Sickly Desire
57 Abraçados
Notas iniciais
Freed acordou dentro do carro, sem entender o que havia acontecido. Sentia dores no corpo devido a queda e nem mesmo sabia o verdadeiro motivo das dores. Estava com a cabeça virada para o vidro do carro de forma que primeira visão que teve ao acordar foi da lua que iluminava a noite. Virou o rosto para o lado e viu que Laxus dirigia o carro com uma expressão séria.
- Vamos parar no próximo hotel para descansar. Quando chegarmos lá lhe contarei o que aconteceu.
Mesmo sem entender o menor assentiu e tornou a olhar para a janela. Estava confuso e tentava se lembrar do que acontecera, mas tudo que se lembrava era de uma mão apertando sua boca antes de sentir um choque. Será que .... Laxus havia o estuprado mais uma vez? Com tal pensamento ele se encolheu no banco do carro, sentindo medo.
Não demorou muito para que chegassem ao hotel. Chegando à recepção o loiro ficou sabendo que havia apenas um quarto de casal disponível, uma vez que todos os outros quartos estavam ocupados devido a um festival que acontecia numa vila próxima. Freed arregalou os olhos ao ouvir o comunicado, mas Laxus sequer o perguntou se ele se incomodava. Estava cansado e queria dormir. Pagou pelo quarto e em passos rápidos foi para o quarto, chamando o menor para que o acompanhasse. Assim Freed fez, apesar de estar receoso.
O quarto poderia ser classificado como de luxo para alguns, mas para outros como Laxus era bem simples. A cama era de tamanho de casal comum, mas era de um dos melhores colchões. As paredes cor de marfim, piso de madeira no mesmo tom das grandes janelas do cômodo. Já dentro do quarto e sentado na cama, o loiro começou a tirar os sapatos e camisa para poder dormir enquanto explicava para o outro o que havia acontecido. O menor suspirou aliviado, havia se enganado.
- Mas você saiu do hotel ... isso não vai lhe trazer problemas com a empresa? — foi o que Freed lhe perguntou depois que Laxus o explicou tudo. O maior estreitou os olhos, lhe encarando. Ele estava visivelmente cansado.
- É com isso que está preocupado? Você quase foi morto.
- Me desculpe ....
Freed abaixou a cabeça e o loiro ficou de pé, caminhando até ele. Enlaçou o corpo do outro com um dos braços e levantou o rosto do menor. Deu um leve sorriso ao ver aqueles olhos azuis serem direcionados para ele. Não conseguia imaginar sua vida sem ver aqueles olhos.
- Você não tem que se desculpar. Eu deveria fazer isso.... – encostou o rosto no ombro do outro, tombando o corpo para frente. – Quase perdi você esta noite .... me desculpe!!
- T-tudo bem Laxus .... o que aconteceu não foi culpa sua ...
O menor pode sentir a raiva que o outro sentia de si mesmo por aquilo e procurou acalmá-lo. Hesitou por alguns segundos, antes de levar a mão até a cabeça do loiro, repetindo para o outro que estava tudo bem.
- Laxus você está cansado. Porque não descansa agora? – disse o menor, que ainda gaguejava. Não sabia muito bem como lidar com aquela situação.
Laxus ficou alguns segundos abraçado ao menor, desfrutando daquele momento. Aquela foi a coisa mais carinhosa que Freed fizera com ele desde que o sequestrara. Não podia culpá-lo, afinal havia sido o carcereiro do menor todo este tempo. Mas parecia que estava conseguindo conquistar sua afeição.
- Obrigado Freed – disse levantando o rosto e dando um beijo demorado na testa do menor. Aos poucos, soltou o corpo do outro e se pôs a caminhar para um sofá que havia no quarto.
- Bem, vamos dormir agora. Amanhã será um dia cheio!!
Ao ver o outro se deitar no sofá, Freed foi até ele o chamando novamente. Laxus já estava de olhos fechados.
- Laxus você está mais cansado que eu. Pode dormir na cama. Eu ficarei bem aqui no sofá!
- Não. – Laxus sequer abriu os olhos para responder. – Pode ficar com a cama.
- E-eu não vou aceitar isso. Você está mais cansado!!! – rebateu o menor.
- Freed ... – o loiro abriu os olhos e se sentou no sofá. Olhava para o menor com sono, de forma que falava até devagar. – Não me obrigue a jogar você naquela cama.
- Porque não quer dormir lá? – disse o menor cruzando os braços.
Laxus soltou um suspiro desanimado. Freed conseguia ser cabeça dura quando queria.
- Porque quer que eu durma na cama? – disse ficando de pé, caminhando até o outro e ostentando um olhar desconfiado.
- Você está mais cansado! E além do mais este sofá é muito pequeno para você dormir! – respondeu o menor, desviando os olhos para o lado.
- Também seria pequeno para você .... o que está querendo realmente Freed?
- Não é nada, eu só quero que você durma na cama!
Ao ver o outro abaixar a cabeça, Laxus riu. Já próximo ao menor o pegou pelo braço, o puxando até a cama.
- O que está fazendo?! – Freed teve uma impressão errada quanto aquilo.
- Aceito sua oferta se dormir ao meu lado.
Rindo, o loiro empurrou Freed na cama, fazendo-o cair deitado. Sem perder tempo se deitou ao lado dele, o abraçando. O menor apenas ficou olhando a tudo com os olhos arregalados e chegou a engolir em seco quando Laxus lhe deu um beijo demorado em seu rosto.
- Não se preocupe, eu não farei nada a você. Mas permita que eu o proteja esta noite .... – disse o maior, apertando o corpo do outro contra o seu. Sua voz saíra baixa, de forma que ninguém além de Freed conseguisse escutar.
- C-como assim?
- Posso dormir abraçado com você? – a voz do outro ficara ainda mais baixa.
Freed virou o rosto para o lado para poder olhar o outro. Ao virar o rosto viu Laxus já sonolento. Estava apreensivo com aquela ideia, mas quando viu o sorriso que o outro lhe dava não conseguiu dizer não.
Ao ter seu pedido aceito, o sorriso de Laxus se tornou maior e ele agradeceu acariciando o rosto do outro. Com cuidado, virou o corpo do menor, fazendo-o ficar de frente a ele. Viu que o menor ficou um pouco corado ao ficar tão próximo a ele e riu baixo, antes de encostar seu corpo ao dele. Devagar, posicionou o menor em seus braços, de forma que o rosto do outro ficasse em seu peito.
O mais novo nada fez, apenas deixou que o outro o tomasse em seus braços. Depois que Laxus o posicionou em seus braços lhe deu um beijo delicado em sua cabeça antes de lhe desejar boa noite. Mesmo envergonhado o menor lhe respondeu.
Passaram-se alguns minutos e o loiro caiu no sono, totalmente exausto. Freed no entanto estava acordado, pensando na situação em que estava naquele momento. Há alguns dias atrás estaria em pânico por estar tão próximo ao outro, mas não estava sentindo aquilo no momento. Na verdade se sentia feliz. Sentia uma felicidade que o deixava confuso. Laxus o fizera sentir tanta dor, tanto medo, mas naquele momento com um simples gesto o fazia feliz. Pensativo, ficou por cerca de uma hora repensando este fato até que o sono lhe venceu. Lentamente, o menor foi fechando os olhos, sentindo o braço do outro que o mantinha perto daquele que um dia ele amou e que depois de muito pensar, pôde constatar que ele realmente ainda continuava a amar.
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