Notas iniciais
Olá pessoas! *-*
Espero que estejam aproveitando as férias como eu estou!
Gostaria de agradecer, mais uma vez, por todos os comentários enviados a "Signal Fire". Como eu disse, essa fanfic chega a ser clichê e eu fico feliz de ver que vocês ainda acompanham e torcem por essas duas estranhas se acertarem kkk
Já aviso que o capítulo está enorme, cerca de 15 folhas. Portanto, sentem e boa leitura!

Dia 30 de dezembro, Rachel estava sentada na poltrona em frente à janela, observando a neve cair em Lima, segurando uma xícara de chá e com uma expressão pensativa. Os olhos castanhos acompanhavam um floco de neve e assim que ele caía no chão, procuravam outro para ser observado. A morena levou a xícara fumegante aos lábios carnudos enquanto dava um tímido sorriso ao perceber do que se lembrava.

Quinn estava em sua mente nos últimos dias e se antes as lembranças do beijo traziam infelicidade e preocupação ao seu coração, o toque delicado e tímido em seu pulso na livraria fizera seu mundo girar e sua cabeça, virar de ponta cabeça. Rachel respirou fundo enquanto olhava para a janela, seu coração mais uma vez acelerara, perdera a conta de quantas vezes aquilo acontecera naquele dia.

- O que está fazendo aí, querida? – A voz de Hiram veio de trás da morena, Rachel não conseguiu desaparecer com o sorriso a tempo. A morena se virou com uma expressão envergonhada e colocou a xícara sobre a mesinha próxima, pigarreou e respondeu desconfortável:

- Nada, só estava pensando.

- Ainda está cedo, não são nem 9 da manhã da véspera de um Ano Novo... Acredito que o que está pensando é de suma importância, então. – Hiram comentou brincalhão e dando gargalhadas em seguida porque Rachel estava corando furiosamente. A expressão da morena se fechou e ela fez um bico emburrado. – Calminha aí, querida. Ou eu chamo a Quinn para acabar com esse bico já!

- Papai! – Rachel gritou ainda mais envergonhada e levantando-se abruptamente da poltrona, a garota apanhou a xícara e engoliu o restante do chá que desceu fumegante pela sua garganta. Rachel amaldiçoou o pai, se ficasse sem cantar, a culpa era dele que ferrara suas cordas vocais com aquele comentário. Hiram levantou-se e foi atrás da filha segurando a barriga de tanto rir, quando conseguiu recuperar o fôlego e Rachel jogava a xícara na pia, ele perguntou fingindo-se de inocente:

- Estou mentindo?

- Papai, eu e Quinn não temos nada... – Rachel respondeu incomodada enquanto molhava as mãos na água fria da torneira e lavava a xícara. Hiram sentou-se em uma das cadeiras da mesa e observou os movimentos da filha. Rachel estava muito perturbada com o assunto, ele conseguia ver pelos movimentos atrapalhados e apressados dela. Hiram abriu um sorriso sincero e satisfeito, o homem abriu a boca para falar algo quando a campainha tocou. Rachel e Hiram se entreolharam preocupados. O homem caminhou até o hall e gritou por cima do ombro:

- Está esperando alguém, querida?

Rachel gritou a negação e concentrou-se em preparar o café para os pais. A morena escutou algumas palavras trocadas entre Hiram e o carteiro, minutos depois, o homem voltou à cozinha com um envelope. Rachel olhou por cima do ombro, mas não deu atenção. Assim que terminou de ligar a cafeteira, virou-se para o papai que a observava com um sorriso divertido nos lábios. Rachel arqueou a sobrancelha e perguntou:

- O que foi?

- Chegou para você e pelo que eu pude ver, trata-se de um convite. – Hiram soou um pouco despreocupado, mas Rachel conhecia o papai por tempo o bastante para saber que ele estava se roendo de curiosidade também. O homem leu o remetente e deu um sorriso vitorioso, Rachel encolheu os ombros e sentou-se na mesa, em frente ao papai. – O remetente diz que se trata de Santana Lopez, mas eu sei muito bem que você e ela nunca se entenderam... Talvez seja de outra pessoa.

Rachel revirou os olhos e cruzou os braços, a morena parecia incomodada e irritada com o papai. Só que, na verdade, ela estava ansiosa para ver aquele envelope. O medo de ser novamente rejeitada a assustava. Rachel vivera um bom tempo sozinha, o bastante para acreditar que nunca poderia ter Quinn por perto e a ideia da loira precisar dela, era boa demais para ser verdade...

- Obrigada por me fazer lembrar brevemente da minha adolescência repleta de bullying, papai. – Rachel rosnou irritadiça, apanhando o envelope e levantando-se bruscamente da mesa. O envelope parecia queimar em suas mãos, mas ela usava de toda a sua atuação para parecer o mais normal possível. Leroy chegou à cozinha no exato momento em que Hiram ia fazer um comentário, ele olhou da filha para o marido e disse cuidadoso:

- É, bom dia...!

- Bom dia, pai! – Rachel respondeu abrindo um sorriso e se aproximando para dar um beijo na bochecha do homem antes de correr para a sala com o envelope em mãos. Leroy olhou sobre os ombros, desconfiado, mas logo o cheiro de café tomou seu olfato e ele resolveu se aproximar do marido e dar um beijo nele enquanto o mesmo servia duas xícaras.

Sozinha, Rachel se aconchegou na poltrona e suas mãos tremiam quando ela levantou o envelope até a altura de seus olhos. Ela o abriu lentamente, enquanto respirava com dificultava. Seu coração acelerava em seu peito, mas ela tentou contê-lo para não ter que consertar os pedaços depois. Retirou um pequeno cartão de dentro do envelope, seus olhos encontraram aquela caligrafia bonita e bem desenhada que há muito tempo ela não via...


“Bom dia... Só queria te lembrar que eu te devo respostas e muito, muito mais do que apenas isso. Estamos em dívida uma com a outra e eu realmente quero que você venha à festa. Não sei, mas o brilho de uma estrela me parece melhor que o brilho de fogos de artifício na virada do ano. E eu realmente quero estar olhando para uma estrela em especial na meia-noite.” – LQF.

Rachel não percebeu quando o sorriso tomou seus lábios e nem quando seus olhos começaram a brilhar. Ela desviou-os da letra de Quinn e observou a neve novamente e dessa vez, aquele brilho juvenil e sonhador voltara aos seus olhos. A morena releu o bilhete e balançou a cabeça, Quinn continuava incrivelmente elegante até quando a situação era insustentável e bagunçada. Rachel acabou rindo e respirando fundo, o ar parecia muito mais puro agora.

A morena brincou com o papel em suas mãos antes de se levantar em um pulo e correr escada acima. Entrou no quarto e fechou a porta, depois foi até sua penteadeira e colocou o bilhete ao lado da foto que tinha com Quinn das duas na formatura. Ela girou na cadeira com um sorriso enorme nos lábios. Estava, finalmente, crescendo.

Na parede não existiam mais pôsteres da Broadway, o quarto já não era mais rosa e sim, verde e os únicos ursinhos de pelúcia eram o velho Frog (sapo) e Tony (urso) em cima de sua cama. Mas principalmente, ela sentia como se toda aquela mágoa infantil e imatura estivesse sendo sugada de seu peito.

Rachel se olhou no espelho e sorriu, ela ainda tinha as mesmas feições de alguns anos atrás, mas agora sorria e essencialmente, agora seu coração estava leve. Subitamente, Rachel Berry estava (finalmente) tornando-se mulher.



Quinn abriu a porta do apartamento com toda a delicadeza que achava ter. O seu coração ainda estava disparado devido ao que acabara de fazer e um sorriso maroto brincava em sua boca. A loira sufocava uma risada, na realidade. Nunca achara que teria coragem para fazer o que acabara de fazer, mas sempre lhe diziam que sentimentos intensos mudavam a nossa forma de ser...

Quinn só não achava que as coisas seriam tão fora de controle, ainda mais com ela que muitas vezes, era tida como “Ice Queen”.

Fechou a porta do apartamento com todo o cuidado do mundo, mas as luzes da sala rapidamente ligaram-se de súbito e Quinn acabou derrubando as chaves no chão e esbarrando na mesinha próxima a porta. Virou-se furiosa e deu de cara com uma Santana Lopez morrendo de rir. Quinn jogou as coisas no chão e disparou:

- Que merda é essa, S?

- Estava em uma missão secreta, Fabray? – Santana tinha o tom de voz irônico e divertido, estava na posição vencedora das bitches da torcida: braços cruzados sobre o peito, sorrisinho de canto dos lábios, sobrancelha arqueada e olhar superior. Quinn respirou fundo e sentiu o rosto ficar quente enquanto o rubor subia sua pele. – Vou reformular a perguntar porque, aparentemente, você parece impossibilitada de falar: estava aprontando alguma para cima de alguém?

- Santana, calada! – Quinn gritou incomodada e muito envergonhada, as risadas de Santana tornaram a tomar o ambiente e a latina teve que se sentar para não cair de tanto rir. Quinn a fuzilou com os olhos verdes vívidos e intensos, a latina tentou ficar em silêncio, mas alguns segundos olhando para o rosto vermelho de fúria de Quinn fez com que ela explodisse em risadas novamente. – Caramba, dá para você se controlar?

- Desculpa... Mas eu achava que nunca ia ver Quinn Fabray, rainha do gelo e insensível, tão idiotamente apaixonada. – Santana murmurou venenosa e olhando para as próprias unhas, como se aquilo que acabara de dizer não importasse. Quinn marchou pela sala e sentou-se na mesinha de centro da sala, em frente a Santana. As duas se olharam e Santana ainda tinha a expressão irônica e vitoriosa, Quinn respirou fundo, procurando retomar o pouco do bom senso que ainda lhe restava e disse na defensiva:

- Eu não estou apaixonada, Lopez. Apenas saí para comprar algumas coisas para a sua festa.

- Ah sério? Eu não achei que isso incluía ir até a casa da Berry. O que foi pegar lá? – Santana estava sendo cruel. A latina ficou observando Quinn sair do apartamento assim que ouviu os barulhos pelo local e quando viu o sedan da loira tomar a direção para a casa de Rachel, teve certeza de todas as coisas que Sam tentara lhe dizer. Quinn fechou os olhos e bufou em seguida, estava segurando-se para não bater em Santana. – Ou melhor, quem você foi pegar lá?

Quinn pulou em cima de Santana e o peso das duas derrubou a poltrona, a loira estava furiosa, atacando Santana enquanto a latina apenas se defendia entre risadas. A porta do apartamento foi aberta por Sam e o rapaz separou as duas sem muita dificuldade. Sam teve que segurar a cintura de Quinn que ainda estava descontrolada, a loira agitava as mãos ameaçadoramente para Santana que mesmo descabelada e arranhada, ria. Sam fez uma careta feia e apertou Quinn, a loira se acalmou um pouco e o rapaz gritou:

- Céus, o que vocês duas estão fazendo?

- Quinn não sabe brincar de jogo da verdade. – Santana disse despreocupada, dando de ombros e amarrando os cabelos negros em um rabo de cavalo. Quinn grunhiu e fez um impulso para soltar-se de Sam, o rapaz a ergueu do chão e colocou-a atrás de si, segurando-a pelos ombros, Santana ainda ria. Sam olhou sério para Quinn e disse severo:

- Pare com isso, Fabray! Você já é uma mulher feita!

- Foi Santana que começou com essas piadinhas infames. – Quinn murmurou emburrada feito uma criança enquanto Santana a olhava com desprezo e tornava a se sentar, dessa vez no sofá. Sam olhou incrédulo para Santana e perguntou apreensivo:

- O que você andou falando?

- Nada do que você não estivesse sugerido ao me contar sobre ela e Rachel. – Santana respondeu sem prestar muita atenção e dando de ombros, verificando os arranhados nos braços. Sam olhou assustado para Quinn que agora, esmurrava seus ombros. O rapaz abraçou a amiga, tentando se defender e não machucá-la, Quinn se debateu por mais alguns segundos e desistiu. Sam a puxou para longe de si e disse culpado:

- Desculpe, mas eu estava preocupado com você.

- Mas não tinha que contar para ela e nem sair por aí sugerindo coisas! – Quinn bronqueou mais calma enquanto ajeitava os cabelos curtos e desamassava a roupa. Ela olhou fria para Santana, a latina retribuiu o olhar e abriu um sorriso maldoso enquanto perguntava falsamente animada:

- Fizemos as pazes?

- Calada, Lopez. – Quinn tornou a ordenar, revirando os olhos e indo até a cozinha, voltou de lá com um copo d’água enquanto Sam fuzilava Santana e a latina brincava com as mãos em cima do colo. Santana ergueu os olhos e perguntou:

- Ainda não é a hora que você assume estar de quatro pela Berry?

- Sam, diga para essa indecente que ela não tem nada a ver com a minha vida. – Quinn disse fria, antes de tomar um gole de água e voltar para a cozinha. Santana gargalhava eufórica com a situação. Sam deu um olhar de aviso e surpreendentemente, Santana se calou e fez uma cara séria. O rapaz pigarreou e esperou Quinn voltar da sala para dizer:

- Acho que essa é a hora que você começa a ser sincera conosco, Quinn.

- Você está do meu lado ou do dela? – Quinn perguntou ameaçadora para Sam que permaneceu sério e de braços cruzados, olhando severo para ela. Quinn bufou e virou-se para Santana que segurava o sorriso nos lábios, a latina levantou-se do sofá e foi até Quinn. Mesmo diante da relutância da loira, passou os braços ao redor dos ombros da amiga e disse sincera:

- Qual é, Q? Sou eu, Santana Lopez, sua melhor amiga lésbica e ele é Sam Evans, o cara que ficou do seu lado por sete anos. Nós podemos lidar com isso.

- Eu não vou dar esse gostinho para vocês. – Quinn murmurou entre dentes e tirando o braço de Santana de seus ombros com relutância. Sam sorriu de lado, porque ele sabia que Quinn já estava rendida, mas que falaria quando achasse necessário. A loira marchou para fora da sala e Sam e Santana se entreolharam com ares vitoriosos, Santana arqueou a sobrancelha e gritou maldosa:

- Algo me diz que a festa vai ser inesquecível!

Quinn voltou para a sala só para jogar as almofadas em Santana. A latina ria e quando a munição acabou, ela ouviu a gargalhada de Quinn e Sam entre as suas. Os três se olharam com compreensão e em seguida, Quinn se jogou em cima de Santana e as duas ficaram brincando de cócegas enquanto Sam murmurava entediado:

- Ok, eu vou preparar o café para vocês.


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Rachel passara o dia no quarto, estava pensativa e distante. Leroy e Hiram, como pais compreensivos, acharam melhor deixar a filha sozinha por algum tempo. Só que Leroy conhecia o marido e a filha por tempo o bastante para saber que ambos estavam escondendo alguma coisa dele. Portando, quando o som de “My Man” ecoou pela casa dos Berry e a voz de Barbra Streisand misturou-se com a voz de Rachel, ele teve certeza que tinha alguma coisa muito errada.

- O que está acontecendo aqui, Hiram? – Leroy perguntou alarmado, desviando o olhar do noticiário da noite e olhando desconfiado para as escadas, a voz de Rachel continuava a ecoar pela casa. Hiram tinha um sorriso satisfeito nos lábios e brincava com o controle da TV, sem resposta, Leroy virou-se para o marido. Hiram sumiu com o sorriso. – Você sabe o que está acontecendo com ela, pode ir falando.

- Não sei se você percebeu, querido... Mas Rachel não tem falando muito conosco depois que voltou de New York. Eu juro que não sei de nada. – Hiram tinha a expressão séria e o tom de voz normal, mas Leroy se casara com ele justamente porque ele não conseguia esconder suas emoções por muito tempo. Leroy olhou desconfiado para o marido e sibilou:

- Eu te conheço, Hiram... Esses seus olhos ansiosos estão te entregando!

- Eu não sei de nada! – Hiram defendeu-se com uma expressão dramaticamente ofendida, Leroy bufou irritado para o amigo. Hiram olhou para ele de esguelha, sufocando a risada e voltando os olhos para a TV. – Se acha que tem alguma coisa acontecendo, por que não vai falar com ela?

- Pois é exatamente isso que eu vou fazer, estou cansada de vocês dois escondendo as coisas de mim. – Leroy respondeu emburrado antes de erguer seu enorme corpo negro e subir as escadas aos saltos, Hiram deu um sorriso vitorioso na sala enquanto continuava a brincar com o controle.

Leroy aproximou-se sorrateiramente pelo corredor. Abriu a porta do quarto de Rachel e a primeira diferença era que a estrela dourada não estava mais na porta. Quando o homem enfiou a cabeça para dentro, surpreendeu a filha subida em cima da cama, tentando tirar um pôster do musical “West Side Story” enquanto cantarolava “Don’t Rain On My Parade”. O homem deu um sorriso triste e aproximou-se, tirou as mãos da filha dali e assumiu o trabalho. Rachel olhou de lado para ele, surpresa. A morena prendeu os cabelos em um prático coque e disse:

- Obrigada, pai.

- Não precisa agradecer, eu ainda sou o seu pai e posso te ajudar com isso. – Leroy disse com uma careta enquanto puxava o pôster com delicadeza, tentando não rasgá-lo. Rachel fez uma careta para a expressão distante do pai e foi até o som, para desligá-lo. Porém, Leroy terminou seu trabalho e virou-se abruptamente para ela, parando seu movimento. – Não faça isso, querida, estava sentindo falta de você cantando.

- Bem, é... – Rachel gaguejou e corou, as palavras desapareceram de sua garganta enquanto ela virava-se rapidamente e começava a enrolar os demais cartazes que tirara da parede. A expressão de Leroy tornou-se melancólica, ele olhou para a parede limpa e para as fotografias antigas que agora, tomavam cada pedaço do mural. Sua filha continuava de costas para ele, Leroy segurou os ombros de Rachel e a puxou até a cama, ambos sentaram-se. Rachel parecia fraca e debilitada, ele sorriu amoroso e perguntou preocupado:

- O que está acontecendo, querida?

- Não sei o que o papai te disse, mas não está acontecendo nada! – Rachel respondeu com um quê de desespero em sua voz que não passou despercebido por Leroy, o homem fez um bico muito parecido com o da filha. Ele fechou os olhos e suspirou, a ideia de que Rachel estava lhe escondendo alguma coisa era estranha e decepcionante ao mesmo tempo. Leroy segurou a mão da filha entre as suas e disse:

- Estrelinha, você está tirando seus pôsteres da parede e estava cantando Barbra agorinha... Realmente quer me convencer de que não tem nada acontecendo aqui?

- Pai... – Rachel começou insegura e precisou tomar ar antes de conseguir erguer os olhos castanhos e olhar para o pai, Leroy lhe deu um sorriso encorajador e apertou a mão da filha. A morena viu-se em uma encruzilhada, seus sentimentos estavam quase transbordando e ela não sabia o que fazer. – Depois do beijo no Natal... Quinn reapareceu na livraria de Charlie.

- O que aconteceu? Aliás... Eu sei o que aconteceu. Somente uma coisa pode ter acontecido para você ter voltado a cantar.

Rachel permaneceu calada e baixou os olhos, recolheu sua mão e passou a brincar com seus dedos. A morena queria saber quando falar sobre sentimentos passara a ser tão difícil e também, queria saber em que momento a tênue linha que a ligava a seus pais foi arrebentada. Leroy contemplou o semblante preocupado da filha e se levantou tristonho, ele só queria que ela falasse...

Leroy deu alguns passos vacilantes pelo quarto e seus olhos pousaram-se no mural recém-pendurado onde uma foto ocupava um lugar especial. Quinn e Rachel sorriam para a câmera, ainda com as batas vermelhas da formatura do último ano. O homem sorriu e passou o dedo levemente por ela, recordando-se de tempos em que Rachel ainda era a sua pequena estrelinha... Sete anos, sete malditos anos que destruíram relações e transformaram pessoas.

- Quinn me chamou para passar o Ano Novo com ela. – Rachel murmurou vacilante, ela se levantou da cama e caminhou até onde o pai estava. Leroy virou-se para ela com um sorriso aberto e sincero dessa vez, o homem afagou os cabelos da filha. Rachel sorriu de lado. – Na verdade, ela me chamou para a festa da Santana.

- Mas ainda assim te chamou e depois daquele beijo, isso indica que ela está tentando lidar com o que sente. – Leroy disse sabiamente e Rachel finalmente ergueu os olhos para ela, estes estavam com um brilho diferente, algo que Leroy sabia bem ao que se devia. – E pelo visto, não foi somente isso que aconteceu.

- Nós quase nos beijamos na livraria de Charlie e dessa vez, foi iniciativa dela. – Rachel dissera tudo tão rápido que Leroy precisou piscar várias vezes, a morena ofegava e o pai não pode deixar de sorrir divertido. Rachel abaixou os olhos, extremamente envergonhada. Leroy ergueu a face dela e perguntou:

- E qual o problema nisso tudo, querida?

- Ela é ou foi a minha melhor amiga, pai... Mas ela ainda é Quinn Fabray e ainda pode me machucar. – Rachel disse cansada e, talvez, brava com os próprios sentimentos. Leroy franziu a testa e perguntou confuso:

- Mas querida... Você dizia que estava feliz por arriscar tudo por ela, lembra-se?

- Só que ela não parecia retribuir... A ideia de Quinn me querer por perto me assusta, ao mesmo tempo em que me faz feliz. – Rachel respondeu insegura e voltando a se sentar na cama. Leroy sorriu, ele se lembrou da mesma Rachel Berry falando sobre certo quaterback que entrara no coral. O pai sentou ao lado da filha e aconselhou:

- Então não se jogue de cabeça. Eu sei que você é Rachel Berry e que, com você, ou são 8 ou são 80... Mas que tal se deixar ser conquistada dessa vez?

Leroy saiu do quarto deixando a pergunta no ar, Rachel deitou-se em sua cama e fechou os olhos. Nunca achou que ia querer dormir e não sonhar com Quinn Fabray.


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- Porra Fabray, dá para você vir aqui me ajudar? – Santana exclamou irritada, pendurada nos ombros de Sam enquanto tentava pendurar uma espécie de arranjo floral no lustre. O rapaz revirava os olhos enquanto Quinn parava de andar de um lado para o outro e respondia maldosa:

- Eu te dei casa e comida por uma semana. Pode parar de reclamar, Lopez!

- Será que dá para as duas pararem? O pescoço que está sofrendo aqui é o meu e não o de vocês! – Sam exclamou dolorido enquanto tentava equilibrar Santana em seus ombros e não derrubá-la no chão. Quinn revirou os olhos e apanhou um pedaço de cetim branco para colocar em volta do corrimão. Santana deu um tapa na cabeça de Sam e reclamou:

- Está me chamando de gorda, boca de caçapa?

- Estou te chamando de folgada, S! Pare de se mexer e conseguiremos colocar esse arranjo sozinhos e sem a ajuda da Quinn! – Sam respondeu revoltado e com uma careta de dor enquanto ajudava Santana que, finalmente, conseguira colocara o arranjo onde ela e Kurt queriam.

Faltavam apenas algumas horas para a festa e eles estavam terminando a decoração no imenso apartamento de Santana. Era na cobertura, tinha uma ampla área para a sala de estar e uma varanda com portas de vidro do lado de fora. Kurt ficara de terminar o serviço com Karofsky para que os três pudessem ir se arrumar.

Enquanto terminava de arrumar a fita de cetim ao longo do corrimão, os pensamentos de Quinn voaram insistentemente para Rachel. Não recebera resposta para o bilhete que enviara e toda vez que ligara para a casa dos Berry, Rachel parecia ocupada ou estava descansando.

Rachel estava evitando-a e Quinn estava começando a ficar irritada com aquilo. Estava até duvidando que a morena pudesse aparecer na festa. Justo agora que tinha tanta coisa para falar e fazer...

- Uma moeda por seus pensamentos, Quinn... – Kurt tinha um sorriso no rosto e ajudava Quinn com a fita agora, amarrando delicados laços pelo corrimão. Quinn sorriu sem graça para ele e imediatamente, tentou colocar aquela máscara de felicidade no rosto, Kurt fez uma careta. – Pode parar com essa carinha meiga, eu sei que tem alguma coisa errada com você.

- Estou preocupada com uma pessoa, só. – Quinn respondeu vagamente e subiu alguns degraus que levavam aos demais locais do apartamento. Kurt olhou inquisidor para ela e a acompanhou na subida, os dois amarraram o último nó em silêncio e Quinn virou-se para o amigo que ainda a observava preocupado. – É sério, Kurt... Não é nada.

- Eu nunca te vi assim nos últimos sete anos, Fabray. Não tente me enganar. – Kurt fora severo em suas palavras, ele ofereceu o braço para a amiga e ambos desceram as escadas. Kurt rumava para a sala onde Santana desistira de colocar o arranjo e Karofsky estava subindo em uma escada para fazer o serviço, Quinn pegou o amigo dando um sorriso para Dave e o puxou para a varanda. Estava agradável, inexplicavelmente, Santana conseguira colocar um aquecedor ali. Os dois olharam a neve cair através do vidro e Quinn pigarreou, desconfortável:

- Estou preocupada por causa de Rachel. Ela tem me evitado nos últimos dias.

- Quinn, estamos falando de Rachel Berry, você deve saber que ela é inesperada em suas atitudes. Dê tempo a ela para que ela a deixe entrar em sua vida. – Kurt disse sabiamente e sorrindo para Quinn, a loira olhou para os olhos claros do amigo que refletiam tanta generosidade e bondade. Quinn corou brevemente, pois suas lembranças rumaram para o quase beijo na livraria. – Por que esse rubor, Fabray?

- Kurt, eu... – Quinn engasgou e procurou respirar fundo. Ela olhou de lado para ver se Santana e Sam estavam por perto, a latina estava xingando Dave em espanhol enquanto Sam ria sem parar da cara confusa do ex-companheiro de time. A loira voltou os olhos para Kurt que a observava preocupado. – Eu acho que estou gostando de Rachel, como mulher.

- VOCÊ O QUE?! – Kurt exclamou fora de si, fazendo com que Santana e os demais olhassem assustados para ele, Quinn bateu nos ombros do amigo e riu da reação exagerada de Kurt. O rapaz se recompôs e suspirou. – Eu sabia que algo estava acontecendo, mas eu não sabia que você tinha até se aceitado.

- Kurt, o ponto não é esse. – Quinn disse séria e incomodada, adorava como as pessoas sempre esperavam o pior dela. Kurt fez uma careta confusa e os olhos claros faiscavam curiosidade agora. – O ponto é que eu quase a beijei há alguns dias e a chamei para vir a festa. Só que, aparentemente, ela não ligou muito para isso.

- FABRAY! VAMOS VOLTAR PARA O SEU MUQUIFO, TEMOS QUE NOS ARRUMAR! – A voz aguda e desagradável de Santana ecoou na entrada da varanda. Quinn virou-se furiosa para a amiga, mas nada disse. Kurt olhou de uma para a outra, até que a loura voltou a olhar para ele à procura de um conselho. Kurt apertou as mãos dela e disse misterioso:

- Faça o que sabe fazer melhor, Quinn: conquiste.

Quinn engoliu em seco, pela primeira vez na vida, não estava sentindo-se confiante o bastante para conquistar alguém. Ela abriu a boca para questionar Kurt, mas Santana já a tinha puxado para fora dali enquanto a xingava em espanhol.


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Rachel sabia que estava mais de uma hora atrasada em relação ao horário da festa, mas ela estava indecisa entre ir ou não ir. Tinha tomado um banho e trajava um pesado roupão enquanto olhava aleatoriamente para o guarda-roupa aberto diante de si. A morena suspirou e passou a mão sobre os olhos, jogando-se na cama em seguida.

Durante todo o dia, seus pensamentos voaram para Quinn e se concentraram nas palavras do pai. Um lado de si queria se jogar nessa nova situação enquanto outro lado queria fazer exatamente aquilo que o pai lhe dissera: ser conquistada. Mas, inevitavelmente, a morena tinha que ir naquela festa se quisesse saber o que poderia fazer a partir dali.

Rachel levantou-se abruptamente, foi para o guarda-roupa e apanhou um jeans preto que ficava bastante justo em suas curvas. A blusa demorou um pouco mais para ser escolhida, mas a morena decidiu não pesar tanto o visual já que não sabia o que Quinn ia querer com ela, optou por uma blusa vermelha mais folgada com alguns detalhes em branco. Em seguida, calçou as botas pretas por cima da calça e fez uma maquiagem leve, destacando os olhos e a boca.

Rachel olhou-se no espelho e ficou treinando um sorriso, depois de muitas... Viu que não conseguiria se manter falsamente confortável em um ambiente que teria Quinn e os demais gleeks. Apanhou o trench coat preto pendurado ao lado da porta e desceu as escadas correndo. No andar debaixo, o casal Berry já se arrumava para curtir os shows da virada do ano pela TV. Leroy assoviou quando viu a filha, Rachel corou e sorriu de lado, Hiram pigarreou e perguntou:

- Quer carona, querida?

- Na verdade, eu quero. Desde que os dois prometam ficar calados, prometo contar tudo para vocês quando chegar em casa. – Rachel estava séria e parecia bronquear os pais. Os papéis estavam invertidos ali e os pais acenaram silenciosamente para filha, Leroy pulou o sofá e apanhou as chaves do carro enquanto Hiram e Rachel saíam pela porta da frente.



Rachel precisou fazer um pequeno drama para que os pais a deixassem longe da entrada do prédio, muitos carros estacionados na rua e a morena sorriu diante da alegria do clima de Ano Novo. Entrou no prédio e depois de uma breve observação, o porteiro a acompanhou até o elevador e apertou o botão para a cobertura.

Os poucos minutos que antecederam a sua chegada a cobertura, Rachel respirou fundo e com dificuldade várias vezes. A morena prendia as mãos nos bolsos do casaco enquanto olhava os números correspondentes aos andares passarem vagarosamente diante de seus olhos. Rachel mordia o lábio inferior quando as portas enfim de abriram.

O último andar era elegante assim como o restante do prédio, as paredes brancas com detalhes em preto no teto e na porta. Aliás, só existia uma porta naquele andar e o som de uma música vinha de dentro dela. Não tinha mais como fugir, teria que entrar ali e enfrentar seus demônios.

Rachel aproximou-se da porta, sua mão tremia quando ela levantou para tocar a campainha. A morena esperou alguns segundos de cabeça baixa quando, enfim, a porta se abriu revelando um sorriso que Rachel já havia muito esquecido. Os olhos claros a olharam de cima em baixo com a sobrancelha arqueada e fizeram um leve gesto de aprovação para sua roupa, depois, Kurt Hummel a puxou para dentro e disse eufórico:

- Rachel! Você não sabe como é bom te ver de novo!

- Ahm, é... Olá Kurt. – Rachel respondeu desconfortável enquanto sentia-se puxada para dentro pelas mãos do rapaz. O apartamento de Santana era imenso, com uma decoração delicada e que Rachel tinha certeza que não tinha nada a ver com a latina e para surpresa de Rachel, não havia mais do que 50 pessoas ali, realmente parecia uma festa particular, diferente das festas de Santana no ensino médio. Quando deu por si, Kurt a puxara até alguns sofás e estava sentado olhando para ela. O rapaz a observou com afinco e disse melancólico:

- Por onde andou nesses sete anos hein?

- Todo mundo sabe por onde eu andei, Kurt. – Rachel respondeu rapidamente, até um pouco ríspida enquanto, disfarçadamente, procurava por Quinn. Reconheceu alguns ex-colegas de McKinley High, mas parecia tão centrada que sequer reconheceu seus parceiros de coral. Kurt fez uma careta ofendida e segurou a mão de Rachel que repousava sobre o encosto, rapidamente a morena voltou sua atenção para ele. Os dois ex-amigos se olharam com intensidade e um sorriso bondoso surgiu nos lábios de Kurt ao dizer brincalhão:

- Ah sim, New York... Enquanto nós, pobres mortais, ficamos em Ohio ou fomos para locais menos badalados.

- Digamos que não foi tão bom assim... Não leu as notícias? – Rachel tinha um tom de voz irônico que Kurt nunca tinha ouvido dela, agora sim ele entendeu o que Quinn quis dizer sobre a “mudança” dela. Kurt vasculhou os olhos castanhos e encontrou uma energia fria pairando ali, ele respirou fundo e afagou a mão da garota. Nesse instante, um enorme corpo tomou a visão de Rachel, este entregou uma taça de vinho para Kurt e disse:

- Só tinha vinho tinto seco, Santana me disse que Quinn trará um mais doce daqui a pouco.

- Tudo bem, obrigado Dave. – Kurt agradeceu com um sorriso brilhante e sincero enquanto Rachel arregalava os olhos e Dave Karofsky virava-se para ela com uma expressão gentil na face. A morena se levantou para cumprimentar Dave e o rapaz beijou sua mão, Kurt sorriu satisfeito da expressão confusa de Rachel. – Acho que você se lembra de Rachel, não é Dave?

- Claro que sim, nunca me esqueceria da melhor voz do New Directions! É um prazer te ter de volta à cidade, Rachel. – Karofsky deu um sorriso gentil e virou-se para Kurt que afagou seu braço com um olhar devoto, aquele gesto não passou despercebido por Rachel, nem o rosto vermelho e o sorriso bobo de Karofsky. – Foi muito bom te ver, Rachel.

Karofsky se afastou depois disso e Kurt e Rachel tornaram a ficar sozinhos. A morena acompanhou o ex-jogador de futebol antes de ela se virar para Kurt que sorria e ria de tudo no momento. Rachel não pode conter o sorriso em seus lábios e muito menos, a pergunta que veio a seguir:

- E o Blaine?

- Sete anos é muito tempo, Rachel. – Kurt tinha o semblante sério agora e a voz carregava um pesar que Rachel tinha a impressão de saber o que era. O rapaz cruzou as pernas e a morena notou que ele continuava se vestindo bem: a camisa social, o colete preto e a calça cinza faziam um belo conjunto. – Blaine desapareceu com Sebastian após a minha recusa em NYADA. Depois, fiquei sabendo que ele tinha voltado a Dalton e ao terminar o ensino médio, foi para New York. Deve estar na Broadway nesse momento.

- Pelo visto, muitas coisas mudaram... Não é? – Rachel comentou tristemente com um sorriso de apoio para Kurt, o rapaz deu um sorriso de lado e apertou a mão da amiga. Falar sobre Blaine ainda doía, mas Karofsky estava lhe ensinando que existiam mais coisas na vida além de uma paixonite de colegial e Kurt estava aprendendo muito com esse “novo” Dave Karofsky. Os dois se olhavam saudosos e sequer notaram a aproximação de duas pessoas, só ouviram a voz seca de Santana:

- Muitas coisas mudaram, Berry. Menos a minha ligeira ira em te ver aqui em casa.

- Não ligue para ela, Rachel... Essa é a forma da Santana dar boas-vindas a alguém. – Sam disse envergonhado e se aproximando da morena, Rachel ficou novamente em pé e foi recepcionada por um abraço caloroso de Sam. O rapaz separou-se dela com um sorriso e quando Rachel ia sentar-se novamente, Santana disparou:

- Pode ficar em pé, Berry... Eu ainda quero te dar um abraço.

- Por favor, Kurt, verifique se ela não tem uma raspadinha escondida nessa meia-arrastão ou nesse vestido preto minúsculo. – Rachel respondeu atrevida e com a sobrancelha arqueada, Santana abriu um sorriso satisfeito e aproximou-se da morena, dando-lhe um abraço apertado e saudoso. A latina revirou os olhos, se separou dela e disse:

- Adorei esse seu novo eu, mas tome cuidado, eu podia ter uma raspadinha escondida debaixo do chapéu.

Sam tirou o chapéu da cabeça de Santana e olhou, por precaução. A latina bufou irritada e puxou o chapéu da mão de Sam, dando um soco no peito do rapaz e gritando por cima dos ombros que precisava arranjar mais bebidas. Sam abriu um enorme sorriso e Dave veio se sentar no descanso para braço da poltrona de Kurt. O loiro fez o mesmo na poltrona de Rachel e, observando a face preocupada da morena, disse bondoso:

- Quinn já vai chegar, ela se enrolou com as roupas. Como sempre.

- Não sei por que, Quinn é uma mulher linda. Não é do tipo que precisa de uma roupa para chamar atenção. – Karofsky comentou antes de tomar um gole de seu whisky, toda a presença masculina na conversa concordou e Rachel sentiu um leve calor subir por seu pescoço. Ainda assim, a morena deu um sorriso e disse sincera:

- Eu também concordo com Dave... Mas se eu já estou atrasada, imagine Quinn?

Os rapazes deram um sorriso no exato momento que Rachel sentiu um cheiro familiar. A morena segurou seu corpo para não se virar, tamanho era o magnetismo que aquilo exercia em si. Minutos depois, observou a mudança de expressão de Dave e Kurt. O designer ficou em pé e disse surpreso:

- Oh my, Fabray... E eu achando que você não podia ficar ainda mais bonita!

- Você está linda, Quinn... Acho que a demora valeu a pena! – Dave comentou enquanto Quinn cumprimentava Sam com um beijo no rosto e dirigia-se para ele e Kurt. Rachel permaneceu com os olhos baixos, brincando com suas mãos. Ouviu quando Quinn agradeceu os elogios e sentiu o perfume de rosas ainda mais forte próximo a si. Um toque delicado ergueu seu queixo e ela foi pega pela beleza inebriante de Quinn Fabray.

Uma maquiagem leve no rosto, mas que destacava os olhos verdes que pareciam ainda mais intensos. Os lábios tinham um tom róseo quase infantil e quando Quinn ofereceu a mão e puxou Rachel discretamente, a morena ficou em pé, sentindo-se pequena diante de tamanha beleza. Quinn trajava uma calça escura extremamente colada, uma camisa social folgada e alguns colares de ouro, nós pés tinha uma bota de salto fino. Ela aproximou-se sorrateira de Rachel e envolveu a pequena em seus braços. Sem jeito, Rachel a abraçou e sibilou envergonhada:

- Você está linda, Quinn.

- E você está fantástica, Rachel. – Quinn tinha o tom de voz baixo e contido, Rachel sentiu cada pedaço de si se arrepiar com a voz dela tão próxima ao seu ouvido. As duas se separaram e Quinn sorria, enquanto Rachel parecia querer se esconder debaixo da terra. Kurt e Sam observavam a cena, felizes e Dave voltara para buscar mais uma taça a Kurt. Quinn observou Rachel antes de se virar para Kurt e Sam, ela arqueou a sobrancelha e bronqueou:

- Eu não acredito que Rachel chegou e vocês nem se ocuparam com o casaco dela e muito menos, em oferecer-lhe uma bebida!

- A convidada é sua, Fabray... Se vire! – Kurt resmungou na defensiva e Quinn riu da cara do amigo, a loira piscou para Sam e puxou Rachel pela mão. Ajudou a pequena com o seu pesado casaco e o pendurou no armário ao lado da porta antes de carregá-la até a cozinha.

Uma corrente elétrica percorria o braço de Rachel, a morena abaixara a cabeça e se agarrara a mão de Quinn enquanto corava. A loira não deixou de perceber isso e sorriu satisfeita, apertando a mão da morena entre as duas. Quando chegaram a imensa cozinha, Quinn colocou a garrafa de vinho que tinha em mãos sobre o balcão. A loira vasculhou as gavetas atrás de um abridor e Rachel permaneceu ao lado dela, escorada ao balcão e observando cada movimento.

- Achei que eu estava atrasada, mas você conseguiu me superar. – Rachel comentou tímida e arrancando uma gargalhada de Quinn. A loira levantou os olhos para ela, tinha o abridor em mãos. Colocou-se em frente a Rachel e aproximou-se ainda mais, a tensão entre elas tornou-se evidente, Quinn tornou a se aproximar sem tirar os olhos de Rachel e a morena podia jurar que via desejo neles... A mão de Quinn roçou em seu braço para, em seguida, apanhar a garrafa que estava atrás de Rachel. A morena suspirou decepcionada, porém, Quinn parou próxima ao seu ouvido e sibilou:

- Eu costumo demorar quando me arrumo para alguém, fico nervosa.

Rachel sentiu cada pedaço de si se arrepiar, tão logo se aproximou, Quinn se afastou e abriu a garrafa com um sorriso de lado que a morena achou extremamente sexy. Rachel engoliu em seco, ainda observando os gestos elegantes de Quinn. A ex-cheerio apanhou duas taças no armário e serviu o vinho, estendeu uma para Rachel e escorou no armário, observando. Rachel corou e disse envergonhada:

- Você já pode parar de me olhar, Quinn.

- Achei que não fosse vir. Mas estou feliz que tenha vindo... – Quinn disse sincera e com um sorriso doce nos lábios, em seguida, tomou um gole do vinho e lambeu os lábios, Rachel pegou-se ofegando no mesmo instante. A morena virou quase toda a taça que segurava antes de Santana aparecer. A latina olhou de uma para a outra, recebendo um olhar assustado de Rachel e uma expressão de tédio de Quinn, Santana abriu um sorriso maldoso e comentou:

- Vocês duas podiam parar de ser anti-sociais e começarem a freqüentar o mesmo ambiente que os pobres mortais ali na sala... Ok?

- Já estamos indo, S... Eu vou mostrar o apartamento para Rachel, ela me pareceu bastante curiosa em conhecer. – Quinn respondeu delicadamente e com uma piscadela. Rachel a encarou e deu um sorriso, Santana sufocou uma gargalhada e comentou irônica:

- Sei muito bem o que quer mostrar para ela, Fabray.

- Santana, o que eu te disse sobre educação? – Quinn devolveu sarcástica e com aquela expressão de HBIC, Santana mostrou o dedo do meio para ela e saiu da sala. A loira tornou a se virar para Rachel que estava quase agarrada ao balcão, Quinn apanhou a garrafa de vinho e fez sinal para que Rachel a seguisse por uma porta contrária a que Santana saía. Rachel não estava mais em si para negar qualquer coisa que Quinn sugerisse, por isso a acompanhou.

Quinn terminou sua taça e a segurou na mesma mão que segurava a garrafa. Estendeu a mão livre para Rachel que a apanhou e as duas saíram em um pequeno corredor iluminado apenas pela luz da rua. Rachel pegou-se hipnotizada pelo jogo de luz e sombras atuando no rosto perfeito de Quinn, assim como percebeu o sorriso satisfeito dela. Quinn a levou até uma escada que ficava de frente para uma imensa janela, onde se podia ver toda a Lima. A ex-cheerio sentou-se nos degraus, estava mais frio ali e ela se encolheu, Rachel sentou ao seu lado e as duas observaram a cidade em silêncio.

Rachel olhava para Quinn, completamente incrédula do que estava acontecendo ali. Seu coração deixara a normalidade há muito tempo e agora brigava com sua caixa torácica, quase explodindo dentro do seu peito. Seus olhos já não mais lhe obedeciam e suas mãos brincavam com a taça vazia. Quinn, por sua vez, tinha um sorriso nos lábios e olhava as luzes com profundo interesse, a expressão estava leve e tranqüila. Rachel nunca a achou mais bela do que naquele momento.

Quinn serviu mais uma pequena dose de vinho para Rachel que agradeceu com um aceno de cabeça. O restante do vinho foi para sua taça, a garrafa vazia foi parar em algum lugar que não atrapalhasse aquele momento entre elas. Rachel conseguiu, finalmente, desviar os olhos e após um gole do vinho doce, comentou:

- Dave disse que você ia trazer a bebida mais doce... Kurt deve estar morrendo de raiva de nós por termos desaparecido com a garrafa.

- Na verdade, essa eu trouxe especialmente para nós... As outras garrafas estão na geladeira. – Quinn disse entre risadas e virando-se para olhar Rachel, só agora ambas perceberam o quão próximas estavam. Quinn abriu um sorriso e Rachel mordeu o lábio, tentando não se perder nos lábios e nos olhos intensos da loira. Rachel tomou o restante do vinho e disse brincalhona:

- Vai precisar de mais de uma garrafa para me embebedar, Fabray.

- E por que você acha que eu quero te embebedar, Berry? – Quinn perguntou misteriosa e deixando a taça de lado, sem sequer terminá-la, ela arqueou a sobrancelha e Rachel percebeu que aquela era a expressão da qual mais gostava na loira. A morena rompeu o contato visual e disse:

- Não sei, talvez você não queira só olhar para a “estrela” durante a noite.

- Você tem razão... Eu não quero só olhar para a estrela, eu quero conquistá-la e trazê-la para perto de mim. – Quinn murmurou roucamente, próximo ao ouvido de Rachel. A morena sentiu o arrepio percorrer sua pele e remexeu-se. Sua estratégia não ia dar certo, ela era fraca e rapidamente seria conquistada por Quinn Fabray, Leroy não tinha sugerido a melhor das hipóteses para aquele momento.

Perdida em seus devaneios, Rachel sentiu quando a ponta dos dedos finos e pálidos de Quinn tocaram a sua pele. Ela virou-se surpresa para a loira, Quinn sorria devota para ela. Rachel retribuiu o sorriso no exato instante que os dedos correram pelos seus cabelos. Quinn virou o corpo, ficando quase de frente para ela, Rachel apoiou a face no em uma das mãos e perguntou:

- O que você quer com isso, Quinn?

- Eu não sei... Quero descobrir junto com você – Quinn murmurou ainda mais próxima e tirando o cabelo do pescoço de Rachel, beijando a pele exposta. Rachel colocou a mão sobre a coxa da loira, apertando-a e rindo do atrito que a respiração de Quinn causava em sua pele. Rachel se afastou e olhou para Quinn, a loira estava com um pequeno bico insatisfeito.

O corpo de Rachel respondia a presença de Quinn ali e quase a jogava em cima da loira. A morena se controlava e firmava os pés no chão, sentando-se reta e tensa. A mão que repousava na perna de Quinn saiu dali rapidamente ao mesmo tempo em que Rachel sentia todas as suas barreiras ruírem. Quinn massageava sua nuca e Rachel fechara os olhos, mordendo o lábio inferior, a loira se aproximou e Rachel sentiu quando a respiração dela tocou em sua pele.

Quando os lábios estavam para se tocar, Rachel colocou o dedo indicador sobre a boca de Quinn. A loira abriu os olhos, desconcertada e totalmente envergonhada. Rachel se levantou rapidamente e disse afobada:

- Desculpa.

- Pelo quê? Por não querer mais isso ou por não me beijar? – Quinn perguntou agressiva e sedutora e as pernas de Rachel tremeram, quase levando a diva ao chão. Rachel se apoiou na escada, sentindo o cetim entre seus dedos e fechou os olhos, novamente o perfume de rosas invadiu seu olfato. As mãos trêmulas de Quinn tocaram sua cintura e a loira prensou o pequeno corpo moreno a escada. – Abra os olhos, Rachel.

Rachel abriu os olhos e deparou-se com dois orbes verdes e intensos lendo cada pedaço de sua alma... O corpo moreno amoleceu e a tensão de foi. Quinn afagou a bochecha de Rachel e aplicou um beijo ali, antes de se afastar com um sorriso sincero no rosto. Rachel tentou retribuir, mas corou e o aperto em sua cintura apertou. Quinn se aproximou dela e roçou o lábio de ambas, depois, disse:

- Por favor, eu não vou mais te deixar...

Rachel sequer teve tempo de montar as palavras em sua cabeça. Porque nesse instante, o calor de Quinn fundiu-se com o seu e as bocas se encontraram. Quinn explorava os lábios de Rachel delicadamente, esperou quando Rachel sentiu-se segura o bastante para lhe ceder mais intimidade... E Rachel cedeu, a morena entreabriu os lábios e as línguas de ambas começaram uma batalha que gerava gemidos e respirações entrecortadas. Rachel enlaçou o pescoço de Quinn e sentiu as mãos da loira subiram por sua barriga, arranhando discretamente por debaixo do tecido.

Quinn sorriu entre o beijo e Rachel também, a morena a empurrou levemente, mas permaneceu colada a Quinn, segurando-a próxima. A loira pincelou o nariz de ambas antes de aplicar um selinho demorado nos lábios carnudos de Rachel. A morena ofegou e logo depois, afundou o rosto no peito de Quinn e ali permaneceu até que, em algum momento entre os gritos de “Feliz Ano Novo” e dos fogos, Rachel murmurou:

- Eu sei, Quinn. Eu sei que você vai continuar aqui.


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Notas finais
Não sei se fui brega ou se fui bem nessa cena do beijo delas... Espero que tenham gostado.
Esse capítulo foi feito em 3 dias, por isso, me desculpem qualquer erro ou qualquer deslizada.
O que acharam de Kurtofsky e de Santana?
Comentem e recomendem se gostarem, beeijos e até mais (: