Simplesmente Amor

12 Quase Aconteceu


12° Capítulo

Gabriel

– Papai? O que o senhor faz aqui? – como assim? Vi o mesmo ponto de interrogação que estava na minha cabeça, estampado na testa de Breno.

– Olá meninos, tudo bem? – corri pra um abraço e Breno fez o mesmo.

– Resolvi vir para fazer uma visita, estava com saudade de vocês, e até das brigas de vocês, me parece que vocês conseguem crescer sozinhos não é?

– É sim, isso foi só uma briguinha boba... – Breno disse me fitando.

– É sim, coisinha de irmãos. – disse feliz.

– Tudo bem, conheço vocês... e aí, alguma novidade? – papai se joga no sofá como sempre fazia quando morávamos juntos.

– Quanto tempo ficará aqui, senhor Cesar? – Breno falou.

– Apenas uns três dias, sua mãe me pediu pra vir, estava preocupada.

– Mamãe – eu e Breno falamos juntos.

– Me contem garotos, como andam as coisas? – relatei tudo a ele, desde a nossa chegada, Breno me ajudou em alguns detalhes.

– Então a Duda jogou suco na namorada do Breno? – rimos juntos, eu estava com saudade de ouvir a risada de papai.

– Isso mesmo, mas foi a minha namorada que começou a briga – Breno diz parecendo orgulhoso – mesmo ela sendo calma.

– Espera um minuto... – meu pai pareceu amadurecer uma ideia – Duda não é sua ex-namorada? Aquela que ainda te ama?

– Sim. – a afirmação dele cortou meu coração, que desde sempre, era dela. Breno abaixa a cabeça, aparentando estar com pena de Eduarda. Eu não gostava de que tinham “pena” dela, ela era perfeita! Não precisava da pena de um menininho indeciso.

– Gabriel? Pra onde você foi? – meu pai me conhecia, sabia quando eu estava no mundo da lua.

– Estou aqui papai.

– Então do que eu e Breno acabamos de falar? – shiii, eu não sabia.

– Hmmm... É... Falavam da mamãe.

– Breno, nos deixe sozinhos por favor – errei feio – Gabriel, sou seu pai. Não me venham com ladainhas, te conheço mais do que todos aqui – não resisti, contei realmente tudo a ele.

– Sempre gostei dela, SEMPRE! Breno a namorava e eu que verdadeiramente a amava, não me pergunte o porquê, e se eu pudesse evitar... seria mais fácil – quando me viro Duda estava lá.

Breno

Eu precisava falar com Carolina, minha consciência me obrigava a fazer isso. Falar sobre o que quase aconteceu. Eu estava muito nervoso. Ela me perdoaria? Eu toco a campainha.

– Carol.

– Breno. – ela me beija, mas eu não reajo – o que foi meu Breninho?

– Precisamos conversar!

– Se é pelo que fiz com Duda, eu não me segurei e... – eu a interrompo.

– Não Carol, é pelo que EU fiz com Duda, você não teve culpa. É que Duda... é...

– Diz! Fala logo Breno!

– Ela foi minha primeira namorada.

– Saquei toda raiva que ela tem de mim...

– É, e...

– Breno, se você me escondendo alguma coisa, me fala logo, se não...

– Eu quase a beijei – foi instantâneo. Carol enchera os olhos.

– Estava muito bom pra ser verdade! Minha vida estava perfeita! O que que eu te fiz Breno Cesar?

–Você não me fez nada! Fui EU que errei meu amor.

– Meu amor? Você não pode usar essa palavra sem ao menos saber o significado. – ela diz dura.

– Quase Carol! Quase! Aí eu lembrei de você.

– Não sei o que pensar, nem o que dizer, nem o que fazer.

– Vamos esquecer tudo isso! – eu me aproximo vagarosamente.

– Não Breno, tenho que ser verdadeira com meus sentimentos.

– Seja! Assuma pra você mesma que me ama.

– Não te disse que não te amo. – me aproximo mais – pelo contrário, te amo mais que tudo!

– Então? O amor pode superar tudo. – ficamos a um dedo de nos beijar, e ela se separa de mim.

– Pode superar! Mas para isso preciso de tempo. Um tempo!

– Você está terminando comigo?

– Não entenda assim, eu só quero pensar em tudo que houve. Dessa vez foi quase, e da próxima?

– Não terá próxima! A única menina que eu quero beijar é você!

– Tem certeza disso?

– É claro. Eu te amo. – as lágrimas estavam traindo minha força de não chorar – o que posso fazer para você acreditar em mim? Pra me perdoar?

– Me dar um tempo.

– Não posso suportar um tempo sem você!

– Tente! Por mim! – ela pegou minhas mãos e acariciou-as, de um jeitinho que eu amava.

– Um último beijo? – me aproximo, percebendo que Carol cedeu. Até que ela vira o rosto, fazendo- me beijar seu rosto.

– Vá! Por favor. – ela dizia com tristeza. – estou muito decepcionada com você. – eu saio, com dificuldade. Estava triste e decepcionada comigo. Como eu me arrependera do meu ato!

Gabriel

Meu pai saiu, deixando- nos sozinhos. Duda sentou-se ao meu lado.

– É... não sei o que dizer – Duda media as palavras antes de deixa-las sair de sua pequena boca.

– Eu sei que você não corresponde aos meus sentimentos, e também não quero ouvir o mesmo de você, caso seja verdade que você não me ama.

– Estou sensibilizada! Te entendo TOTALMENTE.

– Você também não é correspondida né?

– É, sinto muito por isso. Gostaria de mandar em meus sentimentos. Sofro muito com isso!

– Eu também! Muito mesmo!

– O que te digo Gabriel? Foi o mesmo que o Breno me disse... é a mesma situação. – ela sussurrava parecendo conversar com si mesma.

– Não sei também... mas quero te dizer, que se você quiser, seremos bons amigos. – abri um meio sorriso.

– Sério? – seus olhos brilharam – bom, se você diz! – ela se levanta me abraça forte e sai.

Ela não tinha percebido que eu não gostaria exatamente de ser só seu amigo. Quando ela me abraçou, meu coração pareceu ter sido partido em vários pedacinhos. O dia havia acabado, e de um jeito nada agradável.

Carol

22 de junho de 2013, meu aniversário de 18 anos.

Continua...