Shut Up!

32 3ª Fase: Cápitulo 2 - Mudanças


Notas iniciais
Hello, hello. Tudo bem? Boa leitura.

Bella PDV


O silêncio do outro lado da porta me sufocava de uma maneira sem igual. Fiquei parada ali, querendo ouvir pelo menos um: “Vai embora, Bella.” Ou um “Me deixa sozinho, por favor...” Mas nem isso me foi dito. Era como se fosse comigo que a escola toda estivesse zuando, humilhando e destruindo emocionalmente. Eu sabia exatamente como ele se sentia nesse momento: Um nada. E eu não queria que ele se sentisse assim, eu sei que é errado, mas eu queria protegê-lo, queria lhe fazer bem, queria que ele desse aquele sorriso que contribuiu muito para que me apaixonasse. Sei que qualquer pessoa no meu lugar estaria feliz nesse momento, por vê-lo pagando pelo o que fez, mas eu não estava. Eu estava muito angustiada. Eu queria arrombar aquela porta, mesmo o Jacob repetindo que a última pessoa a quem o Edward queria ver era eu. Queria falar com ele, mesmo que não quisesse me ouvir. Eu só...


–Edward, preciso falar com você. Por favor... Abre a porta. – minha voz saiu quase num sussurro.


Bati repetidamente na porta, fazendo um barulho muito grande, bati o mais forte que conseguir, mesmo meus punhos latejando. Jacob me impediu que eu batesse mais me segurando e me afastando dali, eu teria gritado pra ele me soltar, mas não conseguia. Já não me bastava a culpa de ter beijado outro homem ontem a noite, ainda existia a culpa de ter sido eu que tirei as fotos. Mesmo tendo pedido pra Alice jogá-las fora, eu que deveria ter o feito, tinha que me certificar que as fotos iriam realmente pro depósito do lixo, e, com isso, teria poupado sofrimento de ambas as partes. A minha parte, por estar fazendo mal a ele. E a parte dele por estar sendo humilhado por aqueles que um dia o vangloriaram.


–Acho que não é tarde pra te ensinar outra lição que a vida tentou fixar na memória e você sempre esquece. – ele continuou andando e me puxando, mas de uma maneira nada rude – O Edward está pagando pelo o que fez. Você nem precisou fazer nada.


–Como não fiz nada?! Fui eu que tirei as fotos, eu que o vesti daquela maneira depois de ter dopado ele. A culpa é minha. – gemi.


Ele parou de me arrastar e me encarou, os olhos fundos e misteriosos fitando os meus, me deram certo medo, não sei por quê. Eu nem conseguia mais encará-lo como antes, e isso me adoecia. Comprimi os lábios o quanto pude. Eu realmente não sabia o que fazer. Minha vida havia se tornado um pesadelo ainda pior. O que eu era agora? No que eu tinha me tornado? Eu não merecia nada, não merecia aquela preocupação vinda do Jacob, eu errei tanto com ele... Eu o traí noite passada com o mesmo cara que agora tô desafiando tudo e todos pra ajudar.

Jacob me fitou.


–Ei, ei... Não vai chorar, eu não deixo. Não foi você que pôs a as fotos, só pra começar. Alguém que estava com muita raiva dele lhe fez isso. Esse é o único sentimento que ele merece: raiva. Ele não merece isso tudo, Bella. Não merece suas lágrimas. Ele acha que foi você que fez isso com ele, ele está te ignorando, que droga Bella! Não percebe que ele não te quer por perto? Foi isso que ele fez com você todo esse tempo: Te afastar, te fez chorar. O cara foi um filho da puta com você todo esse tempo, te colocou pra baixo, te fez chorar, fez você mudar obrigatoriamente e você continua se importando... Fico me perguntando, quantas vezes tem que tomar na cara pra deixar esse... esse Edward de lado? – ele falava sério, sua voz áspera denunciava o quanto ele não gostava do Edward, o quanto ele queria que essa minha preocupação terminasse. O quando queria que eu não me importasse, deixasse o Edward de lado. Ignorasse os insultos atribuídos a ele. Ignorasse aquele silêncio sufocante que era muito pior do que xingamentos. Mas eu tentei, juro que tentei.


–Desculpa... – solucei.


–Eu te ajudo, eu tô aqui. – ele sussurrou tocando ternamente meu rosto – Não se desculpa não, Bella. Só... Só esquece ele. Deixe-o experimentar a sensação de se sentir sozinho como você experimentou. Ele vai se tornar uma pessoa melhor, de verdade. E não vai fingir ser nada só porque você mudou o cabelo, as roupas e está usando maquiagem. – seus olhos me deram medo novamente.


–Acha que ele está fingindo? – solucei.


–Não acho, tenho certeza. Bella, ele te quer como um troféu, aposto que ele quer ficar com você, mesmo sabendo que está namorando. Depois ele vai te ignorar o quanto pode. – aquelas palavras me acertaram forte, embaralhando as ideias da minha mente. Será que... Droga, você é uma burra!


–Talvez tenha razão. – essa contestação saindo pela minha boca quase me fez engasgar.


Seria possível tudo aquilo ser um fingimento da parte do Edward? Seria possível tudo aquilo não passar de uma grande mentira? Todas as histórias do passado, todos os risos espontâneos, todos os olhares, e até o beijo. E até mesmo a contestação que ele realmente estava apaixonado por mim. Seria tudo mais um bando de ilusão que eu tinha fantasiado na minha cabeça mesmo sabendo o quanto ilusões me faziam mal? Será que ele teria conseguido me enganar novamente? E se... E se ele realmente só me quisesse porque eu mudei, se ele só me quisesse porque tenho um rostinho novo, roupas novas e atitudes novas?


–Eu só não entendo, porque, desde cedo, quando eu te busquei em casa, antes mesmo de saber do acontecido, seus olhos estavam tristes... Acha que eu não percebo? – Jacob me observou.


Comprimi mais ainda os lábios, não estava pronta pra contar, não estava pronta para machucá-lo, ele não merecia. Uma lágrima idiota escapou do meu olho rapidamente, e não deu tempo que eu a limpasse antes que fosse percebida. Jacob respirou pesado e a limpou rapidamente. Comecei a soluçar, tentei não deixar mais nenhuma lágrima cair enquanto o abracei, me refugiando em seus braços. O abracei com a maior força que pude, colando nossos corpos.


–Eu quero voltar a ser como antes, por favor... – solucei alto, me acomodando no seu ombro enquanto mais lágrimas rolavam – Eu estou me odiando assim.


–Gosto de você de qualquer jeito. Então volta... Você sempre será a minha Bella. – mais uma lágrima escapou do meu olho, aquele tratamento era tão lindo que eu não merecia.


–Eu... Eu não mereço você. – solucei.


–Eu que não mereço você, é muita areia pro meu caminhãozinho. – ele riu baixinho.


–Obrigada. – sorri um pouco.


–Pela cantada ruim? – ele deu uma risada gostosa.


–Por existir. – o corrigi.


Ele me apertou com força num abraço esmagador, tirando meus pés do chão. Deu até uma rodadinha que me fez ri entre soluços, depois deixou que meus pés tocassem o chão novamente.


–É linda, sabia? E não só pelo o que consigo ver com meus olhos. – tirei minha cabeça do seu ombro e o encarei, numa tentativa um tanto fugaz de dar um mini sorriso.


–Escuta... Se um dia eu te magoar, quero que saiba que foi parte da minha vida, a melhor parte dela. – dessa vez sim consegui sorrir de verdade, mas o sorriso desajeitado dele foi bem maior que o meu.


–Bella, está me deixando sem graça.


Mal sabia ele que eu só estava o preparando psicologicamente. Não sabia conviver com mentiras, não tinha forças pra isso. Uma hora ou outra teria que contar, e estava me esforçando pra não imaginar possíveis reações que me fariam desistir de contar o episódio da noite passada.


–Me leva pra longe daqui. – respirei pesado.


–Quer me induzir a matar aula, é isso? – ele ergueu uma sobrancelha.


–Pelo menos ainda sirvo como mau exemplo. – ri um pouco e ele balançou a cabeça atordoado.


–Eu topo, se me der um beijo. – sorri lhe dando um beijo rápido.


–Não, eu quero um beijo mesmo... Daqueles de cinema. – revirei os olhos.


Edward PDV


Era incrível como as coisas haviam mudado, tempos atrás eu estava batendo em pessoas mais fracas que eu, humilhando-as, acabando com elas. E agora? Tava no chão de um banheiro me escondendo de tudo e de todos. Nunca me imaginei dessa maneira, nunca pensei que um dia poderia acontecer comigo. Talvez ninguém esteja livre de passar por isso. Estranho eram os pensamentos suicidas que se passavam na minha cabeça. Até os meus pensamentos praticavam bullying para comigo. Me ergui com dificuldade, certamente os corredores já estavam vazios. Girei bem devagar a maçaneta e saí do banheiro. Andei temeroso pelo corredor, não havia mais fotos em nenhuma parte dele, só aí me lembrei do comentário do Jacob de que Bella tinha as tirado. Mas as fotos ainda estavam no celular de todos do colégio. Pra mim, isso não fazia o menor sentido. Ela fez isso comigo e havia se arrependido minutos depois? Não faz o mínimo sentido.

Eu não suportava mais ficar naquele lugar, sempre dei uma de valentão, que não tinha medo de nada. E agora estava com medo de tudo e de todos. Eu era um monte de xingamentos ruins que existiam.

Meio que me choquei com a cena que eu vi no fim do corredor, mas logo depois sentir repulsa. A garota que anteriormente batia desesperada na porta para que eu a atendesse dava amassos no seu namorado, minha cabeça latejou ao ver seus lábios serem sugados por outro cara, eu nunca na minha vida senti tamanho nojo de um beijo, nem quando eu era mais novo e via casais se agarrando pela rua, nada me fazia sentir tamanha repulsa do que aqueles dois se agarrando. Jacob encostou Bella no armário enquanto a devorava num beijo nojento. Felizmente, eu já estava perto da saída. Os olhos de Jacob se abriram, e um olhar de deboche foi lançado a mim, enquanto ele prensava ela no armário. Eu sentia vontade de socar aquele cara até a morte, sentia vontade de acabar com ele, de mandar ele pra longe daqui. Droga! Por que eu estava observando aquele espetáculo idiota? Respirei fundo e continuei andando, ao chegar do lado de fora corri, a fim de chegar logo no meu carro.

Quando entrei no meu carro, respirei fundo. O ódio de mim me atingiu, bati minha cabeça no volante repetidas vezes com muita força. Passei a mão no cabelo de nervoso repetidas vezes, e então senti que estava prestes a desabar, comprimir os lábios a fim de não ser fraco o suficiente pra tal coisa. Mas talvez não fosse fraqueza. Parei de forçar para que isso não acontecesse e enfim uma lágrima desceu exprimida dos meus olhos, aquela lágrima que eu guardei nos olhos durante tantos anos pareceu se multiplicar e então lágrimas desceram com força total. Eu estava vivendo um pesadelo terrível, e o pior: Eu merecia cada segundo dele. Eu o construir com cada humilhação feita, cada arrogância, cada erro, cada pessoa que eu fiz mal. Eu só não imaginei que um dia me apaixonaria pela garota que um dia pratiquei o pior dos bullyings. Eu só não me imaginaria sendo alvo de gozação dos meus amigos. Amigos? Não, na verdade eles não são meus amigos, nunca foram. Por que eu tinha que aprender isso dessa maneira altamente cruel? Mais lágrimas caíram e eu não me preocupei em limpá-las. Bati mais ainda minha cabeça no volante enquanto mais lágrimas invadiam meu rosto. Por fim, fechei meus olhos, repirei bem fundo e peguei a chave do carro no meu bolso. Limpei as lágrimas e dei a partida, saindo de lá o mais rápido que pude. Não me importava com nada naquele momento, não, isso era mentira. Me importava com tudo. Tudo estava acabando comigo. Tudo que eu achei que nunca passaria na minha vida.


Bella PDV


Sei que eu e o Jacob somos namorados, mas confesso que ele exagerou no beijo. Não era do seu feitio fazer tal coisa, mas não me importei muito com isso. Sentei no banco do passageiro, e o Jacob entrou em seguida, não demorando de dar a partida no carro. O carro estava com um aroma bom, de morango, parece que ele já me conhecia bem e sabia que eu gostava.


–Estou te dando exemplos ruins, sabe a matemática em que sinais negativo e positivo se tornam automaticamente negativo? Então... – ri – Pode ser positivo, mas quando está comigo se torna automaticamente negativo.


–E quem disse que você é um sinal negativo? – ele ergueu uma sobrancelha – Teve algo que você não me disse ainda... – tremi quando me disse isso – Aonde vamos?


–Hm... – pensei bem – Acho que não vai ser muito agradável pra você, mas estava pensando em ir no shopping, preciso de uma mudança e preciso de diversão. Estava pensando, e... Podemos ir a alguma daquelas lojas de games, e depois pode me deixar no salão de beleza.


–Não vejo precisão de um salão de beleza. – ri.


–Diga adeus à loira fatal. – fiz piadinha.


(...)


Durante o processo de coloração, manti meus olhos fechados e minha mente foi invadida por flashbacks. Eu não suportava mais aquelas drogas de lembranças, o que eu faço com elas?

Queimo, jogo no lixo, ou excluo? Podem parecer que têm o mesmo significado, mas com certeza não. Se eu queimá-las, me restarão cinzas, que, com o tempo, serão trazidas pelo vento. Se eu as jogo no lixo, talvez alguém as ache e as traga de volta, achando que eu as quero. Mas se eu excluo... É pra sempre. Aí todas as lembranças serão produtos do passado de uma prateleira de mercadinho qualquer que todos rejeitam. Trazem benefícios, mas com eles malefícios(...) Então fazem bem, mas fazem muito mal ao mesmo tempo. Com e sem qualidade. E com um preço enorme, o preço que pago até hoje.

Eu contava, contava mesmo que essa mudança me fizesse voltar ao que era antes, não tão ingênua, mas o tipo de pessoa que não sai cometendo milhares de erros onde quer que passe. Queria que o Edward olhasse pra mim e parasse pra ver que eu sou aquela mesma garota que ele humilhou tempos atrás, talvez assim ele desista de mim e eu não tenho que escolher nada, tampouco, machucar alguém. Assim eu provaria pra mim que o Edward só queria o nova Bella, que a antiga era aos olhos deles a mesma ridícula que ele sempre viu.

Quando enfim acabou o meu cabelo, observei o espelho satisfeita. Havia voltado a cor da minha raiz, o cabelo estava liso, sem nenhum cacho na ponta. Não estava como antigamente. Mas sei lá... Me senti melhor, me senti mais leve, me senti mais eu.

Agradeci pelo trabalho da profissional e fui pro caixa pagar. Depois de fazê-lo, fui até Jacob. O encontrei sentado, aleatório.


–Prontinho... – sorri – Podemos aproveitar o resto do dia aqui no shopping?


–Desculpa, senhorita. Tenho namorada, e estou à espera dela. – ele atuou bem, devo dizer.


–Ah, para. – ri.


–Devo admitir que você me lembra a ela. É muito bonita. Tem o rosto parecido, a roupa, o corpo, o jeito de sorrir, a voz... Mas o cabelo, nada a ver.


–Se não fosse eu, como saberia que começamos a namorar no dia do seu aniversário? – ergui uma sobrancelha – E a sua metáfora com os bombons estragados?


Ele me puxou pela cintura, ainda sentado. Tratei de me debruçar para que pudesse beijá-lo.


–Tá incrível, sabia? – ele sorriu – E continua sendo a minha Bella.


Jasper PDV


Entrei em casa com um sorriso que dava pra ver até de costas, tudo havia saído como eu planejei. Mesmo sendo um plano tão prematuro. O Edward estava pagando por tudo de ruim que fez em minha vida, desde quando eu era menor e ele me ignorava e me deixava sozinho, desde que ele fazia um tamanho mal ao meu pai, e o deixava tremendamente triste. Até a parte que achava que tinha direito em se meter na droga da minha vida amorosa. E eu tenho certeza em dizer que pra mim, foi como um espetáculo de humor assistir ele sendo zuado pelos amiguinhos dele no qual ele trocou pela família por boa parte da sua vida.


–Jasper do céu! – Orlindo correu até mim.


–Que foi? – ergui uma sobrancelha, incomodado com sua empolgação desnecessária.


–O que quer você fez? – ele ergueu uma sobrancelha e bateu o pé umas três vezes no chão.


–Ué... Eu só espalhei a foto por toda a escola. Invadi a secretária, peguei o dado dos alunos e enviei a foto pro e-mail e celular de praticamente todos os estudantes. – dei de ombros.


–Monstro! – ele quase gritou – Desalmado... Sem coração... – ele se encolheu – Não viu como seu irmão entrou aqui, pude jurar que ele estava com cara de choro, nem ligou quando eu zuei com ele por estar matando aula, nem me chamou de fanta uva, ou coisa parecida... Só subiu correndo e desde já não sai daquele quarto, que por sinal está trancado.


–Tentou entrar lá? – ergui uma sobrancelha e ele negou com a cabeça – Edward chorando... – debochei – Aquele ali é feito de pedra, não tem lágrimas não. Ele não choraria nem se o pai morresse, na verdade... Acho que isso, de alguma maneira, o faria feliz. Já que não se importa com ninguém, ah não ser consigo mesmo.


–Pois ele chorou, eu vi com esses olhos que a terra não há de comer, porque são muito lindos. Os olhos dele era de alguém que havia chorado, estavam vermelhos, e...


–Com certeza se enganou. – bufei.


–Sabe, Jas... Não estou te reconhecendo mais. Acabar com a vida do seu irmão faz com que sua vida se torne legal? – ele ergueu uma sobrancelha, a voz dele grossa, como nunca antes, me deu um pouco de medo.


–Não pedi que me reconhecesse, tampouco pedi sua opinião. – bufei irritado.


–Está deixando que essa coisa de vingança te controle. Sei que o Edward errou, mas não era pra tanto. Me diverti naquela noite. – ele deu um riso sacana.


–Aquela era minha irmã, falou? Se tocar nesse assunto mais uma vez, vai ser uma bicha sem dentes. – rosnei furioso.


–Nossa... Jura? – ele me provocou – Jas... Não acho uma boa, não te pouparia só porque está sendo um otário, sou bom de briga, e não esqueceria disso se ousasse me dar um murro ou algo semelhante.


–Sendo um otário... Não, eu sempre fui tratado como um otário, não sou mais. – o encarei com raiva, pronto pra bater mesmo na cara dele caso brincasse com alguém da minha família, com exceção o Edward.


–Desculpe por ter transado com a Rosalie. – ele balbuciou.


–Ai ai, que casa de louco! Quer dizer que a bicha comeu a oxigenada? Isso é melhor que novela Mexicana. – tomei um susto ao ver Ardolina comendo chips sentada numa poltrona como se assistisse um programa interessante. Mas na verdade nos observava. Ignorei a velhinha e voltei a me concentrar naquela discussão.


–Desculpe? Simples assim? Isso não é coisa de amigo. Me poupe de transtornos sexuais, sabia que estava transando com uma mulher, transou porque quis! – quase berrei.


–Olha, ninguém mandou ter uma irmão gos... – lhe lancei um olhar de serial killer – uma irmã gosma. Quer saber? Vai lá se acabar de rir pela desgraça que causou na vida do seu irmão pra se sentir melhor, depois a gente conversa. Quando seus transtornos mentais desaparecerem, pelo menos um pouco deles.


–Se mande, e quando eu for no meu quarto, não quero te ver por lá. Se não se lembra, eu que te pus nessa casa, e posso te tirar quando bem entender. – bufei.


–Dane-se, otário. Preferiria morar no viaduto do que ter que aguentar sua nova personalidade. – Orlindo rosnou.


–Viadu-to, ótimo lugar pra você, sério mesmo... – ri.


–Falou, vou embora. – ele subiu as escadas e eu ergui uma sobrancelha. Dane-se, se ele acha melhor morar no viaduto, o problema vai ser dele.


–Então quer dizer que anda aprontando com o garo... Com o Edward, não é? – a velha fez uma bola com a embalagem da chips e pareceu apertar o mais forte que pôde.


–Tem algum problema com isso, velha? – bufei.


–Não, nenhum. – ela deu um riso maléfico, se levantou da poltrona e me virou as costas, subindo as escadas.


Bella PDV


Foi uma manhã agradável, depois do salão fomos a sorveteria e depois de tomarmos o sorvete, ficamos conversando sobre diversas coisas. Era incrível como o Jacob me fazia bem o tempo todo. Já que não tinha nenhum filme no cinema que tenha me agradado, combinamos de locar um filme e assistir em casa, ele optou por comédia, dizendo que eu precisava ri mais.

Enfim chegamos à minha casa, fiquei feliz por não ter ninguém na sala, pelo menos não no meu campo de visão. Jacob me beijou de surpresa, enquanto andávamos não sei pra onde. Interrompi o beijo com a mão e ele riu, entendendo. Lhe disse que tomaria um banho e trocaria de roupa, mas que já estaria de volta, não demoraria nada. Em seguida subi as escadas.

Edward PDV


Já passava das duas, e eu não havia comido nada. Estava morrendo de fome, mesmo querendo ficar trancado no quarto o dia todo, a fome era bem maior. Então saí do quarto disposto a atacar a primeira coisa que visse na geladeira. Desci as escadas correndo, e observei Jacob no sofá, com os pés em cima da mesinha de centro, por um desgraça ou um azar total da minha parte, ele virou e me encarou.


–Olha, olha... Cullen? – ele ergueu as duas sobrancelhas – Por que saiu do colégio tão cedo, Cullen? – ele se levantou.


–Não te diz respeito. – balbuciei.


–Ah, claro que não... – ele riu – Devo admitir que achei que era forte, mas é tão fraco que eu teria pena se não fosse um ser tão desprezível.


Eu o ignorei e fui até a cozinha, infelizmente ele veio atrás de mim, em completa provocação.


–O que você quer, me diga, O QUE VOCÊ QUER? – bufei.


–Nada não, não tem nada a me oferecer. Eu já tenho tudo, esse tudo inclui a Bella. – ele riu e eu bufei abrindo a geladeira. Observei a lasanha guardada numa vasilha de plástico e a peguei em seguida.


–Parabéns. – bufei pegando a lasanha a pondo no micro-ondas.


–Eu fico me perguntando... O que a Bella viu num otário como você? – ele riu.


–Que coincidência, iria te fazer a mesma pergunta. – sua cara de riso se transformou em raiva.


–Engraçado que agora o coração dela me pertence, e que tá dando um trabalho remendar os estragos que fez, mas quando eu terminar de consertar, ela nem vai lembrar que existe. – ele rosnou.


–O coração dela é seu? – zombei.


–O que é tão engraçado?


–O fato de não possuí-lo. – ri.


–Quem disse que eu não possuo? – ele ergueu uma sobrancelha.


–Pergunta pra ela se ela te ama. – bati na cabeça, não deveria ter dito isso. Isso poderia colocar a Bella numa situação ruim.


–Não preciso, é claro que ama. – ri.


–Tá bom... – observei o tempo passando, até os segundos prendiam a minha atenção.


–Não sei aonde quer chegar com esse seu argumento de merda. Mas... Se tá achando que pode roubá-la de mim, está muito enganado. – ele quase cuspiu na minha cara.


–Se eu quisesse, o faria. – bufei.


–Ela não iria querer você, fracassado. Aposto que ela nem pararia pra pensar em quem escolheria, eu que sempre fiz bem a ela. – ele apontou pra si.


–Não quero jogar com você, não quero apostar a Bella, já fiz muita merda com ela pra agora querer apostar ela como se fosse uma mercadoria. Deixa a droga da minha vida como está. Só quero comer a minha lasanha. Você diz que faz bem a ela, mas uma hora ou outra, vai acabar machucando ela. Sei muito bem que um joguinho te deixaria empolgado, que você gosta de uma disputa, mas eu já cometi erros demais na minha vida pra ficar disputando logo ela, que vale tanto. Você não merece ela, tampouco eu. – bufei.


–Tá na cara que você quer pegar a Bella. Ela é minha, me pertence. E, mesmo que eu tenha que forçar, irei fazer com que ela deixe de se importar com você, deixe de te amar. Tá em evidência que se apaixonou por ela também, acho que até ela desconfia, mas nunca vou deixar que essa tese da cabeça dela seja comprovada.


–Faz o que você quiser, Jacob. Eu não ligo. – bufei.


–É exatamente isso que eu vou fazer, só espero que não apareça no meu caminho, posso pisar em você por acidente. – ele riu.


Continua...



Notas finais
Não se esqueçam de comentar. Adios.