato que a morena escolheu. "Mas... ela não odeia macarrão? " Pensou, logo arqueando a sobrancelha. Assim como Karyuu, ele também estava achando as atitudes tanto de Kaori, quanto de Tsuki estranhas. Sem contar das faixas que cobriam as mãos de ambas. Olhou para Tsuki, que se concentrava totalmente no arroz que havia pegado.

— Ei, você não percebeu algo... diferente na Kaori? –sussurrou, buscando não chamar a atenção da outra. Tsuki o olhou, com a boca suja de arroz.

— Não. Ela deve tá com sono, fique tranquilo. – respondeu, voltando para sua comida. Já que Gom não lembrava, não achava necessário contar que talvez fosse por causa do incidente com o Hollow.

O moreno, vendo que, talvez seja esse o caso, resolveu deixar de lado no momento. Sorriu levemente. Talvez ela quisesse experimentar coisas novas. Era bom, assim. Talvez, ela seria mais aberta com ele.

Mesmo sendo amigos há anos, Kaori nunca disse o que estava sentindo ou passando ao moreno. Isso o deixava levemente magoado, afinal, ele contava tudo para ela. Mas, de certa forma, não a culpava. Era a sua personalidade, afinal.

Terminado o almoço, os jovens foram para a pequena praça, onde sentaram em uma mesa e conversaram sobre o final de semana. Gom e Karyuu pareciam estar normais em relação ao ataque, e não estavam demonstrando dores ou algo do tipo, para o alivio das meninas. Não se perdoariam se algo acontecesse com eles.

Tsuki principalmente. Se apegou tanto ao moreno, que, se ele se afastasse agora, ela morreria. Sentia-se bem perto dele. Segura. E até feliz. Talvez pudesse, mais pra frente, ser mais amiga dele, assim como Kaori era com Gom. Mas teria que aguentar as brincadeiras da irmã. Afinal, a mesma ainda não teve sua vingança. Sorriu, olhando para o moreno, que conversava distraidamente com Gom.

— Ei – chamou Karyuu, apontando para o corredor, onde o pequeno aglomerado de meninas se formava. — Não são os novos alunos?

Kaori logo sentia sua veia saltar a testa, se lembrando daqueles dois e se perguntando por que diabos eles estavam ali. Olhou para a mesma direção de Karyuu, a ponto de ver os dois descendo o corredor, com os olhos fechados demonstrando superioridade. Os outros alunos cochichavam entre si, assim que eles passavam por eles.

— Exibidos... – murmurou Tsuki, fechando os olhos e cruzando os braços. Não se lembrava muito do que havia acontecido na noite do ataque. As pequenas lembranças que tinha era de ser carregada por alguma coisa. E o seu sonho. O vermelho, o medo mas ao mesmo tempo a segurança. Lembrou-se da pergunta que aquele homem fez. Buscou se lembrar de algum nome, não tendo sucesso. E então a dor de cabeça.

— Você não precisa saber meu nome. Não busque lembrar do que já passou, não vai te ajudar. Apenas concentre-se no agora. – a voz, por mais rígida e dura que fosse, falava com calma. A morena se acalmou. Não sabia quem era, mas, estava fazendo bem para ela.

— Mas e o seu nome? – Sussurrou.

—Você saberá quando precisar de mim.

A morena abriu os olhos, olhando para a irmã. Tinha que contar o que estava acontecendo com ela, mas a voz deixou bem claro que se ela fizesse isso, ela morreria. Mas era teimosa demais para ficar quieta. E, se ele estava em sua mente, com certeza estava a par da situação. Suspirou com tal decisão. Sempre tomava as decisões erradas, buscando sempre o auxilio de sua irmã, mas agora, até a decisão de falar com ela não parece ser a certa.

Foi tirada de seus devaneios ao ver os dois rapazes se aproximarem deles, olhando diretamente para ela e sua irmã. Gom e Karyuu fecharam o semblante.

Kaori levantou e cruzou os braços, esperando ambos chegarem até ela. Seu olhar não era o mais calmo no momento.

­­ ­ — O que vocês estão fazendo aqui? – A morena perguntou, quando ambos já estavam a uma distância próxima á ela. O menor, com seu olhar indiferente, bufou, cruzando os braços.

— Não é da sua conta. – Respondeu o outro, olhando-a com superioridade. Kaori sentia sua cabeça pulsar, imaginando formas para acabar com aquela arrogância dele.

— Ei, isso não é jeito de tratar uma dama. – Gom interviu, olhando Byakuya de canto de olho. Sabia que Kaori já tinha uma resposta à altura na ponta da língua, mas não conseguia ficar calado ouvindo ele a tratar com tal desrespeito.

— Se ela agisse como uma dama eu poderia pensar no caso. – Retrucou o moreno, dessa vez olhando para o outro. – E também é falta de educação entrar em um assunto que não é da conta de vocês.

— Na verdade, passou a ser desde o momento que vocês entraram na nossa sala. – Retrucou ela, olhando-o diretamente nos olhos. – Vocês não estão aqui à toa, disso eu tenho certeza.

Tsuki fechou os olhos, concordando com a cabeça. Karyuu olhava a cena sem entender nada. "Eles se conhecem de onde, afinal?". Pensava ele.

Byakuya fechou os olhos. Aquilo não levaria a nada. Deu as costas à eles, esquecendo-se do que veio fazer ali. Estava nervoso. Como se não bastasse ele ter que ficar em uma escola, ainda tinha que cuidar de duas meninas. E uma ainda tinha a língua afiada.

Hitsugaya olhou para o moreno, ao longe, bufando novamente. Odiava o temperamento dele. Mas não o culpava. Também estava estressado. Levou uma bronca pelo celular quebrado pelo Hollow. Olhou para as meninas, notando que uma delas o olhava. Fechou a cara, olhando aquela morena friamente.

— O que foi? Quer discutir comigo para o seu namorado dar uma de macho também? – Perguntou, com sua voz irônica. Sem esperar a resposta, deu as costas à Tsuki, que estava vermelha. Karyuu ainda tentava engolir o que ouvira. Não sabia se ficava bravo ou feliz pelo outro ter se dirigido a ele como "namorado".

Tsuki, por outro lado, só faltava arrancar o piso do chão e comer. Sua raiva era tanta que sentia seu sangue borbulhar e seus olhos arderem. Queria aquele homem morto. Torturá-lo e deixa-lo pendurado em uma corda, igual aos frangos para serem vendidos.

— Você é estranha... – Ouviu em sua cabeça. Bufou, se levantando e saindo pisando duro.

Depois da leve intriga causada na hora do intervalo, os jovens retornavam para a sala, onde teriam as duas ultimas aulas. Kaori ainda sentia sua raiva passear pelo seu copo. Era incrível como um simples homem pudesse deixá-la tão nervosa. Nem mesmo Tsuki a deixou assim.

A mesma também estava à flor da pele, principalmente por ter levado uma patada sem ter dito uma única palavra. Pensava no que poderia estar deixando os novos alunos tão nervosos. Lembrou-se da noite anterior. Talvez fosse aquilo? Mas, já havia acabado, não havia razão para eles seguirem com aquilo. Elas voltariam a ser normais. Ter uma vida normal, se apaixonar por alguém normal. Corou instantaneamente ao lembrar-se de Karyuu. Mas o que diabos estava pensando? Suspirou, olhando para a janela, onde os pássaros que voavam se tornavam tão interessantes quanto à explicação do professor.

Bocejou levemente, recolhendo seu material e o colocando na bolsa. Já era hora daquele dia terminar. Karyuu e Gom, novamente, conversavam animados. Eles haviam se tornado grandes amigos em apenas alguns dias. Era bom assim. Não precisaria se preocupar, caso tenha que deixar Gom sozinho. Olhou para sua irmã, com a típica preguiça e lerdeza. Ela era lerda até mesmo pra ser lerda. Suspirou, colocando sua bolsa nos ombros e saindo da sala, sendo acompanhada pelos rapazes. Tsuki ainda estava guardando seu material. Deus...

— Ei, não acham melhor esperarmos ela? – perguntou Karyuu, olhando levemente para trás, com seu rosto receoso.

Kaori apenas fez que não com a cabeça. Tsuki sabia se cuidar e, provavelmente, ainda se lembrava do caminho para o dormitório. Apenas queria deitar em sua cama e dormir. Tudo aconteceu muito rápido. E, de alguma forma, sentia que só estava começando. Lembrou-se de seu Pai. Iria ligar para ele quando chegasse ao dormitório. Já estava na hora de enchê-lo de perguntas.

De frente ao dormitório, Kaori sentiu seu coração apertar. De alguma forma, não era certo deixar sua irmã sozinha. Parecia que tinha algo errado. Tão errado que resolveu voltar, avisando os rapazes que tinha que fazer algo, não adiantando muito, já que os dois insistiram em acompanhá-la.

Andando calmamente pelo corredor, a morena ia pensando em como falar para sua irmã sobre a “voz”. Sim, há havia se decidido. Sentia sua cabeça latejar.

— Você se esqueceu sobre o que eu disse? —Já havia se acostumado com aquele tom de voz, por mais amedrontador que fosse.

— Eu não vou falar de você, apenas vou perguntar para a nee-san o que ela faria se ouvisse uma voz dentro da cabeça dela... – Tsuki retrucou, inflando as bochechas, se sentando em um pequeno muro, logo após ter saído do corredor.

— Uma palavra a mais e—

A morena aguardou em silencio, esperando ele continuar. Vendo que nada saia, se pronunciou.

— Tudo bem?

— Cuidado.

Não conseguiu nem perguntar o porquê, vendo ao longe um vulto se aproximando. De imediato pegou seu telefone, indo para as mensagens e, logo em seguida, no número de sua irmã.

— Desculpe. — antes mesmo que pudesse se quer escrever a primeira letra, aquele ser já estava de frente para ela. Foi incrivelmente rápido para alguém que estava tão longe. — Você saberia me dizer aonde está a diretora?

A morena ficou estática. Ele era, também, incrivelmente alto. E bonito. E...curioso. Até mesmo medonho.

— N-não... desculpe. – Tsuki respondeu, olhando-o diretamente nos olhos, que eram incrivelmente azul escuro. Eram de alguma forma, hipnotizantes. Sorrindo para ela, o rapaz sentou-se ao seu lado, olhando para frente.

— Bem, então acho que vou esperar alguém aparecer...

A morena abaixou a cabeça. Deus, o que estava acontecendo com ela? Tudo bem, sua "vós" falou pra tomar cuidado, mas ele também a assusta.

Mexia seus pés, tentando se distrair. Poderia simplesmente sair dali, mas seu corpo não se movia. E sentia aquele ser olhando-a. Parecia até mesmo estar estudando seu corpo, enxergando através se sua alma.

— V-você não parece um aluno desta escola... – Perguntou. Não que quisesse uma resposta, mas aquele silêncio, mesmo que pouco duradouro, estava deixando-a assustada. — Você é novo?

O rapaz, sorrindo, olhou para frente. Parecia lembrar do passado.

— Não, eu não estudo mais...

— E-e você faz o que? – Sentia-se incrivelmente envergonhada por estar ao lado dele. Ele até parecia um príncipe, e ela, uma simples empregada dele. Era estranho...

Ele olhou-a, ainda sorrindo.

— Trabalho com meu pai.

A morena terminou com um "hum", olhando para o chão. Rodava seu celular nas mãos, tentando passar o tempo. Olhou para o lado, vendo-o novamente encarando-a.

— O que foi?

— Você me lembra alguém... – ele respondeu. — É muito bonita, também.

— O-obrigada...

Sentia-se quente e mais quente ainda ao senti-lo tocar seu rosto. Instintivamente ela o olhou com os olhos arregalados. Não conseguia se mexer e ele se aproximava cada vez mais. Cada vez mais...

— Ei! Tire as mãos da minha irmã, seu pedófilo! – A salvadora, codinome Kaori, gritava ao longe, vindo correndo na direção onde eles estavam. Tsuki, de repente, se sentiu normal novamente, levantando e saindo de perto dele. Esse com a face um pouco séria.

Karyuu nem ao menos esperou Tsuki sair completamente de perto dele, entrando na frente da mesma e agarrando o rapaz pelo pescoço, empurrando-o até ele se chocar contra a parede. Seu olhar, antes calmo e bondoso, agora se tornava um mar de fúria.

— Que tal eu acabar com o seu assanhamento, hem? Quem sabe assim você aprende, hã?

Gom, ofegante, segurava o outro braço de Karyuu, que estava armado para dar o tão querido e esperado (por Kaori) soco. Tsuki olhava todo aquele barraco com a face surpresa. Precisava de tanto assim?

Foi tirada de seus devaneios pela sua Irmã, que a afastava dos rapazes. Se eles acabassem brigando, sobraria até para as duas.

— Você está bem? Ele fez alguma coisa? – Kaori perguntava, procurando no corpo de Tsuki alguma coisa roxa. Fora as que ela já tinha.

— N-não. – Tsuki respondeu. – Ele não tentou nada...

— Não tentou nada!? – Karyuu interviu, olhando para trás. – Ele quase te beijou! Não diga que isso não é tentar nada!

Gom, suspirando levemente, tentava afastar seu amigo do outro, que olhava fixamente em Kaori. E essa percebeu. Na verdade, também olhava para ele, mesmo não querendo e, no fundo, torcendo para não ser quem pensava que era.

Karyuu se pronunciou novamente, puxando o corpo de seu "inimigo" para perto do dele e logo depois o chocando contra a parede novamente.

— Quem é você, o que faz aqui e por que diabos tentou beijar aquela mulher?

Tsuki arqueou a sobrancelha. "Como assim mulher? Eu perdi meu nome e não estou sabendo?". Pensava a mesma.

O outro ficou em silencio, com o sorriso em lábios.

— Não me faça perguntar novamente...

— Na verdade, acho que o certo seria me soltar. E também, não estou vendo anel no dedo dela e, muito menos no seu. Como resultado não acho necessário te dar explicações.

O moreno cerrou os olhos. E os punhos.

— Seu...

— K-Karyuu-kun, deixe pra lá, não vale a pena... – Gom tentou convencer o moreno, puxando-o levemente, tentando afastá-lo.

— Como assim não vale a pena? Ele tentou beijar a Tsuki!

— É, mas não conseguiu. – Kaori se aproximou, puxando Karyuu. –Esqueça. Ele parece ser do tipo que não liga para nada.

Karyuu olhava-o desafiadoramente. E, mesmo querendo dar uns bons socos naquele cara, sobraria como recompensa uma bronca da diretora. Suspirou, soltando-o e se afastando. Mas ainda o encarava.

— E ela tendo anel ou não, se você se aproximar dela novamente, eu te quebro. – Disse por fim, indo para o lado de Tsuki, que o olhava surpresa.

Kaori, por sua vez, se afastou também, indo para o outro lado de sua irmã e enlaçando seu braço. Gom fez o mesmo.

— Saia da escola. O horário de visitas já acabou. E não me obrigue a chamar os seguranças. – Kaori disse por fim, dando as costas para ele saindo, sendo acompanhada pelos três.

Longe daquele lugar, Karyuu perguntava se Tsuki estava realmente bem. Essa respondendo com seu sorriso abobalhado que sim. Kaori e Gom riam. Aqueles dois eram perfeitos juntos.

Chegando aos dormitórios, os quatro se separaram nas duplas, indo para seus quartos. Karyuu ainda suspirava nervoso, enquanto Tsuki tentava subir na cama de cima, cuja escada havia sumido.

— Karyuu-kun, relaxa. – Dizia a moça, dando leves pulinhos, tentando subir. – Já está tudo resolvido. Não acho que aquele cara vai voltar tão cedo.

Karyuu levantou do sofá em que estava sentado, indo para onde Tsuki estava e erguendo-a, colocou-a sobre a cama de cima.

— Não é com isso que eu estou nervoso.

— E é com o que?

— Você nem ao menos tentou impedí-lo... – Ele murmurou, olhando para o lado.

Tsuki o encarou por alguns minutos para logo depois cair na gargalhada.

— Está com ciúmes! – Disse por fim, pulando por cima do moreno, caindo no chão com ele abaixo de si.

— Ai ai!

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Do outro lado da parede, Gom e Kaori se entreolhavam ouvindo os barulhos e as risadas. Não achariam estranho se o quarto explodisse com tamanha energia dos dois.

— Realmente achei que o Karyuu-kun ia dar um soco naquele cara... – Gom disse, deitando na cama.

— Hunf... devia ter dado. – Kaori respondeu, procurando algo em sua bolsa, não tendo sucesso. – Droga, esqueci minha caneta com a Tsuki. Vou pegar, já volto.

Gom acenou positivamente. A morena, indo para a porta, abriu a mesma, com seus olhos fechados, rezando para que Karyuu e Tsuki não estejam fazendo esquisitices juntos. Quando já tinha visão de fora, avistou aquele ser encostado na parede, olhando-a sorridente. A morena suspirou, fechando a porta e encarando-o com os braços fechados.

— Oi. – Ele disse, aumentando seu sorriso. A morena apenas respondeu com um " hum" e continuou a fitá-lo. – Lembra-se de mim?

A morena, com sua típica frieza e com sua voz arrogante, responde.

— Na verdade, não. Lembranças ruins eu prefiro esquecer.

Sem esperar ele responder, ela da às costas, tentando ir para o quarto de sua irmã. Sem sair do lugar, olhava para seu braço, cuja mão do rapaz segurava.

— Espera.

— Esperar o que? Você me dizer que foi um idiota, que errou, que não é mais o mesmo e que quer o meu perdão? Poupe sua saliva, minha resposta é não.

Novamente tentou sair, sentindo-o segurar mais forte. Suspirou, tentando se acalmar.

— Não é isso que eu quero dizer. Me deixe terminar.

Kaori já estava pronta para dar um chute nele e sair correndo, quando o outro corpo aparece atrás do rapaz, segurando seu ombro firmemente.

—Você não precisa terminar. Ela não quer falar com você, então desista e vá embora.

Kaori, surpresa, ficou em silencio. Como ele havia aparecido ali?

Byakuya era um pouco mais alto que aquele rapaz, dando a impressão de superioridade. Já estava a um tempo ouvindo a conversa dos dois. Queria ter intervindo quando aquele rapaz segurou o braço de Kaori. Era muita insolência agarrar uma mulher sem a permissão da mesma. Mesmo sendo apenas o braço. Mas isso já não importava mais. O outro o olhou de canto de olho, com sua face séria e igualmente arrogante.

— E se eu me recusar?

Byakuya se aproximou dele, falando calmamente mas ao mesmo tempo assustador.

— Você não vai querer saber.

E então o silencio reinou. Um encarava o outro. Kaori se sentia no meio de uma guerra. Agradecia por Byakuya ter aparecido naquele momento.

— Se você tem tempo a perder, vá perder em outro lugar. – Disse a morena, soltando-se finalmente.

Esse se soltou de Byakuya, suspirando. Apenas fechou os olhos e se afastou deles. Olhava para trás algumas vezes, mostrando seu sorriso. Kaori sentia que aquilo não havia acabado, mas tinha assuntos mais importantes para resolver. Suspirou aliviada por aquele momento ter passado. Olhou para seu salvador, vendo-o olhá-la em silencio. O que diabos ele queria, afinal?

— O que foi? – Ela perguntou, cruzando os braços. Byakuya fechou os olhos, balançando a cabeça. Kaori inflou as bochechas, também fechando os olhos. – Tá bom... obrigada...

Byakuya abriu os olhos, dessa vez, mais calmos. Até que ela não era tão exibida quanto ele pensava.

— Bem, — Kaori se pronunciou novamente. – Certamente você não veio aqui só pra me ajudar. O que foi?

— Apenas pegue a sua irmã e me siga.

Kaori arqueou a sobrancelha, não dando sinal da resposta. Byakuya deu as costas e saiu. Kaori suspirou, acabando por ceder. Foi até a porta do quarto da irmã e lá bateu. Karyuu apareceu, perguntando o que havia acontecido. A menina, então, notou Tsuki arrumando sua mochila. Coisa rara.

Apenas disse que precisava da irmã, chamando a atenção da mesma.

Quando finalmente conseguiram sair do dormitório, se depararam com Byakuya parado do lado de fora, com os braços cruzados e os olhos fechados.

— Muito bem. — Kaori começou. — Vai nos dizer o que está acontecendo?

Byakuya a olhou e, sem dizer uma palavra, começou a andar. As meninas se encararam e, suspirando, seguiram-no.

No caminho nenhum som era ouvido além dos passos deles. A rua estava escura e isso despertava certo medo nas duas. Não estão acostumadas a andar tão tarde da noite desacompanhadas. Não que Byakuya não fosse ninguém. Elas só não confiavam nele.

Andaram por uns vinte minutos até chegarem a uma pequena loja. Byakuya ficou de frente a porta e bateu. Kaori já estava pronta para questioná-lo quando ouviu um "já vai" do lado de dentro. Quando a porta foi aberta ela se calou. Aquele ruivo de antes, Ichigo, havia atendido e, quando viu Kaori, fez uma cara de desânimo. Tsuki soltou seu sorriso.

— Olá, salvador! — Ela disse, acenando com a mãozinha enfaixada. Ichigo olhou para ela e sorriu.

Deu passagem para os três entrarem e assim fizeram. Kaori olhou em volta, vendo vários itens... estranhos a venda. Se aquilo era uma loja, os fregueses eram bem peculiares. Pararam de frente para dois homens. Um estava sentado. Era loiro com um chapéu listrado em verde e branco. As meninas não conseguiam ver seu rosto direito, já que o chapéu tampava metade dele, junto com seus olhos. Sua roupa se dividia em tons escuros e claros de verdes, combinando com seu chapéu.

Ao seu lado, em pé, outro homem, vestido com um avental azul e os braços cruzados. Usava uma espécie de óculos. Tsuki se segurou para não rir, já que seu bigode lembrava muito o do Super Mário.

— Finalmente chegaram! — O loiro disse, sorrindo abertamente. Kaori e Tsuki ficaram em silêncio. Ambas sérias.

Ichigo se sentou ao lado do loiro, cruzando os braços. Kaori o olhou e cerrou os olhos. Ele entendeu o recado.

Se algo acontecesse com elas, ele estaria morto.

À esquerda, o baixinho grisalho aparecia com sua face emburrada. Byakuya direcionou seu olhar para ele.

— Conseguiu? — Perguntou, querendo muito por uma resposta positiva. Não aguentava mais ficar ali.

O menor, olhando para ele e depois para as meninas, tirou seu celular do bolso e apontou para eles.

— Vamos para a Soul Society.

Notas finais
Yoo pessoas! Pois é. Temos um anúncio... interessante para fazer. Temos muito o que explicar, principalmente sobre nosso sumiço de um ano, quase. Mas essa não é a questão, por hora. O que queremos anunciar é: O término da fic. Sim, estamos excluindo essa história. Motivos? Estávamos nos sentindo um pouco...privadas demais na hora de escrever. Um universo dentro do mundo de Bleach significa seguir as regras do mundo de Bleach. Coisas que queríamos fazer não poderiam ser feitas. Iriam fugir da lógica. Sempre pensamos em uma história com ação, mas nosso "meio" de gerar ação talvez seja um pouco... demais para Bleach. Não, não estamos menosprezando o anime/mangá, só queremos ter mais liberdade. E é por isso que, no lugar dessa história, postaremos outra! ÊÊÊÊ ~palmas~ O contexto dela vai ser tentar usar os mesmo personagens da SC, só que com nomes e personalidades diferentes. Vamos fazer isso justamente para respeitar a história e o mundo que titio Kubo criou, e, para também, não desrespeitar nenhum dos personagens. Então, por esses e outros motivos, iremos criar uma Fanfic original. Dessa forma teremos a liberdade para explorar o máximo das nossas imaginações, sem ficarmos tão...limitadas e apreensivas, com medo de exagerar, ou ultrapassar os limites do mundo que o próprio Kubo criou. Esperamos que essa mudança seja para melhor, e que vocês nos acompanhem nessa transição. Prometemos que não iremos te decepcionar. Para essa mudança não ser tão drástica e, para que os leitores ( fantasma também u.u) consigam "migrar" para a outra fic, iremos deixar essa história online por mais algum tempinho. Assim que postarmos a outra fic, daremos um prazo até essa ser excluída de vez. Aos leitores que se interessarem em acompanhar a nova história, pedimos que entrem em contato conosco, seja através dos reviews ou por mensagem privada. Pedimos desculpas pelo inconveniente. Realmente estávamos animadas com essa história e, é exatamente por estarmos animadas que não conseguimos nos conter. Esperamos de verdade que vocês continuem conosco ( e que tragam novos leitores, heh). Até a próxima!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.