Sign Of The Times
2 Capítulo 2 - You can't bribe the door on your way to the sky

7 de fevereiro de 2015 – Sidney — Austrália
Sempre fui uma grande fã de One Direction, mas não me imaginava indo a um show da banda. No entanto, quando foi anunciado que McBusted faria a abertura da apresentação na Austrália que coincidentemente seria no mesmo período em que eu deveria estar em Sidney para a divulgação da série de livros qual fazia parte como uma das autoras, eu percebi que o destino estava me dando um sinal de uma vez na vida fazer algo por puro prazer. Não foi fácil conseguir um ingresso em cima da hora, e meu empresário na época não ficou feliz em ter que refazer minha agenda para que eu ficasse dois dias a mais em Sidney, mas me lembro que quanto mais dificuldades apareciam, mais aumentava a minha vontade de ir ao show. Meus colegas caçoaram muito quando anunciei a motivo de permanecer na Austrália mais um dia, ainda mais porque havia todo um estigma de as fãs da banda tinham entre 12 e 15 anos e na época eu estava as vésperas de completar meus 20 anos, mas nada disso me fez mudar de ideia.
Fiquei muito surpresa quando a seção teen de um jornal, me procurou oferececendo um ingresso vip e passe para o backstage em troca de um artigo contanto em primeira pessoa a sensação de ir a um show da banda mais falada do momento, topei é claro mais uma vez encarando como um sinal de que aquela apresentação iria mudar a minha vida, e mudou mesmo. O show em si havia sido incrível, foi o primeiro show da turnê e havia um clima de estreia e ansiedade que tornava tudo mais intenso, durante a apresentação das 23 músicas eu me senti a própria Alice depois de cai na toca do coelho, parecia um universo paralelo ao que eu habitava antes de entrar no estádio e quando os últimos acordes de Best Song Ever soaram anunciando fim do show eu senti que algo em mim havia mudado.
De posse do passe para os bastidores criei coragem de ir conhecer os integrantes da banda que haviam me feito, pela primeira vez na vida realizar uma atividade não programada. Estava sendo levada pelo segurança até a área permitida quando uma fã desesperada me agarrou pelo braço implorando que eu a levasse junto. Implorei ao segurança que permitisse, mas o mesmo não se deixou demover nem mesmo um milímetro, mesmo quando eu me ofereci para pagar a entrada na menina, que já soluçava desiludida abraçada com o que parecia ser sua mãe. A pequena movimentação chamou a atenção de alguns reportes o que me deixou ainda mais nervosa: no final do dia eu ainda era uma figura pública e não podia deixar que uma briga com um segurança manchasse minha carreira.
Surpreendendo até a mim mesma, acabei dando meu próprio passe vip para a garota que depois de me abraçar saiu em disparada seguida da mãe e de outro segurança, enquanto o brutamontes com quem eu havia discutido me escoltava cercada de repórteres até a saída sem no entanto dar nenhuma declaração. Naquela noite, ainda furiosa com o segurança digitei a matéria "Você não pode subornar a porta em seu caminho para o céu", onde depois de descrever a experiência única proporcionada pelo show, ironizei a atitude do segurança, deixando claro meu desgosto por aquele muro quase intransponível que parecia haver entre os garotos e as fãs na vida real.
Fui arrancada das minhas lembranças, quando uma voz familiar me chamou atenção. A sala com iluminação indireta, uma farta mesa de comida e diversos pufes e sofás espalhados era montada sempre da mesma forma, com exceção de um detalhe: na grande foto localizada atrás da enorme televisão havia apenas 4 garotos e não 5.
E por falar no 5 integrante perdido, era ele mesmo que aparecia na tela da tv, dando mais uma de suas entrevistas, que não condiziam nada com a afirmação inicial após a sua saída da banda: a de querer levar uma vida normal. Ele parecia estar muito bem visto de fora, mas todos nós o conhecíamos o suficiente para saber que ele não estava bem de verdade. Eu tinha certa simpatia por Zayn Malik, na verdade. Como ele reclamava de maneira indireta, eu sabia muito bem como era estar nas mãos da Modest! com seus consultores de marketing controlando cada passo, cada declaração e cada atitude. A minha história com a empresa, começou na reunião que se seguiu ao meu artigo para o jornal australiano, a Modest! teria acabado com a minha carreira por causar um escândalo envolvendo a One Direction logo no primeiro show da turnê se eu não tivesse topado fazer parte de uma enorme rede de mentiras.
Fale com o autor