Notas iniciais
Boa noite, pessoal! Como vocês estão? Desculpe pela demora, pelo hiatus e por tudo o mais relacionado à Signal Fire... Eu passei por um período muito difícil e estava com muita dificuldade de escrever qualquer coisa relacionada à Faberry. Porém, eu voltei e espero que você me acompanhem e me recebam de peito aberto nessa volta *-* Esse capítulo é bem crucial e extremamente complicado para o decorrer da história... Mas, foi necessário. Espero que gostem, boa leitura!

A luz do sol entrou, preguiçosamente, através das frestas entre as escuras cortinas que bloqueavam as janelas. O ar também estava mais quente, a manhã se erguia em Lima e Santana Lopez estava parcialmente acordada, seu cérebro ainda estava trabalhando na lenta velocidade do amanhecer. Porém, ela estava desperta o bastante para sentir o peso sobre seus seios e os braços que se agarravam em sua cintura e tórax.

A latina se mexeu e abriu os olhos em meio a um bocejo. Imediatamente, os orbes negros direcionaram-se para baixo, os cabelos ruivos que estavam dispersos sobre seu peito a fizeram sorrir. Santana levou a mão direita para os fios e começou a remexê-los. Foi a vez de Kathryn se mexer, Santana não precisou olhar para ela para ver que ela sorria. A ruiva escondeu o rosto na barriga morena e resmungou:

– Bom dia.

– Bom dia, ruiva. — Santana respondeu, a voz rouca pelo sono não disfarçou o sorriso de lado que inconscientemente transparecia toda a tranqüilidade que a preenchia agora que sobrevivera a mais um dia. Aliás, era mais que tranqüilidade, o termo “paz” conseguia descrever melhor o que ela sentia por Kathryn ainda estar viva em seus braços.

Depois que Brittany terminara o relacionamento, Santana acreditava que jamais voltaria a se importar tanto com alguém. Todos a conheciam por seu egoísmo, mas com Brittany sempre fora diferente, a loira trazia o seu melhor à tona. O que era mais belo e mais satisfatório a Santana sempre vinha à superfície quando Brittany estava por perto. Santana descobriu-se mais forte, mais corajosa e, até mesmo, mais guerreira simplesmente por ter algo que valia a pena.

E depois que Brittany a deixara, Santana voltou a mostrar o seu pior às pessoas. Voltou a afastar qualquer um que resolvesse tentar destruir a carcaça dura e insensível que ela desenvolvera após o término e cometeu o enorme erro de incluir até mesmo seus dois melhores amigos nesse grupo de pessoas.

Porém, quando viu a fragilidade de Kathryn na primeira vez que as duas se encontraram... O bom voltou a despertar em Santana. A vontade de proteger voltou a falar mais alto que a sua razão. E, aos poucos, ela fez disso uma de suas verdades. Assegurar uma vida tranqüila e livre a Kathryn tornou-se a meta de sua vida.

E, mais tarde, o amor voltou. Santana fez o seu caminho de volta, baixou suas defesas para qualquer sentimento e permitiu-se amar. Acreditou em Kathryn, se estrepou e agora, ainda estava disposta a arriscar-se.

Porque Santana Lopez, acima de tudo, se arriscava quando amava.

A advogada sentiu as pequenas mãos de Kathryn escalarem seu corpo e encontrarem seu pescoço. A ruiva tinha um sorriso preguiçoso nos lábios quando se posicionou em cima do corpo moreno, os cabelos avermelhados caíram ao redor de sua face e Santana apanhou uma mecha entre os dedos. Os olhos cinzentos encontraram o olhar negro de Santana, Kathryn se aproximou e perguntou baixinho:

– Como você está?

– Está tudo bem... Uma boa noite de sono fez grandes milagres no meu humor. — Santana murmurou em resposta, a voz cansada pelas lágrimas que ela derramou por alguns minutos a fio na madrugada. Kathryn fez uma carranca preocupada, Santana sorriu para ela e massageou os vincos na testa da ruiva e puxou-a para baixo.

Os lábios chocaram-se delicadamente, Santana apertou o corpo pálido de encontro ao seu, como se quisesse fundi-la ao seu coração. As duas separaram-se ofegantes e Kathryn voltou a deitar sobre o peito de Santana, de olhos fechados e respiração lenta. Santana beijou-lhe o topo da cabeça e afagou-lhe os cabelos.

O silêncio entre as duas se fez presente e só foi interrompido pelo tocar do celular de Santana na sala. Contra a sua vontade e entre os resmungos de Kathryn, a latina levantou-se e caminhou até onde ele estava tocando.

6 ligações perdidas é mais 3 mensagens de texto não lidas.

Santana desbloqueou a tela do celular e leu as mensagens. Todas elas eram de Puckerman.

A primeira mensagem aberta fez a expressão de Santana distorcer-se em choque. Perdida em suas atitudes, os passos vacilantes e o coração acelerado, voltou ao quarto e encontrou Kathryn sentada na cama, os cabelos bagunçados e a expressão preocupada a fizeram perguntar:

– O que aconteceu?

– Charlie faleceu. — Santana respondeu incrédula diante de suas próprias palavras. Kathryn colocou a mão sobre a boca, o medo voltando aos olhos cinzentos e ocupando-os. Santana não precisava pensar muito para saber do que se tratava, Joaquin era muito mais louco do que elas imaginavam. — Foi um atentado na frente do hospital, ele esteve em cirurgia durante toda a madrugada.

– Ele vai me matar, Sant... — Kathryn resmungou assustada, as mãos trêmulas jogaram as cobertas de lado e ela passou a andar de um lado para o outro no quarto. Santana aproximou-se dela e a ruiva voltou a se afastar, a irracionalidade provocada pelo medo estava deixando-a distante e perdida nos próprios temores. — Pior, ele vai nos matar.

Santana alcançou-a a passos rápidos e a puxou pelo pulso, o corpo trêmulo de Kathryn chocou-se com o seu e a latina a envolveu em um abraço apertado. Kathryn agarrou-se a ela como se a sua vida dependesse disso, Santana afagou-lhe os cabelos e murmurou-lhe ao pé do ouvido:

– Ninguém vai morrer. Eu não vou permitir isso.

Kathryn não respondeu. Nem Santana se mexeu. Nenhuma das duas acreditava naquelas palavras. Por mais convincente que Santana tentasse ser.

Quinn encarava a parede branca do hospital com o olhar vago e perdido. Nas mãos, tinha um lenço de papel há muito úmido e amassado. A realidade parecia muito distante agora que ela encontrava-se tão imersa nas boas e inesquecíveis lembranças que ela possuía quando pensava em Charlie Thomas.

A figura masculina que ela mais admirava. O homem em que ela viu o pai que nunca teve. Tudo que Charlie representava para Quinn era inexplicável. E Quinn estava completamente sem palavras diante do que acontecera, pior que isso, estava atônita e, principalmente, paralisada.

Ao mesmo tempo em que não conseguia acreditar que ele se fora, de forma tão abrupta e tão imediata, ela tentava entender em que situação ele abandonara aquela vida. O que Charlie fazia no meio de um tiroteio na frente da delegacia?

A resposta para Quinn veio, imperceptivelmente, na forma de Noah Puckerman que caminhava cabisbaixo pelo longo corredor do hospital. O policial sentou-se ao lado de Quinn, desabando como um peso morto no assento de plástico e olhou para o teto, os olhos esverdeados do rapaz estavam avermelhados e a barba dele estava mal feita. Quinn fechou os olhos e perguntou cansada:

– O que você quer, Noah?

– Queria ver se você estava bem. — Noah respondeu preocupado, finalmente olhando para Quinn e recebendo, em troca, um olhar desolado. Ele ousou e se aproximou dela, colocou o braço direito ao redor dela protetoramente. Quinn o surpreendeu quando se encolheu de encontro ao corpo dele, aconchegando-se no carinho que ele oferecia. — Sinto muito por tudo que aconteceu.

– Você não teve culpa... — Quinn murmurou debilmente, com um sorriso de lado. Noah apertou o abraço, transparecendo através daquele pequeno ato o quanto ele queria protegê-la. — Aconteceu na frente de sua delegacia, mas isso não quer dizer que você devesse estar preparado para algo tão... Rotineiro. Pessoas morrem todos os dias, Noah.

– Na verdade... — Noah começou a falar baixo e, em seguida, coçou a cabeça, pensativo. Quinn, abandonando a sua expressão quebrada e desolada, olhou para ele com a sobrancelha arqueada e as feições contorcidas em confusão. O policial abriu a boca várias vezes, respirou profundamente e preparava-se falar quando passos foram escutados no corredor e Quinn desviou seus olhos verdes para a outra figura que chegava à cena.

Santana acabara de chegar onde estavam e Quinn, finalmente, foi agraciada com a presença física de Julianne Urie. A ruiva tinha ambas as mãos agarradas ao antebraço de Santana, naquele momento, Quinn enxergou a cumplicidade entre elas e, subitamente, desejou que Rachel estivesse com ela naquele momento.

Julianne olhou para ela, a tristeza presente em seus olhos avermelhados e em seu rosto inchado. A ruiva tentou dar um sorriso de apoio, mas foi logo afastada pelo olhar frio que Quinn lançou a ela. A loira colocou-se em pé e colocou as mãos na cintura para, incomodada, comentar:

– Fico feliz que tenha vindo, San... Mas você sabe que esse assunto é muito particular para ter mais pessoas envolvidas. Estamos falando de Charlie.

– Eu não posso deixá-la sozinha, Q. — Santana respondeu dura, a expressão tornando-se obstinada e os olhos negros travando uma batalha intensa com o olhar verde. Noah olhou de uma para a outra com a expressão incrédula, mas não se manifestou. Julianne tentou evitar uma briga e fez menção de soltar o braço de Santana, mas a latina pousou a mão sobre a dela. Os olhos de Quinn imediatamente foram para essa atitude, viu quando os dedos se entrelaçaram inconscientemente. — E, além disso, Kathryn trabalhava com Charlie. A morte dele diz respeito a ela, também.

– Kathryn? — Quinn repetiu confusa. O olhar gélido julgava a expressão incomodada da ruiva que, agora, encolhia-se às costas de Santana. A latina deu um passo em direção a Quinn, a postura extremamente protetora, entretanto, Quinn não abandonou a tensão de seu corpo e o olhar ameaçador. Estava cansada, esgotada e, principalmente, sozinha... Não era obrigada a agüentar aquele tipo de coisa.

Santana fechou os punhos e Kathryn sentiu os tendões do bíceps da latina tencionarem, tentou puxar-lhe o braço, mas Santana parecia dura como uma pedra. A advogada fixou o olhar em Quinn e respondeu:

– Longa história, Q. O importante é que estamos aqui tentando lhe dar apoio. Pare de carregar o mundo em seus ombros.

– Eu não acredito que você não vai dizer nada a ela! — Noah, finalmente, se manifestou. Quinn abandonou o confronto de olhares com Santana e voltou-se para o policial que tinha duas lágrimas teimosas escorrendo pelas bochechas enquanto olhava para Santana, acusadoramente. A latina lhe lançou um olhar suplicante e murmurou:

– Não, Noah!

– O que está acontecendo aqui?! — Quinn esbravejou para os dois, o desespero estava presente em sua voz porque, somente por olhar para Santana, já entendeu que sua melhor amiga estava escondendo o jogo, novamente. Noah e Santana trocaram um olhar significativo e o policial deu às costas a discussão, dizendo:

– Seja sincera com ela, Lopez... Ela merece isso.

Quinn sentiu-se ainda mais sozinha quando a enorme figura de Noah saiu de cena, a loira virou-se para Santana que tinha a cabeça baixa. Kathryn finalmente pareceu ter se tocado e deixou as duas sozinhas, Quinn cruzou os braços e bateu um pé no chão, impaciente. Santana ergueu os olhos para ela e grunhiu irritada:

– Pare com isso.

– Então, comece a falar, Lopez. — Quinn ordenou, ríspida e voltando a se jogar nos assentos de plásticos. Santana andou de um lado para o outro até parar e respirar fundo. Quando ergueu a cabeça e tomou coragem, a mesma se esvaiu assim que ela encontrou os olhos de Quinn.

Santana ia perder sua melhor amiga... De novo.

***

Rachel sabia que Quinn precisava dela, mas ela não conseguia, pelo menos, não agora. A morena encontrava-se encolhida à parede de seu quarto, o cômodo em completa escuridão enquanto ela escondia o rosto manchado pelas lágrimas amargas que derramara durante a madrugada.

Rachel não conseguiu adormecer, sequer conseguiu encarar os pais. E sabia que o dia já havia amanhecido. Só que ela não estava pronta para enfrentar o que o dia prometia a ela.

Exatamente como uma usuária, Rachel injetara mais uma dose de seu vício depois de meses em uma reabilitação e, agora, tudo que o seu corpo queria era voltar a ter a dose diária do que ela esforçou-se, durante todo aquele tempo, para esquecer. New York, Broadway, atuar... Todo aquele pacote estava lhe envolvendo.

As sensações estavam voltando, a ânsia por elas também e, principalmente... Rachel podia sentir cada pedaço de seu corpo preencher-se com a adrenalina que ela julgava ter perdido há muito tempo. Era uma verdade: você podia tirar os sonhos da garota, mas jamais poderia impedi-la de sonhar.

E por mais que Rachel racionalizasse tudo em que se envolvia no momento, seus sonhos voltavam a ser porções determinantes em seu comportamento e em seu respirar. Mais marcante do que realizar um sonho, somente era a oportunidade de se permitir sonhar de novo e era exatamente aquilo que Rachel estava readquirindo.

A esperança de, finalmente, poder se realizar plenamente com seu sonho.

Entretanto, existia certa insegurança dentro de Rachel... Algo, talvez sua intuição, lhe dizia que ela estava presa a uma encruzilhada. A morena sabia que teria que escolher entre duas das coisas que mais amava na vida. Ela sabia, em seu coração e em sua alma, que teria que escolher entre Quinn e New York.

Por quê? Sempre fora assim. Rachel sempre tivera que escolher entre duas coisas que amava quando envolvia seguir seus sonhos... Seu coração sempre esteve em Lima enquanto suas ânsias estavam bem longe, em New York. A morena se acostumara a arriscar tudo pelos seus sonhos, estava acostumada a se doar por eles e, principalmente, a perder por eles.

Mas, naquele momento, ela sabia que não estava pronta para perder Quinn... Muito menos, para que a loira a perdesse. Pela primeira vez, Rachel desejou que pudesse harmonizar sua vida e ter tudo a que tinha direito. Pela primeira vez, Rachel se via em dúvida porque queria, literalmente, estar em dois locais ao mesmo tempo.

Algumas batidas em sua porta a assustaram. Rachel limpou as lágrimas enquanto se levantava do chão, dolorida por ter ficado tanto tempo encolhida à parede do quarto e dolorida por todas as dúvidas que começavam a importunar sua cabeça confusa e perdida. Rachel não queria falar com ninguém, ao mesmo tempo em que precisava, desesperadamente, de ajuda.

A morena caminhou até a porta e a abriu. Do lado de fora, Hiram a recepcionava com um sorriso que logo morreu quando viu o estado emocional em que a filha se encontrava. O homem entrou no quarto e fechou a porta atrás de si, apanhando Rachel pelos ombros e arrastando-a pela cama. Ele afagava o braço da filha em uma tentativa em vão de relaxá-la, Rachel suspirava pesado e deixava-se levar. Tentava encontrar no pai a segurança que procurou durante toda a madrugada em claro.

– O que aconteceu, estrelinha? — Hiram perguntou nervoso, colocando a filha sentada sobre o colchão e afagando-lhe as mãos de forma rápida e até mesmo, desesperada. Rachel olhou para os gestos do pai e suspirou profundamente, algo dentro dela estava tão quebrado a ponto de que esforçar-se para respirar doía. A morena olhou para além de seu pai, focando-se nas cortinas de seu quarto. Hiram, impaciente, apertou-lhe as mãos. — Foi Quinn?

– Claro que não, papai! — Rachel puxou as mãos, indignada com a suposição do pai de que Quinn pudesse, um dia, magoá-la... Sendo que a realidade era outra, Rachel que acabaria magoando-a. Era Rachel quem quebraria um coração e não Quinn. E o que mais assustava a morena era que essa conclusão não a machucava e nem a incomodava. Ela desconfiava que sequer tinha algum remorso...

Quão cruel era sua ânsia para realizar seus sonhos?

Hiram observou as lágrimas de sua filha voltarem a escorrer, viu cada uma delas mancharem o rosto já inchado de Rachel e, principalmente, ele percebeu o quanto elas doíam. Hiram conhecia a filha bem demais para interpretar, inclusive no silêncio, o que ela pensava. Por isso, ele a abraçou e, afagando-lhe os cabelos escuros, perguntou:

– O que você está prestes a fazer, querida?

– Eu vou quebrar o coração dela, papai... — Rachel balbuciou nervosa e quase de forma incompreensível porque as lágrimas que derramava quase a calavam. E, por mais que Rachel não se arrependesse do que, inconscientemente, decidira, ela não podia deixar de sentir a dor de Quinn ecoar dentro de si. Ela fechava os olhos e enxergava a expressão desolada e decepcionada da loira, assim como sentia todo o arrependimento dela em entregar o coração, mais uma vez, a pessoa errada. Rachel sabia que a destruiria... Mas, por que ela não desistia de tudo?

A realização de um sonho era tão sedutora quanto à ânsia por um novo amor.

Rachel não conseguia evitar, não conseguia desistir daquilo que, antes mesmo de Quinn, direcionava sua vida. Era difícil desatar as amarras que definiam quem era, mais difícil ainda era abandonar quem, recentemente, definia quem se tornara.

A morena estava presa ao passado e ao futuro, duas partes de si que se tornaram completamente diferentes do que ela esperava. Quando jovem, Rachel achava que seu futuro era ser uma estrela, solitária no topo, esperando pelo seu romance do século... No presente, Rachel era um fracasso com um grande amor em mãos, cujo futuro acabara de sorrir para dar-lhe uma segunda chance. Diferente das promessas que Finn lhe prometera, agora, ela podia realizar tudo por conta própria e essa hipótese era muito mais atraente do que a anterior...

– Por que vai fazer isso, querida? — Hiram perguntou temeroso, esperando por uma resposta e, principalmente, pela reação da sua filha que, diferentemente das outras crises emocionais pelas quais passara, estava quieta e reclusa. Rachel, por sua vez, ergueu os olhos castanhos opacos para o pai. Completamente entregue ao fardo de sua culpa e do crime de carregar a dor de Quinn em si por toda uma vida, respondeu:

– Porque eu preciso quebrar o coração dela para reencontrar o meu.

***

Marley tinha o coração acelerado e as mãos trêmulas quando entrou, mais uma vez, na enfermaria em que Sam estava. O rapaz estava deitado, distraído enquanto lia a edição do dia do jornal. A jovem enfermeira acabara de passar por um dos piores dias em seu plantão, toda a morte era incompreensível e indesejada e somando isso ao fato de que o irmão de seu ex estava do lado de fora, aos prantos, pela morte de alguém querido, era justificado que ela procurasse, justamente, pelo que Sam lhe ofereça horas antes.

Acostumara-se a carregar, sozinha, os muitos fardos de sua vida, mas, naquele dia, ela realmente precisava de alguém.

– Marley? Está tudo bem? — A voz cautelosa de Sam retirou Marley de seus devaneios solitários. A enfermeira ergueu os olhos azuis para ele, não percebera que eles estavam lacrimejados, mas Sam os enxergou completamente. O rapaz não podia se aproximar, mas fez sinal para que ela viesse até ele. Marley caminhou devagar, com os ombros caídos e aos suspiros, ela parou ao lado dele na cama e Sam, corajosamente, afagou sua mão. — O que aconteceu?

– Dia cheio. — Marley respondeu de forma evasiva, numa tentativa falha de buscar consolo e ainda permanecer em uma zona neutra. Ela não queria que Sam a visse tão frágil, na verdade, Marley não demonstrava fragilidade e ingenuidade há um bom tempo... A vida mudara todos eles e Marley era uma das que estavam mais distantes de seu eu adolescente.

Hoje, ela era uma mulher solitária e independente, cujo único sonho era ser capaz de dar a filha o que lhe foi tirado... A fé.

Sam, por outro lado, convivera tempo demais com Quinn Fabray e essa convivência o ensinara a ler as pessoas já que sua melhor amiga era mestra em mascarar suas emoções e até mesmo, bloqueá-las. Portanto, ele não precisou de muito para compreender que Marley estava lhe escondendo mais do que deveria. O rapaz apanhou a mão direita de Marley que brincava com as dobras do lençol em sua cama hospitalar, ela tentou soltar-se, mas ele a apertou firmemente e com um sorriso gentil nos lábios, disse:

– Nunca ninguém reclamou da minha capacidade de ouvir... Não quer falar sobre o que pesou no seu dia?

Marley estava estranhamente inquieta enquanto seus olhos azuis arregalados fixavam-se nos olhos também azuis de Sam que a observavam com curiosidade e certa preocupação. Entretanto, existia algo nos olhos de Sam que conduziam uma energia positiva à enfermeira.

Os olhos dele em nada lembravam os olhos negros de Jake Puckerman. Os olhos límpidos de Sam inspiravam confiança, neles estavam impressos toda a verdadeira preocupação e, principalmente, a ânsia que ele possuía para querer ajudar Marley... Mais que isso, a enfermeira enxergava dentro dele o quão verdadeiro ele era, Sam era o que seus olhos passavam. Era leal, era amigo e, principalmente, era especial.

Ele era intrigante porque, afinal, era diferente.

Marley tentava não sei deixar levar por ele, mas ele era especial o bastante e inspirava tanta confiança e segurança que era impossível não se render ao seu sorriso gentil ou aos seus olhos curiosos... Sam era alguém em que, essencialmente, podia se confiar. Era alguém incapaz de trair.

Era um homem que em nada lembrava Puckerman.

Por puro instinto, Marley desviou os olhos dos deles e, inutilmente, focalizou-os nas mãos dos dois que, naquele momento, encontravam-se entrelaçadas. A própria Marley deu um leve aperto na mão máscula e grande, cujo toque era delicado e cuidadoso. Sentiu suas bochechas corarem e sorriu desajeitada ao responder evasiva:

– Você não vai querer escutar tragédias, Evans.

Sam riu, uma risada rouca que parecia vir do fundo de seu peito e, essencialmente, de dentro de si. Ele olhava para Marley enquanto ria e ela mesma chegou a abrir um sorriso melhor ao escutar quão alegre ele parecia estar. Lentamente, aquele ar de morte estava dissipando-se do corpo de Marley. Os dois olhavam-se em silêncio e Sam apenas acariciava a mão dela, resistindo a crescente vontade de mergulhar naqueles olhos azuis e saber mais da sua antiga colega de Glee.

Nenhum dos dois parecia querer quebrar o silêncio, ainda que a conversa iniciar-se, essencialmente, para quebrá-lo. Sam sabia quando deveria recolher-se e apenas oferecer um mudo apoio e era exatamente isso que fazia naquele momento.

Ele poderia ficar horas, calado, desde que Marley voltasse a sorrir.

Porém, alguém estava falando alto demais para um ambiente hospitalar e o pior era que ele reconhecia aquela voz.

Eu simplesmente não acredito no que você pediu a ele, Santana!

Sam pode imaginar a face rubra de raiva de Quinn enquanto ela, por algum motivo, gritava com Santana. Os olhos do rapaz desviaram-se de Marley, mas ela já estava na porta quando ele, enfim, conseguiu se levantar da cama e apoiar-se no soro para segui-la. A enfermeira percebeu a movimentação atrás de si e sibilou:

– Fique quieto, você não pode se esforçar.

– É a voz da Quinn, Marley... Eu não conseguirei descansar enquanto não souber o que está acontecendo entre ela e Santana! — Sam teimou, ligeiramente tonto pelos medicamentos e dolorido pela sua lesão. Ainda assim, com muito esforço, ele se arrastou até Marley que, dando de ombros, abriu a porta para que ele passasse.

No corredor, Quinn estava sendo segura por Noah enquanto Santana permanecia parada, pálida e estranhamente pequena perto da figura furiosa que a confrontava. Quinn tentava se soltar, mas Noah mantinha um aperto forte e obstinado sobre ela. Sam olhou com certo nojo para o rapaz e perguntou:

– O que está acontecendo aqui?

– Sam? O que aconteceu com você? — Santana não sabia do confronto entre ele e Rachel, portanto, ela estava bastante chocada com o imenso hematoma em sua mandíbula. Sam agitou a cabeça, negativamente e voltou a olhar de uma para outra, ele não se importava muito com o que sentia e sim, com o que as duas estavam fazendo. Quinn se acalmou quando viu o estado do rosto de seu amigo, ela se desvencilhou dos braços de Noah e com um ar de nojo, disse a ele:

– Nunca mais toque em mim.

Em seguida, ela olhou para Santana e não precisou de muito para enxergar como a loira estava perdida e, principalmente, como ela se sentia traída pela melhor amiga. O coração de Santana se apertou, ela abriu a boca para falar, mas Quinn acenou negativamente e não disse nada, as lágrimas brilharam nos olhos verdes e ela deu às costas ao estardalhaço que participara. Sam tentou ir atrás dela, mas o toque trêmulo de Marley em seu pulso fez com que ele permanecesse parado no mesmo lugar. A náusea voltou a tomá-lo e ele desabou sobre as cadeiras de plástico no corredor. Noah, que olhava Quinn desaparecer no corredor, virou-se para Sam e sarcástico, sibilou:

– Estava tudo sobre controle, Evans.

– Sim, suas mãos estavam bem controladas sobre ela sabendo que ela não suporta você a tocando, Puckerman. — Sam retrucou furioso, de olhos fechados, sentindo sua mandíbula doer enquanto cerrava os dentes e os punhos. Ele queria dar um soco no sorriso convencido de Noah, Santana abraçou os próprios ombros e se sentou ao lado de Sam, lágrimas silenciosas manchavam o rosto moreno e ela, em busca de consolo, encostou o rosto no ombro de Sam.

Ele olhou surpreso para ela, mas nada perguntou. Enquanto isso, Marley tomou a frente e vociferou contra Noah:

– Você não é parente e, pelo visto, nem amigo de Sam ou de Charlie... Trate de cair fora, Puckerman!

– Charlie? O que aconteceu com ele? — Sam perguntou alarmado e a sua pergunta apenas fez com que Santana apertasse sua mão e finalmente se rendesse a um choro interrupto de culpa. Sam afagou os cabelos escuros da latina e murmurava palavras de consolo enquanto observava a expressão de Noah cair e ele abaixar a cabeça, evidentemente magoado.

Marley abriu um sorriso vitorioso a ele e apontou o final do corredor, não foi preciso uma segunda deixa para que o policial tomasse o mesmo caminho de Quinn. Assim que ele desapareceu no encontro dos corredores, Marley virou-se para os dois restantes e perguntou:

– Querem que eu vá atrás de Quinn?

– Não, é melhor que ela fique sozinha nesse momento... Ela machuca os outros quando está ferida. — Sam respondeu preocupado, ainda afagando os cabelos de Santana. Marley deixou de olhar para ele para observar a latina que, nas poucas vezes que vira, era um belo exemplo de força. Entretanto, naquele momento, Santana parecia quebrada e destruída, ela soluçava no ombro de Sam enquanto permanecia calada.

Dentro da advogada, tudo dela se bagunçava. Essencialmente porque ela, mais uma vez, magoara sua melhor amiga... E por mais que Quinn fosse cabeça dura, tinha que admitir que, daquela vez, ela estava certa. Mais uma vez, o amor cegava Santana a ponto de impedi-la de pensar nas conseqüências de seus atos. Mais uma vez, ela se entregava integralmente e perdia partes importantes de si. Daquela vez, ela sentia que não teria o perdão de Quinn.

Afinal, também não era a primeira vez em que tirava algo que sustentava Quinn. Que tipo de amiga era? Ela sempre tirava coisas de Quinn e não as devolvia, ela sempre feria e jamais curava. Santana sentia como se parasitasse o que Quinn era e como se a deixasse, cada vez, com menos.

Santana não merecia alguém como Quinn em sua vida.

Marley olhou de Santana para Sam e pareceu perceber que não mais cabia naquele grupo, silenciosamente, ela deixou os dois a sós, sempre olhando por cima dos ombros. Preocupada com Sam e com o quanto aquilo lhe sobrecarregaria e atrasaria sua recuperação.

Sam, após alguns minutos da saída de Marley, finalmente parou os afagos nos cabelos escuros de Santana. Ela ainda chorava, mas não mais soluçava, parecia estar prestes a desfalecer em seus braços. O loiro suspirou e, inquieto, perguntou:

– Charlie morreu?

– Sim, por minha causa... — Santana murmurou baixinho, a voz quebrando em cada sílaba que proferia. Sam ergueu as sobrancelhas para a afirmação dela, tentando entender. Os dois amigos finalmente se olharam e não precisavam que a pergunta fosse feita. Sam queria saber o motivo de Santana acreditar naquilo e ele veio caminhando através do corredor. O som de saltos e os cabelos ruivos, a mão pálida que tocou o ombro de Santana e o corpo no qual ela se envolveu e desabou. A latina tremia enquanto a ruiva a abraçava.

Sam olhou para ela e, enquanto ele mesmo chorava, pela dor de perder Charlie, pela dor de ver Quinn cada vez mais isolada e debilitada, ele murmurou fraco:

– Você não podia vê-la morrer.

Diferentemente de Quinn, Sam entendeu. Ele já vira aquele tipo de olhar e aquele tipo de atitude impensada, ele já vira muito do amor... Aquele real, aquele verdadeiro, aquele insensato.

Sam nunca o vivenciara com Mercedes, mas já sentira o peso do que ele representava pela mão de Rachel... Seu rosto era a prova viva do que o amor podia fazer, assim como as lágrimas de Santana deixavam claro quão fugazes eram atitudes feitas para proteger aqueles que amamos.

Quando se amava, as linhas do certo e do errado se confundiam, os limites desapareciam porque o que importava era a segurança e a vida daquele que amava. Não era cegueira, não era irracionalidade... Era o amor.

Puro, insensato, inconseqüente... E, ainda assim, amor.

***

Quinn estava tão fora de si que não soube o que procurava até, subitamente, parar em frente à casa de Rachel. Suas mãos ainda apertaram o volante por alguns minutos antes da professora sair do carro e praticamente correr à porta.

Dentro de seu peito, sentia como se estivessem explodido uma granada, cujos fragmentos estavam fincados em cada pedaço de si, fazendo-a sangrar cada vez mais... Fazendo-a se perder ainda mais. Ela perdera duas pessoas importantes naquele dia, duas que, por muito, definiram as melhores partes de si e que, agora, eram reduzidas a cicatrizes no interior de sua alma... Cicatrizes que jamais desapareceriam, cujas marcas disformes e necróticas ecoariam, para sempre, dentro de si. Em forma de dor, de clamor e de decepção.

Quinn não queria que Rachel se transformasse em mais uma cicatriz.

Na verdade, se Rachel desaparecesse de sua vida, ela seria bem mais que uma cicatriz... E era por isso que Quinn se viu, desesperadamente, em busca dela. Ainda mais quando Rachel desapareceu misteriosamente de seu alcance.

Quinn bateu na porta com nós nos dedos da mão direita. Bateu uma, duas, três vezes... Mais do que deveria e menos do que o necessário para saciar seu nervosismo. Ela estava trêmula e ofegante, seu coração acelerado não a ajudava a manter a calma, bombeando toda a sua ansiedade por seu sangue, fazendo-a perder-se em dor e insatisfação.

Ela precisava que Rachel a curasse de tudo que sofrera nas últimas horas. Ela precisava que Rachel fosse o seu tudo quando ela já não tinha muita coisa.

Rachel abriu a porta e nem mesmo a expressão chocada dela foi capaz de afastar Quinn. A loira impulsionou o seu corpo para frente e beijou Rachel em busca do néctar que pudesse mantê-la viva e racional. A morena retribuía seu beijo com dificuldade, mas também apertava o corpo de encontro ao dela. As duas caminharam para dentro da casa e Quinn esqueceu-se completamente dos pais dela ou do que enfrentava do lado de fora.

Estava saciando-se do que precisava para manter-se sã. Porém, mais rápido do que ela queria, Rachel cortou o beijo e colocou a mão em seu peito. Ali, Quinn percebeu que algo estava errado, aquela barreira física não lhe era familiar. Quinn olhou para os olhos castanhos e eles estavam distantes, opacos e desconhecidos aos seus olhos esverdeados.

Os castanhos desviaram-se dos esverdeados e Quinn percebeu que não estava errada, alguma coisa estava muito errada quando Rachel a deixou, sozinha, naquelas que foram as piores horas de sua vida. Sem que Quinn quisesse, seu coração apertou e, antecipadamente, um corte começou a brotar em seu peito... Ela já sangrava e sequer sabia o por que.

– Nós precisamos conversar. — Rachel anunciou de forma trivial e distante, afastando-as ainda mais. Quinn deu um passo para trás e respirou fundo, com dificuldade, apoiando-se na parede e olhando pedinte para Rachel... Ela não queria muito, ela só a queria. Rachel a encarou, os olhos castanhos frios e estranhamente agressivos. Quinn engoliu em seco e, trêmula, retrucou:

– Realmente precisamos, visto que você desapareceu o dia todo e justamente quando eu precisava de você comigo.

– Eu não vou estar com você o tempo todo, Quinn. — Rachel seguiu cortando-a por inteiro, Quinn fechou os olhos para amenizar a dor e a falta de ar diante das palavras dela. A morena colocou as mãos sobre a face e, soltou-as impaciente ao lado de seu corpo. Rachel olhou para cima e, logo depois, para Quinn de novo. A loira observou cada movimento dela e, magoada, disse:

– Isso eu já percebi, Rachel. E engraçado que você diga isso para mim quando eu estive com você durante todo esse tempo, seja qual fosse o lugar em que você me colocava em sua vida.

– Eu não pedi por você na minha vida. — Rachel disse de forma agressiva e até mesmo elevando o tom de sua voz. A morena estava tentando conduzir a conversa de uma forma que não existissem mágoas no futuro, mas aquele sentimento parecia ser algo inerente à relação das duas... Sempre existiria mágoa e, também, amor entre elas. Seu coração estava diminuto em seu peito, ela sentia-se sangrar na mesma intensidade que Quinn sangrava... Ela sentia a dor dela como sua. — E ainda assim, você esteve e me deu muito mais do que eu merecia e mais do que eu mesma seria capaz de lhe retribuir.

– Certo, eu me arrisquei sozinha e acreditei, sozinha, no que achava que nós tínhamos... — Quinn raciocinou em voz alta, andando de um lado para o outro, tentando fazer o som de sua voz soar mais alto que os sons de seu coração sendo quebrado no interior de seu peito. Mas, nada calava a dor que ela sentia. Nada calava o abandono no qual ela estava sendo, mais uma vez, submetida. — Eu nunca pedi por nada como estou, de fato, pedindo nesse momento. Seja lá o que aconteceu, Rachel... Fique comigo, por favor.

Quinn não estava se humilhando, tampouco estava implorando... Ela só queria o que lhe era seu, por direito e por amor. A loira só queria que Rachel também cumprisse sua sina e ficasse ao seu lado porque era muita ingenuidade acreditar que elas não possuíam nada quando, depois de tanto tempo, a vida lhes dava uma segunda chance.

A vida era feita de reparações, perdões e de segundas, mas jamais, terceiras chances... Se elas não fizessem dar certo nesse momento, talvez, elas nunca mais tivessem outra chance. E a Rachel que Quinn conhecia não ia desistir, seja lá o que fosse que tivesse ocorrendo na vida dela. Quinn queria que Rachel a incluísse, ela não queria ser excluída porque sentia e sabia que Rachel precisava dela tanto quanto ela mesma precisava da morena.

Rachel deu às costas a Quinn, as lágrimas molharam seu rosto e ela respirou fundo, tentando sufocá-las. Ouviu os passos de Quinn e ela deu um passo à frente, afastando-se dela. A mão de Quinn perdeu-se no ar, tentando lhe tocar o ombro. Quinn, finalmente chorou. Rachel olhou para o nada e respondeu da forma mais dura que seu emocional lhe permitiu:

– Eu não posso ficar presa à realidade quando a vida me permitiu sonhar de novo. Eu estou de malas prontas para New York, sinto muito...

– Eu não posso lhe impedir de sonhar, Rachel... — Quinn murmurou chorosa, afastando-se de Rachel e caminhando em direção à porta. Seu peito sangrava e seu coração estava nas mãos dela que, naquele momento, o estraçalhava. Rachel inclinou a cabeça para o lado, resistindo à vontade de olhá-la pela última vez. Quinn tocou a maçaneta da porta. — E sempre soube que seu lugar não era aqui, em Lima. Espero que faça uma boa viagem e que encontre naquela cidade o que você não teve aqui comigo.

Rachel ouviu a porta bater no mesmo instante que seu coração se quebrava. Ela soube, naquele momento, que seria incapaz de reconstruir seu coração quando, de fato, ele estava com outra pessoa.

***

Notas finais
O que acharam? Estou um pouco insegura, ainda mais tratando-se de tantos momentos importantes para a história... Mas, espero que ainda não tenha perdido a mão com essa história Hahahahahahaha Aguardo o feedback de vocês por meio de comentários ou recomendações. E, antes que eu me esqueça, eu tenho uma conta no Twitter para ficar mais próxima a vocês... O user é @RedfieldFer. Sigam caso queiram ler sobre meus devaneios em relação ao que escrevo Hahahaha Nos vemos na próxima, beijos!