Shut Up, And Comes
37 Capítulo 37 - The Sweet Pain
Notas iniciais
Puck levantou lentamente e estalou as costas doloridas sem querer. Estava todo dolorido. Realmente, dormir no colchonete de um mendigo não era nada confortavel, porém, era a unica coisa que ele conseguira na noite passada. Estava com uma dor de cabeça enorme, pois tinha "enchido a cara" de bebidas alcólicas, para tentar amenizar a angustia que estava sentindo. Só se lembrava de, após ter sido expulso do bar, ele foi a um beco, e roubou o colchonete que um mendigo estava dormindo. Talvez, se tivesse dormido no chão, não teria tido diferenças. Era estranho sair de uma cama macia e confortavel dentro de seu quarto, para dormir num quase-chão em um beco.
Olhou em seu relógio, e viu que já eram 6:43 PM. Teria que ir daquele jeito pra escola, pois já eram os ultimos dias de aula, e ele apresentaria a tarefa do clube do coral. Tomou coragem, pegou a bolsa que havia escondido no lixo, e dela tirou um frasco de perfume. Ele sempre o carregava, caso fosse transar de ultima hora e seu cheiro não estivesse maravilhoso. Espirrou em seu corpo inteiro, ajeitou o moicano, e assumiu a pose de valentão que sempre tinha... Era o item mais essencial para ele ir pra escola. Puck talvez não fosse aquele cara ruim que queria ser. Ele tinha um coração, um enorme coração, porém, tinha medo de mostra-lo, porque á se machucara muitas vezes... Aliás, se machucara todas as vezes em que tentava demonstrar algum tipo de afeto intimo com alguém. Finn estava mudando aquilo, mesmo. Só que estragaram, TUDO, toda a esperança de Puck de que alguem que ele gostava não o machucaria. Não tão cedo.
Ele caminhava sempre superior, olhando para todos com olhar de mal, ameaçando com as pupílas qualquer um que tentasse lhe fazer piadinhas sobre o video. Santana riu de Puck quando ficou sabendo do acontecido, e apenas disse "Sei como é isso, porém, eu estava segura sobre a sua héterossexualidade. Essa escola está com uma péssima epidemia gay." É claro que Puck quis lhe dar umas porradas, mas ela era mulher, e gostosa. Muito. Santana era engraçada, o jeito que ela falava. Era como se apenas ela e Brittany pudessem ser gays. E isso fazia Puck rir.
A ida para o WMHS parecia estar tão lenta, que passava a impressão de que Puck estava numa esteira, e nunca chegaria ao seu destino. Era estranho, porque a distância da casa de Noah para o colégio, era bem maior que a distância do beco para o colégio. Talvez fosse o cansaço, talvez a ressaca. Talvez fosse o fato de que ele não falaria com Finn, ou talvez fosse todas essas coisas juntas, vai saber. Ele só queria pular pra parte da sua vida em que tudo estaria bem, estabilizado, que sua vida estivesse normal, e as pessoas voltassem a o respeitar.
A imensa escola finalmente se aproximava, Noah percebeu isso pelo monte de pessoas que estavam reunidas, alguns kilometros a sua frente. Ele respirou fundo, ergueu os ombros e acelerou o passo. Não o deixaria que o jogassem na lixeira de novo, não deixaria que o humilhassem. O plano principal do garoto, é que no seu ultimo ano de colégio, ele fosse o "rei" novamente. Ele precisava disso, para se sentir bem, para fechar o ano bem. Mas isso estava nos planos, e ele sabia que não seria fácil, não mesmo.
Passou por todos, com as mesma tática de fuzilar os alunos com os olhos. Estava adiantando, porque por onde ele passava, as pessoas se calavam. Ele sorria de canto para algumas bonitinhas da escola, e elas devolviam com um sorriso tímido. Algumas, mais ousadas, davam piscadelas ao garoto. Ele adentrou os corredores da escola, e foi para o banheiro, ver se estava muito "acabado" . Apesar de não demonstrar, Puckerman tinha uma vaidade enorme. Ele achava isso gay, e criticava a si próprio as vezes, mas ter uma boa aparência, o levava a ter meninas ao seu redor. O banheiro estava vazio. Era apenas Puck e seu reflexo, fazendo caretas, arqueando a sobrancelha. Parecia meio louco, mas era divertido imitar poses que faria em fotos na frente do espelho. A porta se abriu com um estalo e um rangido, e quando Noah olhou para trás e seu olhar se cruzou com o de Finn. Ambos não sabiam o que falar.
- Desculpa, não sabia que você estava aqui — Finn disse, avançando o passo, e entrando numa cabine do banheiro.
- Não há problema nenhum, todos usam esse banheiro da escola, e eu já estava de saída. — Noah falou, enquanto pegava sua mochila. Depois de alguns segundos de silêncio, a voz de Finn ecoou pelo banheiro:
- Como você consegue agir tão normalmente? — Ele não obteve respostas. Fechou as calças, e quando saiu do box, Puck não estava mais lá, nenhum sinal dele. Aquilo irritou Finn. Mas ele não demonstrou nada, apenas lavou as mãos, se olhou no espelho, e saiu em direção a primeira aula. Finn sabia que estava errado em ficar cutucando um ferida ainda não cicatrizada. Sabia que apenas devia calar a sua maldita boca, e esperar que a poeira abaixasse, para só então voltar a falar com Puck. Mas não tinha toda essa paciência. Ajeitou seu cabelo, e saiu do banheiro. Logo estaria no clube do coral, apresentando sua ultima tarefa antes das férias, e estava realmente ancioso para apresentar.
-
Noah entrou na sala, e todos tagarelavam ao extremo. Era Tina com sua voz baixa e risonha, Rachel dando idéias para as regionais, Blaine e Sam sentados juntos novamente rindo, Kurt bufando, Mr. Schuester escrevendo algo no quadro branco, Quinn de pernas cruzadas olhando para todos com cara de desprezo, assim como Brittany e Santana, Artie olhando a todos com um sorriso bobo no rosto, Mike observando Tina, e Mercedes pedindo silêncio. E claro, Finn, pegando um pouco da conversa de cada um, com seu jeito bobo. Novamente, seus olhares se cruzaram. Era incrível a capacidade de isso acontecer com tanta frequência!
- Atenção, atenção! — Mr. "Schu" pediu enquanto Noah se sentava, e fez todos se calarem — Admiravel, eu pedi apenas uma vez e adiantou! — Ele riu com jeito bobo, assim como todos do New Directions — Hoje, vocês irão me apresentar a tarefa de Rap e Pop juntos. Mas antes, quero deixar claro, que não é porque vão entrar de férias que devem parar de treinar a voz. Não quero nenhum aluno meu chegando aqui com voz de pata esganiçada. Fui claro?
- Sim Mr. Schu — Todos disseram em coro, quase ao mesmo tempo.
- Muito bem, então... QUE COMEÇEM AS APRESENTAÇÕES! — O professor ordenou. E assim os alunos fizeram, uma apresentação mais surpreendente que a outra. Quase todos haviam formado duplas e se dedicado muito naquela tarefa. Menos Puck. Menos Finn. Os dois não tinham uma dupla, e não haviam ensaiado para apresentar-se. Os dois mal estavam pensando nisso. Estavam no clube do coral, fisicamente, e mentalmente, perdido na confusão de seus próprios pensamentos. — Finn, Puck, vocês são uma dupla? — William falou, estalando os dedos para os dois despertarem.
- NÃO — Ambos responderam — Eu apresento primeiro — Finn disse se levantando, e sorrindo para todos. Se sentia confiante, mesmo sem um pingo de preparação. Sentia-se forte, bom. Respirou fundo, combinou com os rapazes da banda, e inicou a sua apresentação. A mais verdadeira que já fizera.
Só vai ficar aí me assistindo queimar
Está tudo bem porque eu gosto da maneira que dói
Só vai ficar aí me ouvindo chorar
Está tudo bem, porque eu adoro o jeito que você mente
Eu adoro o jeito que você mente
Finn puxou ar do fundo do peito para cantar o rap, mas então uma voz, no meio das pessoas do clube do coral, surgiu. Puck. Finn nunca confundiria aquela voz.
Eu não posso te dizer o que realmente é
Eu só posso te dizer como é a sensaçao
E agora há uma faca de aço
Na minha traquéia
Eu não posso respirar, mas eu ainda luto
Enquanto eu posso lutar
Contanto que o errado pareça certo
É como se eu estivesse em vôo
Alto de amor
Bêbado do meu ódio
É como se eu estivesse com o mau humor pintando
E eu o amo quanto mais eu sofro
Eu sufoco e assim
que estou prestes a me afogar
Ela me ressuscita
Ele me odeia
E eu adoro isso espere
Onde você vai
Eu estou deixando você
Não, você não está
Volte
Nós estamos correndo de volta
Aqui vamos nós outra vez.
Ficaram de frente um pro outro, e olharam-se nos olhos. Os mesmo olhares da primeira transa. O mesmo ódio da primeira briga. O mesmo amor que sempre houve entre os dois.
Só vai ficar aí me assistindo queimar
Está tudo bem porque eu gosto da maneira que dói
Só vai ficar aí me ouvindo chorar
Está tudo bem, porque eu adoro o jeito que você mente
Eu adoro o jeito que você mente
A canção parou, quando Noah fez um sinal para os músicos. Ele estava diferente, parecia piedoso, parecia irônico. Ao mesmo tempo que era o Puck de sempre, ele parecia um totalmente diferente. Hudson quase não pôde acreditar quando ouviu as seguintes palavras saírem da boca de seu, talvez, amigo:
- Cara, me desculpe. Me desculpe pelo quão idiota eu fui, e por ter me deixado levar por comentários alheios de pessoas que nunca realmente confiei. Peço desculpas por quase estragar a nossa amizade e...
- Eu te desculpo Dude. De boa. — Finn falou, tentando controlar a vontade de agararr Noah.
- Eu te amo. E cala a boca — Puck sorriu, e Hudson mal teve tempo de entender a frase. O mais baixo o puxou pela gola da camisa, e o beijou. Todo o coral se calou. Apenas alguns sons de espanto por alguns segundos. Os segundos mais especiais de todo aquele ano, para Finn. Os segundos mais preciosos, os que ficariam marcados para sempre. Encerrando o beijo, Hudson olhou para todos do clube do coral, e com uma sombrancelha arqueada, brincou:
- Essa é a hora que vocês aplaudem. — E dizendo isso, risos se iniciaram, e como no final do mais belo filme, exibido num cinema cheio, todos se levantaram e aplaudiram de pé. Foi lindo, realmente. Talvez, com aquele ato, Noah conseguira se desculpar... Ele fez o que mais temia no passado. Largou a sua posição de BadBoy, por causa de uma pessoa. Um cara. Finn fizera Noah feliz desde os tempos de infância. E por mais deliciosas que tenham sido as transas com várias garotas, nada se compararia ao abraço de Hudson. Agora ele já não ligava para opniões, nem popularidade e nem nada do tipo. Seu universo mudara o rumo, para algo proibido para a sociedade, certo para eles.
Sempre haveriam brigas entre os dois. Mesmo depois de 3 anos de namoro, e estarem morando juntos, eles ainda brigavam feio. E sim, com direito a socos e "pontapés" . Mas nada perde seu costume tão facilmente. Sexo era a solução para resolver problemas. E o ciúmes e a possessão de um ao outro, era a maior prova de que o amor era imenso. Um amor verdadeiro. E que nem todo o dinheiro do mundo, e nem todas as garotas, e nem todas as mansões e piscinas, e coroas gostosas e nada mesmo, conseguiriam substituir. E com o tempo, passou a ser mais que simplesmente amor. Se tornou uma vida. A vida que os dois necessitavam para completar a de si próprios...
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