Notas iniciais
Muitíssimo obrigada a todos aqueles que comentaram no último capítulo, pessoal. Espero que gostem desse aqui!!

“Dessa vez eu errei

Por ter lhe dado um coração que valesse a pena partir”

– How You Remind Me, Nickelback

Vazia: a casa estava completamente vazia, exceto pelos móveis e pelos muitos retratos espalhados por ali. E os brinquedos, é claro. Muitos brinquedos.

Será que chegara cedo demais? Uma olhada em seu relógio de pulso mostra que, pelo contrário, chegara tarde. Poderia se sentir culpado, mas a memória dos beijos daquela garota o fazia se sentir livre.

Amava a esposa e amava a sua família, mas a atração morre quando sua mulher se dedica apenas à carreira e as crianças. O melhor amigo dela a via mais vezes que ele, saía mais com ela do que ele. Sabia que isso não era desculpa para seu erro, mas o prazer simplesmente anulava a culpa. Ele era um homem afinal... Tinha suas... Necessidades, por assim dizer.

Deixou a pasta sob uma das poltronas, afrouxou o nó da gravata e subiu as escadas: quem sabe não estivessem em seu quarto ou no quarto dos gêmeos?

Nada! Foi o que encontrou ao chegar ao segundo andar: nada de pessoas, nada de passinhos apressados ou gritinhos entusiasmados. Apenas o silêncio e a escuridão.

Passava das dez, sua esposa e seus filhos deveriam estar em casa. O único dia que chegavam tarde em casa era sábado, quando iam para casa de um dos amigos ou para a casa do pai; e mais uma olhada no relógio revelou que era uma quinta-feira de junho, quase no verão, noite do dia 15.

Quinze de junho de 2015! Quinze de junho! A culpa o atingiu como uma bala na cabeça: provara dos prazeres de um corpo, no dia em que completava cinco anos de casamento.

Thalia provavelmente lembrara mais cedo, e ele não sabia com que cara iria encará-la quando ela chegasse e o presenteasse. Não sabia o que sentiria ao provar dos lábios de sua esposa. Aliás, já se esquecera do sabor deles, embora os tenha beijado naquela mesma manhã.

Como reagiria em frente à Thalia?

Onde estava Thalia?

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Se ele fosse casado com ela, as coisas não aconteceriam da mesma forma, Nico tinha total certeza!

Era sempre ele quem descobria primeiro que Thalia estava grávida. E sempre a situação era estranha: da primeira vez, estavam no meio de um brinde em uma das festas da revista e ela começou a passar mal; agora, ela descobre uma traição e também passava mal.

― Você é louca ou o quê? Sabe que tá grávida e fica bebendo uísque? ― e ele, que pedira silêncio, estava gritando.

― Não é como se água fosse me acalmar! Não que você vá saber: parece uma Taylor Swift italiana e morena! Não para em um relacionamento! ― Thalia resmunga, empurrando-o e se levantando.

― Pelo menos isso evita que eu sofra, não é mesmo? ― e, como quem com ferro fere, com ferro será ferido, Nico paga na mesma moeda.

Mas se arrepende. E ela também. Afinal, eram amigos há tanto tempo e sempre puseram sua amizade acima de qualquer relacionamento. Porque sabiam que podiam correr para os braços um do outro quando as coisas ficassem feias.

Quantas vezes Thalia não ouviu um “não foi dessa vez” de Nico? Quantas vezes ele não a aconselhou a seguir seu coração, quando ele mesmo não seguia ao seu?

― Me desculpe! ― dizem ao mesmo tempo, e acabam sorrindo, embora não pudessem se ver.

― Vou deixar você tomar seu banho, e vou olhar as crianças antes de ir para o escritório! ― Nico se levanta e beija o topo da cabeça de Thalia antes de sair do banheiro.

― Não durma muito tarde! ― ela recomenda.

― Sim, senhora! ― ele sorri, saindo do quarto com o notebook sob o braço.

Pela enésima vez, para em frente ao quarto das crianças e se espanta ao ver que os gêmeos dormiam tranquilamente, embora Noah estivesse resmungando porque o seu ursinho havia caído da cama. Nico entra no quarto, pega a pelúcia e a põe de novo sob os braços do afilhado, ajeitando a coberta sobre ele antes de voltar para sair.

― Você realmente os ama! ― Hazel murmura, parada a porta do quarto

― Noah é meu afilhado, Luna é Luna: não tem como não amá-los! ― ele dá de ombros.

― Você cuida deles como se fosse o pai... Talvez até melhor que ele! ― a irmã diz, puxando o notebook para si ― Vá dormir no meu quarto: dá pra ver que você vai cair sobre esse computador antes mesmo que consiga editar qualquer coisa!

― E você vai pra onde com ele?

― Devolvê-lo para sua pasta, e ficar com Thalia! Eu ouvi a conversa: na falta de Annabeth, terá que ser eu mesma! Mas eu me garanto! ― ela se afasta, indo para o quarto do irmão.

Nico estava morrendo de sono, sim, mas duvidava muito que fosse conseguir dormir. Não quando podia ouvir as lamúrias de Thalia e sabia que seu sofrimento era demais ― presenciara o sofrimento do pai, quando foi traído por Marie, a mãe de Hazel ―, não quando se sentia culpado. Ele fora um dos que mais incentivaram Thalia a aceitar Luke, e agora se arrependia disso amargamente.

Queria dar um voto de confiança para o amigo, mas a imagem era clara. Era Luke quem estava ali, em frente a um dos motéis mais conhecidos do lugar e, infelizmente, segurando uma pessoa que Nico conhecia.

― Você sabe que horas são? Quem lhe disse que pode ligar para minha noiva a essa hora?

― Leo, é uma emergência! Por favor, passe pra Reyna! ― ele adorava o amigo latino, de verdade, mas não tinha tempo para embarcar em suas conversas animadas. Precisava conversar com uma pessoa séria.

― Amor, seu marido está no telefone! ― escuta Leo chamar por Reyna, e não pode deixar de rir: por muito tempo achavam que ele e a latina tinham algum relacionamento, mas era tudo amizade... Achavam a mesma coisa sobre ele e Thalia.

― Não acredito que você ainda fala isso, Leo! ― ele suspira, não contendo uma risada.

― Você está ligando para a minha casa às onze e meia da noite, cara! Algum compromisso sério você tem com minha noiva!

― Desculpe, cara! ― Nico suspira ― Eu estou tão atordoado que nem me liguei no horário.

― Pelo seu tom de voz, a coisa deve ter sido bem séria! O que aconteceu? Hazel está bem? ― Leo conhecia praticamente toda a sua família, mas Hazel sempre o preocupava mais: eram como melhores amigos, ou algo assim.

― Está sim... O problema nem é meu em si, mas mesmo assim me afeta!

― Thalia?

― Odeio como vocês, meus amigos, conseguem me ler tão bem!! Parecem até meus sensates... ― Nico murmura, fazendo referência a uma série que lançara recentemente e ele vira toda a temporada em um único dia.

Precisava escrever uma crítica sobre Sense8, mas no momento mal conseguia pensar em algo claro e coerente.

― Queria ter entendido, mas como não entendi, vou simplesmente passar o telefone para Reyna. Adeus! ― e a linha silencia por um minuto, antes de ser substituída pela voz sonolenta de Reyna.

A conversa é breve, apenas uma troca de informações. Uma breve confirmação: Reyna era uma das responsáveis pela contratação de modelos para o editorial de moda da revista, dividindo a função com Piper, cunhada de Thalia; se havia alguém que saberia o nome de todas as modelos, certamente seriam as duas, mas Nico tinha mais intimidade com Reyna para lhe telefonar àquela hora.

― Pelo que eu saiba, ela deveria estar em Tókio agora... Viajaria logo depois de fotografar conosco... Por que a pergunta? Algum interesse nela? ― apesar da sonolência, ainda havia espaço suficiente para a malícia em Reyna.

― Algum, sim; sexual, não! ― ele responde brevemente ― Não sei se posso contar... Mas quando puder, se puder, eu te contarei! Prometo.

― Terá que contar ao Leo também! Ele está aqui, ansioso, perguntando sobre o que estamos conversando! ― a amiga comenta, tentando esquivar do noivo que fazia de tudo para ouvir a conversa.

― Pode deixar que eu vou contar! Boa noite, Reyna!

― Boa noite, Nico! E tenha bons sonhos! ― a amiga desliga.

Bons sonhos seriam a última coisa que Nico teria naquela noite.

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Já passava de meia-noite, e nenhum sinal de Thalia, ou das crianças. Não havia nenhum bilhete que indicasse que eles fossem passar a noite fora, ou que uma emergência havia acontecido, e Luke estava enlouquecendo à medida que os ponteiros se mexiam no relógio.

O telefone da esposa? Caixa postal. O da melhor amiga dela? Annabeth até atendeu, mas não estava com Thalia, e acabou tão preocupada quanto ele. Os irmãos dela? Não estavam na cidade, nem no país. Só restava uma pessoa a quem recorrer.

― Di Angelo, ainda bem! ― Luke suspira, com certo alívio: pelo menos alguém o atendera depois de tanto tempo ― Thalia... Ela...

― Está aqui! ― Nico o interrompe ― E pediu que você checasse seu e-mail. Boa noite! ― e desliga, antes que o loiro possa perguntá-lo o que estava acontecendo.

Luke tenta ligar de novo, e de novo, e quando, na terceira tentativa, o telefone não é atendido, ele desiste e resolve fazer o que a esposa pediu. O que poderia ser tão importante para que Thalia lhe enviasse um e-mail ao invés de simplesmente lhe mandar uma mensagem por whatsapp?

O fim de seu casamento, é claro! Uma sequência de fotos, muito bem tiradas, é claro, mostrando-o com a modelo em seus braços. Modelo que ele conheceu em uma festa da revista em que Thalia trabalhava, modelo que ela admirava.

Feliz último aniversário de casamento, Luke Castellan. ― dizia a mensagem ― Pelo visto não foi bom enquanto durou!

Mas fora, e ele não poderia deixar acabar.

Notas finais
Claro que eu ia colocar Leyna aqui, porque Leyna é tudo! Se você discorda, ok, apenas respeite meu coração de shipp, ok? Ok! E então? Reviews? Sim ou claro? Claro, né? Vocês são pessoinhas boas que me amam, como eu amo vocês!! Beijoos!!