Simples Desejo

9 Capítulo 9


Notas iniciais
Havia me esquecido da Lydia xD http://migre.me/s9aiI Agora segue um pouco de drama para inquietar os corações de nossos amantes haha! Espero que gostem, boa leitura!!

Acordo sentindo um calor absurdo, e ao abrir os olhos me deparo com o peito desnudo de Alexandre. Estou deitada sobre ele, nossas pernas entrelaçadas, seus braços me mantendo perto. Minha mão está relaxada sobre seu peito, e eu me mantenho imóvel como uma estatua, temendo acorda-lo. Como viemos parar nisso?

O observo, tranquilo em seu sono. Sua boca está levemente aberta, emitindo um chiado toda vez que respira. Suprimo a vontade sorrir. Não há muitas chances de sair de seu aperto sem acorda-lo, mas resolvo me arriscar. Segurando seu braço com sutileza, ameaço levanta-lo, mas antes que consiga concluir a ação, sua mão voa de volta para minha cintura apertando-me, como um imã. Sorrio.

Ele está acordado.

– Nem pense em sair daqui. – sua voz rouca eriça meus pelinhos. Só então percebo que estava prendendo a respiração.

– Estou derretendo. – digo ao pressionar minha mão contra seu peito, sentindo como ele está realmente quente.

Contrapondo meu desejo, Alexandre ergue-se até estar sobre meu corpo, envolvendo-me e pressionando-me contra a cama, me fazendo ainda mais quente.

– Saia de cima de mim, Alexandre! – empurro seus ombros, mas estou rindo estupidamente. Ele não se move, apenas encara-me sorrindo.

Continuo tentando, com fracasso, tira-lo de mim. Até que sou capturada por seu olhar. Seu rosto está tão próximo do meu que sinto o sapecar de sua respiração em meu rosto. Eu tento resistir, sem saber se é certo ou errado, mas me vejo aproximando mais ainda meu rosto do seu. Paro, como se pedindo permissão.

No segundo seguinte, tenho os lábios de Alexandre sobre os meus. Beija-me primeiro castamente, como se apenas apreciasse o quão bom é nossos lábios juntos. Em seguida, aprofunda o contato, e estou perdida. Em um algum lugar de meu inconsciente reflito como isso anda acontecendo constantemente desde aquele casamento. Sinto-me despencando de um precipício rápida e incessantemente. Temo o desfecho dessa queda.

Perco os sentidos novamente no momento em que os lábios de Alexandre tocam meu pescoço. Remexo-me abaixo dele, procurando por mais contato, e encontro. Algo cutuca minha cintura. Arregalo os olhos, o medo sobrepondo o desejo.

Aperto seus ombros, e ele olha para mim.

– O que?

– A-acredito que já fez o seu ponto. – ele sorri sagaz.

– Não cheguei nem perto.

Sorrio sem jeito, desvencilhando-me dele. Corro desengonçada para o banheiro, embolando-me em lençóis, enquanto ele ri, debochado como sempre.

*

Andejo preguiçosamente pela casa. Minha mente parece ter encontrado um novo passatempo ao combate do tédio: pensar em Alexandre. Por isso, tento ocupa-la com outras coisas, mas agora simplesmente não encontro nada para fazer. A vida de todos os ricos é entediante assim?

Encontro-me no corredor abaixo da escada, e decido que vou para a biblioteca. Quando passo pelo escritório de Alexandre, a porta está aberta e ele está atrás da grande mesa de madeira, remexendo em papeis. Erguendo a cabeça, seu olhar me encontra, e ganho seu sorriso.

Logo ele está de volta a sua ocupação, então decido entrar. Sento-me a cadeira na outra extremidade da mesa, o observando ler atentamente os papeis.

– O que houve? – ele pergunta sem olhar-me.

– Nada.

Antes de voltar a se concentrar, dar-me um olhar desconfiado. Presto atenção em como ele franze o cenho enquanto lê, e em como periodicamente esfrega o dedo indicador contra o queixo. Ele parece preocupado. Imagino se os papeis que tem em mãos são os mesmos que encontrei na biblioteca.

– Seu olhar está me enervando.

Sorrio um pouco. – Estou entediada.

– E me olhar é um bom passatempo?

– É deveras agradável aos olhos. – paro ao ver que coloquei toda sinceridade na frase, sem acreditar que disse isso. Puxa, por que não consigo parar minha boca?!

Estou corada e Alexandre solta uma risada. Recolhe a atenção dos papeis e a direciona para mim.

– Bem, então seu tédio não durara muito tempo. Temos um baile na casa dos William para ir.

Eu nunca havia ido a um baile. Lembro-me da musica e dança na cidade e estou instantaneamente animada para ir.

– Você costuma ir a muitos bailes?

Alexandre torce a boca em desgosto. – Não muitos.

– Sua irmã disse que você se afastou muito de tudo nos últimos anos.

– Clarice fala demais.

– E eu acredito que seja porque está aprontando algo. – faço menção com a mão para os papeis em sua mesa.

Ele sorri. — Sempre estou.

Não sei se está falando serio ou brincando comigo. Acredito que os dois. Ignoro seu tom e continuo.

– Acredito também que não encontrou uma boa esposa por este motivo.

– Talvez estivesse esperando você.

O encaro, sem saber o que dizer. Ele não está falando serio, está? É tão difícil saber, ele sempre parece estar caçoando-me. Mas agora se encontra serio, sustentando meu olhar, aparentando querer dizer algo. Estou tentada a perguntar o que isso significa, mas me contenho, temendo sua resposta. O rumo que nosso tão recente relacionamento está tomando me assusta.

Sou a primeira a quebrar o contato visual, transferindo minha atenção para os bordados de meu vestido.

– Não quero que fuja de mim. Não é errado, Rosie.

– Claro que é.

– Por que?

– Porque você não é quem amo. – digo isto sem muita veracidade e sem certeza de que devia ter dito. Acredito que não, pois Alexandre olha-me como se eu tivesse o esbofeteado.

Depois de alguns segundos, retorna sua atenção para os papeis, ignorando-me. Ele não poderia ter sido mais direto em sua intenção.

– Com licença.

Retiro-me do aposento, deixando-o sozinho.

*

Passo o restante da tarde com um estranho sentimento de desolação. Alexandre está me ignorando solenemente. Parte de mim acredita que ele está exagerando, mas outra parte – uma bem maior – está repreendendo-me por ter aberto a boca para dizer aquilo. Estraguei tudo, por algo que nem estava totalmente certa de que era verdade. Tentei desabafar meus esmorecimentos com a Margaret, mas acabei que não o fiz. Ela não precisava saber o quão fundo ia essa historia.

Há uma batida na porta. Margaret está atrás dela, com uma cara não muito agradável.

– O senhor Herman mandou-me avisar que você deve se arrumar para o baile, e que pode fazê-lo em seu quarto. – seu tom parece me pedir desculpa e não sei o que dizer diante daquilo.

Ele está afastando-me dele. Por que isso está me fazendo tão mal? Por Deus, eu não vou chorar.

Aceno em positivo para Margaret.

– Desculpe-me perguntar senhora, mas está acontecendo algo entre vocês?

Balanço a cabeça com tristeza. – Eu não sei, Margaret.

Recolho uma roupa de festa e sapatos e dirijo-me para meu antigo quarto. No banho, reflito sobre como não quero mais ir a esse baile. Não preciso estar em meio a tanta gente – mulheres bonitas e finas principalmente – com Alexandre ignorando-me. Nunca serei como elas. Nunca farei as coisas certas. Nunca direi as coisas certas. Eu, senhora Herman, estou a ponto de perder o senhor Herman, pois não acredito que ele sinta algo suficiente para impedir isso.

E o sentimento de frio e solitude estão lá outra vez.

Prendo meu cabelo em um penteado alto, com apenas alguns fios soltos. Meu vestido azul contrasta com meus olhos e minha pele pálida, e apesar de parecer um tanto bonita, não estou animada com isso. A carruagem aguarda em frente ao casarão, e enquanto sigo ate ela, nenhum sinal de Alexandre. Clement ajuda-me a subir na mesma, parecendo incrivelmente satisfeito com algo. Não consigo retribuir seu sorriso com tanto entusiasmo.

Minutos depois, Alexandre se instala ao meu lado. Um rápido olhar é tudo que ganho. Não o olho durante todo trajeto, muito menos abro minha boca parva para fazer qualquer comentário. A viagem não dura muito tempo, e quando paramos em frente a um enorme casarão, posso ouvir a musica animada.

Dessa vez é Alexandre que ajuda-me a descer. Hesito um pouco antes de segurar sua mão, sem saber se é uma zona segura. Quando o faço, ganho seu aperto, mas não sei o que significa. Seguimos para dentro do casarão, onde sou apresentada aos William, que estão na porta a receber as pessoas. São um casal amistoso, e forço-me a ser simpática, apesar de meu humor. Faço pequenos comentários sobre a beleza do lugar, pois tudo é incrivelmente de tirar o folego.

No salão, tudo é branco e dourado luxuoso, e há tantas pessoas que sinto-me perdida. Sou apresentada a um par delas por Alexandre como sua esposa. Ele nem sequer me olha.

Grandes cabelos escuros vêm até nós. É Clarice.

– Vocês vieram. – ela parece feliz, surpresa e deveras bonita em seu vestido amarelo.

– Sim, viemos. Mamãe permitiu que viesse?

– Sim. Com alguma insistência minha, é claro.

– Você é a presa fácil aqui.

– Bem, acredito que está na hora de eu me casar, não é mesmo? – Alexandre bufa como um irmão protetor e meu braço é agarrado por Clarice. – Vá conversar com seus homens chatos. Preciso falar com sua Rosie.

“Sua Rosie.” Acredito que ele não me queira mais como sua, penso ao nota-lo se afastar de nós. Clarice entrelaça nossos braços, caminhamos pelo salão.

– Mamãe está curiosa sobre como vão vocês.

– Ah, bem, acredito eu. – minto. – É muito cedo para dizer algo. Por que a curiosidade?

– Porque Alexandre é temperamental e difícil, e ela acredita que ele colocará tudo a perder. Mas eu disse a ela, ele parece gostar de você. Então acredito que não haverá grandes problemas.

– Acredita mesmo que ele gosta de mim?

– Mas é claro que...

Paramos de supetão em frente a alguém. E é a ultima pessoa que eu queria – e esperava – ver. Lydia nos olha com arrogância, um sorriso falso nos lábios.

– Olá, querida Clarice. Seu irmão veio?

– Mas é claro. Ele não sairia sem a esposa. – Clarice faz menção a mim, e ela olha-me da cabeça aos pés, sinto repulsa total.

Por que ela veio? É claro, Alexandre é a resposta.

– Vou trocar umas palavras com ele.

Ela afasta-se de nós, mas não rápido o suficiente para impedir que eu bloquei sua passagem. Mantenho-me a sua frente, braços cruzados, a desafiando.

– Nem pense nisso.

Ela ri com escarnio. – Saia da minha frente.

– Fique longe do meu marido.

Lydia aproxima-se mais de mim, e eu agradeço aos céus por conseguir não ceder e recuar.

– Olhe aqui, querida. Foi você quem chegou depois. Conheço o Alexandre há anos, então não tente se meter entre nossa amizade. – e se aproximando de meu ouvido, sussurra. – Tenho certeza de que ele se divertia muito mais comigo.

E sai, deixando-me atônita e sem reação. Eles tiveram um caso? É claro que tiveram, parva eu por achar que não.

– Você está pálida. – Clarice se aproxima de mim com rapidez. – O que ela te disse?

Balanço a cabeça, incapaz de falar. Praticamente corro pra qualquer direção, em busca dos banheiros. Quando o encontro, permaneço lá por minutos que não conto. Encostada a uma parada, abraço meu corpo, sentindo um embrulho no estomago e vontade de chorar. Eu a detesto. Agora a detesto mais ainda por permiti-la me humilhar assim.

Resolvo sair, apenas para encontrar Alexandre e informa-lo de minha partida. É um péssimo dia, e meu humor está mais azedo que antes. Apenas quero deitar-me.

Não há muito tempo para racionar, apenas sinto algo em meu caminho, fazendo-me tropeçar. Vou de encontro a um homem que carregar uma bandeja com taças de vinho, que entornam em meu vestido, fazendo-me suja. Estou pasma, sem conseguir desviar os olhos de meu vestido. A musica parou e todos os olhares estão em mim.

Olho para lado, sabendo quem provocou isso. Lydia havia colocado o pé para eu tropeçar e agora sorri com satisfação. O sangue sobe a minha cabeça.

– Olha só que parva sem modos. Vê se aprende a andar sobre saltos, para evitar tanta bagunça.

Solto uma risada fraca, sem acreditar que isso está acontecendo. A lanço um olhar mortal e o sorriso de Lydia desaparece. Antes de meus olhos marejarem, abro caminho entre as pessoas, indo para longe dali. Corro pela entrada em busca das carruagens.

– Rosie. – ouço o grito de Alexandre, mas não paro. Sinto seu aperto em meu braço, e sou parada abruptamente. – Espera.

– Solte-me.

Ele olha meu vestido. – O que aconteceu ali?

Sorrio com arrogância.

– Nada. Chame a carruagem. Estou indo para casa, você pode continuar aproveitando a noite com a sua amiga de tanto anos. – coloco todo escarnio possível na palavra.

Ele me encara por alguns segundos. – Fique aqui.

Permaneço parada onde estava e de repente tenho a sensação de que estou sendo observada. Não há tanta claridade ali e meu coração vacila. Olho em volta, mas nada vejo. Algum momento depois, a carruagem aparece.

Voltamos para casa em completo silencio. Mantenho os braços cruzados, em completa carranca. Fico assim em todo trajeto até o quarto. Quando Alexandre vê que ameaço ir para meu antigo quarto, para-me.

– Fale comigo, Rosie.

– Desagradável ser ignorado, não é mesmo? Você tem feito isso comigo o dia todo.

– O que queria que eu fizesse depois de ver minha esposa dizer que ama um imbecil?

Balanço a cabeça, raiva emanando de cada poro. Ele não parece muito diferente.

– Você teve um caso com ela?

– O que?

Reviro os olhos. – Quer saber, não diz. Não quero saber. Você pode ter quantos casos quiser com ela, que claramente é muito melhor que eu. Pode dizer que te traí e pedir divorcio. Conveniente para mim, não é? Assim posso voltar para o imbecil que você tanto fala. Não preciso de você. – eu grito e choro compulsivamente, agora sem as rédeas de minhas emoções, deixando-me explodir.

Alexandre encara-me sem expressão. Aproximo-me de súbito dele, agarrando a gola de sua camisa, o puxo para mim.

– Pare de fazer isso comigo.

Ele não responde, apenas junta sua boca a minha e beija-me com fúria. Tenho seus cabelos entrelaçados em meus dedos e meu corpo em suas mãos. Somos apenas uma luta de lábios, línguas e mãos. Girando-me, empurra meu corpo contra a parede pressionando-se em mim, e respira contra minha boca.

– Você está me deixando louco.