Sickly Desire
44 Confissão
Notas iniciais
Laxus sabia que não poderia contar a Freed o tempo exato que ele ficara em coma, de forma que disse que ele havia ficado desacordado por um mês apenas. Também sabia que não podia forçar o menor a nada, pois as coisas só piorariam entre eles, porém não estava suportando. Não sabia dizer se era pelo tempo que ficara sem ver o outro acordado, mas parecia que Freed o estava seduzindo. Praticamente tudo o que o menor fazia deixava o outro louco a ponto dele respirar fundo para não cometer nenhuma besteira. Ficava sempre ao seu lado conversando com ele, mas Freed raramente respondia algo além de “sim e “não”. Não olhava Laxus nos olhos e freqüentemente voltava a chorar sempre questionando o outro do por que ele tinha de passar por isso e por que não podia morrer. O loiro nunca lhe respondia e sempre fica em silêncio quando era questionado. Naqueles momentos, ele chegava a desejar que o menor ainda estivesse desacordado, pois assim não teria de ouvir tais palavras que o machucavam tanto.
Voltando de mais um dia de trabalho, Laxus decidiu abrir o jogo com o menor. Já estando em sua mansão, caminhou apressado para o quarto do menor. Freed como sempre estava deitado na cama, olhando para a janela. Seus olhos sem brilho desde que ele acordara, pareciam refletir fracamente o brilho das estrelas que apareciam na janela.
- Freed há algo que quero falar com você. – disse o loiro entrando no quarto e fechando a porta.
O menor se encolheu ao ouvir a voz do outro. Sentia que mais cedo ou mais tarde Laxus voltaria a atormentá-lo e ele sentia que iria desabar quando isso acontecesse.
- E-eu não sei bem como dizer isso, mas tentarei ser o mais claro possível. – Laxus se sentou na beirada da cama, olhando fixamente para o menor que continuava a olhar para a janela.
- Eu sempre ... sempre olhei você de forma diferente. Desde o dia em que você entrou na guilda eu senti algo por você. Não sabia dizer o que era exatamente, mas eu presumi que fosse um desejo em ver você sofrer, de tirar aquele sorriso fraco que você dava quando era criança ... – fez uma pausa antes de continuar a falar. – Mas descobri que eu estava errado.
Freed piscava devagar olhando o brilho das estrelas, mas atento ao que o loiro lhe dizia. O outro gaguejava, mas demonstrava o quanto aquele assunto era sério para ele ao falar.
- Eu pensei que fazer você sofrer e apenas me satisfazer fosse o que eu precisava, mas não é verdade. Ver você sofrer só me fez sentir uma dor estranha no peito aumentar cada vez mais e sempre que passava em minha mente a ideia de que você iria morrer, eu entrava em desespero. – respirou fundo antes de continuar, colocando a mão sobre a do menor. – O que eu estou tentando lhe dizer é que eu descobri que eu ... na verdade ... gosto de você. Não é um gostar de apenas admirar. Eu nunca senti isso por ninguém, então não sei dizer ao certo o que realmente é....
O menor fechou a mão devagar apertando-a e o outro estando com a mão sobre a dele pôde sentir isso.
- Eu não espero .... – Laxus continuou. – não espero que você retribua esse sentimento. O que eu fiz com você é o suficiente para que uma pessoa odeie a outra. Tudo o que eu quero é que você saiba disso e que um dia .... talvez ..... – a voz do outro diminuiu o tom — ... me perdoe.
O menor fechou os olhos. Apertando uma pálpebra contra a outra assim como sua mandíbula. O maior presumiu que ele não fosse responder e em silêncio ficou de pé. Tinha uma expressão deprimida no rosto. Já esperava aquela reação, mas não imaginava que seria tão difícil ver a tudo aquilo. Deu as costas e se pôs a caminhar até a porta, mas parou no meio do caminho.
- Eu admirava você. – a voz do menor saiu fraca, mas expressava com firmeza o que ele queria dizer. – Sempre quis ser o que você é. Por esse motivo seguia suas ordens. Jamais pensei que você fosse capaz de fazer comigo o que você fez.
Virando o corpo devagar, Laxus voltou a olhar para o menor, ainda deprimido. Freed apertava os lençóis que cobriam seu corpo. Não demorou para que lágrimas começassem a escorrer pelo seu rosto.
- Eu não quero mais .... ser o que você é. Ser o monstro que você é. Você tirou tudo de mim, até mesmo minha vontade de viver. – disse entre soluços, mas logo passou o braço no rosto para limpar as lágrimas e levantou a cabeça, olhando o outro nos olhos pela primeira vez desde que acordara.
- Eu jamais irei perdoar você.
O loiro arregalou os olhos ao ver o olhar deprimido do outro. Freed começou a desabotoar sua blusa e quando terminou a jogou para Laxus.
- É isso que você quer não é? É meu corpo que você deseja. Pois bem eu o darei a você. Acabe comigo. Me machuque como você sempre gosta de fazer. Só não venha tentar me convencer que você alguma vez sentiu algo por mim. Faça o que quer fazer de uma vez e me deixe morrer.
- Freed eu não .....
- Então o que é que você quer Laxus? – Freed começou a gritar, engasgando com o próprio choro.
- Eu quero ..... – a voz de Laxus ficou mais alta e no impulso ele acabou dizendo o que realmente queria. — .. quero que me dê a oportunidade de fazer você esquecer tudo o que eu lhe fiz passar. Quero te fazer feliz! Quero poder ..... poder amar você e lhe mostrar que não irei mais lhe machucar.
Freed virou os olhos para o lado, abaixando a cabeça. Não acreditava nas palavras do outro e Laxus percebia isso.
- Eu não esperava que você aceitasse isso Freed e também, já tomei minha decisão. Eu vou mostrar para você o quanto eu estou arrependido goste você ou não. A partir de amanhã você verá.
Não esperou o menor tornar a falar e saiu do quarto, fechando a porta. Já no corredor, encostou a cabeça na porta, levando a mão ao rosto. Não sabia o que faria para tentar conquistar o menor.
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