Ao longe Freed podia ouvir um barulho repetitivo, o som de máquinas de hospital, algo que ele também não conhecia. Do mundo de onde viera não existiam coisas como celulares e determinados tipos de máquinas. Tudo era feito através da magia que parecia não existir naquele mundo.

Aos poucos o som foi ficando mais alto, até que por fim despertou. Com a visão um pouco embaçada, aos poucos pode ver onde estava nitidamente. Assim como o quarto onde ficava, tudo ali era branco, mas pode ver que estava num lugar diferente por causa dos móveis. A cama não era espaçosa como a que tinha costume de dormir, era uma cama de solteiro. Do seu lado direito havia várias máquinas que faziam o barulho que ouvira repetidas vezes e em seus braços havia alguns tubos presos às máquinas. Percebia que estava recebendo sangue e um líquido transparente, soro talvez. Virou o rosto para o lado direito, deixando os ombros cair, aliviado.

Numa cama ao seu lado estava Seny. Ainda estava inconsciente e estava ligada a aparelhos assim como Freed. Ela estava pálida e assim como o menor seu corpo estava cheio de faixas. Ele ainda se sentia fraco, mas estava feliz ao ver que a garota ainda estava viva. Tentou se levantar, mas Laxus entrou no quarto no exato momento falando ao telefone.

- Nem pense em se levantar daí! – ditou o loiro, tirando o celular do ouvido e tornando a colocá-lo depois de falar.

O menor lhe obedeceu. Tinha de obedecer. Laxus provara que não aceitaria ser contrariado, fazendo o que fosse necessário para punir quem o fizesse. Tornou a se deitar devagar, sentindo uma pontada de dor. Seus cortes estavam voltando a arder. O loiro continuou a falar no telefone, até que por fim desligou. Passou por Seny como se não houvesse nada ali ficando ao lado de Freed.

- Você está bem?

- Sim ..... – o menor disse, se surpreendendo por sua voz estar tão fraca.

Laxus o olhou desconfiado, mas preferiu não insistir. Guardou o celular no bolso e começou a falar novamente enquanto tirava o casaco.

- Se não estiver vai ficar. Vão cuidar de você e da vadia aqui. Vou ter de viajar e devo ficar fora por alguns dias. Meu segurança irá ficar aqui, então nem pense em algo estúpido como fugir.

Deixou bem claro a palavra estúpido. Colocando o casaco no braço se curvou para dar um beijo no menor, o segurando com o outro braço para que ele não desviasse. Como previa, ele tentou desviar, mas Laxus o puxou dando-lhe um beijo rápido. Freed limpou a boca com a manga da camisa, deixando claro seu desagrado com relação aquilo.

- Não se preocupe, vou voltar rápido. Nem vai conseguir sentir saudade.

- Faça um favor a mim e a ela e morra no caminho. – disse o menor ainda em desagrado. Sabia que o outro não ficaria para lhe punir por dizer isso.

Laxus riu, puxando o rosto do menor e beijando-o novamente antes de sair. Freed tornou a limpar a boca, fazendo careta. Quando o outro saiu, se sentou na cama com dificuldade e percebendo que o outro já se afastara, começou a chamar a garota que demorou um pouco para acordar.

Assim como Freed, Seny acordara sem reconhecer o lugar, mas sorriu ao ver o rapaz ao seu lado. Por algum motivo, Laxus a trouxera junto com o menor, provavelmente por ela também estar muito ferida. Freed lhe retribuíra o sorriso, olhando para a porta antes de falar.

- Essa é nossa oportunidade. Laxus foi viajar para algum lugar e vai demorar a voltar. Podemos fugir agora. Diga-me, como você está? – disse em voz baixa imaginando que o segurança estava na porta. Aquela era uma oportunidade única.

O sorriso de Seny ficou ainda maior. Sentiu esperança crescer dentro dela. Enfim poderia fugir e com Freed ao seu lado, tudo se tornaria melhor ainda. Olhou para a porta, verificando se não havia ninguém ali antes de responder, também em voz baixa.

- E-eu estou bem, só me sinto um pouco fraca. Como vamos fazer isso?

- Não se preocupe, eu tenho um plano. Façamos assim, ficaremos aqui quietos por mais um dia. Amanhã colocaremos meu plano em prática, pode ser?

- S-sim!

Freed tornou a sorrir deitando na cama novamente. A garota continuava a olhá-lo ainda ostentando seu sorriso. Fugir com Freed ..... um sonho que no dia seguinte se tornaria realidade. Apesar de estar sentindo dor e um pouco fraca, daria o máximo de si para fazer o plano do menor dar certo. Pensativo, Freed pensava nos detalhes de seu plano. Nada podia dar errado. Se tudo corresse bem, amanhã estariam livres e longe das mãos de Laxus.

O dia seguinte demorou a vir, pelo menos para Seny que dormiu muito pouco devido à ansiedade. No dia anterior, ela e o rapaz ficaram conversando aleatoriamente para não levantar suspeitas. Enquanto as enfermeiras trocavam seus medicamentos e os ajudavam a se lavar, eles tentavam parecer o mais cooperativos possível. Depois do café da manhã e de duas transfusões de sangue Freed já se sentia melhor assim como Seny. Agora era hora de colocar o plano em prática.

Com as enfermeiras fora do quarto, estando limpo e com os curativos trocados, Freed se levantou, soltando-se dos aparelhos que começaram a apitar. O segurança que estava na porta entrou, puxando-o pelo braço sem a menor delicadeza para que deitasse novamente. Enfiando a mão no bolso, Freed tirou uma seringa contendo sedativo que pegara na bandeja de uma das enfermeiras e aplicou no pescoço do segurança num movimento rápido. Forte e alto este trajava um terno preto e óculos escuros. Era negro e tinha o cabelo raspado. Qualquer um o classificaria como um segurança de boate. Segurou a mão do menor retirando a agulha do pescoço, dando-lhe uma bofetada. Nesse momento Seny se levantou, pegando uma comadre de metal que havia ali, batendo na cabeça do outro que a esbofeteou quando se recuperou da pancada. Já tonto, ele tentou bater na garota novamente, mas nesse momento Freed o puxou pela gravata, dando-lhe um soco no rosto que o fez cair no chão. Não conseguiu se levantar mais e fechou os olhos aos poucos, ficando inconsciente. Seny estava agitada com aquilo e Freed sorria, limpando o sangue que escorria de sua boca. A primeira etapa do plano estava concluída.