Simetria
1 Prólogo
Notas iniciais
E é exatamente nesse momento que trago minha fic pra vocês. Desculpem o tamanho dessa notinha, mas é que há muitas coisas a serem explicadas pra essa história fazer mais sentido.
Simetria é uma fic de universo alternativo, ou seja, não tenho obrigação de seguir o que se passa na novela, e não sigo. Aqui não existe Manu, Alex ou personagens que não sejam diretamente necessários ao desenvolvimento de Megavi. Aqui o foco não é reality; ele existe, mas com um papel muito diferente, pois ele está longe de ser a parte central da fic. Já adianto que também ignorarei a questão da paternidade do Davi.
Eu comecei a escrever Simetria em fevereiro, quando ainda sabíamos muito pouco dos personagens e da novela como um todo. Utilizando as poucas notinhas que havia na época, moldei a personalidade de Megan e Davi ao meu gosto pessoal e criei a trajetória deles não da forma como poderia acontecer na novela, mas como eu adoraria ver de um ponto de vista de fã. Vocês vão perceber que minha Megan e meu Davi são MUITO diferentes dos representados na novela - mas também não com personalidades fora desse mundo. Davi continua nerd e gente boa, e Megan continua louca e rebelde. Apenas dei minha incrementada pessoal.
A fic não será muito longa. O planejamento inicial engloba 6 capítulos sem contar com este, todos bem longos. Talvez eu os fragmente dependendo da necessidade, não sei.
Outra coisa MUITO IMPORTANTE: a periodicidade da postagem dos capítulos. NÃO esperem atualizações rápidas. Eu iria postar a fic toda apenas após o término, mas mudei de ideia. A história está toda planejada, mas ainda não completamente escrita. Meu ritmo é mais lento que o normal, mas trabalharei ao máximo pra vocês não ficarem muito tempo esperando. Mesmo assim, não esperem atualizações frequentes.
Desculpa por esse texto gigante, mas achei necessário colocar. Espero que aproveitem. Um grande beijo! *-*
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Me respeita e me abusa
Simples demais ou confusa
Sou simplesmente mulher
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Céus de satélites e transmissões e aviões. Céus de mudanças.
Megan pensou ser capaz de enxergar uma linha a dividir o velho e o novo mundo. Subitamente o azul mais parecia um cinza vomitado sobre a abóboda do firmamento. Subitamente as pessoas que caminhavam em sua frente pareciam tão pequenas quanto eram no alto de seu voo. Minúsculas de perspectiva e de possibilidades.
O novo país não lhe sorria e estava nele há apenas cinco minutos. Oh, great.
“Vai ter que melhorar esse português,” Jonas fora categórico antes da viagem, ao que Megan apenas respondera com um revirar de olhos.
“Até parece que tô morrendo de tesão de me misturar com os brasileiros!”
Momentos como este faziam os olhos do astuto Marra brilhar.
“Você sabe o que significa ‘tesão’, dona Megan?”
Touché.
Agora sabia. No entanto, sentir era algo completamente diferente. Talvez vivenciasse o significado da palavra ao máximo se estivesse nos Estados Unidos, as pernas entrelaçadas na cintura de um homem qualquer.
Baixa madrugada e lá estava sua silhueta a diluir-se na escuridão da varanda. Só fazia emudecer e sabia bem disto. Bebia todas as noites para enganar o inconsciente, mas o álcool mudara de gosto; carregava traços de perdição. Não do tipo delicioso que ela experimentava em seus tempos de glória, ah não. Era só dúvida e vazio e solidão com vista para o mar. Muita solidão.
Todos os pontos de sustentação de sua vida ruíram, a começar pela mãe.
“Vai ser bom pra gente,” Pamela disse durante uma das crises de choro da filha. “A gente só conhecia o nosso mundinho, agora...”.
“Agora o quê?” As lágrimas assolavam o rosto fininho de Megan, que inutilmente tentava limpá-lo. “Agora vai ser mais fácil de me controlar? Tá achando que é só me tirar do meu país pra mandar em mim?”
Pamela sacudiu a cabeça, fez de abraçar a filha, não conseguiu, retraiu-se em um canto, definhou seu próprio pranto. Jamais salvaria sua menina.
Menina esta que andava na pontinha dos pés até o quarto da mãe para revirar suas gavetas. Onde estava, aonde fora parar? Descabelou-se em antecipação; podia ter sido rasgada, queimada, enterrada... Ah, lá estava!
Megan correu os dedos pela foto. Era uma pessoa tão bonita, seu pai. Queria tanto tê-lo conhecido. Perguntava-se todos os dias como seria a voz dele. Dormia ouvindo as músicas de ninar que ele cantaria para ela se estivesse vivo.
Talvez esta fosse sua sina: lamentar os erros dos homens. Seu único propósito: satisfazer-se através deles.
“Você ainda vai pegar uma doença!” Jonas gritou e bateu na mesa com seu punho. “Como é que você me aparece em casa de madrugada com o vestido rasgado?”
Megan mordeu o lábio, um sorrisinho seduzindo sua boca.
“Você não queria que eu virasse amiguinha dos brasileiros? Eu te obedeci, Jonas.”
Não conseguiu arrepender-se de seu pecado. Era gata toda hora. Abordava o alvo com mistério, ronronava no ouvido dele, cravava as unhas em sua carne. Sentiria o vazio novamente no dia seguinte, mas até lá...
“Eu tô no inferno mesmo,” Megan bateu o pé. “Melhor sentar no colo do diabo de uma vez.”
E foi embora, deixando o balançar de suas ondas loiras como lembrança.
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Chore por você, meu homem
Você jamais será o que está em seu coração
Chore, pequeno homem leão
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Davi sempre achara que as janelas deixavam o Sol muito quadrado. Não lhe interessava tanto observar os ângulos retos; eram os obtusos que capturavam sua atenção. A peculiaridade do desenho, a curva da representação... Gostava disto. Gostava muito.
No entanto, era designado a estabelecer que “dois mais dois é igual a quatro” para um bando de crianças de cabeça vazia e bolsos mais ainda. Como explicar para elas que a vida não se resumia a dar um Ctrl + Alt + Del caso o programa travasse? Ainda mais essencial: como ensinar isto a si mesmo?
A despeito de seu trabalho, não era desses homens adeptos da matematização dos sentimentos; pouco em sua constituição indicava uma lógica linear. Imaginava haver todas as vontades, todos os medos, todas as suas mínimas implicações e efeitos e contradições… Perdia o ar, perdia a voz… Tudo isto guardado dentro de si.
Ardia. Muito.
“Não perde a cabeça, meu filho. Se mantém no seu caminho,” diria Rita.
“Tá na hora de você dar a louca. Tenha a vida que você quiser,” diria Dante.
Que caminho, se os limites do horizonte lhe pareciam mais desfocados que nunca antes? Que vida, se mal começara a experimentar a realidade que o cercava?
“Tio,” falou um de seus alunos certo dia “posso te fazer uma pergunta?”.
Davi assentiu, regalando um sorriso ao menino. Era órfão de pai e mãe, assim como seu professor.
“Quando o senhor fala aquelas coisas pra gente, que cada um de nós vale mais do que pensa... O senhor tenta explicar isso pra si mesmo também?”
Davi trancou a porta. Um, dois, três, dias.
Por que eu não consigo falar?
Apertou com mais força o pequeno caderno de memórias em suas mãos.
Por que os outros garotos sabem jogar bola e eu só sei chorar?
Um filete de suor escorreu por seu rosto.
Será que é porque eu não tenho pai nem mãe?
Uma batida descompassada do coração.
Eu não tenho pai nem mãe.
Cessou a respiração.
Faltavam-lhe os membros de descobrir — os braços da mãe, as pernas do pai, cabeça de quem? Nariz, boca, de quem? Seria seu rosto cópia de XX ou XY? Homem vitral, profusão de pedaços mal colados. Homem jaula. Homem caverna.
Homem caverna? Sim, destes que os olhos eram aguçados de nada ver e os músculos fortes de nada andar. O marasmo apenas lhe dera mais ímpeto de tentar.
Mas o desejo existia para desestabilizar; ao lado das paixões, caminhavam os medos. Por onde começar?
Davi mirou-se no espelho.
"Serei feliz." Repetiu umas boas vezes.
Apenas esperava que não fosse em um futuro muito distante.
Notas finais
Silvia Machete - Simplesmente Mulher
Mumford & Sons - Little Lion Man
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