Shut Up, And Comes
36 Capítulo 36 - Resumption
Notas iniciais
Quando Mr. Schuester liberou os membros do clube do coral, Blaine ficou atento aos passos de Sam. Seguiu o loiro discretamente, até que ele saísse da escola. Todos provavelmente haviam reparado no comportamento um tanto quanto estranho de Blaine, mas isso era o que menos importava para o moreno agora. Quando Sam dobrou a esquina do quarteirão, Blaine acelerou os passos, ou senão perderia o amigo de vista, e isso apenas complicaria as coisas. Anderson colocou as mãos em concha em volta de sua boca, e gritou pelo nome do amigo:
– Sam! — Ele fitou o loiro dar um pulo, e logo após virar-se para olhar.
– O que você quer? — Sam estava muito irritado, mas foi inevitavel aproximar-se de Blaine, para saber o que ele queria. Sam queria realmente fazer as pazes com o amigo novamente, mas tinha medo e sempre fora orgulhoso. Certificou de que ninguém estava os olhando, e com uma voz rispida, ordenou a Blaine — Fale logo, eu não tenho tdo tempo do mundo pra ficar ouvindo as suas babaquices.
– Babaquices? — Blaine abriu a boca e ergueu uma sombrancelha, como sempre fazia quando alguem falava algo que ele não gostava. Algo que achava errado. Iria manter a discussão, mas logo se tocou que aquilo só pioraria as coisas, e dificultaria o reatamento da amizade deles. Respirou fundo, balançou a cabeça e quando Sam iria abrir a boca para protestar algo, Blaine colocou um dedo sobre os lábios carnudos do amigo, e retomou a fala — Sam... Sei que já fiz merda, sei que fui errado. Sei que não deveria ter cedido a Kurt. E pode ter certeza que eu não estava no meu normal quando fiz aquilo. Apesar de estarmos apenas ficando, eu consigo te entender... — Ele pausou, lembrando da cena de Sam o mandando embora. Balançou a cabeça e deu um riso amargurado. — Eu estou com nojo de ter feito aquilo. Nojo de trair nossa amizade. De ter beijado os lábios de Kurt quando tinha os seus somente para mim... Estou com nojo de mim mesmo.
Os dois então não disseram mais nada. E um silêncio agudo tomou conta do lugar. Sam fitava Blaine, com olhos semi-cerrados, enquanto Blaine, de cabeça baixa, dava poucos olhares para Sam. E só então Sam percebeu o quanto os olhos de Blaine eram lindos. Eram como um jardim de começo de verão, cheios de vida, um pouco misteriosos, travessos. Hora eram esverdiados, hora cor de mel. Agora brilhavam, não por lágrimas, mas porque tinham esperança em excesso, de voltar com Evans. Sam quis o beijar naquela hora. Mas não podia. Não conseguia.
– Não sei Blaine. — Sam suspirou, ergueu a cabeça e passou as mãos pelo cabelo. Seus lábios foram um pouco pra frente, formando um quase imperceptivel bico. Com um olhar sério, começou a fitar Blaine novamente. Seu olhar demonstrava nervosismo, insegurança. Amor. — Não sei, não sei. É estranho pra mim, é tudo novo. Não lembro se eu já te disse isso, mas o que eu sentia por você... — " Sentia ", aquilo fez o moreno o olhar com preocupação. — Sinto. — Sam corrigiu a si próprio, e Blaine pareceu melhor. — O que eu sinto por você, eu jamais senti por outra garota sabe? Você é o primeiro garoto que me envolvo, é uma das poucas pessoas que eu estou realmente gostando na minha vida e agora isso tudo vem a tona. Você me trai, quando eu estou " nas nuvens " — O loiro curvou os dedos, fazendo aspas — E então eu volto pra realidade, e tenho vontade de virar o puto sem vergonha que eu sempre fui. Eu realmente queria voltar a ter o que eu tinha com você, seja lá o que for. Mas tenho medo. Não sei se você gosta de mim o suficiente para estar apenas comigo. Eu acho que você ainda gosta de Kurt e...
– Para! — Blaine falou o olhando. Sam calou-se, e o olhou com dúvida. — Olhe pra mim Sam. Olhe bem pra mim. — O loiro o fitou de cima a baixo — Eu fiquei assim por Kurt? Eu estou acabado, mal consegui dormir. Não paro de pensar em você, quase não prestei atenção no que o professor Will falou hoje. Se eu gostasse de Kurt, eu estaria com ele agora. Eu não teria dado tanto valor para o nosso término. Não teria ficado tão mal. Não iria ficar correndo atrás de você, e muito menos deixar o meu cabelo sem gel. — Blaine apontou para o emaranhado acima de sua cabeça. — Acho que essa é uma das provas de amor mais bestas, bizarras, naturais e sinceras que eu poderia fazer agora. — Blaine engoliu em seco. — Eu te amo cara. E se você me der mais uma chance... eu nunca mais irei repetir isso novamente. Nunca.
O mesmo silêncio de alguns momentos atrás se instalou novamente no lugar. Agora era Blaine quem fitava Sam. Os olhares se cruzavam. A boca de Sam começava a abrir para falar algo, mas então se fechava de novo. Depois de algum tempo nessa tensão, o loiro decidiu finalmente falar:
– Promete? — Ele estava sério. Blaine conteve um sorriso.
– Sim, eu prometo. — Seu coração batia mais forte naquele momento. Era como se ele estivesse prestes a abrir uma carta que fosse mudar sua vida. Novamente ele se questionou, como um garoto pode o deixar daquela forma.
– Tá afim de ir pra sua casa? — O loiro deu um sorriso travesso, e olhou para os lados.
– Vamos logo. — Blaine falou abrindo um enorme sorriso. Sam estava com saudade daquele sorriso lindo. Daqueles lábios rosados, e daquele olhar inocente e ousado que Blaine conseguia ter ao mesmo tempo. Os dois estavam anciosos para poderem se abraçar e se beijar, e matar a saudade que estavam sentindo um do outro, apesar do pouco tempo distanciados.
Os garotos davam passos apressados, dobrando esquinas, subindo e descendo ruas, e cumprimentando conhecidos. Muitos olhavam para os dois, mas só os viam como amigos. Havia alguns linguarudos, que não admitiam a amizade dos dois, por Blaine ser gay, e Sam "ser hétero" . Os fanáticos religiosos, julgavam a mãe de Blaine por aceitar ter um filho gay. Consideravam-no uma aberração, e apesar de aquilo ter machucado Blaine no começo, agora ele pouco se importava. Sua mãe sempre dizia, que o importante era ele ser feliz, do jeito que era. Podia ser ou fazer o que quiser, desde que fosse do bem, e para o bem.
Logo estavam na rua do moreno, e aquilo deu um frio na barriga em ambos. A sensação era a mesma de estar numa fila de um parque de diversão, esperando por sua vez de ir na montanha russa mais bem falada do parque. Chegaram na casa nobre de Blaine, e com sua chave, abriu a porta apressadamente. Sua mãe não havia ido almoçar em casa, e Blaine agradeceu por aquilo. Gostava da companhia da mãe, mas se ela estivesse lá, apenas iria atrapalhar os planos do garoto. Assim que ambos entraram, Blaine trancou a porta, e jogou a mochila longe. Sam também fez o mesmo, e com um sorriso nos lábios, colocou Blaine contra a parede, e o beijou com sede e voracidade.
– Eu te amo — Blaine dizia entre as curtas pausas do longo beijo.
– Eu te amo também — Sam respondia, voltando a beijar o amigo.
Aquilo só foi esquentando, e Blaine tirou a camisa de Sam, expondo o peitoral que o moreno tanto amava. Sam também tirou a camisa de seu parceiro, e os dois foram para o quarto, onde tudo realmente esquentou.
Naquela tarde, os dois não transaram, nem "foderam" e nem fizeram sexo. O termo apropriado é "amor". Fizeram amor. E foi lindo, para ambos. Sam agora se sentia seguro. Blaine sentia-se melhor do que nunca. E os dois se completavam como ninguém mais. E desejava, que permanece assim, por muito, e muito tempo...
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