Signal Fire
4 Guardiã
Notas iniciais
Como vai a vida de vocês? Espero que bem!
Então, aqui estou eu com mais um capítulo de "Signal Fire". Esse é mais um flashback.
Sei que talvez, possa ficar cansativo, mas prometo que esse é um dos últimos capítulos desse tipo. Também sei que vocês devem estar curiosos para saber o que vai acontecer entre elas no futuro... Mas eu preciso deixar bem claro o que aconteceu com elas no início da amizade.
Esse capítulo é levemente inspirado no episódio 3x08, mas claro que tem a minha visão da história e eu espero que gostem.
Boa leitura!
Seletivas 2012 – Colégio McKinley High, Lima, Ohio.
Ao contrário do que Rachel presumira quando ela e Quinn trocaram aquelas palavras na sala do coral, as duas não eram amigas de fato. Claro que a relação entre ela e a ex-cheerio tinha dado um avanço considerável... Os olhares não eram mais de repúdio e ás vezes, as duas até trocavam sorrisos amigáveis pelos corredores do McKinley High.
Mas conforme os dias iam passando, cada uma teve os próprios problemas para lidar e, inevitavelmente, a distância entre suas personalidades e suas preocupações tornou a afastá-las. Rachel passou a carregar uma expressão preocupada e também, passou a observar os passos de Quinn numa espécie de guardiã silenciosa.
E ela também não precisou observar muito para entender que Quinn estava com problemas, ela só não intervinha porque não se achava no direito e também, porque Finn decidira reconquistá-la e estava tomando boa parte do seu tempo esconder-se dele pelos corredores.
– Rachel! – A morena teve suas divagações interrompidas por uma voz grave e masculina que ela sabia muito bem de quem era. Rachel revirou os olhos e virou-se derrotada para Finn Hudson que vinha atravessando o corredor com um sorriso gentil que em nada lembrava o garoto que a perseguia nos últimos dias.
– O que você quer, Finn?
– Eu queria uma segunda chance... – Finn murmurou sincero e com aquele sorriso torto arrependido que fez o coração de Rachel sair do lugar, até que a mente dela resolveu intervir e ela sufocou aquela sensação. – Mas como eu sei que você não quer escutar isso, então, quer fazer a tarefa do Glee comigo?
Mr. Schue pedira para que eles organizassem um dueto qualquer naquela semana, estavam todos desanimados demais com as deserções de Santana, Brittany e Mercedes para as Troubletones e cansados por causa das apresentações de “West Side Story”. O professor então, só queria que eles distraíssem um pouco.
– Acho que não, Finn... Eu vou fazer com Artie e talvez, até com Puck. – Rachel murmurou distraída ao parar na frente de seu armário e guardar alguns dos seus livros. Finn fez uma careta inconformada, ele ainda a observava quando ela fechou a porta do armário e Rachel teve uma vontade enorme de jogar seus livros nele. O rapaz, no entanto, sorriu vitorioso e murmurou:
– Claro que não, Rach. Artie está gripado e Puck não está disponível, ele vai acabar fazendo o dueto com Quinn. Isso é, se ela permitir.
A menção do nome de Quinn na conversa fez com que todos os sentidos de Rachel elevassem a percepção. Ela virou-se abruptamente para Finn e chegou até a assustá-lo. Rachel encarou o rapaz, ansiosa por uma resposta, perguntou incisiva:
– O que você quer dizer com isso?
– Quinn está surtando por causa da Beth e da Shelby, Rach... Achei que vocês duas fossem amiguinhas o bastante para ela se abrir com você. – Finn murmurou venenoso e no mesmo instante, seu sorriso mudou para um cinismo que enojava Rachel. A morena bufou impaciente e saiu caminhando a passos rápidos pelo corredor, sem dar chance para que Finn pudesse, sequer, pensar em acompanhá-la.
– Quinn, você está maluca! Eu não vou concordar com isso! – Puck exclamou assustado, ele estava tentando lidar com as palavras que acabara de ouvir. Quinn, realmente estava insistindo na idéia de ter Beth de volta? – Nós não vamos tirar Beth de Shelby!
– E por que não? Ela é nossa, afinal! – Quinn gritava como um animal ferido, os olhos amendoados tinham aquele brilho sádico e irracional nos olhos, Puck sentou-se na mesa da sala e olhou decepcionado para a loira. Quinn o encarou de volta, sem medo e com uma expressão obstinada que em muito lembrava a HBIC Quinn Fabray. O rapaz agitou a cabeça, tentando entender onde Quinn se perdera.
– Ela foi nossa, Quinn... Foi você mesma quem quis entregá-la para adoção!
– Eu sou a mãe biológica, eu a carreguei por 9 meses, Puckerman! Você sequer sabe como eu estou me sentindo, então não venha me dizer que a culpa é minha! – Quinn tornou a responder, mas dessa vez, ela estava fria e ameaçadora, soando como uma verdadeira psicopata. Puck aproximou-se a passos pesados e com um olhar furioso, ele segurou os dois braços de Quinn e disparou:
– A culpa não é sua, Quinn... A culpa é nossa! Nós já fizemos isso, já entregamos Beth para Shelby. Não podemos voltar atrás e pegá-la de volta!
– Nós podemos, somos os pais biológicos e eu vou ter a minha filha de volta! – Quinn gritou na face de Puck e o rapaz encolheu os braços, acuado pela presença esmagadora da loira na sala. Quinn respirou fundo e se recompôs. – Beth foi a única certa e a única coisa perfeita que eu fiz em toda a minha vida... Eu não vou deixá-la ir embora, não de novo.
Puck olhou mais calmo para Quinn e pode ler, nos mesmos olhos amendoados que há pouco tinham lhe parecidos loucos e incontroláveis, a fragilidade da loira e o medo dela em ficar sozinha. O rapaz aproximou-se dela novamente e dessa vez, estava calmo. Puck envolveu-a em um abraço e beijou-lhe o topo da cabeça, sentiu as mãos de Quinn apertarem sua cintura e as lágrimas dela molharem sua camisa. Ele respirou fundo e murmurou:
– Beth não é a única coisa perfeita que você tem, Q...
– Cite outras, então. – Quinn ordenou, novamente estava na defensiva, com aqueles olhos ardendo em fúria e irritação. Puck engoliu em seco, ele dissera aquilo sem pensar e agora, estava em um beco sem saída. Quinn olhou decepcionada para ele e incrédula, Puck abriu a boca para dizer algo, mas Quinn o calou com o olhar gélido. – Só me deixe sozinha, Puckerman... Se você não quer me ajudar, não me atrapalhe.
Puck saiu da sala, cabisbaixo e se surpreendeu quando encontrou Rachel Berry próxima a porta com um olhar preocupado. O rapaz aproximou-se dela com um sorriso triste no rosto e murmurou:
– Não é como se ela fosse sair por aí pedindo ajuda, não é princesa judia?
Rachel engoliu em seco enquanto observava a sinceridade nos olhos de Puck, ele estava preocupado com Quinn, mas não sabia como ajudá-la. A morena respirou fundo e observou a porta até que o sino para a próxima aula tocou e Quinn saiu da sala de aula vazia com aquela mesma posição defensiva e fragilizada, os olhos dela não enxergaram Rachel Berry e a morena suspirou, dando-se conta que não era a única com problemas por ali.
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Rachel não sabia como chegar a Quinn e conversar, além do mais, a própria Quinn parecia estar distante de todos no Glee. Só agora a morena percebia que a loira estava perdida há 3 anos e ninguém erguera um dedo para ajudá-la. Todos sabiam o que tinha acontecido com Quinn, mas ninguém parecia ser tão forte quanto ela para oferecer ajuda. Rachel seria aquela pessoa. Nem se lhe custasse a perda daquela relação saudável, Rachel não deixaria Quinn desaparecer de novo.
Estava na hora de alguém se mexer, de alguém fazer algo por Quinn antes que as atitudes dela transbordassem e ela acabasse ferindo alguém. As decisões foram tomadas antes mesmo de Rachel esperá-las, quando deu por si, já tinha a canção e tinha a apresentação para a tarefa daquela semana no Glee.
Rachel ensaiou exaustivamente para a tarefa, animada pelo que Quinn fizera por ela quando Finn quis agir como um idiota. Era o mínimo que poderia fazer por Quinn depois que a loira conversara com ela e a protegera no corredor. As duas podiam ser amigas e Rachel estava disposta a conquistar a amizade dela, por bem ou por mal.
Então, na manhã seguinte a discussão de Puck e Quinn, Rachel chegou mais cedo ao Glee e estava visivelmente nervosa. A morena batucava os dedos sobre as pernas cruzadas e respirava rapidamente. Rachel viu quando Quinn entrou com o olhar distante e a expressão entediada, mas também podia ver, dentro dos olhos amendoados, que ela estava pedindo mudamente um pouco de ajuda.
– Muito bem, senhores e senhoritas... O que temos para hoje? – Mr. Schue perguntou com sua tradicional expressão animada que jamais alcançava seus alunos. Ainda mais agora que todos estavam cabisbaixos demais por terem que enfrentar um grupo rival que tinha Mercedes, Santana e Brittany. Os gleeks se entreolharam e Finn estava prestes a erguer a mão no ar quando Rachel se colocou em pé e disse:
– Eu tenho algo preparado, Mr. Schue... Mas como todos já tinham uma dupla e Artie está doente, eu farei a apresentação sozinha. Posso?
– Claro, antes alguém se apresentando do que ninguém... – Mr. Schue murmurou com um sorriso triste. Ele, mais do que ninguém, estava sentindo aquela separação entre seus alunos, se ele pudesse voltar, seria diferente. – O palco é seu, Rachel.
Rachel deu aquele seu sorriso de 1000 watts e acenou agradecida. Ela virou-se para os seus companheiros de grupo e inevitavelmente, seus olhos se encontraram com os olhos de Quinn. A morena pigarreou e olhou para suas mãos que tremiam, ela nunca tinha se sentido tão nervosa, antes de uma apresentação, nem mesmo quando cantara um dueto com a ex-cheerio.
Rachel fez sinal para que Puck se aproximasse e murmurou o que cantaria e por quê cantaria para ele. O rapaz sorriu compreensivo e deu um beijo no rosto da diva, Rachel corou enquanto Finn a fuzilava. Quando Puck apanhou o violão, ela virou-se para o grupo e disse envergonhada:
– Essa música é para uma pessoa que bem... Está se sentindo sozinha e precisa de ajuda. Eu só quero que ela saiba que, se precisar de alguém, serei eu que estarei lá por ela.
Mesmo diante do olhar impassível de Quinn, Rachel pode perceber que os olhos dela lampejaram compreensão ao fim de suas palavras. Quinn sabia que a música era pra ela e só isso bastava para Rachel. Porque a música falaria por ela. A morena esperou a introdução de Puck e quando ela começou a cantar, Quinn sentiu seu coração encher-se por um sentindo novo: não estava sozinha naquela bagunça.
If you hear a voice in the middle of the night
Say, and it will be all right, it will be me
If you feel a hand guiding you along
When the path seems wrong, it will be me
Rachel não ousou abrir os olhos, ela apenas se concentrou na melodia e na letra da música... Estava colocando todos seus sentimentos ali, estava oferecendo uma amizade para Quinn e se o olhar da loira trouxesse frieza e desprezo, Rachel não sabia se conseguiria terminar a música.
There is no mountain that I can't climb
For you I'd swim through the rivers of time
As you go your way, and I go mine
Our light will shine, and it will be me
Quinn estava segurando as bordas da cadeira com tanta força, que a ponta dos seus dedos estavam ainda mais brancas. A loira segurava as lágrimas enquanto mordia o lábio. Ela podia ver que todos estavam confusos ali no Glee. Mas ela pouco ligava, porque ela também não entendia o que estava acontecendo ali, só sabia que, aquilo, de alguma forma, era para ela.
If there is a key that goes to your heart
A special heart, it will be me
If you need a friend, call out to the wind
To hold you again, it will be me
Quando Rachel abriu os olhos, Quinn foi invadida por toda a sinceridade das palavras que ela cantava. A morena queria ser sua amiga, queria protegê-la... Rachel Berry estava oferecendo algo que Quinn Fabray nunca teve a oportunidade de ter: Rachel estava oferecendo a verdade, a amizade e a sinceridade.
Oh, how the world seem so unfair
Creating a love that cannot be shared
As you go your way, and I go mine
Our light will shine, and it will be me
Rachel olhava fixamente para Quinn e finalmente, os demais gleeks e Mr. Schue entenderam o que se passava ali. Mas não deixaram de ficar confusos em relação a isso: desde quando Rachel Berry e Quinn Fabray podiam ser amigas? Rachel continuou a olhar intensa para Quinn, a loira baixou a cabeça e a morena pode ver algumas lágrimas escorrendo timidamente pela expressão de gelo de Quinn.
I steal ever after,
There's a place for two
Hear the old tears of laughter,
I'll be there for you
Rachel olhou para Puck que fez um aceno, a morena sorriu e aproximou-se timidamente de Quinn. Ficou alguns metros distante da loira, Quinn ergueu os olhos, mas continuava séria, por mais que as lágrimas caíssem... As duas se olharam e a mesma sensação invadiu ambas: um porto seguro, uma calmaria em meio a ressaca. Ainda de olhos em Quinn, Rachel respirou fundo e cantou:
In the sun and the moon
In the land and the sea
Look all around you
It will be me
Quinn levantou-se com intuito de sair correndo dali, a sinceridade e a intensidade de Rachel Berry a assustava. Ela não conseguia lidar com alguém tão forte próximo a si, ainda mais agora que se sentia tão debilitada por causa de Beth. Quinn tentou passar por Rachel, mas a morena postou-se a sua frente, a ex-cheerio nem teve forças para empurrá-la quando Rachel cantou:
There is no mountain that I can't climb
For you I'd swim through the rivers of time
As you go your way, and I go mine
Our light will shine, and it will be me
Quinn explodiu em lágrimas ao mesmo tempo em que reuniu forças para empurrar Rachel e sair caminhando rapidamente para fora da sala. A morena olhou os ombros caídos da loira saírem pela sala enquanto murmurava mais para si do que para os outros:
It will be me, it will be me...
Depois disso, a própria Rachel saiu da sala... Deixando os aplausos para trás pela primeira vez em sua vida antes de ir atrás de Quinn.
Quinn só queria sair correndo dali, ela precisava se proteger, ela precisava esconder a sua fragilidade... E não conseguiria fazer aquilo se tivesse Rachel Berry na sua frente. De uma forma desconhecida e nova, Rachel conseguia ler Quinn. Ler de tal forma que colocava os piores defeitos e as maiores fraquezas da loira a vista de todos.
E Quinn se sentiu fraca, carente, amedrontada... E ela realmente precisava de alguém mais forte e mais corajoso que Puck para lidar com ela. Claro que em seus momentos de loucura por causa de Beth e Shelby, ela não conhecia ver um palmo de racionalidade, mas Rachel parecia forçá-la a encarar a realidade dos fatos.
Rachel fazia Quinn querer ser um pouco melhor.
A loira continuou a correr, até que parou nas portas de entrada da escola. Ela sentou-se nos degraus da escada e respirou fundo, tentando se acalmar. Porém, antes mesmo que pudesse levantar-se, uma figura pequena se materializou ao seu lado. Quinn levantou os olhos, mas sabia muito bem quem era. O cheiro de baunilha era inconfundível...
– Quinn, me desculpe... Eu deveria ter dito antes que cantaria para você. – Rachel nem sequer deu-se um tempo para respirar, ainda ofegante, ela disparou as palavras em direção a Quinn. As duas se olhavam com uma energia quase que incandescente. Rachel engoliu em seco. – Eu mexi nos seus sentimentos sem seu consentimento, me desculpe.
– Quem você pensa que é, Berry? – Quinn rosnou e ela soava, mais uma vez, como um animal ferido. Quase que imediatamente, os olhos amendoados foram invadidos por uma energia fria que fez Rachel recuar um passo. A loira estava, mais uma vez, fechando-se em sua bolha. – Você acha que a música é capaz de mudar uma vida? Você acha que pode sair por aí oferecendo sua amizade? Melhor... Você acha que é minha amiga para me oferecer apoio?
– Eu posso não ser sua amiga, Fabray... – Rachel teve dificuldade para proferir essas palavras, elas lhe cortaram o coração. A morena trouxe uma energia corajosa para os olhos castanhos e Quinn arqueou a sobrancelha. – Mas eu estou fazendo o mesmo que você fez por mim naquele dia.
– Nós não somos amigas, Berry. Isso não te dá o direito de entrar nos meus sentimentos... Você não sabe como eu estou me sentindo. – Quinn tornou a argumentar e dessa vez, ela estava frustrada. Porque um lado de si queria, de bom grado, aquele apoio que Rachel lhe oferecia enquanto o lado orgulhoso lhe dizia que ninguém entenderia o que ela passava, que a sua dor era a maior do mundo. Rachel aproximou-se de Quinn e segurou a mão dela enquanto disparava:
– Se tem alguém que pode entender o que você passa agora, esse alguém sou eu. Nós não somos muito diferentes uma da outra e eu não sou muito diferente de Beth.
– Você não é igual a ela e nem nunca vai ser! – Quinn gritou desesperada, as lágrimas escorreram sem vergonha pela face pálida. Rachel recuou diante da posição predadora da loira, ela se aproximou de Rachel e os olhos estavam vermelhos, de fúria. – Isso é justamente o que eu quero evitar aqui... Eu não quero que a minha filha seja tão perdida e desajustada como você, Berry!
As palavras atingiram Rachel com a força equivalente ao tapa proferido por Quinn no Baile do ano passado. A morena sufocou as lágrimas com um suspiro pesado e baixou os olhos, visivelmente magoada e perdida. Quinn sentiu seu coração apertar e teve que conter a vontade que tinha de pedir desculpas... Esperou pacientemente que Rachel falasse alguma coisa, mas ela ficou calada por pelo menos cinco minutos.
Rachel remoia as palavras dentro de si, de todos os apelidos e humilhações que recebera, aquele tinha sido o pior golpe que recebera de Quinn. A morena limpou, delicadamente, uma lágrima que escorreu de seus olhos. Depois, ergueu os orbes castanhos para Quinn e a loira notou que eles estavam vazios. Quinn engoliu em seco enquanto Rachel dizia amargurada:
– Eu vou estar aqui, quando você estiver pronta.
Depois, a morena encolheu os ombros e saiu caminhando lentamente dali, com a bolsa nos ombros e abraçada aos livros como se eles fossem salvar sua vida. Rachel não deixou Quinn ver suas lágrimas, só começou a chorar abertamente quando alcançou o portão de entrada do McKinley High.
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Os dias seguintes a discussão com Quinn fizeram Rachel tomar uma decisão até inesperada para uma pessoa tão insistente como ela: a partir daquele momento, daria valor a quem estava sempre com ela e uma das pessoas que sempre estava ao seu lado era Kurt.
Diante disso, a morena começou o seu processo de reaproximação de Kurt, depois da pequena discussão e do afastamento motivado pela inscrição de Rachel na eleição para presidência da turma, Rachel voltou atrás. Saiu da disputa e agora, era uma das fiéis apoiadoras da campanha do Hummel.
– Ainda acho que devíamos investir na questão do bullying no seu último debate. – Rachel anunciou entusiasmada enquanto remexia em alguns papéis que eram suas anotações a respeito do desempenho de Kurt nos discursos e debates. O rapaz olhava para ele entediado, ele tinha pensado em mudar o seu foco. – Você é o único que tem feito a diferença na campanha.
– Ah claro... Com Brittany falando sobre topless e o capitão de hockey sugerindo a demissão de todos os professores. – Kurt exclamou indignado enquanto se levantava de sua cama e andava de um lado para o outro no quarto, ele passou a mão na testa tentando aliviar a enxaqueca que estava lhe incomodando. Rachel encolheu os ombros e murmurou:
– Mas você é diferente deles, Kurt... Não deixe que eles te façam mudar.
– Eu sou diferente mesmo, Rachel. – Kurt retrucou frio e estressado, a morena arregalou os olhos para ele e mordeu o lábio, visivelmente nervosa e com medo da reação do amigo. Kurt virou-se para ela e ele parecia muito ofendido. – Afinal, eu sou o defensor dos nerds e excluídos do McKinley enquanto os outros dois representam os atletas e as cheerios. E eu também sou gay, membro do Glee Club e sofro bullying todo dia. Realmente, eu sou bem diferente deles e não preciso mudar, até porque, eu já ganhei essa eleição... Não é?
– Você sabe muito bem que eu não quis dizer isso, Kurt. – Rachel disse séria e agora, ela estava ofendida. Kurt revirou os olhos para ela e escondeu um sorriso irônico. – Eu quis dizer que você é único e que não devia deixar um bando de sem cérebros mudar o que você pensa e o que você acha certo. Você acredita nessa campanha e deveria segui-la até o fim. Ela trata do que você é e do que você acredita.
– Mas não é o que a maioria quer! – Kurt explodiu inconformado e sentando-se na cama, escondendo o rosto que já estava banhado em lágrimas. O coração de Rachel apertou-se dentro de seu peito, era a segunda vez que via uma pessoa da qual se importava chorar na sua frente. Sentia-se impotente.
Ela tocou o ombro do amigo levemente, mas Kurt se afastou dela com rudeza. Rachel olhou tristonha para ele e suspirou pesadamente. Ela estava cansada de magoar as pessoas com suas palavras impensadas. A morena levantou-se dali e apanhou a bolsa em cima da cômoda, estava quase saindo quando ouviu passos na escada e Finn aterrissou com um sorriso convencido no quarto do irmão.
– Já está indo, Rachel? – Finn perguntou com aquele sorriso torto que antes, fazia Rachel sorrir de volta. A morena tentou desviar do corpo enorme do quaterback, mas não conseguiu. Olhou por cima do ombro e viu quando Kurt tornou a erguer os olhos vermelhos. Rachel pigarreou e respondeu sentida:
– Acho que sim, Kurt parece ter terminado o que queria comigo hoje.
– Como se estivesse muita coisa para nós fazermos... Vamos perder, de qualquer forma. Só uma manipulação de votos pode nos salvar. – Kurt respondeu mal-humorado e repleto de amargura. As palavras dele pareceram acender uma faísca dentro de Rachel, será que uma manipulação seria o bastante? A morena chacoalhou a cabeça, tirando aqueles pensamentos de si.
– Não fique assim, Kurt... Você sabe que ainda dá tempo de virarmos a mesa. – Finn disse realmente preocupado, surpreendendo até Rachel. O quaterback finalmente saiu da frente de Rachel e foi se sentar ao lado do meio-irmão, Rachel sorriu quando ele abraçou Kurt nos ombros. – Rach, por que não janta conosco?
– Se estivesse aqui há 10 minutos... Saberia que eu não posso. – Rachel respondeu ácida, referindo-se a pequena discussão com Kurt antes de Finn chegar. O quaterback olhou do irmão para a diva e notou que Kurt parecia envergonhado, ele tinha baixado os olhos e agora, brincava com os pés. Rachel subiu as escadas e acenou para os dois antes de desaparecer.
Enquanto saía da casa dos Hummel / Hudson, ela sentiu algumas lágrimas caírem dolorosas pelo seu rosto. Ela não ia perder outro amigo naquela semana, ela precisava fazer algo por Kurt e dessa vez, faria qualquer coisa para ver o sorriso no rosto do amigo de novo.
Na manhã seguinte, Kurt e Rachel não se olharam durante as aulas. Mas a morena estava fazendo muito por ele debaixo dos panos. Rachel conseguiu entrar na coordenação durante o almoço e apanhou uma das cédulas de votação.
Ao chegar em casa depois de mais um dia cansativo de aulas, ela copiou mais 200 cédulas. De acordo com seus cálculos, aquele seria o número de votos necessários para que Kurt vencesse Brittany nas eleições.
A morena respirou fundo e encarou a pilha de papel a sua frente, minutos depois, colocou-se a marcar o nome de Kurt Hummel em todas elas. Aquilo durou a noite inteira e ninguém perguntou, na manhã seguinte, por que ela tinha olheiras roxas embaixo dos olhos castanhos.
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Rachel e os demais gleeks estavam na sala do coral decidindo o que poderiam fazer contra as Troubletones quando o Diretor Figgins entrou e pediu a presença de Kurt em sua sala. A eleição já tinha acontecido e o primeiro pensamento de Rachel foi que seu plano tinha dado certo e o seu amigo tinha vencido.
Mas em seguida, o terror de ser descoberta passou em seus olhos. Ela respirou com dificuldade e sua mente vagou para longe da voz de Mr. Schue que agora, falava a respeito de uma performance qualquer. Instintivamente, os olhares de Quinn e Rachel se encontravam.
A ex-cheerio tinha uma expressão confusa no rosto. Ela sabia que tinha alguma coisa com Rachel, afinal, ela estava quieta. Quinn arqueou a sobrancelha e continuou a observar todas as atitudes da morena, ela parecia fora de si e alheia a qualquer coisa que estava acontecendo naquela sala.
Mas Quinn tinha coisas demais na cabeça para se preocupar e naquele momento, Rachel era uma das últimas em sua lista.
Rachel não conseguiu se concentrar mais na atividade do Glee naquele dia, o que deu a Finn a oportunidade para se aproximar dela e fazer par em um dueto. O quaterback comentava suas sugestões, animado, mas Rachel apenas concordava com a cabeça, alheia a tudo que acontecia a sua volta.
– Muito bem pessoal, acho que terminamos por hoje! – Mr. Schue anunciou satisfeito ao perceber que seu grupo estava um pouco mais animado com a tarefa. Todos se levantaram, menos Rachel e Finn que permaneceram sentados. O quaterback olhava preocupado para ela naquele momento. – Blaine, avise o Kurt sobre a proposta, tudo bem?
Blaine acenou e acompanhou Mercedes para fora da sala. Finn continuou a olhar preocupado para Rachel e sequer percebeu que Mr. Schue também tinha saído. Quinn passou pelos dois e mais uma vez, seus olhos amendoados encontraram os castanhos de Rachel. Rapidamente, a ex-cheerio desviou o olhar e puxou Puck pelo braço. Rachel saiu de seus devaneios quando a viu e olhou assustada para Finn, o quaterback pigarreou e perguntou preocupado:
– O que aconteceu, Rachel?
– Fui eu. – Rachel disse rapidamente e em seguida, ofegando. A morena levantou-se e começou a andar de um lado para o outro na sala do coral. Finn não entendeu absolutamente nada e continuou a olhar com aquela mesma expressão confusa de sempre. Rachel colocou a mão sobre o peito e suspirou. – Fui eu.
– Você o quê, Rachel? – Finn perguntou impaciente e relativamente grosseiro, o tom de voz dele pareceu tirar Rachel de sua bolha, pois a diva parou de caminhar e olhou assustada para ele, como se o visse só agora. Rachel abriu a boca para falar, mas as palavras não saíram. Finn deu um sorriso amistoso e aproximou-se dela. – O que aconteceu, Rach?
Rachel olhou para ele e depois, para porta. Era como se tivesse que escolher entre Quinn e Finn. Porque cedendo ao quaterback, tudo que Quinn fizera por ela naquele dia ficaria para trás... E a morena não tolerava traições. Mas, por outro lado, Quinn não dera um fim no que sequer tinha começado entre elas? E Rachel não tinha decidido dar valor a quem se importava com ela?
Olhando para o rosto de Finn naquele momento, ele parecia verdadeiramente preocupado e não havia resquícios daquele rapaz rude que a tratara mal após a primeira vez e muito menos, daquele homem irônico que ficou feliz com o sofrimento de Quinn. Rachel via o Finn pelo qual se apaixonara a sua frente, lhe estendendo a mão e querendo lhe ajudar. Rachel respirou fundo e aproximou-se dele, sem qualquer aviso, o abraçou e murmurou vacilante:
– Kurt pode estar ferrado por minha causa.
– O que você quer dizer com isso? – Finn perguntou surpreso, mas ainda abraçado a morena. Rachel afundou a cabeça no peito dele e respirou fundo, sentindo o cheiro dele invadir seus sentidos, mas sem provocar qualquer reação involuntária. A diva levantou os olhos castanhos para Finn e disse temerosa:
– Kurt pode ter ganhado a eleição, mas não da forma mais justa... Entende?
– Você está me dizendo que ele trapaceou? – Finn perguntou impressionado e soltando-se de Finn, ficou a encará-la, exigindo uma resposta. Rachel engoliu em seco e respondeu:
– Estou dizendo que eu trapacei para ele...
– Rach! Você não devia ter feito isso! – Finn retrucou indignado, ele não esperava que Rachel Berry fosse capaz de fazer aquilo. O quaterback explodiu e a diva, chorou. Rachel escondeu o rosto entre as mãos e começou a chorar. Finn sentiu-se extremamente culpado nesse momento, ele se aproximou dela e ergueu o rosto dela, limpando-lhe as lágrimas e sorrindo. – Você não devia ter feito isso, mas eu sei que vai acabar consertando as coisas.
– É, eu sou boa em fazer as coisas erradas e consertá-las em seguida. – Rachel murmurou entre risadas enquanto algumas lágrimas ainda rolavam. Ela segurou as mãos de Finn próximas ao seu rosto enquanto o rapaz a puxava para um abraço. Os dois ficaram grudados por algum tempo, até que a porta da sala do coral tornou a se abrir e Kurt entrou por ela, em um misto de susto e descrença, ele anunciou:
– Aparentemente, eu venci as eleições e não foi da forma mais justa. Parece que trapacearam em meu nome e agora, eu estou suspenso da escola e das Seletivas.
Rachel engoliu em seco, contar a verdade naquela situação seria uma das coisas mais difíceis que ela teria que fazer.
– Kurt não é culpado, fui eu quem coloquei as cédulas dentro da urna. – Rachel Berry não gaguejou e sequer, fraquejou enquanto dizia essas palavras. O olhar dela estava firme ao encarar o Diretor Figgins e Sue Sylvester. Ela não vacilou e parecia acreditar no que dizia. O diretor olhou triste para ela e disse:
– Sinto muito, Srta. Berry... Mas temo que não tenho outra escolha a não ser suspendê-la por três dias, incluindo as Seletivas nesse final de semana. E também, temo em te dizer que isso vai para seu histórico.
As lágrimas chegaram aos olhos de Rachel Berry, mas ela as engoliu e respirou fundo. Mesmo se as suas chances de entrar em NYADA diminuíssem, ao menos o sonho de Kurt permanecia vivo. A morena acenou com a cabeça e saiu rapidamente da sala, ao fechar a porta, não olhou uma vez sequer para trás e apenas deixou que as lágrimas caíssem de seus olhos enquanto caminhava.
Não estava arrependida, pelo contrário, ela estava parcialmente feliz por ter conseguido remediar as coisas. Mas aquilo significaria que, pela primeira vez, ela não participaria das Seletivas. O coração da morena estava apertado em seu peito, mas ela ergueu o rosto e continuou a caminhar. Ao chegar à porta do Glee Club, sentiu como se o ato de abrir a porta fosse uma verdadeira guerra. Rachel respirou fundo e abriu a porta.
– Rachel? Onde estava? – Mr. Schue perguntou animado e puxando-a para dentro enquanto tagarelava a respeito das apresentações e da chegada surpresa de Sam para as Seletivas, as lágrimas tornaram a cair dos olhos de Rachel. Mas ela ergueu os olhos e olhou para Finn, o rapaz parecia preocupado e sem saber o que fazer, depois, olhou de relance para Quinn que, mesmo envolvida naquela frieza, parecia estar verdadeiramente preocupada.
– Eu fui até diretoria contar que fui eu quem coloquei as cédulas para o Kurt na urna. – Nesse momento, Kurt se levantou e agitou a cabeça negativamente, negando-se a acreditar no que sua melhor amiga tinha feito. Rachel fixou o olhar em um ponto fixo da parede, não podia agüentar os olhares de decepção de Kurt e a frieza de Quinn. – Portanto, estou suspensa por três dias e isso inclui as Seletivas.
– Estamos ferrados! – Tina disparou enquanto escondia o rosto nas mãos e começava a chorar. Mr. Schue ficou atônito enquanto observava a pequena morena sair da sala... Ninguém se atreveu a ir atrás dela. Rachel respirou fundo e caminhou para fora do colégio.
Não sabia o que doía mais: ter decepcionado Kurt, não disputar as Seletivas ou ter que olhar para Quinn todos os dias sem poder fazer nada para salvá-la.
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Foram três dias que pareceram ser anos. Rachel nunca tinha parado para pensar o quanto o Glee lhe fazia falta, mas ver os amigos ensaiando enquanto ela dava as coordenadas e ficava de fora, era torturante. O New Directions resolveu inovar, mudaram-se as vozes principais e Mr. Schue resolveu dar mais valor ao grupo do que as performances individuais.
Rachel odiava admitir, mas ele estava certo. Eles precisavam focar no que eram mais fortes e já que tinham perdido a melhor voz do grupo, era melhor investir no conjunto. Mas Rachel sabia que as Troubletones tinham vozes melhores e conjunto mais bem ensaiado... Ela estava duvidando e muito da vitória do ND, só que não deixava ninguém saber daquilo.
A proposta de fazer músicas do Jackson 5 e de Michael Jackson veio de Blaine e Rachel admitia que era uma boa proposta. Mas só ela e Mr. Schue sabiam como quebraram a cabeça para distribuir as músicas. Rachel queria que “ABC” fosse cantada apenas por Quinn e Tina, assim como “Man In The Mirror” seria cantada apenas pelos meninos. No fim, eles escolheram e optaram pelas melhores opções.
Rachel estava satisfeita, triste, mas satisfeita. Ela deixou o colégio tarde da noite e recusou uma carona de Finn, mal sabia ela que estava sendo cautelosamente observada por Quinn Fabray. Acabou indo a pé para casa, o sorriso triste brincou em seus lábios durante todo o caminho e ela sabia que, independente do resultado, o ND estaria fazendo seu melhor, como sempre.
– Pai, papai... Cheguei! – Rachel anunciou ao abrir a porta de casa e subir as escadas. Pelo visto, os pais ainda não tinham chegado. Ela tirou o tênis e deitou na cama, fechando os olhos e sentindo a dor de cabeça tomar conta. Rachel respirou fundo e deitou-se de bruços, quem sabe, uma soneca a ajudaria a recuperar as energias.
Lá pelas 9 horas da noite, Rachel foi acordada pelo seu celular. Ela olhou no identificador de chamadas e surpreendeu-se por se tratar de Noah Puckerman. Rachel fez uma careta ao atender o celular com uma voz preguiçosa:
– Noah?
– Rach... Eu... Eu fiz besteira, preciso de sua ajuda! – Puck disse tudo com dificuldade e com a voz melosa, Rachel aprumou a audição porque o barulho do outro lado da linha era inconfundível: Puck estava em um bar. A morena sentou-se rapidamente na cama e disse séria:
– Uma coisa de cada vez, Puck. Onde você está?
– Eu estou naquele bar perto da escola, acho que é o Santa Fé... – Puck murmurou repleto de dúvida do outro lado da linha. – Droga, Rachel. Eu fiz besteira!
– Quer que eu te busque aí? – Rachel perguntou nervosa, ela não queria se locomover até o outro lado da cidade atrás de um Puck bêbado, ainda mais agora com toda essa história da Quinn. Rachel ouviu um copo se quebrar do outro lado da linha. – Droga Puck, eu estou indo te buscar. Fique do lado de fora, não quero ter que entrar aí.
Puck agradeceu com um ruído estranho, Rachel teve certeza que ele começara a chorar e por isso, apressou o passo e apanhou a chave do carro do pai, gritando que logo estaria em casa.
Quanto mais se aproximava do bar, mais Rachel tinha certeza de que estava fazendo besteira. Ela sempre se surpreendia com a capacidade de Puck de se enfiar em péssimos lugares, mas agora... Ele se superara. Ela nunca tinha visto tanta gente mal-encarada na vida.
Rachel estacionou o carro do pai do outro lado da rua do bar e ficou esperando Puck, pode ver a figura cabisbaixa de Noah sair a passos pesados e descontrolados de dentro do bar. Ela buzinou e esperou que ele conseguisse atravessar a rua, ele acenou e Rachel percebeu que Puck não daria conta quando ele tropeçou pela quarta vez no meio da rua.
Rachel bufou impaciente e saiu do carro, caminhou decidida até a figura do rapaz e passou um braço dele sobre suas costas, ajudando-o a caminhar. Puck deu um sorriso embriagado e murmurou:
– Olá princesa judia.
– Olá Noah. – Rachel respondeu mal educada, ajudando o amigo a sentar-se no banco da frente e fechando a porta do passageiro em seguida. Ficou olhando para Puck com desagrado enquanto caminhava até o lado do motorista e o rapaz encolheu os ombros e abaixou a cabeça. Rachel ligou o carro e iniciou o caminho de volta. – Você vai tomar um pouco de café e depois que estiver sóbrio o bastante, vai me explicar a causa do showzinho na ligação de mais cedo.
– Uow Berry! Está de mau humor? – Puck perguntou ofendido e tropeçando nas palavras, Rachel deu um olhar frio para ele e rapidamente, o rapaz se calou. O carro parou em um sinal e Rachel estava prestes a passar um sermão quando viu a expressão de Puck contorcer-se, ela revirou os olhos e engatando a marca, disse:
– Estou de mau humor, Puckerman e ficarei colérica se você vomitar dentro do carro do meu pai.
– Tudo bem, princesa judia. Vou ficar calado, melhor ficar de boca fechada quando se está enjoado. – Puck disse com uma risada rouca que provocou mais um revirar de olhos em Rachel. Afinal, o que ele queria com ela? – Sabe, Quinn faz muito isso.
– “Isso” o quê? – Rachel perguntou mal-educada enquanto vasculhava alguma lanchonete aberta na rua mais movimentada de Lima. Puck se ajeitou no banco do passageiro e só agora, Rachel percebeu que ele estava sem cinto, estava prestes a lhe passar outro sermão quando foi interrompida pela voz embriagada do rapaz:
– Revirar os olhos, ela faz bastante. Ainda mais quando está entediada e irritada com alguma coisa. Vocês duas se parecem.
– Nós não parecemos, Noah. Ela é Quinn Fabray e eu sou Rachel Berry, só olhar para nós duas para perceber a diferença. – Rachel retrucou indignada, ela suspirou aliviada quando viu um letreiro de 24 horas um pouco mais a frente. Puck soltou um muxoxo de insatisfação e Rachel virou-se para ele, com um sorriso, ao notar que ele estava emburrado (coisa que ele nunca faria se estivesse sóbrio). – E você está bêbado, o que não dá muita credibilidade em suas observações.
Depois, o carro foi preenchido pela gargalhada rouca de Noah Puckerman. Rachel estacionou o carro entre risadas e depois, ainda rindo, ajudou o amigo a sair e a caminhar até a lanchonete. Os dois entraram abraçados e Rachel jogou o amigo em um dos bancos enquanto ia atrás de um pouco de café. Quando chegou a mesa, Puck tinha a cabeça escondida entre os braços, Rachel afagou o braço dele e perguntou:
– Está enjoado?
– Um pouco, eu sabia que não deveria ter bebido. Ainda mais no estado emocional em que eu estava. – Puck tinha a voz abafada pelo fato de estar “escondido”, Rachel sorriu diante da resposta dele e o café pousou diante deles, a garçonete se retirou e tomando um gole de sua própria xícara, Rachel disse:
– Sinto em lhe informar, meu amigo... Mas isso é só metade do que te aguarda pela manhã.
– Como se você entendesse muito de ressacas, não é Berry? – Puck retrucou um pouco infantil e provocou mais risadas em Rachel, o som da gargalhada da morena acabou fazendo o rapaz sorrir. Ele tomou um gole do café e fez uma careta, em seguida, ergueu os olhos para Rachel e ficou observando-a. Rachel brincou com a xícara e respirando fundo, perguntou cuidadosa:
– Vai me contar o que fez?
– É difícil dizer... – Puck rosnou as palavras e depois, passou a mão pela testa enquanto suspirava. Rachel afagou a outra mão dele por cima da mesa e sorriu, encorajando-o. Puck retribuiu mais tranqüilo. – Antes de tudo, não se sinta envergonhada. Mas eu estava com Shelby e nós passamos a tarde, juntos... Por isso eu não estive na escola e nem no ensaio do Glee.
– Juntos... Juntos? – Rachel repetiu temerosa enquanto encarava Puck em um misto de decepção e de tristeza, mas ao contrário do que o rapaz esperava, ela não o julgou e permaneceu calada enquanto ele confirmava com a cabeça. Rachel baixou os olhos e Puck continuou:
– Mas ela começou a dizer algumas coisas idiotas sobre eu ser uma criança... Eu saí de lá e fui direto para a casa de Quinn, nós quase transamos sem proteção e eu a impedi porque ela parecia louca para fazer aquilo. E eu saí louco de fúria de lá, porque ela também disse que podíamos ter outra criança... Ela está maluca, Rachel e você sabe disso.
– Eu não sei, Puck... Ela não fala comigo e ela recusou a minha ajuda naquele dia. – Rachel argumentou um pouco frustrada e tomando o que restava do seu café, era impressionante como todos os assuntos acabavam indo parar em Quinn Fabray. Puck olhou para a amiga e continuou cansado:
– E eu fui parar naquele bar, onde enchi a cara e acabei ligando para Quinn, contando tudo sobre mim e Shelby, eu estava cansado dela e de toda aquela loucura e essa foi a melhor forma que eu achei para feri-la!
– Eu não acredito que você fez isso, Noah. – Rachel disse inconformada e ficando de pé, ela tinha uma expressão de fúria no rosto que fez Puck encolher-se no assento do restaurante. Rachel deu um soco na mesa, atraindo a atenção da garçonete. – Você era o único que restava para ela, como pôde fazer isso?
– Eu estava fora de mim, Rach... Não podia segurar o que falava! – Puck defendeu-se com a voz baixa e tentando-se levantar com a mesma rapidez da amiga, mas ele desequilibrou-se e tornou a cair, idiotamente, sobre o assento. Rachel bufou e jogou uma nota de dez dólares na mesa antes de apanhar Puck pelos braços e dizer furiosa:
– Eu não quero saber onde você estava Puck, mas você não tinha o direito de dizer isso a ela. Sabe-se lá qual a loucura que ela vai fazer amanhã na apresentação.
– E eu achei que você se preocupava com a Quinn e podia me ajudar. – Puck disse irônico e recebeu um beliscão de Rachel, a morena o jogou no banco do passageiro com uma força desproporcional e disse:
– E eu me preocupo, talvez seja por isso que eu não queira te ajudar.
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Rachel estava esperando a apresentação das Troubletones começar quando viu Quinn se levantar e caminhar decidida para fora do auditório. A morena não perdeu tempo e fez o mesmo, ignorando os chamados de Finn e os olhares culpados de Puck. Rachel apressou o passo e só conseguiu encontrar as costas de Quinn quando ela já estava próxima a sala de Figgins.
– Quinn, não faça isso! – Rachel disse alarmada enquanto rompia a distância entre ela e Quinn e se aproximava da loira. Quinn assumiu aquela sua posição defensiva enquanto a olhava com desdém, a loira olhou fria para ela e disse fria:
– Você sequer sabe o que eu vou fazer, Berry. E eu me lembro de ter dito para não se meter na minha vida.
– Eu sei o que Puck fez e sei o que ele te disse... Eu entendo o que você está sentindo, mas agir dessa forma não vai aplacar a dor. – Rachel respondeu cuidadosa enquanto tentava transmitir um pouco de paz para Quinn, a diva pode ver os olhos da ex-cheerio se encherem de lágrimas, mas Quinn desviou-se do contato visual e disse irônica:
– Ah claro, Puck te mandou aqui para consertar a merda que ele fez, não é?
– Não, eu não apóio o que ele fez... Eu estou aqui porque eu disse que sempre estaria para você. – Rachel murmurou tão baixo que Quinn quase não ouviu, a loira ergueu os olhos diante dessas palavras, mas permaneceu em silêncio. O clima ficou tão pesado que Rachel sufocou algumas lágrimas também. Quinn cruzou os braços e fuzilando Rachel, perguntou:
– O que você quer, afinal? Manter Shelby na escola? Não se esqueça que ela te abandonou na primeira oportunidade, Berry.
– Não se trata de mim e Shelby e sim, de você e Beth, Quinn. – Rachel disse séria e dando mais um passo em direção a Quinn, tão próxima a loira, Rachel pode ver as mudanças no comportamento dela. Quinn relaxou, os olhos pareceram ter um brilho mais quente e mais lúcido, os lábios que estavam crispados ficaram entreabertos e a respiração dela falhou. Rachel respirou fundo e olhou para ela com intensidade. – Se você entrar na sala de Figgins agora e disser o que aconteceu entre Puck e Shelby, não vai só destruir a vida de Shelby, como vai tirar o que sustenta a Beth... E acredite, isso pode ser o bastante para ela te odiar pelo resto da vida.
– Mas se eu contar, nós também vencemos. – Quinn retrucou orgulhosa, sem dar-se por vencida e afastando-se de Rachel, a diva pode ver que ela limpava algumas lágrimas enquanto falava e que ainda respirava com dificuldade. Rachel encostou-se na parede e suspirou, em seguida, argumentou:
– Não adianta ganhar fazendo o que é errado, Quinn. Eu sei que você quer Beth, que você quer ser amada e que você quer ganhar hoje... Mas de nada vai adiantar conseguir tudo isso magoando as pessoas.
– E quanto a minha mágoa? Será que ninguém liga? – Quinn explodiu com um grito sufocado, Rachel olhou com pena para ela e não conseguiu responder. Ela viu Quinn desabar e chorar enquanto ouvia a apresentação das Troubletones pelas paredes do corredor. Quinn continuou a chorar enquanto se escorava no armário, Rachel fez menção de ir embora, mas algo lhe prendeu ali. Ela tocou levemente no braço de Quinn, conseguindo a atenção da ex-cheerio, limpou algumas lágrimas de Quinn e com um sorriso, disse:
– Eu ligo para sua mágoa, mas eu não vou conseguir te ajudar se você não me deixar entrar, Quinn. – Rachel parou para respirar porque aquela situação estava sendo difícil até para ela. – Pense bem no que vai fazer, eu já fiz muita coisa errada e de que eu me arrependo na minha vida. Não quero que você tenha que lidar com suas decisões impensadas. Você é melhor que isso.
Rachel Berry voltou ao auditório com um sorriso nos lábios que só aumentou quando viu a apresentação do ND. Tudo correu como planejava, o ND venceu e Shelby não foi mandada embora.
Parecia que, finalmente, a Quinn Fabray de sempre tinha retornado. E Rachel sentiu-se bem por ter participado daquilo.
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Rachel soube por Puck que Quinn parecia mais calma em relação a Beth, também soube por ele que Shelby tinha pedido demissão e estava indo embora de Lima. As coisas finalmente pareciam estar entrando nos eixos com a volta de Santana, Brittany e Mercedes ao ND, além da entrada de Sugar junto com elas. Rachel retornou para a escola na segunda-feira e teve que aturar Finn tornando a persegui-la pelos corredores. Mas agora, parecia que ele estava mais tranqüilo em relação ao futuro da relação dos dois.
Como sempre fazia no fim das aulas, Rachel caminhou até a sala do Glee (mesmo não tendo aula no clube naquele dia). Tinha um sorriso no rosto e carregava algumas letras de músicas que pretendia ensaiar para colocar em seu vídeo de apresentação ao NYADA. Rachel abriu a porta da sala devagar e colocou suas coisas sobre o piano completamente alheia ao mundo ao seu redor, surpreendeu-se quando escutou a voz doce de Quinn Fabray invadir a sala:
– Achei que não fosse vir ensaiar hoje.
Rachel virou-se abruptamente para Quinn e seus olhos encontraram os dela. Inevitavelmente, a morena sorriu quando viu outro sorriso nos lábios de Quinn, ela estava sentada em uma das cadeiras do grupo e tinha uma expressão amena no rosto. A loira levantou-se e aproximou-se dela, sem dizer nada. Rachel sumiu com um sorriso no rosto e perguntou cuidadosa:
– O que está fazendo aqui, Quinn?
– Eu estava te esperando e esperei muito, diga-se de passagem. – Quinn disse divertida e gargalhando em seguida, Rachel permaneceu séria e a loira voltou a ficar séria também. Quinn franziu as sobrancelhas e suspirou. – Era o mínimo que eu podia fazer depois de você não ter desistido de mim.
– Amigos fazem isso, Q. – Rachel disse com um sorriso generoso enquanto afagava o braço da loira, Quinn sorriu tristemente para os próprios pés, o que fez com que Rachel fizesse uma careta preocupada. A loira tornou a erguer os olhos e eles brilhavam de excitação, Quinn pigarreou e disse:
– Não, Rachel... Pessoas que se importam fazem isso. E eu fiquei feliz por você querer me proteger.
– Digamos que eu sou sua espécie de guardiã, Fabray. – Rachel disse com uma gargalhada e ambas riram depois das palavras da morena. Sem dizer nada, Quinn se aproximou de Rachel e sem dizer nada, a abraçou. Ainda abraçada a morena, sentiu quando ela afagou seus cabelos. Quinn respirou fundo e separou-se devagar enquanto dizia:
– Acho que chegou a hora.
– Qual hora? – Rachel perguntou com um sorriso confuso, os olhos castanhos dela brilhavam e Quinn, silenciosamente, agradeceu por eles não estarem mais opacos como estavam nos últimos dias. A loira segurou a mão da amiga entre as suas e disse:
– A hora em que eu estou pronta para te deixar entrar na minha vida, Berry.
– Quer dizer que somos amigas? – Rachel perguntou ansiosa e contendo os pulinhos de alegria que estava prestes a dar. Quinn deu um sorriso misterioso para ela e respondeu:
– É, tipo isso.
Rachel gargalhou e sentou-se em uma das cadeiras enquanto Quinn a acompanhava com um sorriso. Imediatamente, o coração da morena pareceu mais leve.
Notas finais
Espero que não... Gostaria de mostrar o lado da Rachel na amizade para vocês entenderam a intensidade da relação delas. Espero que tenha conseguido.
Preciso de reviews para sobreviver, galera! Portanto, façam uma caridade nessa época de Natal KKKK
Bem... É isso, beijos e até o próximo capítulo!
PS: A música é It Will Be Me da Melissa Etheridge, sei que não parece muito com o que a Rachel canta, mas achei a música ideal para a situação das duas nesse ponto da história.
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