Notas iniciais
Link da música: https://m.youtube.com/watch?v=Qc-aNL6egpY

— Por favor, me deixa ir! Não faz isso eu..eu...
— Acalme-se, não confia em mim?
— O que fiz pra merecer isso!? Por...por favor... — suplica incandescentemente a vítima, desfalecendo cada vez mais sua beleza. Apavorada, desprovida de controle físico, estasiada. É assim que as deixa tão sexy.

00:35 am Acaricio de ponta a ponta teus cabelos. Enquanto a morfina aplicada, aquece em seu corpo frio e macio. Logo minhas mãos percorre teu rosto, como previsto, pele macia, olhos cansados e lábios quentes. Aproximo meus lábios nos dela pra sentir a respiração, é ofegante. Tão doce e viril. Ao longo do trajeto, meus braços e minhas mãos esticam-se e caminham calmamente, como um carro, teu corpo é a estrada. Hm...é asfaltada. Tenho direito de achar o que bem quiser, é minha vítima, minha presa.
Me direciono ao carro para pegar as orquídeas e todo o resto. O ritual começou, a manhã já está beirando, é o meu momento. Todas as vezes, sinto como a primeira. Meu corpo se interliga com o dela, minha mente se esvazia e tudo que minhas mãos deseja é o banquete, aquele que está dormindo no sereno da floresta, debruçado sobre o corpo da mãe natureza e as estrelas cantam e se rendem ao meu êxtase. Nossos espíritos almejam isso, eles saltam de alegria de duas almas que daqui alguns instantes não estaram mais na mesma sintonia. E então, aquele corpo morto levará contigo um afeto vivo e que se já se tornou falecido.

01:00 am — Que seja de proveito tudo o que tens de mais belo. — suplico jogando orquídeas morenas por todo seu corpo, de norte à sul, de leste à oeste. No momento, o corpo nu dá leves pontadas, se sacudindo por conta dos orvalhos. Aplico mais uma dose morfina perto do peito esquerdo. Enquanto o líquido é absorvido pela agulha, observo uma tatuagem embaixo do peito. Está escrito em negrito "Would you run?" corriqueiramente fico curiosa, mas gosto do implemento. O corpo está cada vez mais entrando em um coma obsoleto. É o momento em espalho sob si imagens de obras de artes, cujo autor, Claude monet. Dou play no meu celular, então começa a tocar Outono, Vivaldi. Entre todas as estações não poderia ser mais bela quão essa. Me apreço em apalpar os bisturis, passando a lâmina quente e afiada sobre as pernas, chegando na virilha, então paro ali. Fazendo leves cortes por sua virilha o sangue escorre nos joelhos, percorrendo a perna e tocando na grama molhada. Subo mais um pouco, então faço um corte mais profundo e reto na barriga. A pele é tão branca que a cor do sangue vinho cai muito bem na silhueta acenturada.
— fica muito bem de vinho. Lhe cai bem.
Deito sobre o corpo ensanguentado, mão com mão, tórax com tórax, peito com peito, posso até sentir as batidas desaceleradas do seu coração. E boca com boca. Toda energia que antes fora dela agora está sendo transportada para mim. Sinto-me estasiada, mais uma vez. Meus dedos encontram sua vagina. Ainda está quente. Interligo entre mim e com movimentos leves nossos corpos se encontram profundamente.
— beije-me. — sussurro borbulhando de prazer e jogando fora a mordaça.
Então sinto como se ainda estivesse viva, se entregando inteiramente pra mim. Mais uma vez, tão viril...

01:57 am com todo cuidado, deixo-a exatamente como uma das pinturas escolhidas. Tiro uma foto. Abandono o corpo já morno e mais uma vez estou estasiada de afeto.

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Cassieopea

08:00 am ssssshhhhhirrr...!!
— porra de despertador! — berro jogando longe o despertador portátil.
— Ah não! Oito horas!? to fudida, o Carl vai me matar. Imagine o caos da Newspaper File sem mim?
Em seguida me levanto rapidamente, boto uma camiseta social branca, sueter de bolinha, jeans preto e meu all star desgastado.
Tilin tilin tilin...
É meu celular.
— resolvem de me ligar agora? — atendo com desespero.
— alô?
— Cass eu me atrasei hoje de manhã, sei que está na editora mas preciso de um relatório com urgência...
— Laura? — interrompo com um tom de ironia, mas quem diria um dia ver a lauz se atrasar? Ela tão metódica.
— calma, eu ainda to no apartamento. Fala com calma, o que foi?
— ai..ótimo. Me atrasei e por isso sai com pressa e acabei deixando em cima da escrivaninha o relatório de um paciente. Preciso dele com urgência.
— ok, onde fica o consultório? — por mais que esteja atrasada eu preciso levar o documento, afinal, primeira vez que lauz da uma falha.
— Av. Louis hamilton, 091.
— ok. Estou indo.
— Cass..cass?
— hm?
— obrigada.
— Ta.
Logo que olho sobre a escrivaninha, encontro o documento. Alcanço minha moto, dou partida:
Tilin tilin tilin...
— porra de novo?
— alô?
— Cassie onde você tá!? Precisamos da matéria! A imprensa já fez cinco ligações e temos que finalizar o projeto, você sabe!
Congelo com o celular na mão, é Carl, o editor-chefe que confia inteiramente em mim. Não é de se estranhar, carl é exigente e já ouvi coisas piores.
— Carl me atrasei, estou chegando. A matéria ta pronta e será entregua ainda hoje.
— ótimo. Preciso que chegue logo. Ouve mais um caso de estupro no norte da cidade, e dessa vez, a responsabilidade será inteiramente sua.
Dessa vez? É sempre meu dever. Congelo toda vez que ouço sobre esses casos de estupros misteriosos. É como se precisasse mesmo investigar.
— Em quinze minutos to aí. — desligo dando partida em direção à lauz.

08:12 am Chego ao local. É enorme, cheio de janelas de vidros, portas automáticas e vidraças extremamente limpas.
— deve ser por isso que Laura passa maior parte do tempo no trabalho.
Entro pela porta da frente, passo direto pela balconista, atravesso um corredor imenso como se já conhecesse o lugar e esbarro em lauz:
— Cass! Que bom que ta aqui, estou aliviada.
Ninguém nunca ficou tão feliz com a minha presença.
— toma, me deve uma.
— Dívida eterna com você!
— não é pra tanto lauz. Agora preciso ir.
— Laura!? Onde ta os relatórios!? Aliás, minha mesa está uma bagunça! Preciso que arrume.
Escuto uma voz no tom aguda, porém aveludada e que transmite muita autoridade e exigência. Estou de costas e não me esforço para ver quem é, estou atrasada.
— Laura, quem é a moça?
A voz exclama.
— Ninguém, na verdade, uma amiga que veio me fazer um favor. — Lauz responde para voz.
Me viro para cumprimentá-la.