Sickly Desire
10 Acordo
Notas iniciais
Deitado na cama, Freed dormia. Seu corpo estava cheio de cortes e hematomas. Laxus quase o matara na noite passada depois do que aconteceu entre ele e Seny. Como estava muito ferido e agitado, Laxus teve de chamar um médico para tratar de seus ferimentos e para sedá-lo. Se um dos empregados não tivesse invadido o quarto e segurado o loiro, Freed estaria morto.
Agitado, Laxus não fora trabalhar naquele dia. Não tinha cabeça para isso. Mandou trancar Seny no porão até que conseguisse pensar o que faria com ela. Sua preocupação maior era com respeito ao estado de Freed. Devido a sua falta de controle, fez cortes em todo o corpo do rapaz chegando até mesmo a abrir as feridas que haviam começado a cicatrizar. Isso sem contar as marcas roxas que seu corpo estava coberto devido aos socos que o loiro desferira em todo seu corpo. Para piorar a situação, depois que Laxus foi tirado de cima do menor este começou a forçar os pulsos nas algemas que os empregados lhe colocaram. Forçou tanto que acabou fazendo aquela região ficar na carne viva devido ao esforço. Toda a beleza que o menor tinha estava escondida debaixo daquelas feridas.
Freed estava ligado a máquinas e fazia transfusão de sangue. Sua pele estava pálida devido à quantidade de sangue que perdera na noite anterior. Do seu lado, Laxus estava sentado o observando. Estava preocupado, mas ainda estava nervoso pelo o que o outro havia feito. Aquilo era algo que ele não deixaria o menor fazer nunca mais, nem que para isso tivesse de trancafiá-lo pra sempre. Freed tinha que entender que ele tinha um dono e que esse dono não pensaria duas vezes para fazer qualquer coisa para que o menor entendesse isso.
Pensativo, o loiro acariciava o rosto do menor, tendo cuidado para não retirar os curativos que havia no rosto do outro. Tinha de ir para seu escritório tentar resolver alguns problemas e logo voltaria. Curvando-se, deu um leve beijo na bochecha do outro que ainda estava inconsciente. Levantou-se e se pôs a caminhar para seu carro. Antes de sair, pediu que o médico interrompesse a dose de sedativo. Queria-o acordado quando voltasse. O médico lhe obedeceu, indo ao quarto de Freed para lhe dar mais medicamentos para que ele suportasse a dor. Já estava acostumado a cuidar dos caprichos de Laxus. Recebia uma gorda recompensa em troca de seu silêncio e trabalho. Aplicou a medicação e saiu, deixando o menor sozinho.
Freed custou a acordar. Os remédios que estava tomando para a dor o fizeram dormir por mais tempo. Quando acordou, já tinha sido retirado das máquinas, mas ainda estava fazendo transfusão. Seu rosto estava um pouco inchado e cheio de marcas roxas. Sua boca estava com pequenos rasgos causados pelas mordidas de Laxus e seu corpo estava completamente enfaixado. Sentia um pouco de dor, principalmente nos pulsos que mesmo feridos, ainda estavam acorrentados a cama. Custou a se lembrar do que acontecera e quando conseguiu jogou o corpo para cima em desespero. Onde estava Seny? Laxus não estava ali ... ele estaria torturando a garota? Tentou forçar as algemas, mas sentiu uma forte dor nos pulsos, além do mais se sentia mais fraco do que nunca. As correntes lhe davam pouca mobilidade nas mãos e braços, mas ele conseguiu arrancar o tubo da transfusão, jogando-o para o lado. Ia sair dali, nem que tivesse que morrer para isso.
Conseguiu se sentar girando o corpo, de forma que seus pés ficassem na cabeceira da cama. Apoiando os pés na cabeceira, começou a fazer força nas pernas, de forma que conseguia forçar as correntes presas na madeira. Fazia esse esforço com dificuldade, pois sentia seus cortes serem abertos em alguns pontos de seu corpo e o fazia com os braços dobrados, para que a região do seu pulso não fosse prensada. Ficou fazendo o esforço aos poucos, parando às vezes por sentir muita dor. O sangue da transfusão sujou todo o chão e um pouco da cama, mas Freed não se importava. Tinha que sair dali.
Depois de duas intermináveis reuniões Laxus retornou para casa. Não estava conseguindo se concentrar direito devido a sua preocupação. Dirigiu a mais de 120 km/h pela estrada, tamanha sua pressa para ver como menor estava. Chegando a casa, subiu apressado para o quarto de Freed, se irritando ao ver o que o outro estava fazendo. Com os pulsos sangrando, Freed conseguira quebrar a parte da cabeceira onde as correntes estavam fixas. Soltara um braço, que pingava sangue, mas o outro ainda estava preso. Ele não se intimidou com a entrada de Laxus, de forma que continuou o que estava fazendo. Laxus correu até ele, subindo na cama e o segurando pelos braços para que ele parasse.
- Imbecil! Vai acabar morrendo se perder mais sangue! – ditou impaciente depois de ver todo o sangue que deveria ter sido usado para transfusão no chão.
- Onde está Seny? O que você fez com ela? – o menor gritava enquanto se debatia. Não se importava com ele mesmo. Já estava destruído.
Laxus teve de torcer seu braço livre e prensar seu rosto no colchão para que ele parasse. Tinha de se manter ou calmo ou acabaria matando o menor, ainda mais na situação em que ele estava. O segurou por alguns segundos, até que o outro percebeu que não conseguiria se soltar e ficou quieto. Afundou o rosto no colchão. Tinha vontade de chorar. Porque estava passando por tudo aquilo? Não conseguia entender. Queria que aquilo fosse um pesadelo e que acordasse logo com Bickslow o chamando para alguma missão. Mas se aquilo era um pesadelo, ele custaria a acordar.
- Ela ainda está viva. Eu não fiz nada com ela .... ainda. Se não me obedecer vou descontar minha raiva nela já que você não está agüentando.
Laxus tentava ser o mais paciente possível naquele momento. Tinha que se manter calmo e a Freed também. Dissera aquilo apenas para fazê-lo ficar mais calmo, de forma que se assustou com o que ouviu do outro.
- Se ... se eu lhe obedecer você promete que não fará nenhum mal a ela?
Ainda com o rosto afundado nos lençóis o menor lhe dirigiu a palavra. Sua voz estava mais calma. Parecia que ele havia desistido de tentar lutar contra o outro e apenas resolveu se entregar para salvar a garota. O loiro não pode deixar de sorrir. Aquilo era perfeito.
- Hum .... então se eu prometer não fazer nada àquela vadia você promete fazer o que eu quero?
- C-como vou saber se você não está mentindo? – respondeu o menor ainda na mesma posição.
- Sabe que cumpro as promessas que faço. Mas posso lhe deixar vê-la de vez em quando para comprovar que estou cumprindo minha parte do trato. Então vai aceitar ou vou ter que matá-la para você me obedecer?
Freed ficou em silêncio por algum tempo. Não via outra opção naquele momento. Teria de aceitar. Se não o fizesse sabia que o loiro não hesitaria em matar a garota. Mesmo desconfiado quanto ao cumprimento do trato por parte do outro, balançou a cabeça em sinal afirmativo. O sorriso de Laxus se tornou ainda maior. Soltou o braço do menor, o ajudando a se sentar na cama. Freed estava mais leve o que o preocupou ainda mais. O sentou em seu colo, ficando de frente a ele.
- Quero que me beije.
Freed levantou o rosto o encarando. Mal havia aceitado e ele já estava dando ordens? O loiro o olhava sorrindo de forma maliciosa. Ia se aproveitar daquele acordo o máximo que podia. Sabia que devia ir com calma devido ao estado do outro, mas um beijo não faria mal naquele momento.
Em silêncio, o menor esticou o corpo para alcançar os lábios do outro. Tinha de lhe obedecer ou quem sofreria as conseqüências seria Seny. Não podia deixar isso acontecer. Deu-lhe um beijo rápido, apenas encostando os seus lábios no do outro. Laxus não ficou satisfeito. O puxou mais para seu colo, de forma que Freed ficasse quase da sua altura.
- Muito bom para um defunto. Vamos .... faça direito!!! – Laxus ditou impaciente como sempre.
O menor abaixou a cabeça. Não sabia fazer aquilo. Mas tinha que fazer. Fechou os olhos e tornou a beijá-lo, apenas apertando mais sua boca na do outro. Laxus riu percebendo que ele não sabia fazer aquilo. O menor passara tanto tempo na frente dos livros que se esquecera de aprender coisas da vida.
- Você é péssimo nisso. Vem ... eu vou te ensinar. – Disse puxando o rosto do menor, tendo o máximo de cuidado com suas feridas. Começou a beijá-lo devagar para que o menor aprendesse. Devagar, pediu passagem na boca do outro com a língua, iniciando um beijo um pouco mais quente. Teve uma surpresa quando se separou do menor. Freed estava corado.
- Ei Freed você está vermelho .... você está gostando? – disse entre risadas.
Freed ficou ainda mais vermelho. Não sabia o porquê, mas ficara excitado com aquele beijo. O que diabos estava acontecendo com eles esses dias? Não sabia dizer. Envergonhado, virou o rosto, falando de forma rude.
- Mas é claro que não. Não invente idiotices.
Laxus não pode deixar de rir, mesmo com a forma que ele falara. O puxou mais para perto dele, fazendo o corpo do menor ficar colado ao seu.
- Vamos agora mostre que você aprendeu. – o loiro disse enquanto passava os dedos nos lábios do menor.
Freed apenas obedeceu. Esticou o corpo mais uma vez colando os lábios nos do loiro. Fazia movimentos com os lábios devagar, movendo os lábios do outro. Devagar, pediu passagem com a língua para então conseguir invadir a boca do outro e fazer uma dança lenta com a língua. Laxus se mantinha parado, apenas apreciando aquilo, fechando os olhos. O beijo do menor era suave e gostoso, apesar de ainda ser inexperiente. Freed corava ainda mais, sem saber o porquê. Sentia seu corpo quente.
- Nada mal. Com o tempo vai se tornar ainda melhor. – disse separando seus lábios do outro.
Freed tornou a abaixar a cabeça ainda envergonhado. Laxus pôs as mãos em sua cabeça, atrapalhando seu cabelo ao fazer-lhe um cafuné. Via que aquele acordo poderia ajudá-lo a conquistar a afeição do outro, mas Freed não via dessa forma. Apenas percebera que seu plano de fuga havia sido destruído, uma vez que não poderia sair dali sem levar Seny consigo. Teria de pensar em outro plano e o mais rápido possível. Laxus o tirou de seu colo, sentando-o na cama. Chamou por um de seus empregados para que trouxessem comida para o menor. Freed ainda estava de cabeça baixa quando lhe trouxeram um prato com sopa.
Mandando o empregado sair, Laxus pegou a bandeja e a pôs em seu colo. Pegou a colher com um pouco de sopa e a levou para perto da boca do menor.
- Vamos, abra a boca.
Freed levantou a cabeça, sem entender. De escravo passou a ser uma criança?
- Posso fazer isso sozinho. – disse segurando a base da colher, colocando as mãos sobre as de Laxus.
- Não perguntei se pode fazer. Eu mandei você abrir a boca. Obedeça! – deixou bem claro sua autoridade em suas palavras.
Suspirando, Freed obedeceu, abrindo a boca. Laxus ia usar o trato até mesmo com as coisas mais simples. Ele acabaria se tornando um cachorrinho se não desse um jeito de fugir dali. Tinha de fazer isso rápido.
O loiro sorriu satisfeito, colocando a colher na boca do outro. Queria tocá-lo e beijá-lo, mas sabia que sendo rude como era acabaria por machucar o outro ainda mais. Teria de esperar um pouco, mas queria ter o corpo do outro. Quando terminou, chamou o empregado para recolher o prato e limpar o chão sujo de sangue, mandando Freed se lavar.
Freed se levantou com dificuldade em direção ao banheiro. Sentia-se muito fraco. Caminhou até a banheira, mas começou a se sentir tonto. Sua pressão sanguínea estava caindo. Conseguiu se manter em pé segurando na beirada da pia. Levou uma mão até o rosto tentando fazer sua cabeça parar de girar, o que foi em vão. Estava um caco. Nunca havia ficado daquela forma, nem mesmo em uma batalha. Aquilo devia ser o mais próximo da morte ele pode pensar, mas pelo menos não estava sendo violado o que era um alívio. Engano seu.
Enquanto ele tentava se manter de pé, Laxus entrou no banheiro já trancando a porta. Em passos silenciosos caminhou até o rapaz contornando sua cintura com os braços. Freed se assustou, pensava estar sozinho. Virou o rosto para ver quem era e não sentiu nenhum alívio ao ver que era o loiro. Mesmo na situação em que estava ele não o deixaria em paz?
- Não vai conseguir se lavar na situação em que você está. Não se preocupe vou lhe ajudar.
A voz de Laxus saíra carregada de malícia e desejo, o que fez Freed sentir um calafrio percorrer seu corpo. A última vez que o ouvira falar daquele jeito fora violentado. Não poderia deixar que aquilo acontecesse, não novamente.
Fale com o autor