Sickly Desire

36 Desistência


Notas iniciais
O Freed morre .... MENTIRA -Q

Já era de madrugada quando um médico veio lhe avisar o estado de Freed. Por estar perto do Natal, seu médico de confiança estava de folga e mandara uma equipe para ajudar Laxus quando soube do que havia acontecido.

O loiro esperou durante horas e nesse tempo tratou de resolver por celular a prisão de Ângela e a internação de Bickslow em outro hospital. Isso fez com que ele visse o tempo passar mais rápido. Estava muito desesperado, mas tinha que tentar manter a calma, o que se tornou ainda mais difícil depois da notícia que recebera. Devido à falta de glóbulos vermelhos em seu organismo para transportar oxigênio, Freed teve uma parada respiratória. Os médicos conseguiram fazê-lo voltar a respirar, mas ele teria de receber oxigênio por mais um tempo. Também havia o problema de sua anemia que se agravara depois de perder mais sangue. A cirurgia havia ocorrido bem, entretanto o médico alertou para o que o menor tivesse cuidado. Ele não suportaria perder mais sangue.

Laxus lhe questionou quais medidas deveria tomar para ajudá-lo e depois que terminou de conversar com o médico, seguiu para o quarto reservado onde Freed fora levado. Quase chegou ao ponto de correr, tamanho seu desespero para ver Freed novamente. Quando chegou ao quarto, mais uma vez teve uma visão desagradável.

Freed estava inconsciente. Seu peito e braço feridos estavam enfaixados. Chegava a parecer um fantasma de tão pálido e respirava com a ajuda de aparelhos. Seu peito subia e descia devagar, enquanto a máquina ao seu lado registrava seus batimentos cardíacos que estavam bem fracos.

Mesmo sabendo da situação do outro e o vendo daquela forma, Laxus se sentiu aliviado ao ver o menor e logo tratou de puxar uma cadeira para seu lado. Passava a mão no rosto do outro, tendo o cuidado de não retirar o curativo feito por causa do tiro de raspão que recebera. Percebeu que ele estava frio e sentiu seu coração apertar. Tirou a mão do rosto do outro e levou ao seu próprio peito, tentando entender do por que estava daquele jeito. Já havia percebido que sentia algo pelo rapaz, mas não imaginara que seria até aquele ponto.

Ficou algumas horas ao lado de Freed até que adormeceu. Sentado em uma cadeira, ele se debruçou na beirada da cama, encostando a cabeça perto da mão do rapaz, de forma que quando o outro acordasse ele acabaria acordando quando ele mexesse as mãos. O que funcionou.

Já era quase meio dia quando Freed acordou. Devido às altas dosagens de medicamentos ele sentia menos dor, mas ainda sentia fraqueza. Sua anemia demoraria a ser curada e se mantivesse repouso, os ferimentos poderiam sarar mais rápido. Desorientado, abriu os olhos devagar levantando uma das mãos para poder esfregar o rosto e acabou por acordar o loiro que levantou o rosto assustado ao sentir a mão do menor bater em sua testa.

Freed se encolheu ao ver Laxus ao seu lado, engolindo em seco. Não imaginara que ele estivesse ali e provavelmente ele viria lhe questionar mais uma vez do por que ele provocara Ângela, porém o loiro não tinha a menor de fazer aquilo, pelo menos naquele momento.

- Está sentindo dor? – Disse Laxus com a voz baixa, levando a mão às costas. Devido à posição que adormecera, acordou com dor naquela região.

O menor estranhou a pergunta e balançou a cabeça devagar para os lados, em sinal negativo olhando para o loiro. Tinha uma expressão abatida no rosto. Agora que vira Laxus relembrou tudo o que acontecera e não conseguia acreditar que depois de tudo ainda estava vivo. Queria morrer. Se livrar daquele inferno de uma vez por todas. Sabia que se voltasse ao seu mundo sua vida não seria a mesma, então era melhor enfrentar a morte. Tudo que queria era ter paz, mas o loiro não permitia isso.

Laxus arqueou uma das sobrancelhas encarando Freed ainda sonolento. Ninguém tomava um tiro e dizia que não estava sentindo dor, mas sabia que o menor era cabeça dura e nunca admitiria estar sentindo. Mais uma vez preferiu não insistir no assunto.

Dando um suspiro, Laxus se levantou e puxou o menor para cima pelo braço que não estava ferido o abraçando. Sentia-se aliviado ao ver que ele não tinha morrido, pensamento que o atormentou durante o tempo que ficara acordado.

Freed se espantou não só por ele abraçá-lo, mas também pela forma que fizera. Estava acostumado com abraços fortes e brutos do outro. O abraço que Laxus lhe dava naquele momento era quente e aconchegante. Podia sentir os batimentos do outro e se impressionou ao perceber o quão fortes eram. Mas não se deixaria ser confundido por aquilo. O loiro apenas queria seu corpo, ao menos era o que ele pensava.

Para acabar com aquilo empurrou Laxus, tornando a deitar na cama. Não conseguia entender Laxus. Sempre que esperava uma reação bruta dele, ele o surpreendia com gestos carinhosos. Já o loiro não gostou de ser empurrado e normalmente o abraçaria de novo a força, mas tinha que ter cuidado. Freed estava ferido e provavelmente perderia mais sangue se fosse pressionado. Tinha de se controlar.

- Bom agora que está acordado, vou querer ouvir a resposta da pergunta que eu lhe fiz ontem. – tornou a se sentar, cruzando os braços e fingindo não ter se importado por ter sido empurrado. Encarava o menor com todo o cabelo atrapalhado. Apenas queria ter certeza antes de afirmar que ele estava tentando ser morto.

- Eu queria morrer.

Laxus arregalou os olhos ao ouvir a resposta. Já tinha ouvido aquilo uma vez, mas não da mesma forma. Com a cabeça abaixada, o menor olhava para os lençóis que cobriam seu corpo. Seus olhos estavam embaçados demonstrando claramente a agonia a qual estava preso. Sua voz fraca e toda aquela cena se tornava pior com sua aparência. Freed tinha olheiras profundas, sua pele estava muito pálida e seu cabelo sempre brilhante e sedoso estava opaco e seco. Com a perda de sangue, emagrecera, de forma que até seus dedos estavam mais finos.

O loiro não sabia o que dizer. Sentia algo pesado contra seu peito e toda aquela situação piorava quando se lembrava que era o responsável por tudo aquilo. Ver o menor naquela situação e ver que ele havia desistido de tentar sobreviver o deixava mais incomodado.

- Você não vai morrer. – disse a primeira coisa que lhe veio à cabeça. Ainda não estava muito bem depois do choque.

- Eu sei – tornou a falar o menor, com sua voz fraca – você não vai deixar.

Abaixando a cabeça e encarando o chão, Laxus fechou os olhos. Não sabia por que, mas ouvir aquilo o machucava. Sentia seu peito apertar cada vez mais. Nunca imaginou que aquilo chegasse a tal situação. Pensava que Freed resistiria até o fim, mas a julgar pela situação ele já havia desistido de tudo, até mesmo de viver.

- Eu não vou deixar. Pode ter certeza.

Foi a única coisa que conseguiu dizer antes de se levantar e de cabeça baixa, deixar o menor sozinho no quarto.