Siga o Corvo
1 Capítulo Único
O corvo grasnou enquanto vigiava, do alto, o jovem cavaleiro que viajava sobre o seu cavalo negro. Viajavam pelas planícies cujo solo literalmente bebera de sangue humano. O sangue de Abel. O cavaleiro havia mandado seus homens livrar o lugar dos bárbaros imundos que infestavam suas terras.
Siga o corvo. Deixe que ele o guie.
Contaram ao garoto a respeito da existência de um Deus que vira ódio dentro dos corações de Sua criação e que decidira recomeçar o mundo, fazendo com que chovesse até que, de todas as famílias, apenas uma sobrevivesse dentro de uma arca.
Contaram a ele que aquele Deus era Pai a todos, e que eles eram encarregados de livrar a terra dos maus por Ele. O menino queria ser amado por seu Pai e, assim, obedeceu às ordens impostas a ele, tingindo de vermelho o seu manto branco.
Sua espada cortava pela carne, perfurava armaduras, esmagava todos aqueles que a ele se opunham. Seus homens matavam sob as ordens dos velhos sacerdotes, que mentiam aos seus ouvintes sobre palavras de massacres e destruição, e corrompiam os jovens. Jovens que sonhavam sobre futuros de luz, justiça e bondade.
O garoto cuja alma era mais pura que as asas da pomba, que acreditava ser um benfeitor, logo tornaria-se o próprio Ceifador. O mensageiro da Morte e da Guerra.
Siga o corvo.
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