Silver & Smiles
1 Capítulo único.
Notas iniciais
Léo observou com serenidade a porta do último camarote se abrir com um gemido. Uma garota saiu porta afora. Ela sorria. Seu cabelo negro descia, solto e liso, até as costas. Usava um pijama de cor violeta que se ajustava perfeitamente ao corpo definido. Seus pés estavam descalços. Seu rosto tinha aquela expressão de quem está brincando com uma criança inocente e pequena. De certa forma, o filho de Hefesto estava assustado. A pretora nunca se permitia ser casual. Muito menos deixar seu rosto rígido se iluminar com um sorriso daqueles.
Então Léo se lembrou do motivo de ela estar ali, daquele jeito. Ele havia mandado um aviso até a cabine dela, avisando que Argentum estava consertado. Assim que viu a dona, o cachorro avançou até ela e parou aos seus pés. O belo sorriso que iluminava o rosto de Reyna era para ele. E por um minuto, Léo desejou que fosse dele. Imaginou que ela se limitava a sorrir para poupar aquela visão para ele.
* Um pequeno sinônimo. *
Imaginou = Ilusão.
Mas pra que ela perderia tempo sorrindo para um simples garoto de reparos.
- Valdez? – A voz da garota perfurou seus ouvidos.
Por um minuto, ele manteu a cabeça concentrada no chão. Ela não podia ter falado com ele. Ou será que podia?
Passos de pés descalços ecoaram.
Uma mão pousou timidamente no ombro de Léo.
- Obrigada, isqueiro. – Quando o garoto ergueu o olhar, viu Reyna de costas, olhando por cima do próprio ombro. Ela tinha um olhar divertido e parecia estar tentando não rir.
- Até mais, minha rainha. – Léo fez uma reverência desajeitada. Esperava que a garota começasse a resmungar, mas esta o surpreendeu. Fez uma falsa reverência e sorriu, abanando a cabeça negativamente.
- Até mais, caro engenheiro. – Ela lhe deu as costas e entrou. Argentum a seguiu, dando um último latido de agradecimento a Léo.
***
Durante o resto da madrugada, o garoto tentou dormir. ‘’ Até mais, Caro engenheiro’’. Aquelas palavras o fizeram sorrir. Enquanto o Argo navegava pelo ar, ele navegava em pensamentos. Por fim, como já era de manhã, resolveu tomar café.
Ao chegar à mesa, viu dois pares de olhos vulcânicos o encarando.
- Está chovendo. – Suspirou ela, apontando pela janela, indicando as grandes gotas de chuvas que caiam.
- É verdade, Ice quenn. – Ele pegou uma maçã no cesto de frutas e a mordeu; Enquanto mastigava, mantinha seu olhar na garota.
- Não me chame de Ice quenn! – Ela murmurou, rolando os olhos.
- Essa é a Reyna que eu conheço. – Riu ele, aproximando-se do pescoço da pretora. – Já estava com saudades. – Sussurrou.
- Com licença – Ela inclinou o corpo e saiu do caminho dele. – Gosto de privacidade.
- Hm... Sei. Privacidade do tipo... Sem sorrisos. Durona o tempo inteiro. Quer dizer, menos com cachorros de pedras preciosas que valem um valor bem alto. Às vezes eu queria ser um deles...
- Pra poder valer alguma coisa? – Indagou ela, carregando a ironia no nível Bazuca.
- Eu já valo o suficiente. É que eles recebem sorrisos seus. Tipo, os de ontem de madrugada. Acho que não adianta ser prata ou ouro, se não recebe um sorriso que nem o seus.
Reyna corou. Léo estava achando a situação divertida e não teve tempo de se embaraçar.
- Você... É um idiota. – Afirmou ela, rolando com dificuldade os olhos.
- O prazer é meu, dulzura. – Ele fez uma reverência, e estendeu a mão á pretora.
Reyna colocou sua mão sobre a do garoto. Ele depositou um pequeno beijo no dedo médio. Reyna revirou levemente os belos olhos escuros e com a mão esquerda, mostrou –lhe o dedo do meio.
Eles começaram a rir da situação. Reyna tentou socar o ombro de Léo. O garoto segurou o punho dela, ainda rindo, e a puxou para perto de si. A proximidade dos dois era grande, mas Reyna não pareceu se importar. Deu um leve tapa no rosto do garoto, enquanto sorria, vitoriosa.
Reyna começou a fazer uma dancinha da vitória. Enquanto ela balança a trança negra e sacudia o corpo, o garoto a olhava, vidrado. Quando ela percebeu que estava sendo secada, parou. Um silêncio constrangedor se instalou no local.
Léo a olhou, malicioso. Fez um pedido silencioso. Viu o canto dos olhos de Reyna se enrugarem e ela suspirar. E um aceno de cabeça. Positivo.
O filho de Hefesto a segurou pela cintura, tentando não sorrir, e selou seus lábios aos dela. O mundo pareceu evaporar ao seu redor. As mãos habilidosas e ligeiramente delicadas de Reyna estavam nos cabelos encaracolados dele. Os lábios de Reyna era exatamente como ele imaginava: Frios. Mas segundos depois do contado com os lábios dele, eles esquentaram. Léo planejava prologar o beijo, quando um pigarro se fez ouvir.
- Estamos atrapalhando a pegação? – Jason e Piper estavam encostados na parede ao lado do corredor. A todo segundo trocavam olhares divertidos.
Os dois se separaram, ofegantes. Reyna pressionava os dedos contra os lábios e parecia estar exausta. Os cabelos negros grudavam na testa por conta do suor. Mesmo estando de pijamas e com a trança completamente bagunçada, Léo achava que ela não poderia estar mais bonita.
- Não estava acontecendo nada demais. – Léo sorriu, malicioso.
Reyna socou o ombro dele com violência.
- Ei,ei. Foi mal, Rey. Desculpa. Ó, Está vendo? Paz! Paz entre as nações! Grego amigo! – Léo ergueu os braços em forma de proteção e fez o sinal de paz.
Reyna deu-lhe as costas e caminhou pelo corredor. Entrou em sua cabine e bateu a porta com força.
- Tisc, Tisc, Léo Valdez, o grande pegador, agarrando Reyna logo de manhã? Vejo que o resultado foi satisfatório. – Jason disse, sério.
- Ela deixou. – O garoto deu de ombros.
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