Silience

1 "Carta a alguém que nunca existiu"


Notas iniciais
Uma cartinha que escrevi num momento de despedida.

Luma-san,

Como está? Acho que tudo bem.

Há mais ou menos dez anos atrás, eu a conheci. Internet é um mundo tão pequeno quanto a vida fora dela.

Você era uma garota diferente, ao menos aparentava ser. Nunca a conheci pessoalmente, conversamos por e-mails, o falecido MSN, mas nunca a vi.

Seu objetivo de vida era juntar dois outros amigos virtuais nossos. Na época, eu suspeitava de várias coisas, mas não queria realmente acreditar nelas, era óbvio, na verdade, mas como disse, não queria acreditar.

Conversamos entre nós três todos os dias. Tanto eu como você fazíamos o melhor para juntar aquele casal. Acredite em mim, não estão juntos hoje, mas foi o melhor, os fizemos sofrer demais.

Vou admitir, me apaixonei por você. Luma, você foi a primeira mulher por quem me apaixonei, era insistente, manipuladora, misteriosa. Quantas vezes me imaginei fazendo coisas com você? Quantas noites de sono perdi preocupada com você?

Sabe o quanto acreditei em você? Os sentimentos ruins que senti cada vez que dizia que iria fugir, morrer, se eles não ficassem juntos. Chegou a pensar no dano que estava fazendo? Não. Estava cega de desespero para conseguir o que queria.

Eu sabia, sabia, sabia, a verdade, mas estava apaixonada, claro que reneguei, você existia, sonhei com você, senti sua suposta morte. Mas no fim, você nunca existiu.

No entanto, devo te agradecer, Luma, apesar de você ter sido apenas uma personagem inventada por alguém desesperado em conseguir o que queria, me fez entender quem eu era, me fez pensar “tudo bem em me apaixonar por quem amo hoje, está tudo bem”.

Te agradeço, muito obrigada por ser parte de minha vida, de ter me dado a coragem por amar quem amo hoje.

Não culpo quem a criou, não culpo pelos danos, por nada, mas então, por que dói tanto me lembrar de você? Por que sinto sua falta? Não importa quantos anos passem nunca me esquecerei do que senti por você.

Nunca me esquecerei do sentimento que tive por alguém que nunca existiu.

Notas finais
Obrigada.