Sick
20 Epílogo
Notas iniciais
O POV é do Gerard, ok?
Se naquele sábado de madrugada Frank tivesse fechado a janela de seu quarto, tudo isso poderia ter sido evitado. Se o gato não tivesse pulado. Se aqueles homens não tivessem o abordado. Se eu não tivesse acordado sem motivos no meio da madrugada. Se. Se alguma dessas coisas não tivesse acontecido, toda a minha dor e meu sofrimento poderiam ter sido evitados.
E talvez hoje eu estivesse sentado em meu apartamento, na companhia de Margarida, comendo Muffins e então ela me contasse que o garoto Frank que morava em frente morreu em decorrência de um câncer no cérebro, naquela noite. E talvez eu dissesse: “[i]Oh, mas não é mesmo uma pena? Eu tinha muita afeição pelo garoto[/i]”. E depois, talvez, começasse a achar que morreria de tumor cerebral em alguns meses também. Não seria tudo tão mais fácil assim? Oh, com certeza seria mais fácil. Mas nem sempre o mais fácil é o melhor.
Certamente eu evitaria toda a dor; evitaria esse buraco negro que tenta me sugar para dentro de mim mesmo — e eu continuo resistindo pela promessa que fiz ao Frank. Mas evitaria também todos os momentos bons. Evitaria os rabiscos na parede, os jogos de xadrez, os dunots, as conversas, as risadas, os beijos, as discussões, os toques, o [i]amor[/i]
O amor que eu dei a Frank e que ele me deu de volta compensa – ou talvez até supere – toda a dor que eu tenho que passar agora. E é por causa de todo esse amor, que se eu tivesse o poder de mudar alguma daquelas coisas naquela madrugada de sábado, eu não mudaria nada. Nadinha.
Por que eu posso até imaginar-me conversando com minha vizinha sobre a morte do garoto Frank como se fala do tempo, mas isso não passa de um filme, onde alguém com a mesma aparência que eu, fala em meu lugar. Aquele não sou mais eu. Talvez seja Gerard Way de dois anos atrás, mas não o de hoje.
Hoje eu sou o que Frank me tornou. E hoje eu posso ver o bem que ele me fez – embora eu já costumasse dizer isso antes. E é por isso que eu não me imagino sem todas aquelas lembranças, que assim como Frank disse, são a minha força para continuar agora.
Ele está dentro de mim. Eu sinto isso quando a saudade me toma e então eu levo minha mão ao peito, e agarro com força aquele pingente que um dia esteve em seu peito. Eu posso sentir sua presença, e é apenas por isso que eu não me entrego.
Eu abro o nosso álbum de fotos e passo meus dedos suavemente pelo seu rosto gravado no papel e imagino sentir sua pele de novo. E conforme as páginas vão passando eu percebo como ele foi ficando cada vez mais pálido e fraco. E eu vejo as últimas fotos – aquelas do primeiro dia que ele roubou da morte – e lembro-me de seu sorriso sincero, e da felicidade que exalava de seus olhos. Lembro-me da sensação de seus lábios nos meus...
E posso senti-lo ao meu lado quando assisto aos nossos filmes, enquanto sorrio por ver o sorriso bobo dele por apenas estar ao meu lado neles. E eu posso imaginar os comentários sarcásticos que faria; quase posso ouvir a sua voz os fazendo. E depois a sua risada.
E seria hipocrisia dizer que as lágrimas não vêm.
Elas vêm. E elas sufocam-me. Mas Frank sempre está ali para me consolar. Ele nunca deixou de cumprir uma única promessa que fez, mesmo depois de morto.
Notas finais
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