Sickly Desire
31 Ninguém em que possa confiar
Notas iniciais
Freed dormia durante todo o trajeto até o esconderijo. Ao seu lado, Bickslow olhava para o cenário que se passava rapidamente pela janela do carro. Ainda estava confuso algumas coisas para ele, como o fato de Laxus ter conseguido tanto poder econômico naquele mundo. Olhou para Freed, se lembrando das cicatrizes em seu corpo. Sabia que ele não conseguia se defender muito bem sem magia e aquele mundo lhe dava uma desvantagem terrível.
Chegando ao destino, o motorista parou o carro, abrindo a porta de trás para que ambos descessem. Bickslow teve de acordar o menor que, sonolento, saiu do carro se escorando em uma parede. Sentia-se muito cansado. O motorista entregou a chave da casa para Bickslow tornando a entrar no carro, indo embora. Puxando Freed pelo braço, ele abriu a porta de uma casa simples e pequena.
A casa não era luxuosa. Tinha móveis, piso e decoração bem simples, mas que lembravam bastante o estilo japonês. Quando ambos estavam dentro da casa, Bickslow tratou de trancar a porta, enquanto Freed caminhava cambaleando procurando pelo quarto. Apenas queria dormir. Encontrou o único quarto que tinha uma cama de casal. Ângela achava que aquela seria uma boa oportunidade para que acontecesse algo entre os dois.
Sem esperar algo de Bickslow, o menor deitou na cama para poder dormir novamente. Ainda de sapatos, ele se encolheu na cama. Sentia-se fraco. Efeito da anemia forte que se corpo adquirira graças a Laxus. Além de abusar dele, ele estava lhe matando aos poucos. Apertou o lençol abaixo de si fechando os olhos.
- Vai dormir de sapatos e casaco? – escorado na porta, o homem olhava para Freed. Normalmente era brincalhão e fazia piadas, mas desde que vira Freed estava se mantendo sério.
- Desculpe Bickslow – disse com os olhos ainda fechados. – mas estou muito cansado. Se eu sujar o lençol prometo lavá-lo depois..... – afundou mais o rosto no lençol.
Bickslow se aproximou do rapaz, se sentando na cama. Freed não podia ver, uma vez que estava de olhos fechados e o outro tinha os olhos vendados, mas Bickslow o comia com os olhos. Assim como Laxus, sempre se sentira atraído por ele e o fato de que o outro estava abusando dele o enfurecia. Queria confrontar Laxus e tomar o menor para si, mas tudo tinha seu tempo.
Ficou refletindo por alguns minutos, até que levou a mão até a nuca do rapaz, jogando seu cabelo para o lado, queria sentir como era sua pele. Freed que começara a cochilar acordou assustado, recuando o corpo para trás. Em questão de segundos sua respiração se acelerou assim como seu coração.
- Ei calma, sou eu! – disse o maior o segurando pelo braço para que ele não caísse da cama. Cegou a se assustar com o salto que o Freed dera.
Ofegando, o menor levou a mão até a cabeça respirando aliviado ao ver que não era quem imaginara. Por um segundo achou que fosse Laxus que estivesse ali para abusar dele de novo.
- T-tudo bem, eu só me assustei ......
- Não se preocupe Freed, Laxus não vai mais tocar em você. – Puxou o rapaz pelo braço o abraçando para sentir seu cheiro.
Freed ficou sem entender aquela situação, ainda mais com o tom de voz que ele falara. Bickslow nunca o abraçara e já havia percebido que ele estava estranho desde que aparecera naquele mundo. Sentiu-se incomodado com aquele abraço, de forma que empurrou o outro alegando estar com sono e voltou a deitar na cama.
Bickslow percebeu o desagrado do outro ao ser empurrado. Iria contestar, mas preferiu deixar o menor dormir. Levantou-se da cama e fechou a porta ao sair do quarto. Faminto, foi para a cozinha para encontrar algo para comer enquanto Freed dormira novamente.
Chegando à cozinha, vasculhou os armários que estavam cheios. O único problema é que não sabia cozinhar. Freed sempre cozinhava quando estavam juntos então ele nem se deu o trabalho de aprender. Resolveu tentar fazer algo sozinho.
Panela, ingredientes e alguns temperos estranhos que encontrara no armário, era o que Bickslow precisava. Ficou cerca de uma hora tentando fazer peixe assado com esses ingredientes, mas não conseguiu. Devido ao descuido acabou queimando tudo e encheu a casa de fumaça. Com o cheiro, Freed acabou acordando.
Sonolento, foi até a cozinha, arregalando os olhos ao ver aquela cena. Todo sujo, assim como a cozinha, Bickslow jogava uma panela onde dois pedaços de carne pegavam fogo na pia, abrindo a torneira. Para ajudá-lo, Freed correu em sua direção para tomar a panela da mão do outro e foi empurrado pelo homem para evitar que ele se queimasse. Sem forças para se manter equilibrado, acabou caindo de costas, batendo a cabeça no armário com força. Sentindo dor, o menor levou as mãos à cabeça, onde foi feito um pequeno corte. A única coisa que conseguiu dizer naquele momento foi um sonoro “ai” que saiu de sua boca com dificuldade.
- Freed você está bem?
Bickslow largou a panela dentro da pia, correndo até o menor para ampará-lo. Examinou sua cabeça e ao ver que havia começado a sangrar, pegou o primeiro pano que encontrou na frente para apertar sobre a ferida.
- Idiota! O que estava tentando fazer? Você podia ter se queimado! – irritado, segurava o pano sobre a ferida na tentativa de parar o sangramento.
- Eu queria te ajudar ...... – com voz fraca, o menor lhe respondeu, levando a mão a cabeça.
Freed piscava devagar devido ao sono e percebendo que ele dormiria de novo Bickslow o sacudiu.
- Ei, não pode dormir agora, você bateu a cabeça. – disse enquanto sacudia Freed que parecia um boneco de pano em suas mãos.
- Mas eu estou com muito sono .....
Freed apertava os olhos, passando a mão por debaixo de sua franja. O menor estava com a camisa branca aberta deixando visível seu peito cheio de cicatrizes. Bickslow não agüentou ver aquela cena, de forma que não se conteve.
Excitado com aquela visão, puxou o rosto de Freed e uniu seus lábios aos dele. Com aquele ato, Freed abriu os olhos de uma vez assustado, sentindo um calafrio percorrer seu corpo. Bickslow passou a mão livre para as costas do outro, colando seu corpo ao dele.
- O que ... o que está fazendo?! – disse desesperado quando conseguiu empurrar o outro, já arfando. Não esperava que Bickslow fizesse aquilo.
- Estou te mantendo acordado. – respondeu o maior rindo, voltando a puxar Freed para outro beijo.
Percebendo o que iria acontecer, Freed virou o rosto, tornando a empurrar Bickslow. Sentia algo ainda mais repugnante do que das vezes que Laxus o beijara, de forma que se debatia.
- Bickslow, tire as mãos de mim! – gritava em desespero empurrando os ombros do outro com o pouco de força que ainda lhe restava.
O maior não se intimidou. Continuou a tentar beijar o menor, forçando a língua na boca do outro quando conseguia. Sempre quisera fazer aquilo com Freed. Podia dizer que era um sonho virando realidade. Já para o menor aquilo não estava sendo assim. Se debatendo e virando o rosto, Freed gritava desesperado para que o outro parasse o que era não adiantava.
Percebendo que ficaria difícil beijá-lo com ele se movimentando, Bickslow apertou mais seu corpo contra o dele, prensando o corpo fraco do outro contra a parede. Com o esforço que fazia nas mãos, Freed sentia o corte em seus pulsos arderem, mas nada lhe incomodava tanto como o fato de estarem bolinando-o novamente. Irritado, ele dobrou o braço e bateu o cotovelo no nariz de Bickslow.
Sentindo dor, o maior levou as duas mãos ao nariz, e foi nesse momento que Freed aproveitou para fugir. Se arrastou do colo do outro com dificuldade, ficando de pé ao se apoiar na parede. Com uma mão no nariz que sangrava, Bickslow tentou puxar o menor novamente, mas recebeu um soco no rosto. Freed já estava cansado de ser violentado.
- Nunca mais ponha as mãos em mim. – disse entre dentes e teria saído correndo se tivesse forças para isso.
O soco não foi forte, mas foi o suficiente para fazer Bickslow virar o rosto. Irritado e percebendo que o menor sairia da casa, o homem se levantou e o segurou. Nervoso, Freed tentou lhe dar outro soco, mas o maior o empurrou contra parede segurando seus pulsos.
- Então quer dizer que quando é o Laxus que está brincando você aceita quieto. Qual o problema? Só consegue sentir tesão com ele? – Bickslow mudou seu tom de voz, falando com descaso. Ângela não só contara para ele o que acontecera, como também havia acrescentado algumas coisas.
Freed o olhou ainda mais irritado, tentando soltar seus pulsos, mas não conseguia ter mais força que o outro. Como odiava ser tão fraco.
- De onde tirou essa idéia imbecil? Acha mesmo que eu gosto de ser um brinquedo na mão dos outros? – tornou a gritar ficando ainda mais irritado.
Sádico, Bickslow ria apertando a ferida nos pulsos do outro para que ele abaixasse seu tom de voz. Não acreditava nas palavras do outro, pois tinha em sua mente que o capitão do Raijinshuu não aceitaria ser molestado sem revidar e segundo o que Ângela contara, Freed gostava de ter relações com Laxus, só não gostava de ser machucado.
- Ok, já que você diz não gostar de se tornar um brinquedo, eu vou te transformar em uma mulher então! – disse debochando, antes de começar a arrastá-lo para o quarto.
Fale com o autor