Notas iniciais
Boa noite, pessoal! Como vocês estão? Espero que bem *-* Bem, desculpe pela demora em atualizar... Mas, esse capítulo tinha muitos pontos a serem abordados e, como tudo nessa fanfic, foi muito emocional. Por isso, digamos que eu precisei ficar dentro do clima de determinadas cenas para poder escrevê-las... Creio eu que deu tudo certo! Sugiro que escutem duas músicas na leitura desse capítulo: "She Used To Be Mine", da Sara Bareilles e "On My Own" do musical "Les Miserables", de preferência, na voz da Lea Michele. Bem, pelas sugestões de música e, pelo título, acho que imaginam o que vem por aí, certo? :X Portanto, se preparem! Boa leitura!

Kathryn Aleed tentava ler Santana Lopez por cima das diversas camadas de insensibilidade que ela tratara de vestir desde que as duas deixaram o hospital. O amigo de Santana, Samuel Evans, pareceu muito surpreso com toda a história. O rapaz não tirou a razão de Santana e nem de Quinn, entretanto, disse que as duas só se entenderiam quando conversassem.

A ruiva também pensava que, se Santana conversasse com ela, tudo ficaria mais claro e mais límpido, para as duas... Kathryn também não sabia o que fazer e, muito menos, o que fazer. Ao mesmo tempo em que queria ser o consolo de Santana, precisava que a sua própria certeza da culpa que carregava fosse desconstruída.

Aparentemente, os anos e as identidades mudaram, mas Kathryn continuava carregando lágrimas e destruição por onde passava. Se antes, ela trouxera morte àqueles que se colocaram entre Joaquin e os objetivos que ele almejava, agora, ela trazia todos os julgamentos e a solidão para Santana que, infelizmente, se apaixonara por ela. A cada dia, Kathryn era ainda mais convencida de quão amaldiçoada era e de que, talvez, merecesse alguém como Joaquin em sua vida.

A felicidade parecia não ser feita para ela e aqueles poucos momentos em que voltara a sorrir, junto a Santana, eram os poucos que ela poderia ter...

— Eu sei o que está pensando... Pode parar por aí, Kat... — Santana murmurou quebrada, a voz rouca e arranhada pelas lágrimas que ela segurava com uma respiração profunda. Kathryn saiu de seus devaneios e segurou a mão esquerda que Santana lhe estendia. A ruiva deu um sorriso triste, motivado pela certeza de ser amada enxergada somente naqueles olhos escuros. Santana levantou-se da sua poltrona na sala de seu apartamento da cobertura e sentou ao lado de Kathryn no sofá, abraçando-a. — Você não é culpada de nada.

— Você percebe que isso não é verdade, certo? Se eu não tivesse aparecido na sua vida, você estaria muito bem com Quinn e Sam... — Kathryn murmurou culpada, aconchegando-se nos braços de Santana e sentindo seu interior amargar-se. Era completamente egoísta querer ficar por perto de Santana ainda que a sua presença afastasse a latina de todos. Porém, a ruiva sequer se lembrava de como era a sua vida antes de Santana e, tampouco, queria se lembrar... Santana era a sua única certeza naquele momento.

Santana, por sua vez, sentiu a garganta seca e os olhos prestes a derramarem uma correnteza de lágrimas. Ela puxou o ar com esforço e beijou o topo da cabeça de Kathryn, afagando os cabelos ruivos e aspirando cheiro cítrico que emanava do corpo daquela que, agora, era quem amava.

No passado, Santana enfrentou a família e desconhecidos para admitir seu amor por Brittany e tê-lo julgado por gente que sequer se importava com o que as duas tinham. Ela achava que essa era uma batalha que nunca mais travaria, não apenas por ter segurança de sua sexualidade e sim, por julgar-se incapaz de gostar de alguém como gostara de Brittany.

Porém, em seu presente bagunçado e todo quebrado, ela encontrara paz em braços pálidos e olhos acinzentados. Santana, agora, enfrentara uma amizade de anos e uma ameaça de morte para poder amar, em paz. E a situação perigosa somente engrandecia a sua coragem e fazia com que ela tivesse ainda mais certeza de que amara Kathryn. Perto do que sentia pela ruiva, Brittany tornava-se um mero eco em seu passado. E como qualquer eco, ele ressonava por seu corpo, ainda arrepiava seus pelos e fazia seu coração acelerar, principalmente, trazia esperança.

Mas, se Brittany era feita de esperança. Kathryn era feita de certeza. E Santana nutria-se do certo para fazer o errado e permanecer ao lado dela.

Santana observou o tom avermelhado vívido dos cabelos de Kathryn tentando, de certa forma, desvendar todos os pensamentos pessimistas e culposos que habitavam a cabeça dela. Não precisava enxergar os olhos acinzentados para saber que eles estavam prestes a se derramarem a sua frente, por isso, a advogada continuou a niná-la e disse:

— Sam só quer que eu resolva tudo que se passa entre eu e Quinn... Os meus problemas com aquela loira são a cabeça dura que ela tem e a minha amargura do passado. Eu e Quinn estávamos desconcertadas antes mesmo de você aparecer em minha vida. E por mais que você tenha aparecido somente agora, você é tão importante quanto e eu não vou deixar uma em favor da outra.

— E se ela resolver deixar você? — Kathryn perguntou temerosa, imaginando que, possivelmente, se Quinn abandonasse Santana, a latina faria o mesmo com ela. Afinal, o que poderia exigir de Santana quando mentira e a enganara por tanto tempo? Porém, Santana era surpreendente assim como o sentimento grandioso que ocupava os corações de ambas... A latina ergueu o queixo da ruiva e olhou no fundo dos olhos cinzentos, se ela estivesse confusa, tudo se acabaria porque dentro daqueles olhos jaziam tudo que ela precisava para ter certeza e lutar, quantas fossem as batalhas.

Santana amava de forma egoísta e, principalmente, intensa. Quando amava, tudo que importava era a felicidade da dona de seu sentimento, ferira pessoas para Brittany ser respeitada no colégio e, agora, feriria a si mesma para poder amar em paz e ser e fazer Kathryn feliz.

Portanto, um sorriso brotou em seus lábios, contrastando com seus olhos marejados. Kathryn se remexeu em seus braços e ajeitou-se para que pudesse olhar para ela. A ruiva afagou a face morena e beijou-lhe os lábios, antes de sussurrar:

— Eu sei que você está decidida, mas, não desista dela... Por favor.

— Eu não vou, mas se ela me afastar de você, eu serei obrigada a escolher. — Santana sentenciou séria, passando toda a verdade contida em seus sentimentos em um único e simples olhar... Kathryn acenou afirmativamente com a cabeça e voltou a se encolher nos braços morenos, sua orelha encontrou o som das batidas do coração da latina e ela permitiu-se envolver naquele som vivo e pulsante, exatamente como Santana. Exatamente como elas. — E eu te amo o bastante para suportar uma perda dessas.

***

O corpo de Charlie foi, enfim, liberado da perícia depois de removerem os projéteis e redigirem a certidão de óbito, procedimentos que custaram uma semana ao corpo do pobre mentor da loira. Quinn encarregou-se de todos os preparativos para o enterro e até mesmo recebeu uma folga de Mr. Schue em suas aulas da semana e, é claro, isso não passou despercebido pelos alunos, principalmente, por aqueles que freqüentavam o Glee e, essencialmente, por Claire.

Nos últimos dias que se passaram, a capitã do Glee via-se cada vez mais próxima de sua professora. Miss Fabray sempre fora alguém que ela admirara, mas não o tipo de pessoa em que ela se espelhava, ela deixava esse posto a cargo de Miss Berry. Afinal, quase todos os professores mais antigos a comparavam com a sua ídola e ela sentia-se orgulhosa por essa comparação... Bem, isso era até recentemente.

Com a proximidade, Claire acabara deduzindo o que acontecera ainda que sua professora mal respondesse as suas perguntas sobre sua treinadora. Rachel Berry, a intrépida e sonhadora, abandonara o amor de sua vida (como Claire imaginava) para tentar, novamente, realizar sonhos que tanto a magoaram. Por mais que fosse tão sonhadora quanto, Claire não entendia porque ela ainda sentia tão intensamente quanto sonhava e se o amor que enxergava nos olhos de Miss Fabray fosse reflexo do que Miss Berry pudesse sentir... Ela não entendia como sonhos poderiam ser maiores do que a realidade e a intensidade contidas naqueles olhos.

Claire não entenderia porque ela, por mais que tivesse sido abandonada da mesma forma por Christine, não suportara anos de solidão como Rachel vivenciara. As noites sozinhas, servindo-se de outros corpos para matar a saudade de Quinn, apenas ensinaram Rachel que pessoas eram tão inconstantes quanto às certezas da realização de seus sonhos. Na verdade, os sonhos da morena tornaram-se a única verdade na qual se apegar diante da saída de tantas pessoas de sua vida... Rachel entregou-se àquilo que dependia única e exclusivamente dela mesma, daquilo que lhe dava uma falsa sensação de controle porque, afinal, seus sentimentos por Quinn permaneceram, durante tanto tempo, trancados e, ainda assim, incontroláveis.

E, talvez, o descontrole tenha levado-a de volta para New York ou, talvez, ela simplesmente não amasse Miss Fabray tão intensamente... Claire não sabia o que pensar daquela decisão, mas ela não entendia.

Assim como não entendia a decisão de Christine. A cheerio não tinha direito de entregar os céus para, depois, atirá-la a terra. Christine não teve coragem para lutar por algo que era certo e imutável, porque Claire tinha certeza de seus sentimentos e sabia que eles não mudariam, por mais que o tempo passasse... Christine sempre teria um lugar muito importante em seu peito e doía vê-la se afastar daquela forma.

Na inocência e aceleração juvenis, Claire não percebeu que ela era de certa forma a Miss Fabray de toda a sua cruel história de amor. Fora ela quem fora deixada para trás e essa proximidade com sua professora vinha, justamente, da silenciosa compreensão que as unia. Ambas estavam com o coração partido e destroçado, sem chance de conforto, mas, ainda assim firmes em sua luta diária por uma melhora... Por uma substituição.

Claire escolheu seus sonhos, substituiu Christine por eles, exatamente como Miss Berry escolheu sonhar a amar... Mas, o que Miss Fabray ainda teria para escolher? Para ela, o tempo passara e o peso da maturidade encolhia seus ombros. Ela não tinha para onde ir, ainda mais que parecia tão sozinha e inalcançável nos últimos dias. Aparentemente, Miss Fabray escolhera amargar a solidão do que tentar algo novo.

A capitã do Glee não sabia, mas Quinn sempre viu Rachel como sua última chance, desde quando se conheceram. O seu último slushie, a sua última redenção, a sua última amizade, o seu último amor... E tudo assumia essa finalidade tristemente poética porque ela pretendia que Rachel fosse sua única, para sempre.

Quinn deu a ela um significado, a loira a pintou com fogo e deixou que ela marcasse, em carne viva, o seu coração. E agora, lidava com as cicatrizes resultantes de quando Rachel queimou em brasa e se extinguiu... Aparentemente, para sempre.

Claire observava a superfície de sua professora, parada ao lado do monte de terra vermelha que se destacava no gramado semeado de lápides do cemitério. Miss Fabray, sempre tão falante e sorridente, parecia um mero fantasma de quem ela estava acostumada ver. Quinn encontrava-se com as mãos nos bolsos da longa saia preta que usava, os punhos da camisa branca encontravam-se umedecidos e ela tentava parar de chorar enquanto os seus olhos, perdidos, contemplavam os grãos de terra.

Ninguém ousava aproximar-se dela, mas Claire era tão insistente quanto àquela que fora a sua ídola e deixara a cidade. Por isso, deixou que os solados de suas sapatilhas triturassem as partículas do chão aos seus pés e aproximou-se, receosa. Próxima a sua professora, foi recebida com um olhar sôfrego e um sorriso de lado, Claire notou as bolsas arroxeadas embaixo dos olhos verdes e suspirou entristecida. A conexão era tão forte entre elas que Claire podia enxergar-se nela, como um reflexo. A professora pigarreou e disse rouca:

— Você não precisava vir até aqui, Claire.

— Imagine se eu deixaria que a senhorita passasse sozinha por isso, ainda mais diante do que nós duas estamos vivendo. — Claire respondeu rapidamente, decidida e teimosa, invocando lembranças em Quinn que, mesmo diante de toda a tristeza do momento, fizeram-na sorrir. A professora voltou os olhos para o monte de terra que, agora, escondia o corpo de Charlie do mundo, suspirou e, rendendo-se ao carinho que emanava de sua aluna, agradeceu:

— Muito obrigada, acho que somente a presença de alguém passando pelo mesmo faz tudo soar como companhia e não como consolo ou pena.

— “E assim prosseguimos, barcos contra a corrente, arrastados incessantemente para o passado...” — Claire citou sabiamente, arrancando um sorriso orgulhoso de sua professora enquanto o coração da mesma apertava-se dentro de seu peito. Realmente, Rachel sempre estivera em seu passado, mas ainda havia chance de tê-la no futuro... Não mais, agora. Quinn limpou uma lágrima que teimara em escorrer de seu rosto e, emocionada, disse:

— Fico feliz que Gatsby tenha lhe marcado, de alguma forma.

— Não somente me marcou como, também, faz muito sentido agora... — A voz de Claire quebrou-se no meio da frase, entretanto, ela não chorou por colocar Christine em algum lugar as suas costas, enquanto caminhava para longe. Ela, firmemente, sufocou as lágrimas e olhou mais uma vez para sua professora, havia uma energia dentro de seus olhos castanhos, uma energia muito familiar a Quinn. — Eu realmente sinto muito, Miss Fabray e espero não ter desrespeitado quem quer que tenha sido importante para a senhora.

Quinn riu roucamente, as lágrimas descendo por seu rosto e surpreendendo Claire. A professora sorria porque pensava que, possivelmente, Charlie adoraria conhecer Claire e, com certeza, estabeleceria a relação de semelhança entre ela e Rachel. Quinn surpreendeu Claire ao abraçá-la apertado, a aluna sorriu nos braços da professora e deixou que algumas de suas próprias lágrimas molhassem a camisa da professora. Quando as duas se afastaram, foi Quinn quem teve forças para limpar as lágrimas da mais nova, a professora sorriu grandemente e sussurrou:

— Ele, provavelmente, teria lhe adorado.

Claire sorriu grande, não um sorriso saudoso de 1000 watts, mas um sorriso simples e compreensivo. Ela se afastou e acenou, caminhando para longe no gramado verde. Quinn, então, voltou seus olhos para o monte de terra enquanto escutava as pessoas afastando-se do local, atrás de si.

A loira não precisava olhar atrás de si porque sentia pares de olhos a observando e ela, pacientemente, esperaria pelo cansaço de cada um deles. Ela esperaria estar só com Charlie para que, finalmente, pudesse dar o devido adeus a ele.

Afinal, fora exatamente em um momento de solidão que Charlie entrara em sua vida e parecia justo deixá-lo ir quando ela, física e emocionalmente, aceitasse o fato de estar sozinha naquele mundo.

***

Diante das confusões ocorridas nos últimos dias, Sam acabou ficando mais um dia no hospital e esse tempo possibilitou que ele pudesse se atualizar sobre os acontecimentos e a briga entre Quinn e Santana no corredor. Saber que Charlie havia sido assassinado foi uma das piores notícias que ele recebera em vida, ainda mais porque ele sabia quais seriam os reflexos daquele fenômeno na vida de Quinn. E perceber quão afastada Quinn estava, não somente dele, como de todos os outros, era assustador. Ele tinha medo que ela voltasse a se perder, como tantas vezes, se perdera. A solidão era a pior inimiga de Quinn... Quando estava tomada por ela, a sua melhor amiga se fechava, se encolhia e se destruía.

Sozinha, Quinn Fabray deixava de viver. E depois de tudo que ela passara para se reerguer naqueles últimos anos... Sam não sabia se queria ver Quinn voltando a ser um mero espectro do que realmente era quando conseguia ser feliz.

Quinn até viera visitá-lo em seu apartamento, mas sempre se manteve apressada e calada, ainda mais quando o assunto tratava-se de Rachel Berry. Ela podia não ter dito em palavras o que acontecera, mas os olhos dela entregaram tudo ou, provavelmente, Sam conhecia a melhor amiga bem demais... Porque, dentro dos olhos opacos e distantes de Quinn, ele enxergou que acontecera exatamente o que ele temia e o que ele, internamente, sabia que ia acontecer.

Rachel havia a deixado para trás.

De certa forma, Sam sentia-se traído por Rachel. Ele precisou sentir uma vergonhosa dor física para voltar a crer nos sentimentos dela para, em menos de uma semana, ser novamente atingido por aquela inconstância emocional característica daquela Rachel do presente. O loiro reavaliava cada ponto da última conversa com Rachel, tentando encontrar nas últimas palavras dela algo que justificassem aquele súbito abandono.

Mas, como sempre, nada veio de suas conclusões a não ser aquilo que ele fielmente acreditava, pelo menos, agora: Rachel amava Quinn.

E mesmo diante daquela verdade, ele não podia deixar de julgar o comportamento dela. Rachel podia amar Quinn, entretanto, nada do que ela possivelmente dissesse justificaria aquele abandono quando a loira mais precisava dela. Muito além do sentimento envolvido, havia ali uma compensação... Quinn reergueu Rachel quando ela voltou a Lima, fez dela menos amarga e novamente doce. Transformou uma atriz fracassada numa mestra talentosa e admirada por seus alunos... Quinn a reconstruiu enquanto desconstruía a si mesma e se reencontrava com seu passado, sem perder seu presente arduamente conquistado.

As duas estavam construindo algo maravilhoso, algo que Sam não cogitava mais se meter... O que se passara na cabeça de Rachel para jogar tudo para cima? O pior é que ninguém próximo a elas parecia ter a resposta para essa pergunta, muitos eram os motivos cogitados, só que a verdade estava protetoramente guardada na mente e, principalmente, entre os pedaços do coração quebrado de Quinn e no silêncio sem respostas de Rachel.

Sam olhou-se no espelho e terminou de dar o nó na gravata preta, vestiu o terno da mesma cor e ajeitou os cabelos, observando seus olhos azuis que, nos últimos dias, refletiam o vazio encontrado também nos olhos de Quinn. A ligação entre eles era especial porque, acima de tudo, vinha da amizade verdadeira e longa que dividiam. Ela seria, para sempre, uma das mulheres mais importantes da sua vida e, também, uma das mais fortes.

O rapaz estava atrasado para o velório, mas ele conhecia Quinn muito bem para saber que o momento em que ela mais precisaria dele era, justamente, quando ficasse sozinha no cemitério. Por isso, ele não quis forçar sua presença a ela, ainda mais naquele momento tão debilitado quando tantas outras pessoas a cercariam. Sam apressou o passo para sair do apartamento quando o telefone vibrou em seu bolso e a campainha tocou, ele apanhou o celular e leu a mensagem enquanto abria a porta, distraído.

O velório do Sr. Thomas é hoje, certo? Você está a caminho ou já está no cemitério? — Santana.

Sam respirou fundo para o conteúdo da mensagem e, principalmente, para o remetente. Mais uma vez, ele estava no meio do fogo cruzado entre as duas. O loiro admitia que todo o conflito entre Quinn e Santana era cansativo, mas, ele era muito ligado as duas para desistir delas... E se ambas duvidavam da amizade agora, ele não duvidava de nenhuma delas.

Porém, ele também era inteligente o bastante para entender o lado de Quinn e por que ela queria Santana distante, ainda mais nesse dia. Na verdade, era mais um bom senso do que compreensão e, Santana Lopez estava longe de ter um bom senso. Por isso, ele suspirou e digitou com uma das mãos.

O velório já está acontecendo e estou indo para lá agora, Quinn só vai fraquejar quando estiver sozinha e eu estarei lá por ela... Você não precisa ir. Melhor, você não DEVE ir. — Sam.

— Você estava concentrado demais para perceber que abriu a porta há uns cinco minutos. — Sam ergueu os olhos da tela do celular logo depois de enviar a mensagem. Seu coração estava batendo de forma selvagem em seu peito quando ele ergueu os olhos azuis para a mulher de cabelos castanhos, parada a sua soleira.

Marley Rose tinha um sorriso pequeno, mas gentil. Os olhos azuis estavam brilhando de forma tímida e, ainda assim, acalentadora. Ela mexeu nos cabelos, envergonhada pela intensidade dos olhos de Sam sobre si. O rapaz, depois de alguns segundos de surpresa, finalmente sorriu. O sorriso de Marley aumentou e ele respondeu:

— Peço desculpas por isso, eu tinha que responder essa mensagem, questão de vida ou morte, mesmo.

— Então, creio eu que tem a ver com as vidas de Santana e Quinn... Certo? — Marley perguntou e o tom de voz preocupado não passou despercebido por Sam. O rapaz mesmo cansado, emocionalmente e fisicamente, de tudo que estava acontecendo, deu um sorriso de lado e acenou a cabeça. A enfermeira deu de ombros e sua expressão formou feições sinceramente preocupadas, o coração de Sam aqueceu-se com o carinho encontrado naqueles olhos azuis e os dois ficaram presos em um silêncio confortável.

Sam, depois de anos vivendo por Mercedes, desejara apenas passar um bom tempo sozinho. Isso até Marley Rose reaparecer em sua vida. Alguma coisa naquela garota o levara de volta para o passado, para quando ele não amargava e nem duvidava das pessoas. Marley, nos poucos dias que esteve no hospital e nos muitos que o visitou, trouxe algo que ele havia perdido desde que Mercedes bagunçara sua vida.

Marley lhe trouxe a fé. Nas pessoas, nos finais felizes e, principalmente, nos sentimentos. Algo nela emanava confiança e segurança, ela parecia ser o tipo de pessoa em que se podia acreditar e, principalmente, Marley parecia ser totalmente o oposto de Mercedes.

A comparação com a outra mulher era inevitável, Sam sabia que não era saudável, até porque eram completamente diferentes... Mas, aquele encantamento que ele tinha por Marley só fora experimentado outra vez, quando conheceu Mercedes a fundo. As duas despertavam sentimentos nele e, essencialmente, a importância que Mercedes tinha em sua vida era, lentamente, tomada por Marley. De forma delicada e gentil, como tudo na morena de olhos azuis.

Os dois, imersos em seus mundos de pensamentos e sentimentos, não escutaram a chegada de um casal a cena. Kurt tinha a expressão pesada ao chegar ao corredor dos apartamentos de Sam e Quinn, mas logo abrandou as feições e deixou a curiosidade lhe tomar quando viu Marley e Sam se olhando na soleira da porta. Karofsky parou no meio do corredor e segurou o parceiro, os dois se olharam e ele perguntou satisfeito:

— Devemos interromper?

Kurt lhe sorriu e deixou um beijo na bochecha de Karofsky, em seguida, caminhou à frente e, próximo ao casal, pigarreou. O sobressalto de ambos fez Kurt rir, mesmo na tristeza do momento que enfrentavam, o decorador disfarçou o sorriso e perguntou curioso:

— Atrapalhamos alguma coisa?

— Não, Kurt... Na verdade, acho que sou eu que estou atrapalhando, certo? — Marley apressou-se a responder afobada, as bochechas coraram em um discreto tom rosado que provocou um aumento no sorriso de Sam. Kurt olhou de esguelha para o amigo e o loiro arqueou a sobrancelha para o sorriso satisfeito que recebeu. Karofsky chegou à cena e, gentil, respondeu:

— Não atrapalha, Marley... Na verdade, acho que seria bom se fosse conosco ao velório. Você estava no hospital quando tudo aconteceu e, além disso, Quinn precisará de Sam e, creio eu, Sam precisará de alguém para lhe dar um suporte caso ele mesmo se perca...

Marley engoliu em seco para a sinceridade absoluta das palavras de Karofsky, Kurt sorria orgulhoso do parceiro e Sam estava tão vermelho quando a enfermeira. Marley, sem reação, apenas acenou com a cabeça e Karofsky sorriu para ela, estendo-lhe o braço de forma cavalheiresca. Ela enganchou-se a ele e os dois caminharam pelo corredor enquanto Sam concentrava-se em trancar a porta, sendo atentamente observado por Kurt. O decorador pigarreou e antes que pudesse dizer algo, Sam grunhiu:

— Sem palavras, Hummel.

Kurt gargalhou alto e suas risadas chamaram a atenção de Marley. Ela virou-se para trás e encontrou Sam olhando bravo para Kurt, claro que ficou preocupada, mas, logo se acalmou quando Sam voltou a olhar para ela e sorriu.

Um sorriso diferente daqueles com os quais ela estava acostumada... Um sorriso que, finalmente, chegou aos olhos dele.

***

As conversas finalmente desapareceram às costas de Quinn, ela pode, finalmente, concentrar-se no silêncio que perpetuou naquele ambiente tão sóbrio e tranqüilizador. No silêncio, escutando o farfalhar das folhas levadas pelo evento, ela deu-se conta de quão sozinha estava. Por mais que tivesse Sam e os outros, ela não tivera uma família durante todo aquele tempo...

O mais próximo que tivera disso desaparecera com a partida de Rachel e a morte de Charlie.

Quinn não tinha mais para onde ir quando se sentisse perdida ou quando quisesse consolo, seu corpo não tinha mais um ambiente terreno que significasse algo celestial, não existiria mais tranqüilidade ou proteção... As pessoas que eram seu lar desapareceram, esvaíram-se entre seus dedos e ela sequer teve a chance de lutar por elas.

Rachel a deixou sem respostas, Charlie foi tirado dela sem despedidas.

Naquele momento, Quinn se deu conta de como precisava de um fechamento... De como precisava saber das razões de Rachel e de como precisava despedir-se verbalmente de Charlie. Quinn precisasse que Rachel a respondesse, assim como precisava que Charlie a aconselhasse, com a voz rouca e sempre sábia.

Quinn precisava de seu amor e de seu mentor de volta.

Sem os dois, ela voltaria a vagar na escuridão de todos aqueles anos em que se perdera... Voltaria a viver, dia após dia, enfiada na amargura de atitudes nunca tomadas e de palavras nunca ditas. Quinn voltaria a ser algo do qual se envergonhara. Ela sabia que retrocederia, era sempre assim quando ela perdia algo importante em sua vida.

Talvez, fosse o destino ou o simples timing de seu melhor amigo, mas ela sentiu a mão pesada de Sam envolver seu ombro direito e puxá-la para cima com a outra. Ela não precisou de muito para, finalmente, ceder agarrada a ele. O rosto de Quinn encontrou o peitoral de Sam e ela se permitiu chorar, protegida naquela fortaleza enorme e quente que sempre a protegia... Mas que, afinal, precisava viver também.

Sam fizera muito por ela e Quinn não queria que ele se esquecesse de viver, ainda mais quando tanto a aconselhara a respeito de Rachel. Se ela não pudesse ser feliz, ele tinha que encontrar a felicidade. E ela se afastara pronta para dizer tudo aquilo a ele, mas não teve como. Porque ele voltou a puxá-la para junto de sua pele e, irritado, rosnou:

— Nem pense em me afastar. Eu estou aqui e estarei, sempre, para você.

As lágrimas de Quinn aumentaram com a compreensão do que ele dizia. Quinn apertou-se ao melhor amigo e agarrou-se a ele como o único ponto de sustentação na tempestade que se instalara na sua vida. Seu corpo finalmente desmanchou a fortaleza que erguera nas enfadonhas horas do velório e enterro e, enfim, desabou.

Quinn tremeu e chorou copiosamente nos braços de Sam, ela até mesmo machucou o rapaz quando suas mãos se fecharam em punhos nas costas fortes de Sam. Mas, era, afinal, a fúria se manifestando. Depois de dias de compreensão e racionalidade, ela deixou que toda a ausência de respostas e o medo se manifestassem, ela permitiu-se sentir como um animal ferido...

Quinn tinha medo do que a aguardava e do que teria que enfrentar. Por mais que quisesse que Sam fosse feliz, tinha medo de que ele a abandonasse... E ainda tinha Santana, sempre um ponto conflituoso e doloroso de sua vida que, aparentemente, nunca se resolvia. Ela sentiu-se inapta e fraca, incapaz de lidar com tudo que pudesse lhe ser jogado na cara, naquela altura de sua vida.

E como a conexão com Sam era intensa, ele sentiu cada dor da amiga ecoando em seus braços. Essas dores o penetraram e ele atuou exatamente como uma armadura, para que ela soubesse que ainda tinha chances naquele campo de batalha sangrento e mortífero... Os dois, imersos em sua redoma de proteção, não escutaram os passos que se aproximaram, mas ouviram a voz tímida que sibilou rouca:

— Eu sei que você não me queria aqui, Quinn... Mas, eu não podia abandoná-la, não de novo. Eu volto a lhe pedir perdão e espero que você, pelo menos, pense sobre isso. Eu sempre tive sua retaguarda, Fabray. Não vai ser agora que eu vou deixar de proteger você.

Sam esperou pela explosão de fúria de Quinn, mas esta não veio. A loira afastou-se dos braços fortes do rapaz e deu um passo para o lado. Seus olhos verdes encontraram olhos escuros que marejavam, Santana estava parada atrás de Sam, as mãos nos bolsos, sem saber muito que fazer.

O silêncio entre as duas amigas era uma coisa nova, assim como o que as duas trocaram nele. Quinn concedeu o tempo e Santana, tão imediatista e impulsiva, o concedeu. A latina acenou com a cabeça, sabendo que, talvez, nunca mais voltasse a ver a amiga... Porém, respeitou-a e lhe deu as costas, as lágrimas finalmente brotaram de seus olhos e apenas Kurt, Karofsky e Marley as enxergaram.

Quinn acompanhou a saída de Santana do cemitério com os olhos, os ombros encolhidos e o caminhar trôpego e inseguro... Claro que, dentro de si, tudo estava uma bagunça e algo pedia pela presença de sua melhor amiga na sua vida. Mas, exatamente como Sam, Santana precisava ser feliz e mesmo que não concordasse com o a latina se propunha a fazer... Ela tentava entender e, por amar demais Santana, permitia que ela lutasse pela própria felicidade ainda que tivesse que perdê-la.

Com Quinn, era exatamente assim. Ela aceitava as perdas em sua vida desde que as pessoas seguissem melhor sem ela. Fora exatamente isso, essa justificativa irracional e íntegra, que a fizera deixar Rachel ir e que, agora, libertava Santana.

Porém, Quinn não sabia que Santana não aceitava uma vida em que fosse feliz e não soubesse dela. A loira não imaginava que, para Santana, aquele era justamente um tempo que, exatamente como uma pena, seria cumprido e que, no futuro, Santana seria liberta para, tentar, de novo, fazer o certo.

E ela tentaria! Porque, se tinha algo que as duas eram e dividiam muito bem, era a teimosia. Santana insistiria até Quinn se cansar ou expulsá-la de verdade da sua vida.

Quando Santana desapareceu de seu campo de vista, Quinn voltou os olhos para o trio que a observava e para o seu melhor amigo que a abraçava de lado. As lágrimas voltaram a cegá-las e ela, com a voz quebrando-se em sussurros, disse:

— Obrigada, de verdade... Muito obrigada por não me abandonarem.

Sam deixou que uma lágrima escorresse por sua face, apertou à amiga junto a si e beijou-lhe a têmpora. Kurt sorriu triste e aproximou-se efusivo para lhe dar um abraço. Karofsky e Marley ficaram observando Sam e Kurt abraçados a Quinn, discretos e calados. Porém, quando Quinn encontrou o olhar dos dois que ficaram de fora do abraço, entendeu que, exatamente como Sam e Kurt, eles não a largariam. Jamais.

***

New York.

A vida realmente era irônica. Quinn olhava incrédula para o chumaço de passagens de avião que tinha em mãos. O destinatário delas era claro e incontestável. As Nationals seriam na cidade que ela amaldiçoara. A professora respirou fundo e entrou na sala do Glee, deparando-se com uma série de olhares ansiosos de seus alunos. Tentanto recompor-se da melhor forma, Quinn disse nervosa:

— Bom dia a todos, algum de vocês sabia que a competição seria em New York?

— Todos nós sabíamos e bem... Ninguém se importou em lhe dizer já que pensamos que Miss Berry poderia ter falado com a senhora antes de ir embora. — Arthur respondeu desconfortável, coçando a nuca, desajeitado e olhando para os outros colegas em busca de apoio. Todos eles acenaram com a cabeça, até mesmo Claire que andava cabisbaixa pelos corredores do McKinley. Quinn suspirou e massageou a testa com a ponta dos dedos, depois, distribuiu as passagens enquanto dizia:

— Bem, o Diretor Schuester conseguiu passagens de avião para todos nós. A data e o horário do embarque encontram-se impressos e eu quero que vocês cheguem pelo menos uma hora do check-in. Como sabem, ficaremos a sexta e o final de semana na cidade já que a competição é no sábado. Portanto, organizem a bagagem de vocês para três dias.

Os alunos concordaram e Quinn permitiu-se observar os sorrisos animados, deixando que eles contagiassem a sua alma e adocicassem a amargura de seu coração. Porém, um par de olhos castanhos praticamente a fuzilava. Quinn ergueu os olhos e encontrou Claire a observando, ela não parecia em nada com a garota que fora lhe apoiar no velório de Charlie. A conexão entre elas não se fez presente e ela foi pega de surpresa quando Claire levantou-se e, no meio da balbúrdia de conversas, disse:

— Miss Fabray, temo que não poderei apresentar o nosso solo na competição.

— O que você está dizendo, Claire? — Quinn disparou irritada, aproximando-se a passos largos e assustadores da aluna, lembrando muito a head cheerio assustadora que percorreu os corredores do McKinley há alguns anos. Claire encolheu-se em sua cadeira e voltou a se sentar enquanto os olhos se calavam e olhavam entre si, surpresos. — Você vai competir e não pode deixar que um assunto de fora interfira na sua performance. Isso não é o que Miss Berry ia querer!

— Pouco me importa o que Miss Berry pensa! — Claire respondeu friamente, olhando intensa para a professora, Quinn vacilou e respirou fundo, tentando retomar a calma. Sussurros tomaram a sala de Glee, afinal, era a primeira vez que Claire não idolatrava Rachel Berry e todos se perguntavam o que acontecera para essa súbita mudança de sentimento. Christine, do outro lado da sala, suspirou. — Essa decisão não tem nada a ver com meus sentimentos ou com minhas emoções. Eu vou fazer uma audição para Julliard enquanto estivermos em New York e preciso preservar minha voz! “On My Own” exige muito de mim e, por mais que eu acredite que possa performar duas vezes e manter a qualidade, eu preciso pensar no meu futuro e, principalmente, preciso me concentrar naquilo que me é certo! Ganhar uma competição de corais não me fará entrar na faculdade, uma audição bem feita, sim.

Quinn olhou para a sua aluna em um misto de pena e compreensão. Pena porque enxergava nela a mesma obstinação cega que, um dia, decepcionou Rachel Berry e a tornou amarga. E compreensão porque, ainda que não concordasse, ela entendia a ânsia de Claire de alcançar algo, de lutar pelos sonhos já que não podia ter a realidade...

A sala do Glee voltou à balbúrdia, muitos apontavam e xingavam Claire, mas ela permanecia estoica e séria, firme em sua decisão. Arthur começava a argumentar com ela quando Christine colocou-se em pé, tão furiosa que até mesmo derrubara a cadeira em que estava sentada. Claire não teve medo e olhou firmemente para a ex-cheerio, Christine aproximou-se dela e vociferou:

— Agora é assim? Você vai deixar seu egoísmo falar mais alto? Você sabe que nós precisamos do seu solo para vencer!

— E o que você fez quando o seu egoísmo resolveu falar mais alto, Christine? Vocês não precisam de mim, nunca precisaram quando me ofenderam pelas costas ou quando deixaram de me defender nos corredores... — Claire não escondeu a amargura em sua voz. Os outros, acostumados com a sua gentileza, assustaram-se com o tom frio e distante. Richard tentou se aproximar dela, mas Claire o afastou com um gesto, ela sorriu sarcástica, os olhos brilhavam e Quinn sabia que, logo após a discussão, ela sairia correndo porque realmente precisaria chorar. Quinn já vira aquele comportamento mais de uma vez naquela mesma sala. — Se essa competição é tão importante para você, faça o solo, Christine!

A expressão de Christine contorceu-se em raiva, ela aproximou-se de Claire, mas Arthur entrou protetoramente na frente e fez final para que ela se afastasse. Christine recuou e Claire, finalmente, cedeu às lágrimas e correu para fora da sala. Todos observaram a dramaticidade da cena, mas nada disseram. Christine, então, apertou as mãos em punhos e, virando-se para Quinn, disse:

— Pois bem, Miss Fabray... O solo é meu.

Em New York, Rachel desfazia suas malas da forma mais lenta possível. De certa forma, mantê-las feitas ainda a aproximava do lugar em que ela queria estar e a afastava do local onde, de fato, ela estava. A morena retirou uma de suas blusas e surpreendeu-se com o que foi revelado embaixo dela.

Seus dedos trêmulos tocaram a capa dura e gasta do livro, Rachel contornou as letras do título entre suspiros e, quando terminou, tinha lágrimas em seus olhos. Seu coração apertou-se dentro de seu peito, sua respiração perdeu-se entre seus suspiros pesados e a própria ausência de ar. A morena sentiu-se subitamente sufocada enquanto a única coisa que ecoava em sua mente eram as palavras de uma música, de um solo que refletia a sua realidade e que traziam Quinn de volta para ela, da pior forma.

“I love her, but when the night is over... She is gone. The river’s just a river. Without her, the world around me changes. The trees are bare and everywhere the streets are full of strangers... I love her, but everyday I’m learning all my life I’ve only been pretending! Without me, her world will go on turning...”

Era isso.

Quinn teria o coração consertado por outra pessoa e, depois das escolhas equivocadas que tomara, Rachel viveria um mundo de mentira. Naquele momento, a verdade a atingiu.

Ela já não era mais Rachel Barbra Berry, a menina de Ohio que sonhara com a Broadway e com o Tony... Ela era Rachel Berry, garota de sonhos fracassados cuja única definição para a sua vida era amar, intensamente, Quinn Fabray.

A conclusão daqueles pensamentos a fez chorar ainda mais do que antes. Estava no lugar errado, sozinha e, principalmente, sem Quinn. Seus sonhos não estavam mais em New York e sim, abandonados por ela mesma, em Lima. E, pior, talvez... Seu sonho, a sua pessoa, nunca mais a quisesse de volta.

Desesperada, Rachel correu atrás de seu celular e discou, impulsivamente, um número que ela tinha certeza que jamais esqueceria. Foram três toques na linha até que, finalmente, alguém atendesse.

Alô?— A voz rouca parecia preocupada. Rachel engoliu em seco, as palavras desapareceram da sua garganta e ela levou a mão esquerda à boca, tentando aprisionar o seu choro. O silêncio fez a pessoa do outro lado da linha afastar o telefone, Rachel percebeu porque os sons do ambiente se tornaram ainda mais altos. Quando Quinn voltou à linha, ela suspirou cansada. — Rachel, é você?

Rachel, assustada e incapaz de segurar seu choro, pela vergonha e pelo medo, desligou o celular. Ao mesmo tempo, pareceu que algo ligou dentro dela. A certeza tornou-se mais evidente e ela repetiu para si mesma:

Só era o que estava destinada a ser quando amava Quinn Fabray.

A morena encolheu-se na cama e chorou até que o sono chegasse.

Em Lima, Quinn segurava o celular, a linha ficara subitamente muda e ela encarava o corredor, segurando as lágrimas. Seu coração reclamou e sua mente amaldiçoou a sua insistência. Quinn, mais uma vez, deu voz ao seu coração e, chorosa, sussurrou para a linha muda:

— Eu também sinto sua falta, Rach.

Notas finais
Bem, eu disse no Twitter que achava que esse capítulo estava muito bom, vocês concordam comigo? :X Na realidade, acho que foi um dos melhores até agora Hahahahaha Bem, comentem e me dêem o feedback! No mais, nos vemos na próxima, beijos! (@RedfieldFer)